ENSEIGNEMENT EFFICACEENSEIGNEMENT EFFICACE
CATÉGORIES CARACTÉRISTIQUES NIVEAUX DE MAÎTRISE DE LA LANGUE
B. Gestion de la classe et du comportement des élèves
Os procedimentos visando à coleta de dados iniciaram ainda no segundo semestre do ano de 2007, quando foi escolhido o cenário que seria utilizado para a pesquisa. Após a escolha, sucessivas visitas aconteceram na UMS Satélite. A aproximação ocorreu de forma gradativa, mediada pelo diálogo, intuição e empatia (AZEVEDO, 2005). Após todos os procedimentos legais necessários (autorização da Secretaria Municipal de Saúde e Meio Ambiente –SESMA; e aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFSC (Anexos B e C), iniciamos a coleta de dados. Esta ocorreu nos seguintes períodos: de outubro de 2008 até março de 2009; de agosto de 2009 até março de 2010; e ainda no mês de agosto de 2010.
Para a etapa inicial da coleta de dados da pesquisa, contamos com o auxílio da enfermeira, da técnica de enfermagem e de uma das médicas do período vespertino. As pessoas eram abordadas nos corredores onde aguardavam pelas consultas médicas e/ou de enfermagem, sendo convidadas para participar da pesquisa. Atendidos os critérios de inclusão, procedíamos com as entrevistas. Algumas atendiam de imediato, entretanto, aconteceram algumas recusas. Posteriormente, optamos por esperar que as pessoas recebessem atendimento médico e/ou de enfermagem, para, em seguida, fazermos o convite. Também solicitávamos que, logo após o atendimento prestado, as profissionais encaminhassem as pessoas ao consultório onde as entrevistas eram realizadas. A recusa tornou-se inexistente.
As entrevistas foram gravadas em mp4, em seguida transcritas através de software via voice; posteriormente, eram analisadas e codificadas de acordo com as técnicas estabelecidas pelo método em uso. Inicialmente, foram realizadas na Unidade de Saúde; posteriormente, visitamos algumas residências onde fizemos outras entrevistas ou complementamos as iniciais. Alguns familiares foram entrevistados nos locais de trabalho ou nas residências, tendo acontecido o mesmo com os representantes de outras instituições da comunidade. Os profissionais de saúde foram entrevistados no local de trabalho.
A coleta de dados foi feita através de entrevistas individuais, exceto em casos em que elas ocorriam nas residências, uma vez que sempre havia outras pessoas da família acompanhando a pessoa entrevistada. No total foram realizadas 49 entrevistas com os 35 participantes, sendo que quatro pessoas com hipertensão arterial, três profissionais e um familiar foram entrevistados mais de uma vez. Para a
coleta de informações sobre os dados pessoais, foi utilizado um roteiro específico para identificação dos mesmos. As entrevistas duraram em média 31 minutos.
Acreditamos ser importante narrar fatos acontecidos que poderão colaborar ou servir de exemplo para novos pesquisadores. Strauss; Corbin (2008) afirmam que a coleta de dados deve ser seguida imediatamente pela análise, ou como diz Mello (2005, p. 18): “a fase de coleta de dados se superpõe a de análise, ou seja, são etapas que ocorrem concomitantemente”. Porém já previam Strauss; Corbin (2008) que pesquisadores iniciantes ficam tão entusiasmados – diríamos tão ansiosos ou ‘perdidos’ naquele mundo de informações e acontecimentos distintos – com a coleta de dados que fazem mais entrevistas ou observações sem analisar o que já têm em mãos. “Eles rapidamente se sentem massacrados com a quantidade de informações analíticas que surge durante a análise” (ibidem, p. 200).
Os mesmos autores também pontuam a habilidade pouco desenvolvida para fazer esse tipo de entrevista. As primeiras tendem a ser delineadas ou desajeitadas, enquanto que as últimas tendem a ser mais ricas em dados por terem sido mais exploradas, dada a melhora da habilidade ou, diríamos, dada a sensibilidade que foi aguçada (STRAUSS; CORBIN, 2008). Essas foram nossas experiências como iniciantes. Porém, como a Grounded Theory nos agracia permitindo o ir e vir aos dados e aos informantes, num movimento dinâmico e produtivo, foi possível corrigir as falhas iniciais da coleta de dados e, dessa forma, aprofundar e refinar os conceitos surgidos nas entrevistas iniciais.
