4. Inventaire et analyse des possibilités
4.2 Leviers indirects
4.2.1 Gagner du terrain
pavimentação asfáltica, concluída. Convênio: Prefeitura, Estado, Governo Federal”
Fonte: acervo da Escola Estadual Polivalente de Araxá
De novo incitando a população de Araxá a acreditar, a reconhecer e a continuar a lutar nas urnas para usufruir dos benefícios e se manter nessa “onda de progresso”, o
Correio de Araxá publicou uma notícia — a seguir — cujo texto nos permite perceber
que, ao lado de elementos relacionados com economia, infraestrutura e questão social, figura-se o Colégio Polivalente como fator de progresso. Por essa e outras manifestações, podemos inferir a importância que tal escola devia representar para o município e seus moradores:
Na quarta-feira da semana atrasada teve início a corrida de ônibus ligando os bairros e o centro da cidade. [...] Isso minha gente! Não vamos deixar fracassar esse empreendimento de progresso e conforto para todos. Os passos lentos mas firmes, chegaremos a ser grandes, porque é o povo que faz a sua cidade. Bem localizada, com clima excelente, ligada agora, por todos os lados, às capitais, por ótimas rodovias, faltava à nossa terra um impulso maior para se projetar em direção a um grande futuro. Mas esse passo avante, esse despertar resoluto foi dado com a Fundação Universitária de Araxá, instalando aqui a Faculdade de Filosofia, com o Colégio Polivalente que dará condições para todos os que quiserem estudar, com a Comag que irá solucionar de uma vez o problema da água, com a Arafértil que dará a muitos, meios para trabalharem, com as luzes que voltaram a iluminar as nossas ruas. No entanto, ainda faltavam os ônibus circulares, mas o “Empurrão” foi dado com tanta força, que até eles apareceram para transportar tanta gente que vai se movimentar com tanta coisa nova. [...] Colaboraremos positivamente com essa onda de progresso que está chegando para nós, ou iremos contra a corrente de trabalho e otimismo que quer fazer de Araxá uma grande cidade (CORREIO DE ARAXÁ, 1972 p. 5).
Como se pode deduzir, em torno dos acordos entre o MEC e a USAID — assim como do produto que deles resultaria —, foram marcantes a contradição e a opinião polarizada, em especial em veículos difusores de visões distintas de educação e escola, ou seja, de sua estrutura e seu funcionamento pedagógico. Esses acordos tiveram em sua origem o Tratado da Aliança para o Progresso, no qual os Estados Unidos direcionam ações assistenciais aos países da América Latina, dentre eles o Brasil, para que pudessem, por meio de assistência técnica e financeira, atingirem melhores níveis de desenvolvimento econômico, social e educacional. Restringindo-nos à área educacional, iniciou-se, então, uma sequência de acordos que cuidou, inicialmente, do planejamento da educação por meio da EPEM e, posteriormente, da execução das ações planejadas por meio do PREMEM/PREMEN. Esse programa de assistência foi avaliado por um grupo como uma ingerência norte-americana nas questões nacionais e como uma estratégia de subjugar ainda mais o Brasil ao imputar-lhe uma enorme dívida e vincular transações financeiras entre esses dois países. A consciência desse ônus do programa de assistência, pelo que pudemos averiguar, restringiu-se aos círculos de pessoas mais esclarecidas e politizadas dos grandes centros urbanos, não atingindo a massa populacional das localidades onde as escolas foram instaladas. Para esta gama de pessoas, o que se apresentou foi o que se teve de mais concreto, ou seja, os prédios escolares com sua estrutura e proposta inovadoras. Analisado por esses pontos de vista, é compreensível a mencionada polarização nas opiniões coletadas.
