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Bibliographie / sitographie

99 Moi Ils sont gênés autant l’un que l’autre !

- Hidrografia e hidrologia

De acordo com Rego (1996), a bacia hidrográfica do rio Descoberto (FIGURA 6) drena 15,4% do Distrito Federal, fazendo parte da bacia do rio Paraná. Seus principais formadores são: o rio Descoberto; o ribeirão Rodeador; o ribeirão das Pedras; o ribeirão Melchior; e o ribeirão das Lajes. A bacia limita-se, ao norte, com a bacia do córrego Santa Maria e, a oeste, com a bacia do rio Verde (FIGURA 7).

FIGURA 6 – Mapa de localização da Bacia do Rio Descoberto do Distrito Federal e Goiás. FONTE: Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, nº 111, dezembro 2003, p. 8.

Segundo o site <http://wwwachetudoreregiao.com.br/DF/taguatinga/dados_gerais.htm>, dentre os córregos de maior interesse, como fontes de abastecimento exploradas pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal - CAESB destacam-se o córrego Currais e o ribeirão das Pedras, que estão dentro da Área de Proteção de Mananciais, criada pela Lei Complementar nº 17, de 1997. Esses dois mananciais são afluentes do Lago do Descoberto (FIGURA 7) e encontram-se na Área de Proteção Ambiental do Rio Descoberto (APA do Rio Descoberto), onde se localiza a Floresta Nacional de Brasília.

FIGURA 7 – Hidrografia da bacia do rio Descoberto

FONTE: Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, nº. 111, dezembro, 2003, p. 10.

O rio Descoberto nasce no Distrito Federal, no alto dos córregos do Barracão e Capão da Onça, na Região Administrativa de Brazlândia, e demarca a divisa Distrito Federal/Goiás. A Área 3 da FLONA (FIGURA 8), objeto desta dissertação, abriga as nascentes de três dos contribuintes daquele rio, os córregos Cortado, Zé Pires e Chapadinha, além de ser atravessada pelo córrego Pulador, todos eles atingindo o rio pouco antes do barramento, o que demonstra sua importância para a manutenção da qualidade da água que abastece o Distrito Federal. Assim, a urbanização crescente da área pode levar tanto a alterações significativas no balanço hídrico, quanto na qualidade das águas do reservatório do Descoberto, gerando uma diminuição das vazões mínimas, no período de estiagem.

FIGURA 8– Localização e limites das Áreas 1, 2, 3 e 4 da Floresta Nacional de Brasília

FONTE: IBAMA, Centro de Sensoriamento Remoto, s/d. Escala 1:150.000.

- Clima

De acordo com a classificação de Koppen, o Distrito Federal possui um clima tropical, onde predominam chuvas de verão, sendo o período mais chuvoso entre novembro e janeiro e, o mais seco, no inverno, nos meses de julho e agosto. A bacia do rio Descoberto, onde se localiza a área de estudo, encontra-se entre 1.030 a 1.200 m acima do nível do mar, com temperatura de 22º C, no mês de maior calor, atingindo em torno de 18º C no mês mais frio (REGO 1997). A umidade relativa do ar alcança valores médios mensais de 70%, de novembro a maio; e valores entre 50% e 70%, nos meses de junho e outubro, sendo agosto e setembro os meses de menor umidade (FALCOMER; NOVAES PINTO, 1984).

- Vegetação

Na área de estudo, a vegetação de Cerrado encontra-se bastante descaracterizada (FIGURA 9), podendo ser ainda identificados campos limpos e sujos e, em alguns poucos locais, fragmentos de mata ciliar . Essa situação deve-se aos reflorestamentos com pinnus e eucalyptus, ocorridos em 1979, antes da criação da FLONA, e ao desmatamento para cultivo intensivo e criação de gado. As áreas reflorestadas foram exploradas, comercialmente, até a década de 1990, segundo informações de moradores locais (FIGURA 10).

FIGURA 10 – Reflorestamentos com pinnus e eucaliptus na Área 3 da FLONA de Brasília.

Segundo Laschefski (2004), o eucalipto consome mais água que as espécies nativas do Cerrado:

É fato reconhecido que, em plantações de eucalipto, comparativamente às formações de cerrado, cerradinho, campo limpo, entre outros, pode-se observar perdas significativas de produção de água na bacia hidrográfica (MEDEIROS, 1998:388; LIMA, 1997:14, entre outros). Isto é resultado da alta interceptação das chuvas pela copa das plantações, da acumulação da biomassa elevada (LIMA, 1993:85) e da evapotranspiração acelerada, através da grande quantidade de folhas por árvore, que ainda continua

mesmo durante a época seca, ao contrário do que ocorre com a vegetação nativa (MAY, 2004:24). Em decorrência dos ciclos de crescimento dos plantios entre 5 a 7 anos estabelece-se um regime de água nas veredas, nos córregos e no subsolo que é profundamente alterado em comparação com as condições naturais. Alguns moradores entrevistados confirmaram a disponibilidade súbita de muita água após o corte raso de plantios próximos às veredas. Porém, a água era inadequada para o uso doméstico por causa das altas cargas de suspensão e agroquímicos, oriundas dos solos descobertos nas áreas desmatadas (LASCHEFSKI, 2004. Disponível em: <http://www.igeo.uerj.br/VICBG-2004/Eixo2>.

