• Aucun résultat trouvé

A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cercam, nos fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver.

Tzvetan Todorov

Essa fala de Todorov nos alerta para o poder da literatura. Como afirma o autor, não é que ela seja remédio para a alma, mas nos insere em um mundo onde habita o imaginário como forma de libertação do mundo real, fazendo de nós, seres humanos melhores, com potenciais para compreender com mais clareza a nós mesmos e o mundo ao nosso redor. E por conduzir em si esse poder de libertação do inconsciente, torna os indivíduos mais humanos, mais adeptos as relações com o outro.

Esse contexto nos faz lembrar as nossas interlocutoras, quando apresentam um pensamento aproximativo em relação à literatura. Todas, em voz uníssona, atribuem sentidos positivos a leitura, e em suas falas podemos identificar elementos que contribuem para o encaminhamento dos seus alunos no mundo lúdico, do faz-de-conta. As docentes entrevistadas ressignificam a sua prática em detrimento de um saber, ainda elementar, sobre a leitura, tendo a consciência que a literatura é fundamental na formação do aluno leitor.

“A gente não nasce sabendo que ler é prazeroso”. A professora Auta demonstra a

importância da mediação docente na aula de leitura de literatura. O professor se torna responsável por ensinar o gosto pela leitura, pois muitas crianças não tem o contato com os

livros fora do ambiente escolar, sendo a sala de aula a única oportunidade de encontro com a literatura. Segundo relatos das nossas interlocutoras, são poucos os alunos que tem livros em casa, por isso a escola tem que trabalhar para formar o aluno leitor.

Historicamente, a escola é responsável por inserir as crianças no mundo da leitura, processo esse, que se entrelaça com a alfabetização. Todavia, não vamos nos aprofundar na história da leitura, mas sim, voltar o nosso olhar para um ângulo mais específico: a literatura. Inserir leitura de literatura nas turmas de alfabetização é dar oportunidade para que os alunos ampliem sua visão sobre a arte, levando em conta que ―a função da arte é amplamente educativa.‖ (AGUIAR, 2011, p. 242).

A literatura, pela arte da palavra, expande os horizontes, e o leitor em contato com o texto literário torna-se mais crítico, provocativo, perceptivo, basta saber que o mundo ficcional é esse ―rio que faz voltas atrás de casa‖, com a beleza de um vidro que se curva para acompanhar o percurso da água. São imagens ricas de significados que fazem com que o leitor preencha os vazios do texto. É a imprevisibilidade que dá sentido a ação e leva o interlocutor a questionar sobre sua vida, suas verdades, reconstruindo-se frente às novas experiências suscitadas pelo texto literário.

Como produções verbais, elas [as obras literárias] compõem-se de ditos, não ditos e subentendidos. No entanto, os textos informativos, apelativos, argumentativos e tantos outros estão muito mais comprometidos com o referente externo do que com o literário. Neles os espaços em branco são mínimos, porque não pretendem sugerir e dar vazão à imaginação, mas garantir certezas, dar ordens, influenciar comportamentos. (AGUIAR, 2011, p. 242 grifo nosso).

Como é o caso do poema de Manoel de Barros. O referente - enseada - empobrece a imagem que se criou de um rio que se assemelha a uma cobra de vidro. Há no texto literário algo que fica subentendido e que influencia o leitor, sugerindo um trabalho com a imaginação. É como se o texto esperasse pelo seu receptor para conduzi-lo pelo caminho do não dito, economizando a escrita, ou delegando-lhe a complementação pelo ato imaginário.

Para Zila, trabalhar com a literatura ajuda a elucidar algumas questões importantes e que as crianças ainda não conseguem assimilar muito bem pelo grau de dificuldade ou pela subjetividade que evocam: “a partir da leitura eles [alunos] compreendem alguns temas que

são difíceis de tratar como morte, perda, separação, brigas, a gente consegue tratar isso de uma forma gostosa com os livros”. Segundo Barthes (1997, p, 19), a literatura representa os

E por ser a representação do real, a leitura de literatura age no imaginário, libertando o indivíduo das pressões inconscientes (BELTELHEIM, 2015). Quando lemos um livro criamos uma relação de experiência individual que atua pelo poder simbólico da obra literária, que por sua vez acontece a partir da recepção estética, isto é, quando o leitor adentra os sentidos do texto.

