Relativamente ao alimento ingerido, é de salientar que na mudança do alimento de iniciação para os regimes experimentais, realizou-se um pequeno período de adaptação dos animais principalmente no regime MA e MAR. O regime MAM, devido a problemas técnicos Comprimento (cm/kg) 45.28b 46.39ab 45.39b 49.40a 0.62 0.06 Íleo (g/kg) 11.08 10.94 11.00 11.86 0.27 0.61 Comprimento (cm/kg) 45.56 44.76 47.05 48.65 0.78 0.31 Ceco* (g/kg) 4.58 4.73 5.41 5.21 0.17 0.29 Comprimento** (cm/kg) 10.80 10.22 10.82 9.79 0.18 0.11
Controlo MA MAR MAM SEM P-value
Duodeno + jejuno 3.63c 5.38b 6.79a 5.52a 0.27 <.0001 Íleo 5.21b 10.52a 12.70a 13.65a 0.73 <.0001
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da adição da mistura enzimática com a Chlorella, apresentou grumos que prejudicaramm a sua homogeneidade. Posteriormente, procedeu-se à moagem destes grumos até atingir uma homogeneidade desejável, não sobreaquecendo a mistura. Como se pode observar na Figura 6, o aspeto visual dos regimes onde se adicionou a Chlorella apresenta diferenças. O MAM é diferente dos outros dois (MA e MAR) devido ao que foi referido anteriormente. As diferenças observadas na ingestão dos regimes com a presença de Chlorella em comparação ao Controlo deveu-se ao sabor, odor e textura (Abdelnour et al. 2019; Halle et al. 2009).
Foi notório durante a execução do ensaio experimental que a alteração da alimentação para os regimes experimentais, levou ao empastamento dos bicos dos frangos. Este empastamento foi observado nos regimes onde se incorporou a microalga, nomeadamente o MA e o MAR, no entanto, também se detetou, em alguns casos para os outros dois regimes. Uma das razões para o empastamento ocorrer é o facto de o alimento ter sido administrado sob a forma de farinha. Ainda, a Chlorella foi adicionada desidratada e sob a forma de pó, o que por sua vez quando em contacto com a saliva dos animais ou com água, formava um pequeno empastamento no exterior dos bicos, como apresentado na Figura 9. Em futuros ensaios seria interessante a utilização de regimes sob a forma de granulado de forma a verificar se existe diferenças significativas nos resultados zootécnicos em relação ao modo como é apresentado o alimento a estes animais. Contudo, a administração a forma de farinha foi feita de maneira a não comprometer a razão pela qual foram incorporada as enzimas, uma vez que processos como a granulação podem provocar a desnaturação das mesmas (Boltz et al. 2019), comprometendo assim a sua função.
Figura 9. Empastamento dos bicos em dois regimes alimentares diferentes. Esq. Regime com
Chlorella, Dir. Regime Controlo
A utilização da mistura enzimática partiu dos resultados positivos in vitro da degradação das membranas celulares da Chlorella, por isso a necessidade de testar nos animais. No caso do Rovabio®, que também é uma mistura enzimática muito utilizada em avicultura comercial, tem a capacidade de degradar as paredes celulares das plantas terrestres mas não está testada para as plantas aquáticas. Logo, a sua escolha foi para perceber se a sua utilização com a Chlorella seria um fator positivo na alimentação dos frangos.
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Relativamente à viscosidade dos conteúdos digestivos, foram observadas diferenças importantes. O regime Controlo apresentou valores inferiores aos rigimes que contêm a Chlorella. Estas diferenças podem estar correlacionadas com a dimensão do comprimento do jejuno, devido à adaptação do intestino perante um novo regime alimentar. Pestana et al. (2020), relataram que com a utilização de uma baixa concentração da microalga Spirulina (0.10 %) ocorria a gelificação das proteínas, contribuindo para a diminuição da digestibilidade dos aminoácidos e consequente aumento da viscosidade conduzindo assim ao aumento dos órgãos digestivos.
