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Genèse d’une notion en travail : le contenu comme objet relationel

2 Quelle place possible de la didactique au sein des recherches sur la technologie éducative ?

2.5 Genèse d’une notion en travail : le contenu comme objet relationel

“LÁ VEM ELA, JOANA D’ARC, E JÁ ESTAVA GUERREANDO”

Uma pessoa a quem nunca ninguém perguntou quem ela é, de repente ser solicitada a relatar como foi a sua vida, tem muita dificuldade para entender esse súbito interesse (POLLAK, 1992, p.213).

Era início da década de 1970 quando uma jovem católica adentrou o terreiro de Umbanda de dona Maria Cuiabana, em Araguatins (TO). Ela estava em busca de tratamento para um mal-estar físico que muitos diziam ser de caráter espiritual. José Odenir Rodrigues, em transe com João da Mata, foi quem recebeu a jovem, dando início a uma nova etapa na vida dela. A jovem, Valdeci Pereira Reis, nasceu no seio de uma família católica na fazenda São Bernardo, que pertencia a seu avô, no município de Carolina, MA, em 29 de julho de 1951. Quando ainda era criança, seus pais se mudaram para São Raimundo, distrito da cidade de Ananás, então pertencente a Goiás. Ali, Valdeci tivera seus primeiros contatos, segundo suas lembranças, com o mundo da encantaria.

Existia uma menina chamada Maria que Valdeci, de vez em quando, encontrava nas missas nos fins de semana. Maria tinha quase a idade de Valdeci e morava no vilarejo Bom Jesus, próximo ao córrego Cruz, que desemboca no rio Corda, o qual deságua no Araguaia. Maria gostava de tomar banho no córrego e, vez ou outra, contava para as pessoas que via na beira d’água uma mulher muito bonita sentada numa tábua. Ela tinha cabelos negros e compridos e sempre chamava a menina Maria para perto de si. Certa vez, Maria foi se banhar e não voltou naquele dia nem nos três dias que se seguiram. Somente suas roupas foram encontradas às margens do rio. Quando a menina Maria apareceu, chorava constantemente e chamava por sua mãe. Ela contou a todos que a Moça bonita a tinha levado para a casa dela, dentro da água. Disse que a casa era grande, muito bonita e cheia de riquezas. A Moça queria convencê-la a ficar ali com ela, mas Maria disse que queria ficar era com sua mãe. A Moça ainda insistiu dizendo para ela que ali ela nunca morreria, porque ali ela estava na encantaria. Mesmo com os esforços da Moça por convencer Maria a ficar, esta estava decidida a voltar para sua família. Antes de partir, a Moça fez Maria prometer que tudo ela poderia contar sobre o que vira, mas três coisas eram proibidas, as quais Valdeci disse que Maria nunca contou para ninguém. O segredo ficou restrito a ela e aos encantados.

Embora tenha achado a história fantástica, a menina Valdeci — ainda sob a influência católica — brincava com sua amiguinha Maria dizendo que esta tinha “ido era no inferno”. Maria, porém, sempre dava a mesma resposta para as brincadeiras de Valdeci: “Não,

eu estava era na encanteria70”. Atualmente, relembrando o momento, Dona Valdeci tem certeza que fora uma Mãe d’Água que levara Maria.

Tempos depois, foi a vez de a menina Valdeci viver sua própria experiência. Ela tinha quase 8 anos de idade quando Tio José, um senhor que morava na casa da família, a levou para pescar no rio dos Porcos, que desemboca no córrego Cruz. Entre uma brincadeira e outra próxima às margens, ela conta que viu quando as águas do rio foram se abrindo ao meio até ser possível ver o fundo cheio de areia. Ela disse que se arrepiou toda, mas que achara aquilo muito bonito e começara a gargalhar sem parar e andar em direção da água. O velho Tio José que acompanhava suas peraltices à distância, percebendo o que acontecia com ela, correu ao seu encontro, a pegou no colo e foram embora às pressas. Chegando em casa, ele contou para os pais de Valdeci que viu, no meio do rio, uma moça branca com manto vermelho que ia em direção de Valdeci para abraçá-la e que, se não fosse pelo fato de ele ser vidente e conhecer o que era “encantoria”, eles teriam ficado sem a filha, pois ela teria se encantado. Assim, ele advertiu os pais dela: “nunca deixem essa menina perto de água”. É possível que o velho, com sua sabedoria dos encantados, tenha tido medo de que acontecesse algo semelhante ou ainda pior do que acontecera com a pequena Maria tempos atrás.