Para Stierle (1979, p. 135), a recepção estética acontece pelo processo de recepção entre leitor e texto, em que um atribui significado ao outro de acordo com a compreensão, e numa sequência de significantes. Uma determinada história pode ter vários significados de acordo com o que o texto provoca no leitor. ―a recepção abrange cada uma das atividades que se desencadeia no receptor por meio do texto, desde a simples compreensão até à diversidade das reações por ela provocadas‖.

Segundo Jouve (2002, p. 107), pela imaginação o leitor experimenta uma dupla sensação: a liberdade e a criatividade. ―A leitura é portanto, ao mesmo tempo, uma experiência de libertação (‗desengaja-se‘ da realidade) e de preenchimento (suscita-se imaginariamente, a partir dos signos do texto, um universo marcado por seu próprio imaginário).‖ (grifos do autor).

Pela experiência estética a leitura é tanto libertação de, como para, alguma coisa. Pois ao mesmo tempo em que liberta o leitor das pressões cotidianas, ou dos elementos da realidade, o torna perceptível às relações ou situações com o mundo que o cerca, pelo contato com a ficcionalidade do texto.

Os contos de fadas, por exemplo, proporcionam as crianças descobrir por si mesmas as dificuldades cotidianas por que passam os seres humanos. A vida não é somente sorrisos, as pessoas se frustram, se magoam, se decepcionam. São os insucessos da vida que acontecem numa série de fatos, e esconder das crianças não contribui em nada para o seu crescimento emocional, intelectual e cognitivo. ―A cultura dominante deseja fingir, particularmente no que se refere às crianças, que o lado obscuro do homem não existe, e professa a crença num aprimoramento otimista.‖ (BETTELHEIM, 2015, p. 15).

Segundo o autor, precisamos enfrentar a vida de cabeça erguida e não nos deixarmos abater pelos problemas diários. É preciso enfrentar as dificuldades, para, assim, darmos sentido a nossa existência. E é justamente nos contos de fadas que vamos encontrar a matéria para combater as fragilidades que assolam o psiquismo humano.

Essa é exatamente a mensagem que os contos de fadas transmitem à criança de forma variada: que uma luta contra as dificuldades grave na vida é

inevitável, é parte intrínseca da existência humana – mas que, se a pessoa não se intimida e se defronta resolutamente com as provações inesperadas e muitas vezes injustas, dominará todos os obstáculos e ao fim emergirá vitoriosa. (BETTELHEIM, 2015, p. 15).

As histórias apresentam sugestões simbólicas de como enfrentar a vida, representadas pelos dilemas existenciais, de modo a esclarecer as crianças que os seres humanos passam por dificuldades, limitações, próprias do cotidiano, e que para vencer, os indivíduos precisam procurar soluções, resolver conflitos, respeitar limites, encarar desafios. Essas mensagens contidas nas histórias ajudam as crianças a organizar melhor as suas vidas, e tem o poder de transformar o simbólico em objeto real; ao mesmo tempo em que os aprendizes estão aprendendo, estão também se divertindo de uma forma lúdica, prazerosa.

Cora atribui à literatura infantil o estatuto da imaginação, em que por meio da leitura de histórias ela pode tanto trabalhar esses pontos citados anteriormente, quanto formar leitores em sua sala de aula. “A literatura infantil é um mundo de imaginação, então as crianças

podem se identificar com a história, e eu poso aproveitar para trabalhar diversas questões, e além do mais está formando leitores”.

Como diz Barthes (1977, p. 18): ―A literatura assume muitos saberes‖. O texto literário é portador de diversos conhecimentos, muito embora se diferencie da ação de ensinar conteúdos. O uso da literatura pode e deve favorecer a aprendizagem das crianças, de forma que em seus temas estão intrínsecos conceitos semelhantes à vida real, em que o aluno pode transitar do mundo fictício para os fatos cotidianos, observando e aprimorando suas experiências de vida.

