Para o desenvolvimento de melhores e mais eficazes ferramentas de apoio à decisão nas áreas de gestão a planeamento das zonas de costa é necessário o aperfeiçoamento dos métodos de avaliação da evolução da linha de costa. O estudo das alterações climáticas e do seu impacto na linha de costa, assim como o conhecimento do impacto das estruturas de defesa costeira revelam-se importante na caracterização da vulnerabilidade e risco das zonas costeiras.
73 Há uma natural necessidade de continuar a evoluir no conhecimento destas matérias e nos
métodos de quantificação dessa mesma evolução. Novos estudos devem ir no encontro destes objectivos para que se melhore a compreensão da evolução da linha de costa no litoral português.
Os cenários de evolução devem ser desenvolvidos de acordo com as tendências de alterações climáticas verificadas e adaptados a novas variáveis a serem estudadas. A evolução da linha de costa apresenta um comportamento bastante variável pelo que deve ser compreendida em pormenor a influência concreta de cada parâmetro nessa mesma evolução. O impacto das intervenções de defesa costeira também devem continuar a ser monitorizado, já que os registos de dados permitem aumentar o conhecimento e aperfeiçoar os estudos a realizar. Para uma caracterização mais realista da evolução da linha da costa ao longo do tempo, devem ser considerados mais cenários evolutivos para modelação. Estes cenários devem compreender mais variações de fenómenos de alterações climáticas, a tipificação de outros climas de agitação, mais intervenções de defesa costeira e estudar o impacto da localização das obras de defesa costeira e as suas características, tais como comprimentos e volumes. Para complementar este estudo, deveria ser conjuntamente estudada a relação custo/benefício para obras de intervenção de defesa costeira na mitigação dos impactos dos fenómenos de erosão costeira.
Em conclusão, considera-se importante um melhor conhecimento das variáveis associadas à evolução da linha de costa e uma melhor compreensão do impacto dessas mesmas variáveis nas zonas costeiras.
75
Referências Bibliográficas
Andrade, C. F., Freitas, M. C. (2002). “Climate Change in Portugal – Scenarios, Impacts and Adaptation Measures – SIAM Project”; Chapter 6: Coastal Zones, Editors Santos, F.D., Forbes, K. e Moita, D., Gradiva, Lisbon, 456 p, citado em Coelho (2005).
Araújo, M.F.D., Corredeira, A.C.M., Santos, M.G., & Dias, J.A., (2010) - Avaliação de impactes antrópicos em sedimentos recentes. Workshop Antropicosta Iberoamerica 2010, CD-ROM, paper 1508.
Barbosa, J.L.P., (2003) - Aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica na Zona Costeira. Tese de mestrado, Universidade do Porto.
Beatley, T., Brower, D.J., Schwab, A. K. (2002) - An introduction to coastal zone management (2nd ed.) Washington, DC: Island Press.
Borges, P., Lameiras, G., Calado, H. (2009) - A erosão costeira como factor condicionante da sustentabilidade. 1º Congresso de Desenvolvimento Regional de Cabo Verde – 15º Congresso APDR, Actas.
Boto, A., Bernardes, C. A. e Dias, J. A. (1997) - Erosão litoral e recuo da linha de costa entre a Costa Nova e a Praia do Areão, Portugal. “Colectânea de Ideias sobre a Zona Costeira de Portugal”, p.449-467, Associação Eurocoast-Portugal, Porto.
CEHIDRO e INAG, (1998) - Carta de Risco do Litoral. trecho 2: Foz do Douro-Nazaré. Notícia Explicativa. p. 37 (Lisboa: INAG).
Coelho, C., (2005) - Riscos de Exposição de Frentes Urbanas para Diferentes Intervenções de Defesa Costeira. Dissertação de doutoramento, Universidade de Aveiro.
Coelho, C. e Veloso-Gomes, F., (2005) - Classificação de Vulnerabilidades e Riscos como Contributo no Planeamento das Zonas Costeiras. III Congresso sobre Planeamento e Gestão das Zonas Costeiras de Países de Expressão Portuguesa, Maputo, Moçambique, [CD-ROM sem paginação].
Coelho, C., Cabarrão, M. e Veloso-Gomes, F., (2006) - Aplicação de uma Classificação de Vulnerabilidade às Zonas Costeiras do Noroeste Português. 8º Congresso da Água/XII SILUBESA, Figueira da Foz, [CD-ROM sem paginação].
76
Coelho, C., Silva, R., Veloso-Gomes, F., and Taveira-Pinto, F. (2009) - Potential effects of climate change on northwest Portuguese coastal zones. – ICES Journal of Marine Science, 66: 1497–1507.
Dean, R. G., Kriebel, D., Walton, T. (2002) - “Cross-Shore Sediment Transport Processes”; Coastal Engineering Manual, Part III, Coastal Sediment Processes, Chapter III-3, Engineer Manual 1110-2-1100, Walton, T. (editor), U.S. Army Corps of Engineers, Washington, DC, 79 p.
Dias, J. A. (1993) - Estudo de Avaliação da Situação Ambiental e Propostas de Medidas de Salvaguarda para a Faixa Costeira Portuguesa (Parte de Geologia Costeira). Liga para a Protecção da Natureza / Ministério do Ambiente, relatório não publicado, 137p., Lisboa. Dias, J. A., (2003) - Portugal e o Mar - Importância da Oceanografia para Portugal, Editora - Apenas Livros, Colecção omniCiência.
