2. SAVOIRS PROFESSIONNELS AU REGARD DE L’ANIMATION DE GROUPES
2.1 CONDITIONS D’ANIMATION DE GCP
2.1.6 Un GCP dans le respect des exigences et fondements de l’approche
O Simpósio Brasileiro de Games é um evento de cunho acadêmico que ocorre anualmente desde 2002, e reúne apresentação de trabalhos, palestras e mesas redondas, além de uma premiação de jogos. O evento é separado em trilhas, incluindo Cultura, Arte & Design, Computação e Indústria - focada na discussão de temas estratégicos das cadeias produtivas do setor de jogos digitais, incluindo políticas públicas. Organizada pela SBC (Sociedade Brasileira de Computação) em parceria com a ABRAGAMES, os eventos congregaram uma série de mesas redondas e debates que envolvem a participação de formuladores de políticas públicas.
Tabela 8 - Mesas ocorridas no SBGAmes
Ano Título da Mesa Instituições Participantes
2006 Políticas Estratégicas para a Indústria de Jogos Eletrônicos
Emiliano de Castro (ABRAGAMES), Geber Ramalho (UFPE + RBV), Pedro Alem (ABDI), Alfredo Manevy
(MinC), Alexandre Cabral (FINEP), João Emílio Gonçalves (APEX)
2008 Lançamento do Programa BRGames ABRAGAMES, SAV/MinC, SPC/MinC, SOFTEX, FILE
2009 Políticas estratégicas para a indústria de jogos eletrônicos
ABRAGAMES, Alfredo Manevy (Ministério da Cultura) e Pedro Alem (ABDI), tendo ainda Marcelo Goldenstein (BNDES), Andre Penha (presidente da ABRAGAMES) e
John Forman (Softex). 2010 Políticas estratégicas para a indústria de jogos eletrônicos
Nicolas Gaume (Sindicado dos jogos digitais-França), André Limp (APEX), Emiliano de Castro (ABRAGAMES),
Ana Paula Bernardino Paschoini (BNDES), Vera Lucia Guedes Teixeira Vieira (BNDES)
2011 Indústria de Games no Brasil Políticas Públicas para a ABRAGAMES, James Gorgen (MiniCom)
2012 Incentivos do Governo ABRAGAMES, MDIC, MCTI, MinC, MiniCom, MEC, ACIGAMES
2013 Políticas Públicas
Alexandre McHaddo (ABRAGAMES), Ana Paula Bernardino Paschoini (BNDES), Georgia Haddad Nicolau
(Ministério da Cultura), James Gorgen (Ministério das Comunicações), Leonardo Rossato (Ministério da Cultura), Rosana Cristóvão de Melo (Sebrae Nacional). Fonte: elaborado pelo autor (2015)
Logo no primeiro ano de realização do evento, em 2006, surge a primeira mesa abordando diretamente o assunto. Moderada por Bruno Feijó, membro da SBC e professor da PUC-Rio, a mesa contou com a participação de Emiliano de Castro como representante da ABRAGAMES, Geber Ramalho, do Centro de Informática da UFPE, e coordenador do RBV (Rede Brasileira de Visualização) no Nordeste, Pedro Alem da ABDI, Alfredo Manevy do MinC, Alexandre Cabral do FINEP e João Emílio Gonçalves da APEX.
Realizada após a segunda edição do edital JogosBR, a presença de Alfredo Manevy do MinC envolveu um balanço das atividades do ministério para o setor. Alexandre Cabral, ao representar a FINEP meses após a divulgação dos resultados do edital MCT/FINEP/MEC 02/2006, focou seu discurso no processo e objetivos deste edital. Cabe como último destaque a presença de João Emílio Gonçalves da Apex, no ano em que era fechada a parceria – vigente desde então – com a ABRAGAMES, incluindo empresas brasileiras produtoras de jogos digitais no Projeto Setorial
Integrado de Software, plano de internacionalização de empresas brasileiras produtoras de software e prestadoras de serviços. Essa mesa acabou sendo marcada como um balanço da primeira fase de políticas públicas para jogos digitais no Brasil, sendo os formuladores presentes nessa mesa representantes das principais iniciativas realizadas até então.
Outra mesa sobre políticas públicas que se destaca seria aquela formada durante o SB Games de 2009, com a temática Políticas estratégicas para a indústria de jogos eletrônicos. A mesa, moderada por Emiliano de Castro da ABRAGAMES, contou novamente com a presença de Alfredo Manevy (Ministério da Cultura) e Pedro Alem (ABDI), tendo ainda Marcelo Goldenstein (BNDES), Andre Penha (presidente da ABRAGAMES) e John Forman (Softex).
