Arithmetic of algebraic numbers
4.5 Galois Group in Arithetical Problems
Originalmente, o Estado do Mato Grosso tinha 527 mil Km² de floresta, dos quais 37% já haviam sido desmatados até 2005. O Mato Grosso, constituinte do chamado arco do desflorestamento, apresentou o maior desmatamento entre os estados da Amazônia Legal entre 1989 e 2008 (figura 2.2), sendo mais intenso nas propriedades rurais e menos intenso nos assentamentos e áreas protegidas (Micol et al., 2008). A atividade madeireira, associada à especulação imobiliária, vem substituindo a floresta por pastos e cultivos de cereais e grãos, principalmente na frente de expansão da fronteira.
Figura 2.2. Evolução do desmatamento na Amazônia Legal (Mato Grosso, Pará e demais estados da Amazônia Legal) entre os anos de 1989 e 2008. (fonte: PRODES/ INPE, 2008)
63 Segundo IBGE (2005), o número de cabeças de gado na Amazônia subiu de 27 milhões em 1990 para 64 milhões em 2003, sendo os estados do Mato Grosso, Tocantins e Rondônia responsáveis por 86% desse contingente. Só o MT apresentava em 2006 cerca de 26 milhões de cabeças de gado (MAPA, 2009), das quais 40% encontravam-se no norte do estado, estimulando o estabelecimento de pólos frigoríficos e lacticínios na região (tabela 2.4).
Tabela 2.4. Produção animal: norte do Mato Grosso Estado (1); estado do Mato Grosso (2); participação do norte na produção estadual (1/2)
fonte: IBGE – pesquisa pecuária municipal, 2006
Alguns estudos afirmam que a pecuária é o principal motor do desmatamento na Amazônia, tendo sua expansão fundamentada na viabilidade financeira dos médios e grandes pecuaristas (Margulis, 2003; Veiga et al., 2004; Barreto et al., 2005; Barreto et al., 2008, Brandão, 2005). Como veremos nos resultados deste trabalho, além de motor do desmatamento, é a atividade que mais emite gases de efeito estufa por unidade de área. Alguns autores afirmam que os agentes intermediários, que se antecipam a criação de gado e são diretamente responsáveis pelo desmate, têm seu custo de oportunidade parcialmente compensado pela garantia de venda futura das terras para os pecuaristas (Browder, 1988; Hecht, 1992, Margulis, 2003). Estima-se que os custos ambientais da pecuária na Amazônia sejam de U$ 100/ano/ha, superando o retorno econômico avaliado pelo Banco Mundial em U$ 75/ano/ha (Margulis, 2003). A avicultura e suinocultura também são de grande relevância na produção animal da região, sendo que o norte mato-grossense compreendeu 58% da criação de suínos do estado, gerando toda uma estrutura-suporte a esta atividade, desde a produção de ração para porcos até produtos veterinários.
A agricultura também assume um papel fundamental na compreensão dos problemas do uso da terra na região. O desenvolvimento econômico dos municípios norte mato-grossense deve-se em grande parte à expansão agrícola, especialmente da soja, milho e algodão. Diante de um mercado mundial de alimentos em franco crescimento, associado ao aumento internacional dos preços das commodities, a perspectiva de ampliar as exportações brasileiras de produtos agrícolas vem impulsionando cultivos em direção à floresta. A safra nacional 2007/2008 apresentou
Produção Região norte do estado (1) Mato Grosso (2) Participação% (1/2) Aves 4.922.749 21.115.447 23,31 Suínos (cabeças) 796.928 1.359.824 58,6 Bovinos (cabeças) 10.712.771 26.651.500 40,2 Total 16.432.448 49.126.771 40,7
64 produção recorde, com crescimento de 7,8% em relação ao período anterior, com destaque para a soja, cuja safra foi de 59, 5 milhões de toneladas (IBGE, 2009). Em 2005, o Mato Grosso respondeu por mais de 17 milhões de toneladas de soja, proporção significativa diante da produção brasileira (IBGE, 2006), sendo que quase 70% desse valor (tabela 2.5) provêm do centro-norte do estado.
Tabela 2.5. Produção de commodities (2005): norte do estado do MT (1); estado do MT (2); participação do norte na produção estadual (1/2).
Produto (toneladas) Região norte (1) Mato Grosso (2) Participação % (1/2)
Arroz 1.690.640 2.262.863 74,71 Algodão 657.861 1.682.839 39,09 Milho 2.452.656 3.483.266 70,41 Soja 12.124.773 17.761.444 68,26 Feijão 47.017 66.122 71,10 Girassol 15.693 22.207 70,66 Total 16.988.640 23.595.902 72,00
fonte: IBGE – pesquisa pecuária municipal, 2006
Os recursos gerados com a agropecuária representaram cerca de 30% do PIB agropecuário do estado em 2005 (IBGE, 2007) sendo que a participação do centro- norte, região na qual a devastação é mais intensa, corresponde por cerca de três quartos da produção estadual. Além dos ganhos diretos, a emergência da região como pólo agrícola atraiu empreendimentos relacionados ao agronegócio, concentrando empresas que comercializam agroquímicos, máquinas agrícolas e agroindústrias, dinamizando a economia local. Entretanto, a mecanização do campo, inerente à produção em larga escala, tem exigido qualificação e menos mão de obra, resultando, por um lado, no aumento de investimentos e, por outro, na ampliação do desemprego (Cavalcante e Fernandes, 2006).
A viabilidade econômica da agricultura de exportação encontra-se no estabelecimento de uma infra-estrutura de escoamento e armazenagem da produção. No caso mato-grossense, a armazenagem foi fundamental na competitividade da sojicultura, pois permitiu a manutenção de um baixo teor de umidade nos grãos (Becker, 2006). Durante a década 1990, o BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) respaldou os investimentos privados em infra- estrutura de armazenagem ao longo da BR163, próximos aos grandes centros produtivos. Formas tradicionais de comercialização foram substituídas por novas, tais como a aquisição antecipada de insumos agrícolas em troca de parte da produção futura, estabelecendo uma relação de dependência entre os produtores rurais e as grandes agroexportadoras. Nesse contexto, duas empresas ganham destaque: A Bunge Brasil e a Cargill Brasil.
65 A primeira, de origem holandesa, adquiriu diversas empresas nacionais do ramo agrícola ao longo da década de 1990. Construiu silos e instalações industriais nos principais corredores de escoamento agrícola do país, focando suas operações na compra de grãos e venda de fertilizantes para os produtores rurais, aprofundando a relação de dependência destes com as grandes empresas do setor e influindo no ordenamento territorial brasileiro (Becker, 2006). A logística de escoamento adotada pela empresa fundamenta-se na terceirização do transporte, principalmente ferroviário, associado a investimentos significativos na construção de terminais portuários e aquisição de vagões.
Já a Cargill é uma empresa diversificada, de origem norte-americana, atuando desde o setor produtivo, perpassando a indústria de alimentos, mercado financeiro e exportação de gêneros agrícolas. Possui uma extensa rede de escoamento para o mercado internacional nos principais portos brasileiros, com destaque para o de Santarém (PA). Este será diretamente beneficiado pela pavimentação da BR163, concentrando o escoamento hidroviário da produção agrícola do Mato Grosso, barateando sensivelmente os custos de frete.