A dirigente relata que, ainda criança, começou a vivenciar diversas experiências mediúnicas: via quando alguma pessoa ia morrer, sentia como se alguém estivesse andando com ela o tempo todo, sentia que algo/alguém a empurrava, fazendo que ela caísse no chão, quando dormia, via sua alma sair do corpo (desdobramento) etc. Mesmo com os indícios de mediunidade, seus pais, católicos, não tinham conhecimento do universo espiritual que compõe as religiões afro-brasileiras. Assim, as reclamações e previsões de Valdeci não passavam, aos olhos deles, de invenções da cabeça de uma criança. A explicação dos pais e amigos para o que acontecia com ela encontrava respaldo na criança arteira que Valdeci era: suas peraltices e constantes quedas nas ruas lhe renderam o apelido de “doida do Raimundo Branco”, fazendo referência ao pai dela. Seu pai a apelidara de Joana D’Arc. Valdeci conta que sempre que ele a via chegando da rua descabelada e suja, com sinais de ter brigado, dizia: “Lá vem ela, Joana D’Arc, e já estava guerreando”. Valdeci vivia brigando e metida em confusão com outras crianças da vizinhança. Assim, o nome de sua futura tenda seria uma lembrança e homenagem a seu pai e também porque ela se identificaria com a santa guerreira.

Além de ter tido suas experiências com o mundo encantado das entidades ainda sem o conhecer, Valdeci experimentou os milagres vindos da sua fé católica. Ela contou que

teve uma febre muito alta quando ainda era criança e que, durante o período febril, sonhou que tinha uma escada gigante que ia até o céu. Disse que começou a subir a escada e, depois que atravessou as nuvens, viu que vinha uma mulher descendo na mesma escada em sua direção. Essa mulher estava vestida com um manto, seu cabelo era loiro e encaracolado. Ela vinha com as mãos postas como em oração. Quando chegou perto, disse para Valdeci: “Volte, não é seu dia. Volte”. Valdeci conta que iniciou a volta, descendo a escada aos poucos. Quando acordou, já estava melhor e a febre tinha cessado. A dirigente acredita que se tivesse terminado de subir a escada estaria morta. Mas foi essa mulher, a qual ela acredita ser Santa Verônica ou Nossa Senhora das Graças, que não a deixou terminar o trajeto, protegendo-a.

Desse modo, foi entre uma experiência católica, pertencente ao conhecido, e outras “umbandistas”, de um universo desconhecido até então para ela, que Valdeci passou sua infância e adolescência na pequena localidade de São Raimundo. Porém, ali permaneceu por apenas dez anos, mudando-se em seguida com sua família para Ananás, Goiás (cidade que pertence atualmente ao Tocantins). Ainda muito jovem, com 18 anos, Valdeci se casara com o policial militar Osmar Souza Reis. Ele teria sido destacado para a cidade de Ananás, onde a conhecera. Ela recorda que antes de se casar já sofria com a sensação de que vivia sendo empurrada por alguém, resultando sempre em quedas. Após o casamento, começou a ver clarões em tons de azul no seu quarto, ainda que seu esposo não os visse.

Em 1972, seu esposo foi transferido para Araguatins. Sua sogra, Maria de Jesus dos Reis, que já residia com ela, foi com o casal para a cidade, onde já tinham uma casa construída. Nessa nova localidade, seus problemas foram intensificados. Ela passou a ter desmaios, principalmente quando estava sozinha, e achava estranho o fato de desmaiar quando estava rezando ajoelhada no seu quarto e acordar sentada na cama, curvada para frente e toda suada. Além dos desmaios, ela contou que sentia muita fraqueza, fortes dores de cabeça, que ficava sempre gelada, assim como o resto do corpo. Muitas vezes, suas tarefas domésticas eram prejudicadas por conta desses problemas; mas, com vergonha do marido e achando que estava com epilepsia, ela escondia o problema de todos.

