A Recol foi coordenada pelo professor Valter Fernandes do Instituto de Química da UFRN e dos Programas de Pós-Graduação em Química e Engenharia dos Materiais da universidade. O pesquisador, antes do lançamento do CT-Petro CNPq/Finep 03/2001, já desenvolvia trabalhos referentes ao setor de P&G no Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes, o qual foi construído, como já mencionamos, através do Edital 01/2000 que criou os Laboratórios de Qualidade de Combustíveis em diversas instituições de ensino e pesquisa do país.
O professor Valter Fernandes, além de contar com infraestrutura satisfatória para desenvolver pesquisas referentes ao setor de P&G, já trabalhava de maneira articulada com pesquisadores de outras instituições das regiões Norte e Nordeste que também participavam dos Laboratórios de Qualidade de Combustíveis, antes da divulgação do Edital que formou as Redes N/NE. De acordo com o próprio professor, quando foi publicado o Edital, os pesquisadores que já desenvolviam trabalhos em conjunto prepararam a proposta de rede e submeteram ao Comitê Técnico. O professor Valter Fernandes foi selecionado para liderar a proposta, devido a sua produção científica e tecnológica na área temática da Rede N/NE.
Segundo o líder, a proposta da Recol foi composta por diversos pesquisadores, entre eles: Paulo Brito Guimarães do Departamento de Engenharia Química da Universidade de Salvador (Unifacs); Diana Cristina de Azevedo, professora do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal do Ceará (UFC); Florival Carvalho do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Leonardo Teixeira, o qual fazia parte, na época em que estamos nos referindo, do Departamento de Química da Unifacs48; Simone Gonçalves, docente do Departamento de Química da UFPE; Célio Loureiro, professor do Departamento de Engenharia Química da UFC; Eledir Sobrinho do Departamento de Química da Unifacs;
48
141 Antônio Araújo, professor do Instituto de Química da UFRN e do Programa de Pós- Graduação em Ciência e Engenharia do Petróleo da universidade mencionada49. A proposta da Recol tinha como objetivo desenvolver metodologias analíticas para determinar a qualidade dos (bio)combustíveis e dos (bio)lubrificantes comercializados nas regiões Norte e Nordeste.
O professor Antônio Araújo, além de ser colega de departamento, também era parceiro do Valter Fernandes Junior no Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes. De acordo com a Plataforma Lattes (2017), ambos teceram, ainda em 2000, relatórios técnicos sobre a qualidade dos combustíveis comercializados no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Assim como o professor Valter Fernandes, Antônio Araújo já interagia com o setor produtivo antes de sua inserção na política pública das Redes N/NE.
Após a proposta da Recol ser aprovada, o professor Valter Fernandes Junior foi convocado para a reunião na cidade do Rio de Janeiro, aonde soube que não seria necessária a aglutinação com outras propostas. Segundo o professor, durante a Segunda Etapa da formação inicial da Recol, ele convocou os participantes da Rede N/NE, visando selecionar os coordenadores e os demais participantes de cada projeto. Após as reuniões, o professor Valter Fernandes submeteu a cartilha de projetos ao Comitê Técnico.
Todos os projetos submetidos pela Recol foram aprovados pelo Comitê Técnico. De acordo com o Quadro 4, a Recol contou com nove projetos na Primeira Fase das Redes N/NE. O professor Valter Fernandes além de liderar a Recol, participou de um projeto cooperativo com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e da UFPE. O docente Antônio Araújo coordenou um projeto com contribuições dos professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), UFPB e Unifacs. Outros pesquisadores da UFRN auxiliaram os projetos coordenados pela professora Diana Cristina de Azevedo, por Célio Loureiro e Eledir Sobrinho. É válido ressaltarmos que os projetos que contribuíram para a produção de CT&I no Rio Grande do Norte, foram os que foram coordenados pela UFRN, ou tiveram participação da universidade.
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O Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia do Petróleo da UFRN surgiu para suprir as demandas do setor de P&G do Rio Grande do Norte e dos demais estados produtores. A sua estruturação ocorreu através dos recursos provenientes dos programas e ações estabelecidos após a Lei do Petróleo.
142 Quadro 4 – Projetos cooperativos da Recol na Primeira Fase.
Projetos Cooperativos Instituição Coordenadora / Coordenador Instituições Participantes Empresas Participantes
Administração da Rede. UFRN; Valter
Fernandes UFRN Petrobras; Braskem; Deten Química. Desenvolvimento de modelos e
correlações para a estimativa de propriedades de gasolinas automotivas.
Unifacs; Paulo Britto
Guimarães Unifacs; UFC.
Petrobras; Braskem;
Deten Química. Avaliação das propriedades e
estabilidade de combustíveis.
UFC; Diana Cristina de Azevedo
UFC; UFPE:
UFRN; UFAL. Petrobras. Metodologias analíticas para
caracterização de gás natural e GLP.
UFRN; Valter Fernandes
UFRN; UFPB;
UFPE; UFAL. Petrobras. Desenvolvimento de metodologias para
a detecção seletiva de marcadores em combustíveis.
UFRN; Antônio Araújo UFRN; UFAM;
Unifacs; UFPB. Petrobras. Avaliação da influência de aditivos e
contaminantes nos parâmetros físico- químicos dos combustíveis.