As entrevistas ocorreram de forma livre, permitindo que as pessoas com hipertensão arterial refletissem sobre como vivenciam sua rede de apoio social, como acontece a interação entre os integrantes e como se dá a relação com a doença, mesmo que para eles isso não seja tão claro ou evidente como possa parecer. Para os demais, as perguntas emergiram na medida em que os dados foram sendo analisados e surgindo os conceitos.
A entrevista do primeiro grupo amostral, identificado como G1 (Quadro 1), foi composta por duas questões visando estimular as pessoas com hipertensão arterial a relembrarem fatos que vivenciaram por conta da descoberta da doença: a) Como você descobriu que tinha hipertensão arterial? b) Como é viver com hipertensão arterial? Essas perguntas iniciais desdobraram-se, ao longo das entrevistas, em outras questões relacionadas às demandas originadas pela doença, ao tratamento, à convivência com a família e demais pessoas próximas, à
convivência com a comunidade e com os serviços de saúde/profissionais de saúde, enfim, em questões relacionadas ao lidar com a própria doença. Já iniciava então o delineamento da formação da Rede de Apoio Social – fenômeno em estudo – cujo foco foi o que moveu a formação dos demais grupos amostrais para verificar similaridades e diferenças entre os conceitos e categorias.
Os inúmeros conceitos que surgiram nessas entrevistas, ou seja, os blocos de construção da teoria, com suas propriedades e dimensões, foram se desdobrando num processo analítico que originou a necessidade de formar novos grupos amostrais, pois era preciso mais exploração para elucidar ou aprofundar alguns conceitos que emergiram.
As hipóteses que surgiram no processo de análise dos dados deste grupo (G1) e que se expressam como pressupostos foram as seguintes: a) As pessoas que mais ajudam no tratamento daqueles com hipertensão arterial, no que se refere ao atendimento das demandas, são os familiares e os profissionais de saúde; b) O apoio oferecido pela rede às pessoas com hipertensão arterial acontece por conta das interações entre seus integrantes; e c) As instituições de saúde participam no atendimento às demandas das pessoas com hipertensão arterial. Algumas categorias relacionadas a essas hipóteses ainda precisavam de mais densidade e, dessa forma, surgiu a necessidade do segundo grupo amostral, identificado como G2 (Quadro 1).
As perguntas que orientaram as entrevistas deste segundo grupo amostral foram as seguintes: “Quem ajuda no seu tratamento?”, “De que forma as pessoas o ajudam?”; e “Qual sua opinião quanto ao serviço de saúde?”. As demais perguntas emergiram em decorrência dos conceitos relacionados ao atendimento das demandas identificadas no primeiro grupo amostral. As hipóteses levantadas foram sendo confirmadas e consolidadas ao longo da formação dos grupos, entretanto, questionar a respeito do serviço de saúde fez surgir inúmeros conceitos e categorias que colocaram em evidência as fragilidades do sistema de saúde no atendimento às demandas originadas pela doença, principalmente no que se refere ao atendimento pelos especialistas, à provisão de medicamentos, bem como à realização da dieta hipossódica. A referência aos profissionais como quem dá apoio emocional emergiu neste grupo como um conceito que precisou ser refinado para a compreensão desta interação. As hipóteses levantadas foram as seguintes: a) As dificuldades no sistema de saúde é que impedem o acesso aos serviços especializados ou que contribuem para a demora no atendimento, e b) Os profissionais de saúde são evidenciados como aqueles que também oferecem apoio emocional às pessoas com
hipertensão arterial. Buscar sustentação para essas hipóteses foi o que levou à formação do terceiro grupo amostral, identificado como G3 (Quadro 1).
As questões que conduziram as entrevistas do terceiro grupo amostral foram: “Fale-me sobre a falta de remédio na Unidade de Saúde e a condição financeira da pessoa com hipertensão arterial”; “Como você vê a questão do encaminhamento para os médicos especialistas?”; e “Como você vê o seu papel como profissional no atendimento às pessoas com hipertensão arterial”. As demais perguntas emergiram em consequência destas no sentido de aprofundar as discussões.