De acordo com Valdeci, ela e sua sogra se davam muito bem. Esta teria auxiliado a nora nas tarefas de casa quando ela passava mal e foi sua sogra quem começou a procurar tratamento para ela. Segundo a dirigente, além dos desmaios, sua mão direita não tinha mais força para nada, “só ficava caída”, como se os músculos e tendões não mais existissem. Foi após procurarem diversos médicos e até pensarem em sair da cidade em busca de cura para os problemas de Valdeci que uma amiga da família, Dona Joana Borges, disse que os problemas dela eram espirituais e que sabia de alguém que poderia ajudá-la, Mestre José Odenir. A

princípio, a jovem Valdeci não queria ir ao terreiro, por desconhecer não só o ambiente, como também a religião, mas foi sua sogra que insistiu de forma veemente para que ela fosse até lá, dizendo que iria com ela. Assim, após muita insistência, ela resolveu ir conhecer Mestre Odenir, que estava na cidade naquele dia. Ele, inicialmente, residia em Marabá, PA, e ia para Araguatins toda quarta-feira realizar trabalhos de Umbanda no terreiro de Dona Maria Cuiabana. Osmar, esposo de Valdeci, mesmo que aprovasse a ida ao terreiro, não as acompanhou até o local.

Foi ali, na frente de João da Mata e usando José Odenir como aparelho, que Valdeci começou a compreender o que se passava com ela. Segundo ela, a entidade teria dito que poderia ajudá-la, mas que precisava da presença do esposo dela ali. Dona Valdeci disse que não sabia onde ele estava, e João da Mata sorrindo disse que Osmar estava na beira do rio Araguaia bebendo, mas que não precisava se preocupar que ele iria buscá-lo. Assim, João da Mata teria deixado o corpo de José Odenir, permitindo que esse ficasse “puro” novamente. Pouco tempo depois, João da Mata voltou a incorporar seu aparelho. Em seguida, entrou pela porta do salão o esposo de Valdeci. A entidade avisou para o marido que sua esposa era médium e que precisava trabalhar como umbandista para poder se curar. Dona Valdeci lembra que Osmar aceitou tudo o que a entidade falou e as instruções de Mestre Odenir após a partida de João da Mata. O problema foi que a jovem Valdeci não aceitara o tratamento de forma tão fácil. Porém, os problemas de saúde pelos quais vinha passando foram convincentes para sua decisão de começar a trabalhar como umbandista.

É certo que, no período que João da Mata se ausentou do terreiro para ir buscar Osmar na beira do rio, outra entidade viera se encontrar com Dona Valdeci no terreiro. Utilizando o mesmo aparelho, José Odenir, arriara ali a encantada Mariana. Ela teria dito que a jovem Valdeci era sua filha, por isso iria ajudá-la. Enfatizou ainda que ela faria da dirigente uma grande médium e que iria usá-la para curar muitas pessoas. Por fim, Mariana contou que sabia dos sofrimentos pelos quais Valdeci estava passando e passaria e que, por isso, quis levá-la deste mundo para a “encantoria” quando ela era criança. Disse ainda que ela teria muitos problemas na vida, mas que passaria por todos com “dignidade, força e coragem”, pois agora ela — Mariana — estava ali para ajudar Valdeci em seu desenvolvimento e no que fosse preciso.

Era virada do ano de 1977 quando Valdeci e sua família saíram de Araguatins em cima de um caminhão rumo à cidade de Araguaína. Na rua 2 de julho, no Centro da cidade, estava sua casa, onde foi reservado um quarto para ela realizar as consultas e os trabalhos da Umbanda, dando continuidade ao que aprendera em Araguatins e depois em Nazaré, MA, com o afamado Mestre Bruno, por quem foi batizada e autorizada a prosseguir com seus trabalhos. Após a longa conversa que tiveram, em 1972, com João da Mata e, logo em seguida, com Mestre Odenir, o esposo de Valdeci viajou até a cidade de Araguaína a fim de comprar banhos de descarga, defumadores e outros artigos para iniciar o desenvolvimento dela, uma vez que em Araguatins não havia loja especializada nestes produtos71.