UFPE; Florival Carvalho
UFPE; UFPB;
UFPI; UFPA; UFS. Petrobras. Avaliação a formação de goma em
gasolinas automotivas. Unifacs; Leonardo Teixeira Unifacs; UFC; UFBA; UFS; UFPI. Petrobras; Braskem; Deten Química. Métodos analíticos e instrumentais para
a determinação de qualidade de combustíveis. UFPE; Simone Gonçalves UFPE; UFPB; UFBA. Petrobras. Estudo de metodologias para o
monitoramento da qualidade de lubrificantes.
UFC; Célio Loureiro
UFC; UFRN; UFPI; UFPE;
Unifacs.
Petrobras. Estudos de processos de recuperação de
óleos lubrificantes e óleos usados.
Unifacs; Eledir Sobrinho
Unifacs; UFC;
UFRN; UFPB. Petrobras. Fonte: Elaboração própria através das informações concedidas pelo professor Valter Fernandes.
Assim como aconteceu em várias das 13 Redes N/NE, a Petrobras participou, a partir de 2003, de todos os projetos da Primeira Fase. A Braskem e a Deten Química fizeram parte apenas dos projetos coordenados pela Unifacs, os quais não contaram com a participação dos pesquisadores da UFRN. Infelizmente, não tivemos acesso aos demais projetos das quatro outras fases. Porém, de acordo com o líder Valter Fernandes, a Petrobras passou gradativamente a participar de menos projetos e investindo parcelas menores de recursos a cada fase, até que na Quinta Fase, não havia mais nenhum investimento da estatal. O professor também destaca que nas quatro fases conseguintes, pouquíssimas empresas se interessaram em participar dos projetos da Recol.
Apesar da gradativa saída da Petrobras, da baixa participação do setor produtivo privado e da diminuição dos recursos enviados pela Finep e CNPq, não houve evasão
143 dos pesquisadores e, consequentemente, instituições ao longo das cinco fases, ou seja, a formação inicial e a configuração espacial da Recol, apresentada na Figura 24, se manteve durante toda a sua vigência. .
144 Figura 24 – Configuração espacial da Recol em suas cinco fases.
Fonte: Elaboração realizada em parceria com Pedro Paulo, aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da UFPE.
145 De acordo com o professor Valter Fernandes, mesmo com o fim das Redes N/NE, os pesquisadores que participaram da Recol ainda desenvolvem trabalhos em conjunto para ANP, Petrobras e algumas empresas do setor privado. Portanto, podemos alegar que a política pública mencionada colaborou para a intensificação das relações sociais de trabalho entre os pesquisadores da Recol, consolidando as articulações dos professores da UFRN, principalmente Valter Fernandes e Antônio Araújo, com outros estudiosos da área de P&G inseridos em diferentes instituições do Norte e Nordeste.
Sobre os conflitos entre os pesquisadores, o professor Valter Fernandes alegou que não houve desavenças entre os participantes. Contudo, não acreditamos na inexistência de conflitos ao longo cinco fases da Recol, já que as relações de poder são inerentes ao processo de produção de CT&I, mas sim que eles foram diminutos, tendo à cooperação superada a competição.
Logo no começo da Recol, os principais meios de comunicação entre os pesquisadores eram a telefonia fixa, os faxs e e-mails. Com o desenvolvimento do ciberespaço, marcado pela velocidade dos fluxos de informações decorrente da internet, os pesquisadores passaram a se comunicar e a realizar reuniões por videoconferência. A Recol também criou um portal na web com o fito de disponibilizar dados e informações para todos os participantes. Segundo Valter Fernandes, não houve workshops, mas sim reuniões presenciais fechadas para o público externo, tendo em vista a importância da proximidade geográfica para o processo de produção de CT&I.
De acordo com Valter Fernandes, o modelo de gestão de recursos adotado pela Recol foi o descentralizado, amenizando a burocracia em relação às solicitações dos pesquisadores às fundações. Os recursos direcionados à Recol foram utilizados no Rio Grande do Norte através de bolsas ITI e DTI para os alunos da graduação e pós- graduação que participavam dos projetos coordenados pelos professores Valter Fernandes e Antônio Araújo50, como também para expansão de aproximadamente 200m² do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes.
O professor Valter Fernandes alega que as bolsas e infraestrutura adquiridas através da Recol permitiram a reestruturação do Instituto de Química, colaborando para
50 É interessante deixarmos claro que as demais instituições coordenadores dos projetos
cooperativos da Recol também tiveram ganhos em relação à concessão de bolsas de pesquisa e expansão da infraestrutura. Porém, como o nosso foco são os rebatimentos dessa Rede N/NE no Rio Grande do Norte, procuramos especificar aquilo que foi executado na UFRN.
146 a formação de recursos humanos, principalmente por meio dos cursos de graduação e pós-graduação em Química e Engenharia Química, assim como para a produção de CT&I durante a vigência da Recol. É interessante ressaltarmos que atualmente, 2017, os professores Valter Fernandes e Antônio Araújo utilizam a infraestrutura expandida por meio dos recursos da Recol e os conhecimentos adquiridos ao longo da política para desenvolverem pesquisas e formarem/capacitarem profissionais para a área de P&G na UFRN.
II) Rede de Monitoramento Ambiental de Áreas sob Influência da Indústria