Ainda segundo o autor, a literatura ao mesmo tempo em que apresenta aspectos realistas possui também a função utópica. E, portanto, sem se contradizer, torna-se irrealista pelo desejo do impossível.

A literatura se realiza no interior da linguagem e está longe de se apresentar na forma da unicidade linguística; ela supõe várias línguas, dentro de um mesmo idioma, pela força da palavra que se organiza no interior da obra literária. Como diz Certeau (1994, p. 264), ―um sistema de signos verbais ou icônicos é uma reserva de formas que esperam do leitor o seu sentido‖. Cabe ao receptor atribuir significado ao que ler.

A formação de leitores pela experiência literária é relevante e precisa ser trabalhada em sala de aula. Segundo Cecília, ―a literatura é muito válida, e a partir dela, o aluno vai

conseguir compreender e expressar o que ele está sentindo”. A professora atribui muitos

das crianças. A literatura como compreensão e expressão dos sentimentos agrega sentidos diversos à língua. É uma artimanha que se localiza fora do poder da linguagem, que trapaceia e revoluciona o campo semântico das palavras. (BARTHES, 1977).

A literatura possui saberes inerentes a outros campos do conhecimento, pois agrega aspectos históricos, geográficos, sociais, antropológicos, culturais. Como diz Cecília: “a

literatura é fundamental para fazer com que os alunos consigam compreender as outras disciplinas”, e desenvolvam habilidades fundamentais ao processo de alfabetização; ―o saber

que ela [literatura] mobiliza nunca é inteiro nem derradeiro; a literatura não diz que sabe alguma coisa, mas que sabe de alguma coisa; ou melhor; que ela sabe algo das coisas – que sabe muito sobre os homens.‖ (BARTHES, 1977, p. 19 grifo nosso).

O saber que a literatura almeja não é o saber institucional, mas, um saber geral que deve ser observado na formação do homem como sujeito humano; nas relações interpessoais; no respeito ao outro; no reconhecimento das particularidades humanas que tornam as pessoas melhores a cada dia. A literatura precisa fazer parte da vida das crianças para torná-las conscientes desse embate de ideias sugeridas pelas obras literárias.

É importante ressaltar o lugar que a literatura ocupa na escola. Apesar de todo esse poder que ela preserva em si mesma, a pouca valorização desse ensino pode tornar a literatura uma matéria silenciosa. Segundo Todorov (2012), o perigo que ronda a literatura está na forma como são tratados os textos literários, pois se não participa da formação humana e cultural dos cidadãos, pouco tem a contribuir para as suas experiências de vida; fato esse que Militana reconhece no ato da sua profissão: “na escola pública a gente não vê muita

valorização dessa parte da literatura, é como se ela fosse deixada sempre em segundo plano”; e como todo segundo plano, corre o risco de não ser executado.

As interlocutoras, apesar de afirmarem que a literatura é fundamental na aprendizagem de seus alunos, reconhecem que a mesma é pouco valorizada na escola. Segundo elas, Falta direcionamento e até mesmo interesse por parte de alguns professores para desenvolver um trabalho mais abrangente. A nosso ver falta implementar a literatura na formação dos pedagogos para que conheçam o poder do texto literário e insiram-na no pouco espaço que sobra no currículo.

Segundo Aguiar (2011), a leitura requer do indivíduo o processo de internalização que possibilita o entendimento do texto, condição para que a literatura se efetive, e para que o leitor amplie seu horizonte de expectativas sobre si mesmo e sobre o mundo. O leitor será transformado pela leitura quando interage com o texto, modificando sua visão dos objetos. É pelo olhar do leitor que os textos ganham sentidos e se materializam em suas significações.

No ato de ler, o indivíduo projeta sobre o texto seu conhecimento de mundo e sua capacidade de recombiná-lo, mental e imaginativamente. O resultado é uma elaboração tão ficcional quanto o texto de onde partimos, daí a evidência do papel do leitor como parte construtiva da arquitetura do texto e de seu sentido. (AMARILHA, 2013, p. 81).

