3.3 Variations et extrema
4.1.1 G´en´eralit´es
A apresentação e a análise dos dados são a terceira e última parte do processo geral de análise de dados, onde se procura reconstruir os dados analisados como um todo estruturado e significativo, explicitando os produtos de investigação e a interpretação que se faz dos mesmos (Gómez et al.,1999, cit. por Alves Barbosa, 2012, p. 105)
Segundo refere Alves Barbosa, (2012, p. 105, citando Miles e Huberman, 1984): O tratamento e análise dos dados constitui igualmente uma vertente fundamental de qualquer investigação, pois é neste momento que, perante todos os dados recolhidos, o investigador, reflete analisa e avalia todo o seu processo investigativo. Assim sendo, tem reunidas todas as condições para promover uma alteração, bem como uma melhoria do contexto onde desenvolveu a sua investigação.
De acordo com (Bogdan & Biklen, 1994, p. 205):
A análise de dados é o processo de busca e de organização sistemático de transcrições de entrevistas, de notas de campo e de outros materiais que foram sendo acumulados, com o objetivo de aumentar a sua própria compreensão desses mesmos materiais e de lhe permitir apresentar aos outros aquilo que encontrou.
O procedimento de análise de dados envolve uma série de tarefas imprescindíveis à compreensão de toda a investigação desenvolvida, são elas:
- Organização dos dados;
- Divisão em unidades manipuláveis; - Síntese;
- Procura de padrões;
- Descoberta dos aspetos importantes e do que deve ser aprendido; - Decisão sobre o que vai ser transmitido aos outros. (Ibidem, p. 205)
Partindo do modelo defendido por Miles e Huberman (1984, apresentado em Alves Barbosa, 2012, p. 105) a análise dos dados contempla 3 componentes preponderantes: a redução dos dados, a sua posterior apresentação e, por fim, a interpretação e verificação das conclusões.
Posto isto, considerámos importante clarificar toda a organização da ação aplicada, pelo que apresentamos de seguida (Tabela 21), as diferentes fases pelas quais passámos durante o estudo realizado.
Tabela 21. Fases de aplicação da investigação 1ª Fase Planificação do percurso de ensino e aprendizagem - Revisão da literatura;
- Organização das estratégias e construção dos recursos didáticos; - Validação dos instrumentos de recolha de dados.
2ª Fase Aplicação da Prática de Ação
- Implementação das atividades/tarefas inerentes à investigação. 3ª Fase
Recolha de todos os dados
- Organização, interpretação dos dados; - Verificação e avaliação dos resultados. 4ª Fase
Conclusões Considerações
Finais
- Discussão dos resultados, interpretação e redação.
No que concerne ao processo de análise de dados este apoiou-se na técnica qualitativa de análise de conteúdo. É de salientar que, para a realização de uma análise de conteúdo, é fundamental que se construam categorias de análise, subcategorias de análise e indicadores de análise, de forma a conduzir e tornar coerente todo o processo investigativo (Bogdan & Biklen, 1994).
De acordo com toda a informação supra referida, com base no quadro teórico do estudo e noutros estudos de I-A consultados (Heitor, 2013; Antunes, 2016), definimos categorias e subcategorias de análise e os respetivos indicadores que apresentamos na Tabela 22.
Tabela 22: Categorias, Subcategorias e Indicadores de Análise
Categoria de Análise Subcategoria de Análise Indicadores de Análise/Objetivos de aprendizagem Desempenho dos alunos nas atividades/tarefas apresentadas Aprendizagens Matemáticas
ü Aplica conceitos e procedimentos matemáticos;
ü Compreender a multiplicação nos sentidos aditivo e combinatório.
ü Reconhecer e utilizar corretamente símbolo «x» e os termos «fator» e «produto»; ü Compreender o produto por 1 e por 0; ü Compreender, construir e memorizar as
tabuadas: do 2, 3, 4, 5 e 10;
ü Compreender e utilizar corretamente os termos: «dobro», «triplo», «quádruplo» e «quíntuplo»;
ü Reconhecer e utilizar adequadamente os termos “metade” (½), “terça parte” (⅓) e “quarta parte”(¼);
ü Resolver problemas de um ou dois passos envolvendo situações multiplicativas nos sentidos aditivo e combinatório.
identificando semelhanças e diferenças; ü Realizar composições e decomposições de
figuras geométricas.
Capacidades Transversais
ü Adequa o português (oralidade e escrita) às situações de comunicação nas diversas áreas do saber;
ü Mobiliza saberes culturais e científicos para descrever e compreender a realidade; ü Utiliza processos básicos de conhecimento
da realidade envolvente (ex.: prevê, experimenta, observa, argumenta, regista e tira conclusões);
ü Interpreta enunciados e expressa ideias para relacionar o conhecimento de diferentes áreas;
ü Consegue resolver e lidar com situações problemáticas;
ü Põe em prática estratégias de resolução informais, verificando a adequação dos resultados obtidos.
Componente Atitudinal e Afetiva
ü Motivação/estímulo;
ü Curiosidade pelas atividades/tarefas propostas;
ü Participação ativa e organizada; ü Responsabilidade e empenho;
ü Trabalho colaborativo e respeito pelo ponto de vista alheio;
ü Espirito de iniciativa e trabalho cooperativo.
Dado que, previamente, estabelecemos um conjunto de objetivos, conduzimos todo o nosso estudo, respeitando todos os fatores mencionados anteriormente. Salientamos, novamente, que a estrutura relativa à entrevista semiestruturada à professora cooperante, a qual serve de instrumento de análise de dados, se encontra disponível no Anexo C.
No seguimento desta abordagem, não poderíamos deixar de fazer referência à triangulação metodológica, pois, uma vez, que a nossa investigação é de índole qualitativa, torna-se pertinente recorrer à triangulação dos dados para uma posterior validação dos mesmos. Com efeito, como refere Aires (2011, cit. por Antunes, 2016, p. 143), o objetivo fulcral da triangulação “consiste em recolher e analisar os dados a partir de diferentes perspetivas para os contrastar e interpretar.”
De acordo com Denzin, (1989, cit. por Duarte T. , 2009, p. 12), na “triangulação metodológica”, são utilizados múltiplos métodos para estudar um determinado problema de investigação. Denzin distingue dois subtipos: a triangulação intramétodo – que envolve a utilização do mesmo método em diferentes ocasiões – e a triangulação intermétodos – que significa usar diferentes métodos em relação ao mesmo objeto de estudo.
Podemos, então, afirmar que a triangulação metodológica diz respeito à utilização de diversos métodos, de modo a obter os dados de forma o mais detalhada e completa possível, evitando enviesamentos. Tal como refere Denzin, (1989, cit. por Duarte, 2009, p. 12):
o principal objectivo da integração de métodos seria a convergência de resultados de investigação, resultados que seriam válidos se conduzissem às mesmas conclusões. Opostamente, os dados contraditórios entre si eram interpretados como sinal de invalidade/refutação de um ou de ambos os métodos usados ou resultados alcançados.