3 ASPECTOS ESTRUTURAIS E PEDAGÓGICOS DAS ESCOLAS POLIVALENTES DO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA
Antes de abordarmos as escolas Polivalentes, convém apresentarmos a região escolhida como recorte espacial para a pesquisa aqui descrita, bem como cada uma das cidades-sede dessas escolas, enfatizando a localização geográfica e dados estatísticos atinentes às décadas de 1960 e 1970 que julgamos importantes à discussão do tema. A exposição segue a ordem alfabética dos nomes das cidades, que ocupam a mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a oeste do estado, Unidade da Federação da grande região Sudeste, como se vê no mapa a seguir (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA/IBGE, 2015). A posição de Minas Gerais em relação aos demais estados assim se explicita:
A importância de Minas Gerais, no conjunto do País, se evidencia ao se considerar a sua posição em diferentes aspectos: ocupa o segundo lugar no efetivo demográfico, o primeiro na produção de aço e cimento, e o segundo no potencial elétrico instalado; possui o maior rebanho bovino e ocupa o primeiro lugar na produção de leite, tendo ainda participação importante na produção nacional de arroz, feijão, milho e café. (IBGE, 2015, p. 13).
MAPA 4. Em destaque amarelo, a mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba circundada, ao norte, pelo sul de Goiás e noroeste de Minas; ao sul, com o estado de São Paulo e sudoeste de Minas; a leste, com o centro e o oeste mineiros; a oeste, com o leste de Mato Grosso. Essa composição geográfica situa a região numa área considerada estratégica, ou seja, de estados cuja atividade econômica se projeta no produto interno bruto do país
3.1 Cidades-sede da região
As cidades dessa região que — convém frisar — receberam escolas Polivalentes são as que se tornaram nosso objeto de pesquisa. O mapa a seguir as destaca.
MAPA 5. Região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba destacando as cidades pesquisadas Fonte: GOOGLE, 2015
Pelo documento “Sinopse preliminar do censo demográfico — VIII recenseamento geral — 1970”, Minas Gerais se divide em dois conjuntos. Pertinente ao primeiro, destacamos:
[...] norte de Minas Gerais, o vale do São Francisco e o oeste aparecem como unidades produtoras de leite, carne e cereais, visando ao abastecimento da área urbano-industrial. Nessas áreas as cidades destacam-se sobretudo por suas funções de coleta, beneficiamento ou transformação de produtos agro- pastoris, e de distribuição de bens e serviços. Montes Claros, Patos de
Minas, Sete Lagoas, Curvelo e Barbacena aparecem como principais
cidades dessa área periférica (IBGE, 1970, p. 16; grifo nosso).
Quanto ao segundo conjunto integrante do território mineiro, salientamos a porção do sul de Minas e o Triângulo Mineiro; este último, com atividade econômica voltada para a pecuária de corte e a lavoura de arroz, inclui “[...] Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba e Araguari [...]” como cidades centrais (IBGE, 1970, p. 17). Observemos que essas quatro cidades
permeiam nosso objeto de estudo. Temos, então, destacados no recenseamento geral de 1970, pela importância que representavam para o estado mineiro, os nomes de cinco cidades pesquisadas. Mais: as atividades econômicas dessas localidades se voltam ao setor da agropecuária. Além da classificação nesses dois grandes conjuntos, o documento divide o estado em “[...] 46 Micro-Regiões Homogêneas” (p. 17). O quadro a seguir apresenta microrregiões que contenham as cidades enfocadas neste estudo a fim de não nos alongarmos além do necessário na exposição.
QUADRO 5. Características/atividades produtivas por microrregião
M IC R O R R E G IÃ O C AR AC TE R ÍS T IC A S/A T IV I D AD E S P R O D U T IV A S M U N IC ÍP IO S
Uberlândia (170) Aprimoramento dos rebanhos, presença de pastos
plantados e especialização na criação de reprodutores de raça.
Fornecimento de carnes e derivados propiciado pela instalação de frigoríficos e pelo desenvolvimento da rede de transporte.
Produção de leite incentivada pelo desenvolvimento dos centros urbanos.
Cultura de cereais (arroz).
“Uberlândia é o centro industrial, comercial e cultura da Micro-Região” (p. 27). Araguari Cachoeira Dourada Canápolis Capinópolis Centralina Gurinhatã Ipiaçu Ituiutaba
Monte Alegre de Minas Santa Vitória
Tupaciguara
Uberlândia
Alto Paranaíba (171) Pecuária, cultura de cereais (arroz) e garimpagem de diamante.
A pecuária abastece os laticínios da localidade e fornece leite “in natura” para São Paulo.
“Patrocínio e Monte Carmelo são os principais núcleos urbanos” (p. 20).
