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3 Gestes et langue étrangère

3.3 Les gestes de l’enseignant de langue étrangère

3.3.1 Gestes et méthodologies d’enseignement des langues

Este estágio revelou-se muito enriquecedor para o meu desenvolvimento enquanto Treinador de Futebol. Proporcionou-me um conjunto de experiências e vivências que me ajudaram a melhorar algumas competências, bem como desenvolver novas competências e capacidades que até ao momento não tinha tido a necessidade de promover.

A primeira experiência, desde logo, dita como “nova” para mim foi lidar com um escalão de juniores. Até ao momento, a minha experiência tinha sido direcionada para escalões com idades inferiores, lidando com jogadores entre os 9-12 anos. Neste momento, a minha capacidade de adaptação foi, imediatamente, posta à prova. A linguagem utilizada com os jogadores quer em treino ou noutro contexto, formal ou informal, teve que ser adaptada. Numa fase inicial, revelou-se uma tarefa um pouco complicada pois os 2 anos de vivência em escalões de sub10 e sub12 criaram em mim hábitos e rotinas de linguagem que eram desadequados para usar, naquele contexto, com jogadores juniores. Contudo, observando a linguagem utilizada e o tipo de feedback utilizado pelo treinador principal, fui adaptando a minha linguagem e conseguindo enquadrar- me no respetivo contexto.

Outra dificuldade com a qual me defrontei, mas que já esperava, derivado da minha experiência enquanto jogador federado de futebol era o facto de conseguir adquirir o respeito e atenção dos jogadores, não sendo visto apenas como um “estagiário”. Desta forma e como já esperava esta dita “barreira”, na conquista do respeito e reconhecimento de competência da parte dos jogadores, adotei algumas estratégias com o objetivo de ir conquistando os jogadores passo a passo.

Primeiramente, o meu principal objetivo passava por, numa fase inicial, não dar muita confiança aos jogadores, contudo, sem nunca desprimorar alguma ajuda de que pudessem necessitar. Depois, numa segunda fase, através da transmissão de alguns feedbacks, em treino, nos quais eles verificavam que os

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ajudava a melhorar o seu rendimento em determinado aspeto. E pela realização de alguns trabalhos de vídeo e power points, sendo eu próprio a fazer a apresentação dos mesmos, bem como o esclarecimento de qualquer dúvida que eles tivessem. Com todos estes pequenos passos que fui realizando, os jogadores começaram a reconhecer-me competência, bem como começaram a identificar em mim alguma influência nas tomadas de decisão, dado as tarefas que o treinador principal me atribuía.

A partir deste momento, fui podendo estabelecer uma relação mais próxima com os jogadores, pois eles já demonstravam capacidade para perceber os limites que podiam ou não ultrapassar. Esta relação com eles foi facilitada a partir do momento que souberam que era jogador de futebol federado, recorrendo muitas vezes a mim para alguns problemas ou queixas que poderiam ter e pensariam, à partida, que eu teria maior capacidade compreensiva por perceber a posição em que se encontram. Cabendo-me a mim perceber a informação e o feedback, dos jogadores, que era importante transmitir ao treinador principal, servindo como de elo de ligação entre jogadores e treinador principal.

Relativamente a este assunto, os exemplos mais predominantes eram os descontentamentos de alguns jogadores por não serem utilizados tantas vezes quantas as que desejavam. Neste capítulo, a minha atuação tinha de ir no sentido de não permitir que os jogadores em questão desmoralizassem e diminuíssem o seu rendimento em treino. O objetivo passava por fazer-lhes perceber que o facto de revelarem insatisfaçãoera “bom sinal” pois demonstrava a vontade que tinham em jogar e ajudar a equipa. Contudo, esse descontentamento e insatisfação nunca poderiam espelhar-se na sua atitude e empenho no treino, pois nesse caso as suas hipóteses de ter uma oportunidade para jogar diminuíam exponencialmente. De forma, a diminuir as suas frustrações e aumentar a sua atenção ao que lhe estava a transmitir, ia dando exemplos práticos da minha vivência enquanto jogador, fazendo-lhes perceber que percebia a sua frustração mas que as nossas escolhas e opções nunca eram tomadas com o objetivo de prejudicar algum jogador. Geralmente, através desta abordagem conseguíamos manter o jogador motivado e focado no seu trabalho,

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o que se revelava muito positivo, acabando os mesmos por terem as suas oportunidades.

Na minha opinião, a minha relação com os jogadores foi um dos aspetos mais positivos que adquiri este ano, o que demonstra, de certa forma, o resultado positivo da minha adaptação a escalões de idades superiores.

Fazendo referência à minha relação com o treinador principal, este demonstrou ser bastante recetivo pondo-me, desde logo, “à vontade”. Contudo, neste capítulo também tive que saber, mais uma vez, adaptar-me, visto as ideias em termos de metodologias de treino e em relação a algumas ideias de jogo revelarem-se bastante distintas. Sendo a última decisão do treinador principal tive de adotar uma postura na qual demonstrava as minhas ideias de forma respeitosa e gradual. Simultaneamente, tinha que demonstrar disponibilidade e empenho no auxílio prestado durante o treino, apesar de muitas vezes, não concordar ou não me identificar com o trabalho planeado e, consequentemente, realizado. Esta situação, para mim, foi muito proveitosa, pois enquanto treinadores adjuntos vimo-nos, frequentemente, confrontados com situações desta índole, tendo que estar preparados para nos adaptarmos a qualquer situação e qualquer treinador. A saída da nossa zona de conforto torna-se numa necessidade imperial para desenvolvermos capacidades complementares às que já possuímos, como foi o meu caso. Permitiu-me, ainda, vivenciar situações de treino diferentes, bem como problemas completamente distintos com os quais, até então, nunca tinha sido confrontado.

