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3 GEOLOGICAL AND HYDROGEOLOGICAL CHARACTERISTICS From the geological point of view the studied area is associated with a structural unit of

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3 GEOLOGICAL AND HYDROGEOLOGICAL CHARACTERISTICS From the geological point of view the studied area is associated with a structural unit of

Em 1987, Gérard Genette, crítico literário francês e teórico da literatura, publica Seuils, relevante obra para a pesquisa em paratextos editoriais. Em 2009, 22 anos após sua publicação, a Ateliê Editorial, com sede em Cotia-SP publica, dentro da série Artes do livro 7, a tradução brasileira de Álvaro Faleiros, Paratextos Editoriais, uma importante referência na área.

Em um livro de treze capítulos e 372 páginas, Genette (2009) discorre acerca dos diversos tipos de paratexto existentes em uma obra literária: título, ilustração, prefácio, notas, apontando suas funções e sua importância em qualquer publicação. Logo em sua introdução, o autor chama a atenção para a quase impossibilidade de um texto literário se apresentar desacompanhado de elementos paratextuais:

Esse texto raramente se apresenta em estado nu, sem o reforço e o acompanhamento de certo número de produções, verbais ou não, como um nome de autor, um título, um prefácio, ilustrações, que nunca sabemos se devemos ou não considerar parte dele, mas que em todo caso o cercam e o prolongam, exatamente para apresentá-lo, no sentido habitual do verbo, mas também em seu sentido mais forte: para torná-lo presente, para garantir sua presença no mundo, sua “recepção” e seu consumo, sob a forma, pelo menos hoje, de um livro. (GENETTE, 2009, p. 9).

Segundo Genette, não existe e nunca existiu um texto sem paratexto, mas, em contrapartida, há paratextos sem textos, como é o caso de muitas obras “desaparecidas ou abortadas” que conhecemos apenas o título, por exemplo, “numerosas epopeias pós-homéricas ou tragédias gregas clássicas”, títulos isolados que temos um pouco mais com que sonhar do que em muitas obras disponíveis e legíveis em seu todo (ibidem, p. 11). O autor ainda atenta para a diferença entre duas

categorias de paratexto: o peritexto e o epitexto. A primeira consiste numa “mensagem materializada” e tem necessariamente um lugar que pode ser “em torno do texto, no espaço do mesmo volume, como o título e o prefácio, e, às vezes, inserido nos interstícios do texto, como os títulos de capítulo ou certas notas” (ibidem, p. 12). A segunda, discutida nos dois últimos capítulos do livro, também se concentra em torno do texto, porém a certa distância, e diz respeito a “todas as mensagens que se situam, pelo menos na origem, na parte externa do livro”, geralmente através de conversas, entrevistas etc., ou por meio de uma comunicação privada, como é o caso de correspondências e diários íntimos (ibidem).

Em geral, as antologias brasileiras de contos de Poe trazem uma ilustração na capa. Grosso modo, a capa é o cartão de visita do livro, a porta de entrada de uma obra. É ela “que destaca o livro nas vitrines e nos mostruários” e tem por objetivo “atrair a atenção de um possível leitor e ela pode ser mais ou menos apelativa, ou mais ou menos discreta, dependendo do público que a edição tem em vista” (CRUZ, 2007, p. 59). Acredito que, normalmente, uma obra traz uma ilustração indicativa do que propõe. Em algumas coletâneas traduzidas de Poe, o elemento imagético às vezes revela sobriedade, outras vezes se torna apelativo. Como afirma Cruz, “A necessidade de fisgar o leitor traz muitas vezes para a capa um elemento ilustrativo relativo à obra veiculada” (p. 60).

O título, como sabemos, é o nome atribuído ao livro e “serve para nomeá-lo, [...] designá-lo com tanta precisão quanto possível e sem riscos demasiados de confusão” (GENETTE, 2009, p. 76). As três funções do título estabelecidas por Charles Grivel: designação, indicação do conteúdo e sedução, segundo Genette, “não estão todas necessariamente presentes ao mesmo tempo”, mas apenas a primeira delas é obrigatória, “as outras duas são facultativas e suplementares, porque a primeira pode ser cumprida por um título de significado mudo, em nada ‘indicativo de conteúdo’” (p. 73).Poderíamos assim dizer que os títulos das antologias brasileiras de Poe contemplam, em geral, as três funções, pois, ao mesmo tempo em que identificam a obra, indicam também o seu conteúdo, de forma a seduzir o público com narrativas em que crime, mistério e morte figuram como temáticas principais, cito como exemplos as antologias: A carta roubada e outras histórias de crime & mistério (L&PM, 2003), Histórias extraordinárias (Companhia das Letras, 2008) e Contos de terror e mistério (PocketOuro, 2009).

Algumas antologias brasileiras de Poe são publicadas dentro de coleções que potencializam o nome da editora, por exemplo, L&PM Pocket, Clássicos para o jovem leitor (Ediouro), Clássicos Saraiva etc. O

título da coleção é, como diz o teórico, uma “duplicação do selo editorial, que indica imediatamente ao potencial leitor que tipo ou que gênero de obra tem a sua frente” (ibidem, p. 26). Por conseguinte, é interessante para a editora divulgar uma coleção de autores de fama nacional ou internacional, como é o caso de Poe, considerando que isso pode levar o leitor a adquirir uma obra que carrega um selo de garantia de qualidade. Do ponto de vista da editora, “a coleção é uma forma de organização e classificação de catálogo, com vistas a um mercado”, e esse mercado de leitores só pode ser conquistado através do prestígio do escritor e da credibilidade da editora que legitimam o selo da coleção. (CRUZ, 2007, p. 52). Logo, “Um autor famoso contribui com a sua fama pessoal para a construção da fama da editora. A editora em ambos os casos é qualificada de acordo com o prestígio dos autores e títulos de seu catálogo” (ibidem, p. 45), e Poe é apresentado por essas coleções como um dos maiores escritores da literatura mundial, precursor do gênero policial, mestre do mistério e do suspense.

Os paratextos consistem, portanto, de elementos informativos e de relevante importância na construção de uma obra e caracterizam-se por serem facilitadores da leitura, ajudando a explicá-la. Logo, esses elementos mediadores entre o texto e o leitor, podem ser bastante variados, o que vai depender do nível da edição. Em se tratando de textos traduzidos, que é o nosso caso, esses elementos “emolduram a obra traduzida e garantem um espaço de visibilidade à voz do tradutor” (TORRES, 2011, p. 12). Ademais, certos paratextos, como introdução, prefácio, posfácio, textos que veiculam alguma informação sobre a edição, o autor e sua escrita, “ancoram a obra no horizonte da crítica literária e definem parâmetros que conduzirão à leitura e recepção do texto traduzido na cultura de chegada” (ibidem). A análise dos elementos paratextuais (quartas capas, orelhas, prefácios/posfácios e notas) presentes nas antologias brasileiras de contos de Poe no século XXI, será o foco da minha discussão entre as seções 3.2 e 3.5.