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Généralisation aux variétés

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I. Précision différentielle 29

2. Le lemme de précision 51

2.5. Généralisation aux variétés

Para compreender este aparente paradoxo entre a manutenção de um peso relativamente elevado do sector agrícola na economia e no em- prego com uma presença comparativamente fra- ca dos usos agrícolas da terra é preciso conhecer a evolução do setor no último meio século. Em par- ticular, compreender a divergência que ocorreu entre o sistema socioeconómico e as estruturas fundiárias.

Vejamos rapidamente as características do território galego em meados do século passa- do desde o ponto de vista dos aproveitamentos. Naquele momento, o rural, praticamente hege- mónico num momento de escassa presença ur- bana, consistia numa eficaz e intensa policultura de subsistência capaz de alimentar e sustentar densidades de população significativamente ele- vadas. Aquela policultura era articulada a nível da exploração agrícola, de modo a que os diferentes 8 MacDonald, D., Crabtree, J.R., Wiesinger, G., Dax, T., Sta- mou, N., Fleury, P., Gutiérrez Lazpita, J., Gibon, A., (2000). Agri-

cultural abandonment in mountain areas of Europe: Environmental consequences and policy response. Journal of Environmental Man- agement 59, 47–69 e Jean-Michel Terres, Luigi Nisini Scacchia-

fichi, Annett Wania, Margarida Ambar, Emeric Anguiano, Allan Buckwell, Adele Coppola, Alexander Gocht, Helena Nordström Källström, Philippe Pointereau, Dirk Strijker, Lukas Visek, Liesbet Vranken, Aija Zobena, (2015). Farmland abandonment in Europe:

Identification of drivers and indicators, and development of a com- posite indicator of risk, Land Use Policy, Volume 49.

aproveitamentos fossem peças necessárias de um mesmo puzzle. Todas as explorações tinham “algo de tudo”, padrão que se transferia à escala paro- quial e superiores. Tal sistema de aproveitamen- to assentava numa estrutura fundiária altamente minifundiária em combinação com amplas super- fícies comunais que daquela tinham um aprovei- tamento direto e complementar.

Porém, a agricultura galega transformou- -se dramaticamente desde aquele momento. De facto, não se tratou apenas de uma trans- formação sectorial, mas das próprias estruturas demográficas e económicas do país, que eram fundamentalmente rurais e agrárias. Fala-se de um processo de desagrarização intenso, com o desaparecimento de milhares de explorações agrícolas e de lavradores. No ano de 2012 só res- tavam 7% das pessoas ocupadas na agricultura em 1959.

As análises clássicas falam da substituição de mão-de-obra por capital, que foi especialmen- te intensa no caso galego, e que noutros países tem possibilitado também o redimensionamento da base territorial das explorações restantes. Este não foi o caso da Galiza, onde, também no último meio século, deixaram de ser trabalhados 88.000 ha de lavradio e aproveitados 660.000 ha de pas- tagens9. Em conjunto representam um quarto do

território e praticamente o mesmo da SAU que se conserva na atualidade. Veremos mais adiante os motivos.

A nível produtivo as mudanças tiveram origem em três processos paralelos que mudaram comple- tamente o modelo: a mecanização intensa, a forte intensificação e, por último, a especialização na cri- ação de gado, especialmente nos bovinos de leite.

9 INE. Censos Agrarios 1962 e 2009. Importa salientar que parte das superfícies de pastagens que deixaram de ser aprovei- tadas, especialmente superfícies de pastagens arbustivos, fize- ram-no devido a uma mudança de modelo produtivo e não tanto ao seu desaparecimento como cobertura vegetal.