Quando Dona Valdeci começou a se desenvolver com José Odenir, este passou a ir duas vezes por semana à cidade. Com sua clientela se expandindo, ele resolveu construir um salão para si, parando de trabalhar no terreiro de Maria Cuiabana. Antes de o salão ficar pronto, ele continuou seus trabalhos na casa de uma médium dele, Maria do Carmo. Foi com a ajuda de amigos e médiuns que a tenda foi erguida. O terreiro foi construído na rua Pedro Ludovico Teixeira, à beira do rio em Araguatins.

Dona Valdeci não sabe ao certo quem seria o pai de santo de José Odenir. Sabe que mesmo morando em Marabá teria sido desenvolvido, de início, em Belém. Ainda em Marabá teria começado sua “feitura na Omolokô”. Em uma das viagens para Tucuruí, José Odenir começou seu desenvolvimento na Mina de Cura72 com Mestre João Torneiro, e também “pegou preparo” em São Luís, MA. Quando chegou a Araguatins, mesmo com diversas “correntes cruzadas” — como diz Dona Valdeci —, Mestre Odenir começou a trabalhar na “Umbanda branca”, sinônimo da ausência de exus e tambores. A dirigente lembra que ele passou a usar tambores e realizar “trabalhos com a esquerda” somente quando ela saiu de lá.

Ainda no mesmo ano em que conhecera Mestre Odenir e iniciara seu tratamento e desenvolvimento, a jovem Valdeci entrou em transe pela primeira vez com a encantada Mariana.

71 Naquele momento, em Araguaína, quem tinha este tipo de comércio era Terezona. A loja se chamava “Cabana José Tupinambá” e ficava na Av. Cônego João Lima (a principal da cidade). Com o falecimento de Terezona a loja fechou. Mas outra foi aberta na mesma avenida por Antônia do Raimundo Pantaleão, a “Loja Iemanjá”. Esta senhora, ao contrário de Terezona, não pertencia ao povo de santo, e devido a problemas de saúde do marido teriam se mudado para Palmas/TO em busca de melhores tratamentos. A próxima loja na cidade viria a ser a “Cabana Rompe Mato” de Dona Valdeci.

FIGURA II – Primeira incorporação da jovem Valdeci

Fonte: Acervo Dona Valdeci

Com José Odenir, a jovem médium conheceu, além dos segredos da Umbanda, os segredos que pertenciam à Mina de Cura e seus cavaleiros. Ainda se lembra de quando os recebera pela primeira vez. Mestre Odenir mandou que se sentasse, antes de receber as entidades, pois, segundo ele, ela “não iria resistir ao peso deles se ficasse em pé”. Assim, ela “deu passagem73” para todos os cavaleiros que quiseram vir curar naquela noite. Foi ainda no mundo encantado da Mina de Cura que a jovem Valdeci pôde ver que nem todos os encantados vinham em forma de gente. Presenciou botos74, cobras, jacarés, peixes e outros animais incorporarem no Mestre Odenir e nos médiuns da casa, assim como ela futuramente também os receberia. Ela passou a incorporar a Cobra Buiuna, grande figura mítica das águas da região amazônica. Segundo Dona Valdeci, a primeira vez que Buiuna veio no terreiro de José Odenir ela estava presente e compreendeu, naquele momento, a história do encantamento dessa entidade.

73 Expressão que designa uma sucessão de entidades que incorporam em um médium de forma sequencial. Estes chegam, cantam sua doutrina e logo em seguida vão embora dando a possibilidade para que outros venham. Segundo Galvão (1976), uma das características principais da pajelança, se comparada com as religiões afro- brasileiras, é o fato do pajé receber uma enorme quantidade de espíritos por trabalho e não somente uma ou outra entidade.

