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Genèse des caméras infrarouges multivoies à l’ONERA : de la caméra MULTICAM à

5. LES MULTIPLES FACETTES DES ARCHITECTURES MULTIVOIES

5.2. Genèse des caméras infrarouges multivoies à l’ONERA : de la caméra MULTICAM à

O presente trabalho teve como principal intuito produzir e disponibilizar materiais de divulgação e identificação sobre plantas aquáticas, de forma a contribuir para o aumento do conhecimento e percepção da população sobre a diversidade e importância deste grupo de plantas e seus ecossistemas. A disponibilização dos materiais produzidos sobre plantas aquáticas contará com a colaboração de dois Projectos de âmbito nacional e forte cariz de divulgação (Charcos com Vida e Flora-On), o que garante a sua aplicabilidade prática, disseminação alargada pela população e potencial para aumento do conhecimento e sensibilização sobre plantas de charcos por parte dos jovens. Killerman (1996) demonstrou que aqueles que contactam com as plantas no seu ambiente natural apresentam mais capacidade de as reconhecerem, do que os que as estudam só teoricamente.

Algumas espécies da lista inicial de plantas não foram abordadas neste trabalho, pois verificou-se falta de descrição ou a actual inexistência de espécimes conhecidos em Portugal. Além disso, a existência de sub-espécies ou variantes não foi tida em consideração, pois, sendo as diferenças morfológicas frequentemente mínimas, tal torna desnecessária a criação de fichas dedicadas a cada subespécie ou variante. Além disso, estes materiais têm como público-alvo a população em geral e o facto de fazer uma ficha para as subespécies e variantes, ou mesmo para algumas espécies com caracteres muito parecidos, implicaria a utilização de linguagem muito técnica, o que tornaria as fichas muito difíceis de interpretar. Um destes casos foi o géneroCallitriche, em que, por ter espécies tão similares e de difícil distinção, optou-se por criar apenas uma ficha do género, seguida de uma chave dicotómica para o género. Os ranúnculos foram outro grupo cuja abordagem teve que ser distinta pois, em alguns as diferenças são muito pequenas e pouco perceptíveis. Neste caso optou-se por fazer também uma ficha do género, seguida de fichas gerais de ranúnculos brancos e amarelos, cada uma destas com uma chave dicotómica específica e imagens das espécies. Em geral, na elaboração dos materiais a utilização de linguagem simplificada, embora em algumas situações não tenha sido possível. Assim, foi necessária a elaboração de um glossário que complementasse os materiais produzidos, fornecendo significados simples para os termos de morfologia externa vegetal utilizados, bem como uma descrição geral das famílias estudadas.

De todos os materiais elaborados, o que levantou mais problemas na simplificação foram as chaves dicotómicas. Como inicialmente tinha sido prevista a concepção de uma chave, tendo por base a adaptação da chave geral da Flora Ibérica, que é uma chave muito complexa, pois compara

todas as famílias de plantas conhecidas na Península Ibérica, o resultado foi uma chave grande e de difícil leitura ou interpretação. Assim, surgiu a necessidade de a simplificar, inicialmente tornando-a numa chave de géneros e não de espécies. O resultado obtido foi mais simples embora não tivesse ainda a simplicidade requerida para materiais construídos para divulgação a um público não-especializado. Esta necessidade prende-se com o facto de o projecto Charcos com Vida trabalhar maioritariamente com escolas e grupos formais ou informais, sendo para tal necessária a adequação da linguagem. Assim, a terceira chave dicotómica (apresentada na página 143) surge numa tentativa de produzir um material que, apesar de não ser cientificamente tão rigoroso, é mais simples, dinâmico e passível de ser utilizado por alunos e professores nas suas aulas. Além disso, esta chave é mais fácil de converter para o formato digital, factor que comprovadamente torna a sua utilização mais aliciante para jovens.

Tendo em conta a importância dos charcos, como habitat a conservar, nomeadamente na região mediterrânica, onde são considerados um habitat prioritário (3170) pela Directiva de Habitats Europeia, é necessário educar para futuramente conseguirmos preservar. Estes charcos albergam algumas espécies raras, endémicas ou listadas na Red List IUCN, que apresentam portanto algum risco de desaparecer (Zacharias & Zamparas, 2010). Das 188 plantas de charcos representadas neste estudo, 9 estão referidas na Red List da IUCN: 5 como Quase Ameaçadas (Baldellia alpestris, Callitriche cribrisa, Exaculum pusillum, Isoetes setaceum e Pilularia globulifera), 2 como Vulneráveis (Isoetes azorica e Juncus sorrentinii) e 2 como Em Perigo de Extinção (Marsilea batardaeePilularia minuta). É de salientar ainda 3 espécies (Hydrocharis morsus-ranae, Sagittaria sagittifolia e Vallisneria spiralis) que, apesar de não estarem referidas da lista vermelha, estão quase extintas em Portugal (Sequeira et al, 2011). Além destas, 2 são endémicas de Portugal (Cirsium welwitschii e Isoetes azorica), 4 endémicas da Peninsula Ibérica (Baldellia alpestris, Gratiola linifolia, Juncus emmanuelis eRanunculus longipes). Quanto as espécies referidas em protocolos de conservação: 5 estão referenciadas na Convenção de Berna (Isoetes azorica, Marsilea batardae, Marsilea quadrifolia, Marsilea strigosa e Pilularia minuta) e 7 referidas na Directiva de Habitats (Apium repens, Isoetes azorica, Lycopodiella inundata, Marsilea batardae, Marsilea quadrifólia, Marsilea strigosaeMyosotis laxa).

Contudo, tendo em conta a elevada diversidade de espécies de plantas aquáticas, e em particular de espécies ameaçadas, bem como a sua importância para a cadeia trófica e para a reprodução de alguns seres vivos, como os anfíbios, estas ainda estão sujeitas a medidas de preservação

muito limitadas (Zacharias et al., 2007). A este propósito é reconhecido que o aumento dos conhecimentos sobre o ambiente leva à adopção de comportamentos mais ecológicos e para tal a experiência directa poderá ser a melhor ferramenta (Palma-Oliveira & Carvalho, 2009).

Assim, a disponibilização de materiais que possam ser utilizados nas escolas ou em actividades de observação da natureza por parte da população que permitam identificar as diferentes espécies de plantas presentes nos charcos poderá ser uma ferramenta crucial para: 1) promover o conhecimento sobre estes grupos florísticos através do desenvolvimento de actividades práticas de contacto com a biodiversidade, 2) incentivar a colheita de dados de interesse científico por parte da população (citizen science), 3) colmatar as importantes lacunas de informação sobre a ocorrência e distribuição destas espécies em Portugal, e 4) promover a preservação deste grupo de plantas sensíveis e dos seus habitats tão ricos em biodiversidade.

5.Referências