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La genèse de la grille d’analyse

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Conclusion du Chapitre 1

CHAPITRE 2. DÉFINIR L’AFFICHE

5 Les critères d’analyse des pratiques d’affichage

5.1 La genèse de la grille d’analyse

Não temos dúvidas de que o cinema é de extrema relevância em nossa contemporaneidade. Enquadrada como uma expressão artística, a sétima arte é uma marca da nossa contemporaneidade. O cinema é formado por um conjunto de partes significativas, como imagens em movimento, trilha sonora, ruídos do ambiente em que

o filme circula, falas entre personagens, entre outros elementos. Nas palavras de Iracema Vilaronga (2009),

A arte cinematográfica contribui, direta e significativamente, para a formação de indivíduos. O hábito de frequentar salas de cinema ou simplesmente assistir a filmes pode despertar nas pessoas o pensar em si, no outro e nas interações com o meio socioambiental. Ver filmes é uma prática social tão importante, do ponto de vista da formação educacional e cultural das pessoas, quanto a leitura de obras literárias, filosóficas, sociológicas e tantas mais. (VILARONGA, 2009, p. 1058)

Todavia, não podemos negar que tem sido um ambiente de exclusão de pessoas com deficiência visual, considerando que não são muitos filmes ou materiais audiovisuais que oferecem recursos de acessibilidade, favorecendo o que Alves (2012) chamou de confinamento cultural. A esse respeito, um dos recursos que garante a acessibilidade de pessoas com deficiência visual é a audiodescrição, definida por Motta e Romeu Filho (2010), como

[...] um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. (MOTTA e ROMEU FILHO, 2010, p. 11)

Segundo Costa (2012) e Franco e Silva (2010), a AD não é um recurso da contemporaneidade, pois surgiu em tempo imemorial – não podendo mensurar a data de início – em ambientes familiares, para auxiliar os que tinham cegueira ou baixa visão, bem como os idosos. No entanto, quando pensado em situações extrafamiliares, em eventos culturais e outros espaços sociais, ela pode ser marcada temporalmente.

No que diz respeito a uma prática institucionalizada, foi na década de 1970 que ela começou a ser exercida. Segundo Franco e Silva (2010), em uma dissertação de mestrado, datada em 1975, Gregory Frasier construiu ideias sobre a audiodescrição. Apesar disso, foi na década seguinte que começou a ganhar mais destaque com o trabalho exercido pelo casal Margaret, que tinha deficiência visual, e por Cody Pfanstiehl. Eles foram responsáveis por fazer a tradução de uma peça teatral nos Estados Unidos em 1981. Nos anos seguintes, eles fizeram as primeiras

audiodescrições em cassete para aqueles que visitassem museus, parques e monumentos americanos, bem como contribuíram para que a AD chegasse à televisão, com a tradução audiovisual da série de TV American Playhouse. Como ainda estava em fase inicial, a tradução foi feita via transmissão de rádio, e não por justaposição no material audiovisual.

Foi somente em 1986 que a empresa do casal Pfanstiehl, a Metropolitan Washington Ear, começou a fazer teste de recepção com pessoas com deficiência visual. O resultado mais marcante veio em 1990, com a produção de audiodescrição pré-gravada para a televisão. No mesmo ano de 1990, o doutor Gregory Frazier e August Coppola, com o Audio Vision Institute, promovem cursos de capacitação de audiodescritores e incentivam a pesquisa na área. Como resultado, eles são responsáveis pela apresentação do primeiro filme com AD dos Estados Unidos, o

Tucker, de Francis Ford Coppola.

Na Europa, a audiodescrição começou a ser utilizada na década de 1980, especialmente na tradução de peças teatrais na Inglaterra. Além disso, a Espanha e a França trabalharam no desenvolvimento de filmes acessíveis. Houve, inclusive, exibição no festival de cinema de Cannes de 1989, na França, de dois extratos de filmes com AD, fato que incentivou a tradução de Indiana Jones e a última Cruzada pelos franceses no mesmo ano.

Quanto ao Brasil, Aderaldo e Nunes (2016) afirmam que a audiodescrição foi aplicada no ano de 1999. Fora feitas, no Centro Cultural Louis Braille, a audiodescrição, chamada ainda de “narração”, de filmes. Outras experiências, segundo elas, aconteceram em 2002 com a tradução de cinco filmes. Segundo Alves e Teles (2017), a primeira audiodescrição feita no Brasil, oficialmente, foi em 2003, durante o festival Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência. Mas foi em 2005 o lançamento em DVD, segundo Franco e Silva (2010) do primeiro filme audiodescrito, Irmão de fé.