A composição deste grupo amostral, inicialmente, foi motivada pela necessidade de comparar dados obtidos quanto à dificuldade de acesso aos serviços de saúde, principalmente originada pela percepção das pessoas com hipertensão arterial, além de comparar diferentes percepções entre os próprios profissionais de saúde quanto ao conceito em questão. A formação do grupo amostral permitiu verificar as variações significativas dentro do próprio grupo. Isto implica dizer que a escolha dos participantes ocorreu na medida em que essas variações foram acontecendo. Posteriormente, foram incluídos neste grupo representantes de outras instituições da comunidade como a Igreja Católica, a Pastoral da Saúde e a Federação Espírita Paraense, porque seus representantes ou a instituição foram referidos em algum momento durante as entrevistas das pessoas com hipertensão arterial ou foram buscados para esclarecer dúvidas surgidas nas análises das entrevistas. De alguma forma, eles representam aqueles que oferecem algum tipo de apoio a essas pessoas.
Na busca de inconsistência nos dados coletados, sentimos a necessidade de refinar e tornar mais densas as categorias relacionadas às demandas originadas pela doença, especificamente aquelas relacionadas ao significado da alimentação para a pessoa com hipertensão arterial e temas emergentes como as formas de acesso aos serviços de saúde.
As hipóteses originadas nas inconsistências dos dados coletados foram as seguintes: a) As pessoas com hipertensão arterial dão diferentes significados para a alimentação, o que pode influenciar na realização da dieta; e b) O acesso aos serviços de saúde ocorrem de diferentes maneiras, não seguindo um protocolo estabelecido ou uma lógica concreta no atendimento às pessoas com hipertensão arterial. Para a sustentação dessas hipóteses, foi formado o quarto grupo amostral identificado como G4 (Quadro 1). As questões que orientaram as entrevistas foram as seguintes: “Qual o significado da alimentação para você?” e “Conte-me como foi que você chegou até aqui no Posto de
Saúde”. As demais perguntas emergiram em função do diálogo estabelecido por conta das perguntas iniciais.
Referenciados de alguma forma pelos demais integrantes da rede, os familiares ocupam lugar importante na Rede de Apoio Social. Em função disso, formamos mais um grupo amostral, identificado como G5 (Quadro 1). Algumas hipóteses discutidas com outros grupos foram também questionadas, tais como: a) As pessoas que mais ajudam no tratamento daqueles com hipertensão arterial, no que se refere ao atendimento das demandas, são os familiares e os profissionais de saúde; b) O apoio oferecido pela rede às pessoas com hipertensão arterial acontece por conta das interações entre seus integrantes. As perguntas que conduziram as entrevistas deste grupo foram as seguintes: “Como você vê / percebe sua participação no tratamento da hipertensão arterial de seu familiar”? e “Comente como você se sente fazendo parte dessa rede de apoio de seu familiar e de ser referenciado por ele”. Como nas demais amostragens, as perguntas que se seguiram foram na tentativa de aprofundar as questões levantadas na intenção de buscar mais conceitos ou de refinar as categorias identificadas.
O sexto grupo amostral foi formado com o objetivo de validar o Modelo Teórico criado. Este foi chamado de Grupo de Validadores, identificado como G6 (Quadro 1). Seus componentes seguiram os critérios de validação tais como ajuste, compreensão e generalização teórica, apresentados no Capítulo 5.
Cabe relembrar que o foco central é o fenômeno – a formação da Rede de Apoio – sendo este evidenciado em todas as amostragens. Na medida em que se processava a amostragem, dávamos continuidade ao processo dinâmico cujo objetivo era identificar a formação da rede de apoio social às pessoas com hipertensão arterial.
Os grupos amostrais foram compostos de acordo com o emergir dos conceitos originados e/ou relacionados diretamente com o fenômeno em estudo. Dados e análises concomitantes nortearam a inclusão de novas pessoas necessárias para a construção da teoria, compondo dessa forma outros grupos amostrais. A composição também integrou aquelas pessoas referenciadas e que, dessa forma, passaram a compor a rede. Mas sempre que era possível ou que havia necessidade, retornávamos às pessoas entrevistadas anteriormente, o que é sustentado pelo método. Assim sendo, a definição da amostragem se tornou possível a partir da coleta de dados e de análises concomitantes, permitindo a elaboração de questionamentos e hipóteses para serem desenvolvidas ao longo do processo de identificação da formação da rede de apoio social de pessoas com hipertensão arterial.