O facto de ter estado inserido numa equipa de Futebol de 11, também foi uma “novidade” para mim, tendo apenas estado inserido em equipas de Futebol de 7. Esta situação permitiu-me desenvolver capacidades de planeamento e pensamento completamente distintas das que são exigidas para uma equipa de Futebol de 7. A gestão de um grupo de 20 ou mais jogadores revela-se completamente distinta da gestão de um grupo de 10/12 jogadores. A primeira adaptação mental que tive de realizar prendeu-se com o planeamento das sessões de treino. Este exercício revelou-se muito enriquecedor para mim. O exercício mental exigido para ajustar as minhas ideias, ao número de jogadores

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e às interações entre eles, em relação a alguns exercícios, foi muito proveitosa. Numa fase inicial, sentia dificuldades em conseguir englobar todos os jogadores no planeamento da sessão de treino, pois muitas vezes tinham de ficar de fora 2 ou 3 jogadores e, nesse momento, demonstrava alguma dificuldade em perceber o que seria o mais adequado eles realizarem, visto muitas vezes, o treinador principal delegar-me as funções de ficar a realizar um trabalho específico com os jogadores que não estavam a participar no exercício em questão.

A decisão pelo trabalho realizado, com estes jogadores, era deixada ao meu critério. Pensando no que poderia ser feito, geralmente, com 3 ou 4 jogadores, cheguei à conclusão que poderia ser muito vantajoso e afetar o rendimento dos jogadores de forma positiva, se promovesse um trabalho coordenativo, de força e resistência muscular com uma vertente predominantemente preventiva de lesões. Após transmissão das minhas intenções, ao treinador principal, este concordou totalmente e deu-me inteira liberdade para criar os exercícios que pretendia.

Esta situação permitiu-me desenvolver competências numa área na qual não me sentia muito à vontade, uma vertente mais direcionada para a preparação física do jogador, mas sempre com uma perspetiva de prevenção de lesões com o objetivo de dotar o atleta de níveis de força e resistência que lhe permitiriam melhorar os seus índices de performance desportiva. Esta minha função obrigou- me a algumas pesquisas e leituras sobre determinados assuntos, principalmente, acerca do trabalho preventivo que deve ser realizado com jogadores de futebol. Devido ao reduzido material para a realização deste tipo de trabalho, a minha capacidade criativa teve de ser ainda maior, tendo que realizar os exercícios no campo e, quase sem material. Deste modo, os exercícios eram baseados em exercícios funcionais, com apenas o peso corporal a servir de carga. Um exemplo efetuado, frequentemente, e que demonstra o tipo de trabalho que era realizado, era o simples movimento de agachamento.

Esta nova experiência permitiu-me adquirir um conjunto de competências em relação a este tipo de trabalho, que penso que serão muito vantajosas para

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futuros desafios e projetos que possa vir a abraçar. Visto, atualmente, devido à pouca experiência que temos e à impossibilidade de liderar uma equipa de nível sénior a curto prazo, a área de trabalho ligada à preparação física do atleta pode assumir-se como uma porta de entrada para futuros voos.

O treinador principal, ao presenciar a minha evolução, enquanto treinador, no que diz respeito à administração das funções que me eram atribuídas no treino e, no que diz respeito à minha relação com os jogadores, este, por vezes, por impedimentos pessoais e profissionais não conseguia estar presente nas sessões de treino, delegando para mim as funções de comando do processo de treino.

Para mim, nas primeiras vezes que aconteceu, não foi fácil estar sozinho perante um grupo de 20 jogadores. Tendo que organizar toda a sessão de treino de modo a conseguir que fosse gerida apenas com um treinador presente, neste caso eu. Após a passagem por estas situações, posso afirmar que estas experiências foram das mais enriquecedoras para a minha atividade enquanto treinador, tendo que atuar, nesses dias, como se fosse eu o gestor de todo o processo operacional do treino e das restantes questões relativas aos jogadores. Obrigou-me a perder o receio e a ansiedade de enfrentar os jogadores, tendo que dialogar com eles quer para a explicação dos exercícios que iriamos realizar em treino, quer para transmitir outras informações externas ao treino. De realçar, igualmente, que esta situação se verificou em alguns dias de jogo, nos quais o treinador principal não pôde estar presente.

Este conjunto de vivências permitiu-me um crescimento exponencial, enquanto treinador, estando capaz de afirmar que após estas experiências vivenciadas no seio do Leixões SC, sinto-me capaz de desempenhar as funções de treinador principal em equipas de futebol de 11, nas quais tenha conjuntos alargados de jogadores.

Concluindo, este ano de estágio no Leixões SC, penso que foi muito positivo para o meu desenvolvimento enquanto treinador. Como referido anteriormente, permitiu-me melhorar capacidades, bem como desenvolver novas competências. Após esta experiência, num contexto, caracterizado por alguma

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instabilidade, penso estar preparado para futuros desafios e projetos, quer seja para assumir funções de treinador adjunto, quer para assumir funções de treinador principal. Prova do reconhecimento do trabalho realizado foi o convite do treinador principal em seguir com ele para o Boavista FC, como seu adjunto. Proposta que aceitei com bastante apraz e satisfação, pois revelou ser o culminar de uma época desportiva de trabalho, recompensada pelo trabalho e empenho demonstrado durante o ano.

137 CAPÍTULO V