Rezvani et al. (2012), utilizaram frangos de carne machos ROSS 308, formulando dietas à base de milho e soja, contendo 0, 0.07 %, 0.14 % e 0.21 % de Chlorella. Os autores verificaram que não houve diferenças significativas no ganho de peso dos animais entre os tratamentos. No que diz respeito ao índice de conversão, os frangos alimentados com o controlo apresentaram maior índice de conversão comparando com os frangos suplementados com a Chlorella (p<0.05). Já Kang et al. (2013) utilizaram a mesma microalga no estado seco e líquido como suplementação nos regimes para frangos durante duas semanas na fase de crescimento. Foi adicionado 1 % de Chlorella em pó e 1 % de Chlorella fresca líquida a um regime de controlo à base de milho e bagaço de soja. O autor concluiu que o ganho médio diário foi superior nos regimes com a adição de Chlorella comparativamente ao controlo (p<0.05). A ingestão de alimento e o índice de conversão dos frangos não foram diferentes dos frangos que ingeriram o alimento de controlo (p>0.05).
Kang et al. (2016), num estudo semelhante, incorporaram 0 %, 2.5 %, 5 % e 7.5 % de Chlorella, como fonte proteíca, na dieta de frangos (Ross 308) tendo como base milho e bagaço de soja. Teve a duração de 35 dias, no entanto, tendo as dietas estudadas só foram administradas nas duas últimas semanas. Os resultados que obtiveram, indicam que quanto maior a inclusão da microalga melhor era o ganho médio diário, a altura das vilosidades e o aumento da profundidade das criptas (p<0.05). Relativamente ao alimento ingerido e índice de conversão não se obtiveram diferenças entre as diferentes quantidades de microalga incorporada (p>0.05). Segundo os autores, o desenvolvimento geral das vilosidades, pode refletir o estado de saúde do trato gastrointestinal do animal. Sendo o intestino delgado o principal local da digestão enzimática e absorção dos nutrientes, o aumento da altura das vilosidades e da profundidade das criptas na alimentação com Chlorella é visto como um critério para avaliar a capacidade digestiva da microalga, e ainda sugere que esta suplementação pode aumentar a população de bactérias probióticas e, ao mesmo tempo, reduzir as bactérias entéricas prejudiciais.
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Comparando estes estudos de vários autores com o nosso estudo, existe uma diferença na quantidade de Chlorella incorporada. Na maioria dos trabalhos realizados em aves a microalga é utilizada como fonte de suplementação. O nosso estudo de um ponto de vista científico é algo inovador, pois, utiliza a Chlorella como fonte proteíca em substituição percentual de bagaço de soja. Sem grandes diferenças nos valores dos índices zootécnicos, a viscosidade dos conteúdos digestivos nos animais que ingeriram a microalga é um dado que se deve ter em consideração.
Tanto no nosso estudo como no de Kang et al. (2016), houve um aumento do tamanho do intestino delgado dos frangos, independentemente das diferenças de incorporação da microalga na alimentação. É de salientar que este aumento se deve, portanto, à adaptação do intestino para a digestão dos constituintes da Chlorella devido à gelificação das proteínas.
A digestibilidade da Chlorella é um fator que tem de ser mais estudado pela comunidade científica. A utilização do Rovabio® e da mistura enzimática poderão ter provocado um efeito na viscosidade no duodeno e jejuno, não existindo diferenças entre eles. A baixa digestibilidade e uma viscosidade elevada leva a que as fezes dos animais sejam mais húmidas, tornando assim as suas camas também mais húmidas, levando assim a um aumento de problemas de saúde para os animais criados em explorações.
Independentemente da quantidade de Chlorella que se possa introduzir nos regimes dos frangos as suas performances zootécnicas não apresentam grandes diferenças significativas que justifiquem a sua utilização. Não existindo muitos estudos com a mesma concentração de Chlorella utilizada neste estudo, é de salientar que como não houve diferenças significativas relevantes nas performances zootécnicas dos frangos, a utilização da Chlorella vulgaris pode trazer benefícios para a saúde dos animais durante o seu tempo de vida e vantagens nutricionais na carne para o consumidor (Madeira et al. 2017;Becker 2007;Świątkiewicz et al. 2015).
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