Abadia dos Dourados Cascalho Rico Coromandel Cruzeiro da Fortaleza Douradoquara Estrela do Sul Grupiara Indianópolis Monte Carmelo Patrocínio Romaria Serra do Salitre Pontal do Triângulo
Mineiro (177) A principal atividade é a pecuária extensiva de corte. Lavouras de arroz, milho e algodão (p. 27). Campina Verde Comendador Gomes Fronteira Frutal Itapagipe Iturama Pirajuba Planura Prata
São Francisco de Sales
Uberaba (178) Expansão do rebanho bovino com a introdução de gado de raças selecionadas.
Importante e tradicional centro de gado zebu. O arroz é o principal produto agrícola.
“Uberaba é o mais importante centro urbano da Micro- Região” (p. 27).
Água Comprida Campo Florido Conceição das Alagoas Conquista
Uberaba
Veríssimo Planalto de Araxá
(179) Constitui zona de transição entre o oeste mineiro e a área do Triângulo. Criação extensiva, com especialização em gado leiteiro. Importante centro turístico, por suas fontes hidrotermais.
“Araxá é o principal núcleo urbano” (p. 20).
Araxá Campos Altos Ibiá Iraí de Minas Nova Ponte Pedrinópolis Perdizes Pratinha Sacramento Santa Juliana Tapira Fonte: IBGE, 197019
Por esse quadro, podemos reiterar a afirmação de que na região e no período estudados na pesquisa subjacente a esta tese predominaram as atividades econômicas do setor primário; isso justificaria a presença da disciplina de práticas agrícolas no currículo das escolas aqui enfocadas. A tabela a seguir mostra a evolução populacional nas décadas de 1960 a 1980 das cidades pesquisadas. Por meio dela se pode inferir que o critério população não figurou entre os relevantes para a definição da escolha da cidade que sediaria as escolas Polivalentes. A diferença entre o mais e o menos populoso, na década de 1970, é de 104.289 habitantes — que é um valor maior que o quantitativo populacional de seis entre as oito cidades-sede.
TABELA 1. População por município pesquisado nas décadas de 1960 a 1980 M U N IC ÍP IO P O P U LA Ç Ã O Em 1960 Em 1970 Em 1980 Araguari 52.191 63.368 83.519 Araxá 28.626 35.676 53.414 Frutal 21.542 30.669 34.271 Ituiutaba 49.861 64.656 74.240 Monte Carmelo 18.139 20.417 26.870 Patos de Minas 72.839 76.211 86.121 Uberaba 87.833 124.490 199.208 Uberlândia 88.282 124.706 240.967 Fonte: IBGE, 197020 3.2 Categorias de análise
Com base na análise do material presente nos acervos das escolas (vide Quadro 2), elencamos categorias de análise que nos permitiriam alcançar os objetivos da pesquisa aqui descrita, sobretudo no que se refere à compreensão da estrutura e operacionalidade das escolas Polivalentes. Embora as categorias escolhidas se inter- relacionem e concorram para a composição do projeto como um todo, para fins
20 Dados da década de 1960 na Tabela 1 se referem a informações do documento “Sinopse preliminar do censo
demográfico – VIII Recenseamento geral – 1970”, p. 70–102. Disponível em:
<http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/311/cd_1970_sinopse_preliminar_mg.pdf.>. Para as décadas de 1970 e 1980, as informações provêm de fonte on-line, disponível em:
didáticos optamos por classificá-las em dois grupos e expô-los em capítulos separados. Daí que, neste capítulo, abordamos categorias relacionadas com a estrutura física e pedagógica e, no capítulo 4, as categorias atinentes às questões docentes, discentes e institucionais.
Antes, porém, de adentrarmos a apresentação dessas categorias, esclarecemos que o início do funcionamento das escolas seguiu um calendário escolar peculiar. Isso porque, de acordo com o término da construção, dava-se o início às aulas. Em Patos de Minas, o primeiro semestre letivo desenvolveu-se no período de 20/9/1971 a 5/2/1972; em Uberaba, de 8/9/1971 a 17/1/1972. Tais informações podem ser verificadas nos recortes da documentação apresentados a seguir.
FOTO 10. Livro de registro de matrícula da Escola Estadual Polivalente de Patos de Minas, 1971