Franco e Silva (2010) também afirmam que, em 2006 e 2007, nos Festivais Internacionais de Curtas-metragens de São Paulo, e em 2007, no Festival de Cinema de Gramado, foram exibidos filmes com audiodescrição. Em 2008, a AD pôde ser percebida na televisão, em uma propaganda acessível promovida pela marca Natura. Ademais, as autoras afirmam que as ações têm sido bem recebidas no Brasil, mas se mostram desconfortáveis com fato de a continuidade delas ser promovida, em sua

maioria, pelos setores privados em vez de pelo próprio governo. Isso demonstra que não há um engajamento nem respeito às leis brasileiras.

Segundo Aderaldo e Nunes (2016), foi apenas em 2010 que a AD foi regulamentada no meio televisivo brasileiro devido a uma portaria do Ministério das comunicações. Ela estipulava a quantidade de horas obrigatórias que cada emissora deveria dedicar para ofertar audiodescrição.

Como o gênero discursivo teve de ser readequado para ambientes e situações de mais formalidade – deixou de ser apenas um gênero primário para também se estabelecer como secundário6. Nesse sentido, alguns parâmetros foram construídos para orientar a roteirização de audiodescrições, tanto para traduzir as imagens estáticas quanto para as imagens dinâmicas, estas que geralmente estão vinculadas a materiais audiovisuais. As primeiras nações a desenvolver manuais foram “[...] Alemanha (Bayerischer Rundfunk), Reino Unido (ITC Guidance), Espanha (UNE 153020) e Estados Unidos (Audio Description Coalition)” (COSTA, 2012, p. 3).

Em 2012, o Ministério da Educação, objetivando tornar acessíveis os materiais didáticos, divulga uma Nota Técnica publicada pelo MEC, sob o nº 21, tratando a respeito de audiodescrição em livros e, portanto, de imagens estáticas. Nela, assegura-se que o poder público deve garantir o acesso das pessoas com deficiência visual à leitura em formato de texto nos meios magnéticos. Isso deve ser feito em respeito à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (BRASIL, 2008), que afirma a necessidade de garantir autonomia e participação social plena de todas as pessoas, com igualdade de oportunidades.

Nessa nota técnica, são estabelecidos parâmetros para a descrição de imagens para livros didáticos. Mas antes de apresentá-los, destaca-se a necessidade de não se julgar nem opinar no processo de tradução em palavras do material visual. Dentre requisitos apresentados, elencamos estes: identificar os sujeitos da cena, apresentando local onde estão inseridos; qualificar o sujeito e o espaço, adjetivando- os; descrever as circunstâncias da ação feita; referenciar o tempo da cena; identificar

6 Para Bakhtin (2016) há dois tipos de gêneros do discurso: o primário (simples) e o secundário (complexo). Este, segundo o autor, “surgem nas condições de um convívio cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado (predominantemente escrito) – ficcional, científico, sociopolítico, etc. No processo de sua formação, eles incorporam e reelaboram diversos gêneros primários (simples), que se formaram nas condições da comunicação discursiva imediata” (BAKHTIN, 2016, p. 15).

o enquadramento da imagem (Plano geral7, Plano americano8, câmera alta9, câmera baixa10, entre outros11); adequar coerentemente a linguagem verbal à correspondente visual, fazendo uso de termos adequados da área de conhecimento da imagem; considerar fatores históricos e sociais na constituição da imagem no processo de elaboração do texto; considerar o público-alvo do texto que descreve a imagem e adaptá-lo a tal público. Todas essas noções, extraídas da nota técnica do MEC, exigem que a descrição das imagens seja feita sem julgamento nem opinião. Isso não significa que o enunciado será neutro, mas que se esforçará para não interpretar as imagens para as pessoas que têm deficiência visual.

Para as imagens dinâmicas, vinculadas a materiais audiovisuais, a audiodescrição tem sido estudada no Brasil em seus diversos aspectos e perspectivas teóricas, o que tem proporcionado um apanhado teórico em expansão ano a ano sobre a área de TAVa. Cada pesquisa fala de lugares distintos da audiodescrição e mostra a sua relevância para a expansão da inclusão e do empoderamento de pessoas com deficiências visuais.