Nesta mesa Manevy faz um balanço das políticas realizadas pelo MinC, mas também ressalta o papel do ministério como articulador que trouxe outros atores governamentais para a discussão, como é o caso do BNDES, que aparece em uma das primeiras discussões públicas em apoio ao setor. Representado por Marcelo Goldenstein, foi exposto como a abertura da perspectiva de economia da cultura, em um processo iniciado em 2006, contribuiu para a ampliação de seu escopo de ação, permitindo a perspectiva de inclusão dos jogos digitais nas políticas da instituição.
Estamos começando a fazer uma análise setorial e tentando entender melhor que lacunas o banco pode cobrir com suas fontes de recurso. Chamamos o André Penha [ABRAGAMES], ele ficou quatro horas conversando com a gente explicando como é que funciona isso, estamos conversando com uma série de pessoas, instituições e empresas. [...] O que a gente está tentando é financiar projetos, que tenham conteúdo criativo predominante e plano de negócios das empresas de games. (GOLDENSTEIN in SB Games 2009)
4.3.2.2 FÓRUM NACIONAL DO COMÉRCIO DE GAMES DO BRASIL –29 DE JANEIRO DE 2012/19 DE JANEIRO DE 2013
Organizado pela ACIGAMES, o Fórum Nacional do Comércio de Games do Brasil teve sua primeira edição em 29 de Janeiro de 2012, foi voltado para a divulgação da causa de redução tributária e discussões internas do setor, sem contar com um espaço de discussão e articulação com atores governamentais. A única representação governamental foi de Thiago Cremasco, coordenador geral de inovação da Secretaria do Audiovisual, Thiago Cremasco, que declarou no evento
uma nova edição para o edital BRGames – principal linha de fomento específica para o setor dentro do Ministério da Cultura, cuja última edição havia se realizado em 2008.
A segunda edição do fórum, ocorrida no dia 19 de janeiro de 2013, contou com a presença mais ampla de representantes governamentais. A Solenidade de abertura foi apresentada por João Batista Lanari (Diretor de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). João usou o documento resultante do Workshop para Criação de Projetos para o Desenvolvimento de uma Indústria de jogos digitais no Brasil como pano de fundo para sua fala. E começa expondo
(...) em primeiro lugar eu faço uma autocrítica, o governo está vendo de forma extremamente fragmentada, eu acho que isso é um dever de casa que o governo deve fazer, eu confesso a vocês que ainda não foi possível articular isso, nós estamos trabalhando. [...] Do ponto de vista da articulação do governo ainda falta um gancho, um breaktrought, uma ruptura para se ter uma consistência pra atividade. (LANARI, 2013)
João Batista Lanari ainda compôs uma mesa de debate junto com Debate do Governo com Davi Perez (Ministério da Justiça), Rafael Moreira (Ministério das Ciências e Tecnologia) e Fábio Azevedo (SEBRAE - SP), com moderação de Moacyr Alvez, presidente da ACIGAMES. Como parte do agendamento da ACI Games, o tema da redução da carga tributária ocupou centralidade na discussão. Foi discutida a possibilidade e articulação para a inclusão dos jogos digitais na lista de desonerações do Plano Brasil Maior. Outra temática que ocupou grande parte do debate foi a questão da classificação indicativa, e como foi estruturada essa questão dentro no Ministério da Justiça. O público do evento, composto por representações de 67 lojistas de diversos estados, além de membros de outros setores da cadeia produtiva de distribuição, evidencia o agendamento do evento, cuja preocupação central orbitou as demandas do setor de comércio de games no Brasil, como sugere o nome do evento.
4.3.2.3 BRAZILIAN INDEPENDENT GAMES FESTIVAL (BIGFESTIVAL)– NOVEMBRO DE 2012
BIG é o primeiro e maior festival de jogos independentes da América Latina. Organizado em parceria com a ABRAGAMES, o evento promove um concurso, com premiação, que avalia os melhores jogos independentes do ano segundo critérios de aspectos visuais, sonoros, narrativos e de gameplay. Junto com o festival é realizado
o BIG Business Forum, com palestras, encontros e rodadas de negócios para o fortalecimento da indústria nacional de games.
No dia 28 de novembro, o painel que abre o Business Forum surge para “falar dessa questão de que o Brasil é o quarto maior consumidor de videogame e 0,01% do ponto de vista de desenvolvimento” (MACHADO, 2012 in BIG Festival)52 com o título “A Estratégia para o fortalecimento da indústria independente no Brasil”.