Os sujeitos, em contato com o texto literário, ampliam suas visões de mundo e tornam-se protagonistas de seu próprio conhecimento. A literatura, como afirma Aguiar (2011) e Amarilha (2013), só se efetiva mediante o processo de construção de sentidos pelo leitor, que se torna parte do texto. Os sentidos construídos a partir do texto literário são responsáveis pelo desenvolvimento da imaginação e da interação do leitor com o mundo ficcional.

Mesmo com o reconhecimento das potencialidades da literatura na formação leitora das crianças, ainda existe uma lacuna em relação à valorização desse ensino, como afirma Cora: “[a literatura] é uma coisa que está tão evidente, tão importante, e que ainda alguns

professores não trabalham tanto‖. Essa realidade é percebida em outras tantas pesquisas que

demonstram o pouco conhecimento dos profissionais pedagogos quanto à aplicabilidade da leitura de literatura em sala de aula.

O objetivo da literatura, segundo Todorov (2012, p. 86), ―é representar a existência humana‖, e tornar o ensino um ato de vida, de experiência com o outro, com relações mais afetivas, mais dinâmicas. E o que pode melhorar essa relação da escola com a literatura é a mediação do professor. É ele, o professor, que está em contato direto com as crianças todos os dias, portanto, o par mais experiente e, consequentemente, mais propenso à divulgação do texto literário. Para a professora Clarice, o fato de demonstrar em sala de aula a importância da leitura, aguça o interesse das crianças pelo livro: “eu acho muito importante [o trabalho com a leitura de literatura na alfabetização] porque primeiro faz com que a criança perceba

que o ato de ler é importante”.

Como afirma Clarice, quando “o professor não gosta de ler, a criança acaba

também não gostando”. A docente associa a formação do aluno leitor, ao fato do professor

também o ser. Quando o mediador de leitura demonstra ter conhecimento sobre o assunto, relata isso em sala de aula, aparenta ter amor pelos livros, discute sobre o que leu com os seus alunos, o gosto das crianças pela leitura tende a se modificar. As crianças precisam ter contato, conhecer o objeto, manuseá-lo, ter maior aproximação; e ter um referencial de leitor é extremamente importante para os aprendizes.

Nesse âmbito, o professor torna-se fundamental no processo de despertar o gosto dos aprendizes pela leitura de literatura. As crianças precisam sentir segurança, ter motivação para

ver que a leitura é importante, e que vai contribuir com a sua aprendizagem, para não cair na concepção de que ler é apenas um exercício comum para passar o tempo.

Aos docentes também é fundamental que acreditem naquilo que faz; eles precisam reconhecer o valor da leitura e motivar os alunos para o ato de ler, o que necessita de muita paciência e credibilidade. ―A participação do mediador pode se dar desencadeando nos jovens o interesse pelo ficcional e, nesse sentido, ser leitor de ficção é condição sine qua non para motivar jovens a lerem literatura. Todo mediador de literatura deve dar testemunho de que é leitor de ficção.‖ (AMARILHA, 2013, p. 130-131).

Nesses termos, reafirmamos a importância dos cursos de formação de professor trabalharem mais o ensino da leitura de literatura. É na formação básica que os professores precisam ter acesso as obras literárias. Pois se não conhecem as obras de literatura para a infância, se não leem, se não estudam as teorias que subjazem esse ensino, como vão valorizá- lo? Como vão aplicá-lo em sala de aula de modo que contribua com a formação das crianças? Por outro lado, sabemos também das dificuldades que o professor de escola pública enfrenta em relação ao contexto social em que se encontram algumas crianças. As nossas interlocutoras trazem à tona essa dificuldade enfrentada em relação ao acesso das crianças a materiais de leitura fora da escola. A maioria das crianças não possuem livros, poucos têm acesso a algum tipo de história em casa, ou a leituras realizadas no ambiente familiar.

Militana relata: “aqui a gente atende a uma comunidade carente, e se você for

perguntar quem tem livro, você conta nas mãos os que têm livros em casa, ou talvez nenhum tenha”. Essa é a mesma queixa da professora Cora: a falta de materiais de leitura no ambiente

familiar; o que torna a escola a única responsável por apresentar a leitura de literatura às crianças. Segundo ela, seus alunos tem pouco contato com a leitura, e quando indagados sobre o assunto, poucos afirmam ler em casa.