Sobre a descrição de imagens dinâmicas de programas de televisão, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2005, p. 8) afirma que deve ser traduzida de forma sucinta a imagem e o som que não podem ser compreendidos sem a visão. Além disso, o audiodescritor deve evitar ser o único falante, sobrepondo-se aos diversos áudios do material audiovisual. Deve, na verdade, aproveitar os espaços naturais de silêncio entre as falas. O mesmo procedimento cabe ao cinema, que deve ter a sua locução de audiodescrição nos intervalos entre as falas, respeitando, até mesmo, a trilha sonora do filme, pois ela pode contribuir para a compreensão do audiovisual. Para eles, a locução da descrição deve se adequar ao tipo de programa. Se for para adultos, como telejornais, deve ser mais objetiva, enquanto que, para crianças, deve ser mais poética. Eles também destacam que a descrição subjetiva deve ser evitada. Segundo Alves e Teles (2017),

7 No “plano geral”, há uma ampla apresentação do cenário, uma vez que o ângulo de visão é bem aberto. Em contrapartida, os objetos do cenário e as pessoas são menos destacados.

8 No “plano americano”, a câmera enquadra o personagem do joelho para cima. É bem característico dos filmes de faroeste americano.

9 Na “câmera alta”, também nomeada de “plongée”, a câmera se localiza, voltada para baixo, acima de um objeto ou do nível do olhar do personagem.

10Na “câmera baixa”, também conhecida como “contra-plongée”, a câmera se localiza, voltada para cima, abaixo de um objeto ou do nível do olhar de um personagem.

11 As informações foram retiradas, essencialmente, do site “Primeiro Filme”. Fonte: http://www.primeirofilme.com.br

O interesse pela TAV no âmbito dos Estudos da Tradução ganhou impulso na década de 1980, atingindo seu auge na década de 1990. A partir do ano 2000, especificamente no Brasil, a tradução audiovisual ganhou maior visibilidade por conta das leis que garantem acessibilidade de informação e comunicação às pessoas com deficiência. (ALVES e TELES, 2017, p. 420) Devido a isso, não podemos entender a audiodescrição como um campo que não precise de estudo ou de pessoas capacitadas para desenvolver um trabalho na área. Contrariamente, o processo de audiodescrição exige a existência de diversas pessoas. Segundo Zardo (2017), três equipes de profissionais são essenciais para a construção de uma audiodescrição que favoreça, de fato, as pessoas com deficiência. São estes:

[...] o roteirista, audiodescritor que produzirá o texto descritivo de determinado produto, o consultor, audiodescritor com deficiência visual que analisa e revisa o roteiro, e o narrador, audiodescritor que faz a leitura (ao vivo ou gravada) do roteiro de audiodescrição. (ZARDO, 2017, p. 14)

Zardo (2017), a respeito do trabalho de audiodescrição, considera a necessidade de seguir determinado percurso para evitar pontos de falhas possíveis. Entre eles, ela aponta a importância de o profissional: conhecer diversas áreas, considerando que pode haver demanda de trabalho de campos diversos; interagir com o cliente que solicita a acessibilidade do material audiovisual; encaminhar para a consultoria e revisar quantas vezes forem necessárias; por fim, finalizar o material, anexando a gravação das vozes ao filme ou à transmissão ao vivo em alguma sessão onde se passe o filme.

A esse respeito, Mianes e Soares (2012) apresentam uma opinião sobre o fato de, algumas vezes, o audiodescritor-roteirista ser o mesmo que faz a locução da audiodescrição. Para eles,

O audiodescritor-roteirista e o audiodescritor-narrador podem ou não ser a mesma pessoa. Em alguns casos ocorre a acumulação dessas duas funções por uma única pessoa – o que, por si só, não é bom ou ruim. Acreditamos, porém, que a multiplicidade de profissionais envolvidos na realização de qualquer AD vem contribui significativamente com a qualidade e maior clareza do produto final. (MIANES e SOARES, 2012, p. 9)

É necessário entender, também, que não se deve apenas traduzir o que se vê, mas traduzir, recriar em palavras, o que é importante para a compreensão semiótica da obra. Isso acontece porque, quando se trata de material audiovisual, outros elementos serão essenciais para a tradução, como a trilha sonora, os diálogos,

os silêncios e o tempo. Nem tudo o que está em tela poderá ser audiodescrito, pois algumas vezes o tempo disponível não é o bastante, sendo necessário dar mais ênfase aos elementos que apresentam mais relevância (ALVES; TELES; PEREIRA, 2011).

Nessa direção, o principal consenso a respeito da audiodescrição fílmica é que ela não deve se sobrepor às falas, pois as pessoas com deficiência devem receber o filme em par de igualdade como os videntes, e o elemento que lhes é essencial é o som (ALVES; TELES; PEREIRA, 2011). Isso implica em uma AD bem pensada e elaborada para que se encaixe no tempo disponível, para que não seja uma locução muito apressada, com muitas palavras, nem um roteiro com pouquíssimos elementos, que não contribuam adequadamente para a aquisição da imagem.

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