O nome independente pra gente não faz nenhum sentido, não existe uma indústria que a gente possa ser dependente, não existe um mercado mainstream que os independentes estão fora. O desenvolvedor brasileiro que está de pé, ele não é independente, ele é sobrevivente. [...] O que acontece é que a indústria independente internacional é muito mais parecida do que a gente pode ser como indústria em pouco tempo, do que é o mercado mainstream nacional. Claro que um dia a gente pode chegar lá, mas antes disso precisamos passar por esses jogos com financiamento menos e rapidamente circulando dinheiro. É isso que devemos copiar dos independentes ao redor do mundo, principalmente dos Estados Unidos. (MACHADO, 2012 in BIG Festival)
O discurso de abertura do moderador da mesa, Alê Machado, que dois anos depois seria eleito presidente da ABRAGAMES, evidencia o tom da conversa que seguiu: fomentar o desenvolvimento da embrionária indústria de desenvolvimento de jogos digitais no Brasil. Além do então presidente da ABRAGAMES, Fred Vasconcelos, também estava presente Carlos Frees da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Igor Brandão da APEX Brasil, João Lanari do MDIC, Marcelo Goldstein do BNDES, Maurício Hirata da Ancine e Rosana Melo do SEBRAE.
Fred Vasconcelos, como representante da ABRAGAMES, evidencia em sua fala o crescimento das ações governamentais ao setor: “a gente tem tido um apoio governamental sistemático e abrangente, mas ainda não somos parte da agenda isso e algo que precisamos mudar, e mudar rapidamente”, mas é corrigido na fala de João Lanari:
Pra entender como o governo se situa em relação a indústria de jogos eletrônicos, a palavra é pulverizado, fragmentado, e eu acho que a ABRAGAMES foi um pouco otimista ao dizer que agora existe um apoio sistemático, acho que a palavra sistemático é um excesso de confiança. [...] O sistemático do ponto de vista de estruturação de uma política organizada não tem. A indústria de jogos eletrônicos é órfã. A parte de audiovisual que poderia incorporar talvez, não incorpora. A parte de desenvolvimento, que é a parte industrial, também fica meio quebrada, financiadores também não encontram. (LANARI in BIG Festival, 2012)
52Fala do moderador da mesa, Ale Machado.
A fala de Lanari evidencia a compreensão deste ator governamental de que o setor, ainda que emergente enquanto objeto de políticas públicas, é subvalorizado em diversos campos da ação governamental. O contraste desta visão mais moderada do representante do MDIC com o entusiasmo de Fred Vasconcelos, mostra o otimismo dos grupos de interesse com o surgimento das primeiras políticas para o setor.
Tabela 9 - BIG Festival 2012 - Como a associação/entidade/agência pode contribuir para a formação do mercado de games
Fonte: fala de encerramento dos participantes da mesa “A Estratégia para o fortalecimento da indústria independente no Brasil” no BIG Festival 2012
Marcelo Goldstein, representando o departamento de Economia da Cultura do BNDES, demonstrou a intenção de apoio da entidade ao setor: “temos essa percepção de que precisamos estar presentes em todas essas discussões que norteiam a implementação de uma indústria de games que a gente espera eu aconteça”. Essa intenção se concretizou em uma parceria com o próprio BIG Festival, evento que em 2012 tinha como patrocinador máster a Telefônica, passou a contar nas edições seguintes, de 2014 e 2015, com o patrocínio do BNDES. Outro órgão governamental de destaque na parceria com o evento, patrocinador desde a primeira
Fred Vasconcelos ABRAGAMES
ABRAGAMES com um papel claro de entidade de classe e de articulação dos players presentes no setor. Destaca relação com Sebrae, MDIC, SAV. ABRAGAMES como espaço do desenvolvedor brasileiro
João Lanari MDIC Contribuir para promover uma articulação mais coesa, para que se elabore uma política pública mais consistente, estruturante, que desse sentido à essa potencialização dos games.
Marcelo
Goldstein BNDES
Conceder empréstimos reembolsáveis e, como função acessória, colocar a indústria de games dentro do patamar dos setores econômicos brasileiros.
Maurício Hirata Ancine
No médio prazo, encampar o jogo eletrônico como um de seus objetos de regulação, com todo escopo do que é aplicado aos outros setores do audiovisual. No curto prazo se integrar nesse debate mais presencialmente.
Carlos Fees ABDI A partir de uma proposição desenvolvida pelos representantes do setor, construir uma política industrial, incluindo como estratégia de governo como ação dentro do Plano Brasil Maior. Além disso, articular junto do programa Startup Brasil
Igor Brandão Apex-Brasil
Trabalhando no campo da inovação, promovendo a internacionalização das empresas, e na promoção de negócios internacionais pelas empresas brasileiras.
Rosana Melo SEBRAE
Capacitação em gestão e empreendedorismo para o setor para melhorar a competitividade da empresa.
edição, é a Apex-Brasil. No quadro (acima), a síntese do discurso dos presentes na mesa, segundo a capacidade do órgão representado no fomento ao setor.