Ao analisar os impactos ambientais do cultivo do eucalipto, constata-se que existem divergências, não somente no Brasil, sobre os efeitos danosos dessa cultura. Lima (1993) afirma que a fama de sugador de água vem dos primeiros estudos sobre a questão, feitos pelos estudiosos Tiwari e Mathur, no início da década de oitenta, quando estimaram um consumo de água na casa dos 360 litros por dia, no caso de uma árvore adulta. Diz, ainda, que não existem biodecompositores para este gênero. Isso significa que as folhas de árvores, caindo no solo, não entram no ciclo do nitrogênio, resultando num tapete de massa não decomposta, o que impede o crescimento de outras vegetações nesse lugar. Com a diminuição da diversidade da flora local, consequentemente, a fauna também fica comprometida, devido à perda de alimentos anteriormente disponíveis.

No entanto, estudos realizados por Florence (1981 apud LIMA, 1993), na década de oitenta, indicam que não se pode generalizar, com relação à questão do consumo de água, pois apenas algumas espécies têm essas características. Segundo esse autor, é comprovado cientificamente que o eucalipto apresenta um consumo de água superior às espécies nativas, nos três primeiros anos de vida. Após esse período, a taxa de consumo de água é semelhante à das demais espécies.

De acordo com Alwin (1994), o eucalipto não deve ser encarado como uma bomba de sucção. A alteração drástica do regime hídrico de uma localidade só ocorreria se a floresta de eucalipto fosse substituída por pastagens, cultivo de ciclo curto ou por qualquer tipo de vegetação de pequeno porte. Nesse caso, vale salientar que a Floresta Nacional de Brasília se encaixa neste perfil, tendo em vista a existência de criações de gado e outras formas de cultivo em áreas anteriormente florestadas.

3.2.4 Aspectos socioambientais

Os chacareiros encarregam-se de todas as atividades da área, dado que os proprietários, quase na totalidade, não residem no local. As atividades mais freqüentes são o cultivo de frutas e verduras e a criação de bovinos, suínos e frango, para o abastecimento de Brasília.

Os sistemas de produção utilizados pelos chacareiros da Área 3 da FLONA de Brasília obedecem, em grande parte, aos modelos tradicionais de cultivo agrícola, com o uso de insumos para prevenção e combate a pragas e fertilizantes químicos, que acabam por contaminar o solo. Esses produtos químicos são posteriormente carreados e/ou lixiviados para o lençol freático e rios.

Além das culturas agrícolas, existe a pecuária intensiva, nas pequenas propriedades rurais, que vem impactando o solo, por meio de compactação e sulcamento, devido à movimentação contínua dos animais. A pecuária extensiva ocorre em propriedades maiores, após o desmatamento de algumas áreas para a formação de pastagens, com impacto negativo no solo e, consequentemente, nos recursos hídricos. Com a pecuária, esses impactos se agravam, na medida em que o pisoteio dos animais diminui a permeabilidade do solo, aumentando a taxa de escoamento superficial.

Análise dos impactos da agricultura brasileira, realizados por pesquisadores e por movimentos sociais rurais, tem indicado conseqüências ambientais nocivas para o solo, biodiversidade, estoque de água doce disponível e resultados deletérios derivados para as comunidades humanas (SHIKI; GRAZIANO DA SILVA, 1997; ORTEGA, 2000).

Considerando os impactos, a disponibilidade e utilização dos recursos hídricos pelas comunidades, no caso específico da relação entre desenvolvimento agrário e acesso e uso da água, diversos autores (RIBEIRO et al., 2000; MARTINS, 2001) têm indicado a necessidade de uma reflexão profunda sobre as formas de controle social e regulação da água. Esta é uma questão intrincada, porque problemas associados aos recursos hídricos na agricultura não podem ser apartados da complexidade agrária brasileira e nem de questões ambientais de outros setores da sociedade.

De acordo com Rego (1996), a prática da retirada da cobertura vegetal vem também contribuindo para uma aceleração dos problemas ambientais, na área do estudo, gerando uma situação crítica, por modificar o regime de escoamento superficial e facilitar, assim, a atuação dos processos erosivos (FIGURA 11). Isso porque, segundo Santana (2003), quando as chuvas caem em solo desprovido de cobertura vegetal, como aqueles que sofrem queimadas e

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