Dias, J.A. (2004) – A história da evolução do litoral português nos últimos vinte milénios. In: Tavares, A.A., Tavares, M.J.F. & Cardoso, J.L., Evolução Geohistórica do Litoral Português e Fenómenos Correlativos: Geologia, História, Arqueologia e Climatologia, pp.157-170, Lisboa.
Dias, J. A. (2005) - Evolução da Zona Costeira Portuguesa: Forçamentos Antrópicos e Naturais. Revista Encontros Científicos - Turismo, Gestão, Fiscalidade, 1:7-27, Faro.
Dias, J. A. (2008) - Erosão e Gestão de Praias Arenosas, no workshop Valoração, Erosão e Gestão de Praias Arenosas do III Congresso Brasileiro de Oceanografia - CBO’2008 e I Congresso Ibero-Americano de Oceanografia – I CIAO, Fortaleza, CE, Brasil.
Dias, J. A., Ferreira, Ó., Pereira, A. R. (1994) – Estudo Sintético de Diagnóstico da Geomorfologia e da Dinâmica Sedimentar dos Troços Costeiros entre Espinho e Nazaré. Relatório Final. Instituto da Conservação da Natureza, relatório não publicado, 137p., Lisboa. EEA, (2006) - The changing faces of Europe's coastal areas. E. Report (Ed.), p. 107 (Copenhagen: European Environment Agency).
POOC (1998) - INAG e MAOTDR, Plano de Ordenamento da Orla Costeira: Ovar-Marinha Grande. Hidrotécnica Portuguesa, Estudos de base - Usos e funções do território, p. 291 (Lisboa).
77 INAG (2004) – Erosão Costeira e Ordenamento do Território na Costa da Caparica, Instituto
da Água.
Lamy, A. S., (2001) – Monografia de Ovar – Freguesia de São Cristóvão e de São João de Ovar, 2ª edição, Câmara Municipal de Ovar
Laranjeira E. L.(1984) – O Furadouro – o povoado, o homem e o mar, Ovar, Câmara Municipal de Ovar.
LNEC (1996). “Instalação de uma Monobóia para descarga de petróleo bruto para a refinaria do porto, Caracterização das condições naturais – Relatório final” Relatório 172/96 – NPP, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Confidencial, citado em Coelho (2005).
MAOTDR (Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território) 2006, Bases para a Estratégia de Gestão Integrada da Zona Costeira Nacional. Versão para discussão pública, p. 62.
MAOTDR (Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território) (2007) – Plano de Acção para o Litoral, 2007-2013.
Mendes N. V. J., Pinho L. S. J. (2008) - Erosão Costeira – Metodologias para a sua Quantificação, Revista Engenharia Civil, Nº 33 - Dezembro 2008.
Pinto, P. (2008) - Sistemas de apoio à gestão das zonas costeiras – Aplicação de um modelo para simulação do crescimento urbano no trecho Ovar-Mira – Dissertação, Instituto Superior de Estatistica e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa.
RIKZ, EUCC e UAB, (2004) - Eurosion - Living with coastal erosion in Europe: Sediment and space for sustainability. Part II: Maps and statistics. p. 25.
Secur-RIA (2007) - Relatório Final – Domínio de Erosão Costeira: Definição das condições de risco de cheia, incêndios florestais, erosão costeira e industriais na área de intervenção da AMRIA. Dezembro de 2007.
Silva, R., Coelho, C., Veloso-Gomes, F., Taveira-Pinto, F. (2008) - A Importância de Alguns Parâmetros Hidromorfológicos em Estudos de Modelação das Zonas Costeiras; 3as Jornadas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, pp. 25-35, ISBN 989-978-9557-2-3.
78
Simm, J., Cruickshank, I. (1998) - Construction Risk in Coastal Engineering; Thomas Telford, London, 495 p.
The World Bank, (1994) - Coastal Zone Management and Environmental Assessment. Washington DC.
PROT (2007). Quadro de Referência Ambiental do PROT Centro - Relatório de progresso. UA e IDAD. (Aveiro: Universidade de Aveiro).
Vargas, I. C.C., Oliveira, S. B. F., Oliveira, A., Chanerca, N. (2008) - Análise da Vulnerabilidade de uma Praia Estuarina à Inundação: Aplicação à Restinga do Alfeite (Estuário do Tejo), Revista da Gestão Costeira Integrada 8(1): 25-43.
Veloso-Gomes, F. (2007) - A Gestão da Zona Costeira Portuguesa. Revista de Gestão Costeira Integrada 7 (2): 83-95.
Veloso-Gomes, F., Taveira Pinto, F., Papadatos, M. (1996) - Vulnerability and risk assessment of urban areas exposed to coastal forcing. Oral presentation on Littoral’96. Portsmouth. Eurocoast – UK.
Veloso-Gomes, F., Taveira Pinto, F. (1997) - A Opção “Protecção” para a Costa Oeste Portuguesa; Colectânea de Ideias Sobre a Zona Costeira de Portugal, Associação Eurocoast- Portugal, pp. 163-190.