A professora diz ainda que por não terem contato efetivo com o livro os alunos não valorizam esse material: ―eles não entendem essa importância de ter o livro, de ler o livro‖,

então muitas vezes o contato que eles têm com esse ambiente de leitura é só na escola‖; por

esse motivo, afirma Militana, é importante o professor fazer esse trabalho, pois “talvez seja o

único contato que aquele aluno tenha durante o dia, ou durante a semana” com materiais de

leitura.

As professoras se preocupam com o fato de seus alunos não serem inseridos em ambientes leitores fora da escola. Elas afirmam que isso prejudica o desempenho das crianças e dificulta ainda mais o desenvolvimento do gosto pela leitura. A família também é

responsável por inserir os filhos no mundo da leitura, e incentivá-los a ler seria algo que poderia contribuir com o trabalho docente.

Como falamos anteriormente a leitura deve ser vista dos dois pontos de vista: do aluno e do professor. Tanto o aluno deve ser incentivado pela escola, pela família, pela sociedade a desenvolver habilidades leitoras, como o professor precisa se inserir no mundo da leitura para fomentar nos seus alunos o acesso aos textos. Como bem sabemos ―o ato de leitura, enquanto produção de sentido, enquanto ação individual (e social) sobre o texto, enquanto espaço de interlocução, nem sempre aparece como meta [na escola]‖ (LEAL, 2011, p. 264 grifo nosso), cabendo aos docentes à reflexão sobre a sua prática e a valorização da leitura enquanto objeto de conhecimento para os seus alunos e para si próprios.

Mesmo as interlocutoras assumindo a premissa de que a leitura de literatura é importante e contribui na formação das suas crianças, percebemos que fica um pouco distante essa relação de afetividade entre o texto literário e sala de aula. Muitas vezes ela perde espaço para as demais disciplinas do currículo e acaba sendo colocada como plano B, ou delegada a alguns minutos enquanto toca o sinal para as crianças irem para casa. Precisa-se ainda efetivar esse ensino e como diz Todorov (2012), trazê-lo para o centro, quer seja das discussões acadêmicas, da sala de aula, ou da formação dos pedagogos; mas que se faça de modo consciente que a leitura de literatura vai contribuir na formação humana, intelectual, social e individual dos cidadãos, por isso tão importante no desenvolvimento cognitivo das crianças.

Apesar da relação de sentidos que as docentes fazem sobre a leitura de literatura para o desenvolvimento dos seus alunos, percebemos algumas fragilidades no tocante a formação dessas pedagogas. Diferenciar os materiais de leitura, classificar as obras como literária ou não, utilizar a literatura para ensinar conteúdos, ou apenas como deleite das crianças, saber a diferença entre um livro literário e um paradidático, são confusões ainda frequentes que percebemos nas falas das interlocutoras, e que trataremos a seguir.

Constatamos que entre os sentidos atribuídos pelas docentes à atividade de leitura de literatura está o cerne das questões colocadas pelos teóricos de que a literatura contribui para a formação dos indivíduos melhorando as suas aprendizagens. Acrescentamos a isso, a contribuição para a formação humana nas palavras de Candido (2004, p. 176), quando diz que a literatura é uma das formas de humanização que corresponde a uma ―manifestação universal de todos os homens em todos os tempos‖ da história.

6.3 “Ler é um caminho, é um portal de sonhos”: de qual livro/leitura estamos falando?

Ler, pois, é uma viagem, uma entrada insólita em outra dimensão que, na maioria das vezes, enriquece a experiência: o leitor que, num primeiro tempo, deixa a realidade para o universo fictício, num segundo tempo volta ao real, nutrido da ficção.

Vicent Jouve

Iniciamos com uma provocação. A partir da fala da professora Cecília que afirma categoricamente que “ler é um caminho, é um portal de sonhos; ler dá asas à imaginação”, nos perguntamos: de qual livro ou de qual leitura estamos falando? As interlocutoras parecem

Documents relatifs