Quanto à mecanização o número de tratores multiplicou-se por cento e oitenta, o que significa um aumento de oito tratores por dia nos últimos 50 anos10. O resultado é uma dotação de maquina-

ria das mais elevadas da UE, tanto em número de tratores como em potencial acumulado por hecta- re. Assim, na Galiza há um trator por cada 10 ha de SAU e 7 cv por ha, quando, por exemplo, nos três principais países agrícolas da UE11 (França, Alema-

nha e Itália) a relação média é de um trator por cada 17 ha. Em Fran- ça a potência por ha é de pouco mais de 3 cv e em Espanha de 2 cv.

Existem diferentes indicadores para exem- plificar o segundo dos processos, a intensifi- cação acima mencio- nada. Recolhemos aqui

dois. O uso de fertilizantes nitrogenados de sín- tese cresceu no mesmo período 500%12, substitu-

indo boa parte da fertilização orgânica com base no tojo, e o peso dos concentrados passou de 17% para 70% no valor da Produção Animal13, mudan-

do a alimentação do gado com base em pastagens e forragens próprias.

Finalmente, e relacionado com o anterior, a agricultura galega continuou com uma clara espe- cialização pecuária, já iniciada no final do século XIX14, sobretudo nos bovinos de leite, que aumen-

10 INE (2015), censos agrarios de 1962-2009, IGE (2014), Re- gistro de maquinaria agrícola 2013

11 França, Alemanha e Itália são os três países da UE com mai- or Produção Final Agrícola (EC-DG AGRI, 2014)

12 Elaboração própria a partir de Soto, D (2002) Transforma- ções produtivas na agricultura galega contemporânea e das es- tatísticas fornecidas pela Associação Espanhola de Empresas de Fertilizantes

13 Soto, D (2002) Transformações produtivas na agricultura galega contemporânea

14 Bernárdez, A (1997). A evolución do sector pecuario na Ga- licia contemporánea: especialización produtiva e mercantiliza-

taram 424%15 e já representa cerca de um terço

da Produção Agrícola galega16. Do mesmo modo

a produção de bovino de carne aumentou 345%17.

Toda essa catarse levou a que a Produção Agrícola se multiplicasse por mais de três, ainda que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) só o fizes- se por dois18. Esse relativo baixo incremento do

valor é devido ao facto de a agricultura galega ser mais produtiva, mas precisar de muito mais consumos intermédios do que anteriormente e, além disso, não ter sido capaz de maximi- zar a utilização do ca- pital empregado (como máquinas, instalações e tecnologias) devido ao travão pressupôs a es- trutura da terra. Então, a agricultura galega tor- nou-se muito especializada e substituiu terra e trabalho por, simplificadamente, tratores, adu- bos e rações.

Boa parte da necessidade de incorporar esses

inputs, bem como os resultados modestos a nível

de VAB em relação à Produção Agrícola, é devida à perda de Superfície Agrícola Útil que ocorreu no mesmo período.

Mas, por que se perdeu tanta superfície agrí- cola, e especialmente superfícies de pastagens,

ción na sociedade rural (1865-1996). Semata: Ciencias sociais e humanidades, Nº9

15 Elaboração própria a partir de Sineiro, F. (2006) A evoluci- ón socioeconómica dos sectores rurais galegos. Recursos Rurais, Serie Cursos 4: 47-55 e IGE (2014)

16 IGE (2009). Anuario de Estadística Agraria

17 Elaboração própria a partir de Sineiro, F. (2006) A evoluci- ón socioeconómica dos sectores rurais galegos. Recursos Rurais, Serie Cursos 4: 47-55 e IGE (2014)

18 Porém, o VAB por UT aumentou, devido ao comportamen- to do denominador, num contundente 60% ao ano nesse mesmo período.

[…] a agricultura galega ser mais produtiva, mas precisar de muito mais consumos intermédios do que anteriormente e, além

disso, não ter sido capaz de maximizar a utilização do capital empregado (como máquinas, instalações e tecnologias) devido

ao travão pressupôs a estrutura da terra. Então, a agricultura galega tornou-se muito especializada e substituiu terra e trabalho por,

num momento de expansão do setor agrícola e, em particular, do setor dos bovinos?

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