74 Os botos procuram ser evitados pelos ribeirinhos por acreditarem que são seres encantados. Casos de mulheres doentes ou grávidas por conta de botos que se transformaram em homens e se relacionaram com elas são recorrentes nas narrativas. A figura da cobra de grandes proporções que habita a parte mais funda do rio – os poções – faz também parte das crenças amazônicas. Assim como, os efeitos medicinais e “mágicos” de partes corporais destes animais (GALVÃO, 1976).

De acordo com a dirigente, há mais ou menos uns 40 anos, em Araguatins, uma moça ficou grávida. A família escondeu o fato de toda a cidade, e quando a moça deu à luz ela jogou a criança no rio Taquari, que deságua no Araguaia. Foi justamente em um ritual de Mina de Cura oficiado por Mestre Odenir que Buiuna veio sobre a cabeça do chefe da casa. Dona Valdeci contou que Mestre Odenir, com a encantada, chorava muito e que esta pedia para ser batizada. Entre lágrimas, ela contava que sua família era de Araguatins, mas que ela não poderia dizer quem era, pois ainda não tinha autorização para se revelar. Porém, uma coisa lhe era permitido contar, que tinha sido Buiuna que a encantara.

Dona Valdeci recebe, na sua “coroa”, a mesma menina encantada na cobra, a qual chega sempre cantando um dos seus dois pontos que, resumidamente, contam sua história e sobre quem ela é:

A minha mãe ingrata Que me jogaste nas águas Eu sou a Buiuna grande A flor do Taquari.

Ou

A Buiuna é moça (2x) Eu sou Buiuna Eu sou Buiuna Sou cobra do fundo.

Mas nem só de cavaleiros, como Rei Ricardinho, Mestre Badé, Tango do Pará, entre outros, e animais encantados está composto o panteão da Mina de Cura. A jovem Valdeci viu Francisquinho vir pela primeira vez no dirigente do salão antes de passar a recebê-lo. Quando esse menino encantado chegou, ele cantou o seguinte ponto narrando sua história e explicando quem o teria encantado:

Eu andava na canoa quando eu me alaguei Por cima do Travessão eu sou morador Foi Seu João Silva75 que me trouxe aqui

Boa noite meus irmãos eu já vou me despedindo.

Ao terminar sua canção, o encantado colocou as mãos no rosto e começou a chorar. O pai do pequeno Francisquinho estava presente nos trabalhos naquele dia e, reconhecendo o filho “desaparecido”, pôs-se a chorar também.

Dona Valdeci lembra que Francisquinho era uma criança conhecida por todos na cidade. Ele tinha mais ou menos 12 anos de idade quando estava na canoa no meio do rio Araguaia, em um local chamado Travessão, por ser a parte mais funda do rio, pescando e brincando. Sua canoa começou a encher de água e afundar. As pessoas que passavam por perto jogavam corda e objetos na tentativa de ajudar o garoto, mas ele afundava e voltava várias vezes, e sempre que retornava à superfície as pessoas o viam sorrindo. Isso aconteceu durante certo tempo, até que o menino não mais emergiu, desaparecendo na imensidão das águas. No salão de José Odenir, ao ver o pai chorando, Francisquinho foi até ele e disse, procurando confortá-lo: “Papai, não chora, eu não morri, eu só me encantei”.

Ao conhecer essa história e outras que, mais tarde ouviria e presenciaria, e recordando-se da conversa primeira que tivera com Mariana, a jovem Valdeci compreendia cada vez mais o que acontecera com ela na infância às margens do rio dos Porcos. Assim, além dos ensinamentos da Umbanda e da Mina de Cura dados por José Odenir, a dirigente contou que sua sogra ajudou bastante durante todo o processo, sobretudo no que dizia respeito às rezas. Dona Valdeci não sabia “se quer rezar um terço” e foi sua sogra quem a ensinara. O apoio recebido de diversas pessoas durante o desenvolvimento da dirigente é sempre lembrado com gratidão. Mas, segundo ela, quem mais ajudou durante esse processo foram as entidades, algumas de forma especial. Além de Mariana, que a acompanharia por toda a vida,