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Dans le document CD 1968 (Page 34-37)

Como relatam Rebelo e Correia (2008), após a Segunda Guerra Mundial foi registada acentuada concentração das empresas na indústria do Vinho do Porto, que está ligada à história dos principais atores. Desde o século XVII, a exportação do Vinho do Porto foi efetuada por empresas cujos proprietários são principalmente ingleses e tendiam a estar organizados em redes familiares. A sede, quase sempre, era localizada em Londres, com operações de exportação no Porto e canais de comercialização e distribuição integralmente estabelecidos no país onde o vinho é vendido. Os viticultores do Douro não tinham possibilidade de comercializar os seus vinhos diretamente no estrangeiro dado existir monopólio/exclusividade nas exportações por parte dos comerciantes (Roseira,

1997). Contudo em 1979 foi registado primeiro produtor independente e em 1985 foi criada a Associação dos Viticultores e Engarrafadores dos Vinhos do Porto e Douro (AVEPOD) que conduziu, em 1986, “à alteração legislativa permitiu a exportação direta dos vinhos durienses a partir do Douro, marcando o fim do exclusivo do Entreposto de Gaia” (Martins, 2009, p.9). Com a entrada de Portugal na UE em 1986, um elevado número de viticultores começou a desenvolver os seus próprios rótulos e a engarrafar os seus vinhos em vez de vender as uvas aos comerciantes de Vinho do Porto, como fizeram durante quase dois séculos. Contudo, estas novas empresas produziram predominantemente vinhos tintos (Rebelo e Muhr, 2012). Contudo, até 1996, uma grande parte do Vinho do Porto era exportada a granel para o mercado de consumo, onde era rotulada com as marcas dos seus grossistas ou retalhistas, assim os exportadores tinham pouco ou muitas vezes nenhum controle sobre a comercialização de sua marca (Rebelo e Correia, 2008). “Com efeitos a partir de 1 de julho de 1996, fica suspensa a expedição a granel de Vinho do Porto para o exterior da Região Demarcada do Douro (RDD) e do Entreposto de Gaia (EG), só sendo permitida a expedição deste produto quando haja sido previamente engarrafado no interior dessas zonas geográficas” (Ministério de Agricultura, 1995).

Com as mudanças no ambiente económico, que ocorreu no setor de bebidas alcoólicas de outros países nas últimos cinco décadas, foram observados várias fusões e aquisições nas empresas do Vinho do Porto (Anexo VI.II) principalmente com intervenção das companhias estrangeiras desde 1960, o que levou à segmentação do mercado e extensão da linha de produtos (Rebelo e Correia, 2008). Desde 1990 as empresas Portuguesas também se envolveram em fusões e aquisições visando consolidar a liderança no mercado nacional (Rebelo e Correia, 2008). Moreira et al. (2013) relata as dificuldades por parte das empresas vinícolas portuguesas de atuar na área de distribuição, vendas e marketing, pois se concentraram principalmente na produção, que levou a estas decisões estratégicas e uma concentração crescente da indústria. Moura e Rocha (2003) também destacam a concentração que aconteceu no setor nas últimas duas décadas do século XX, em consequência cerca de 40 empresas exportadoras passaram a fazer parte de 16 grupos detentores de mais de três quartos do comércio do Vinho do Porto no início do século XXI. Em termos de percentagem, a concentração de mercado de 4 (CR4) e 8 (CR8) maiores comerciantes de Vinho do Porto tem vindo a aumentar,

respetivamente, de 49% e 73% das vendas em 1991 para 67% e 84% das vendas em 2006 (Rebelo e Correia, 2008). “These indices led to the conclusion that the Port wine industry is characterized by strategic groups, the market power of the dominant firms being mitigated by the competitive fringe of firms” (Rebelo e Caldas, 2013, p. 30). De acordo com Manuel Cabral, Presidente do IVDP (2015), entres os 41 comerciantes que em 2015 comercializavam Vinho do Porto (entre os quais 3 adegas cooperativas), os cinco principais grupos (constituídos por 11 empresas) representavam 85% da quantidade total vendida de Porto. Os grupos são - Symington (Graham's, Cockburn's, Dow's, Warre's e Quinta do Vesúvio), Gran Porto Cruz, Sogrape (Sandeman, Ferreira e Offley), Fladgate Partnership (Taylor’s, Croft, Fonseca e Krohn) e Sogeninus (Cálem, Kopke, Burmester, Barros) (Visão, 2015). A Gran Cruz, detida pela multinacional francesa La Martiniquaise, adquiriu em 2015 todos os stocks da Companhia Comercial de Vinho do Porto (CCVP), assim passando a dominar cerca de 30% do mercado global do Vinho do Porto “afastando-se de vez do grupo Symington, que, no entanto, apesar de deter um quarto do mercado, apresenta uma faturação superior dada a sua quota de vinhos de categorias especiais” (Publico, 2016). Deste modo, vemos que ocorreram inúmeros processos de fusões e concentração das empresas do Vinho do Porto nas duas últimas décadas do século XX que são claramente as características de um cluster maduro. “The difficulty in controlling the quality due to the natural and biological origins of the wine and in creating and sustaining brands in the international market, associated with the low level of return on capital when compared to that obtained from sales of spirits, such as vodka, tequila or cognac and other processed wine, led most of the leading multinationals to divest the Port Wine business in the beginning of 2000s” (Rebelo e Correia, 2008, p. 112). Como afirma Inhan et al. (2013, p.258) “os clusters existentes em Portugal sofreram com a globalização, porque ela abriu caminho para a homogeneização dos produtos pelas grandes empresas, o que ocasionou o desaparecimento de uma parcela significativa de pequenas empresas regionais. Associada a esse acontecimento, desde o início do século XXI, ocorreu uma forte tendência de fusões, aquisições e joint ventures de empresas produtoras regionais e multinacionais”. Essas afirmações apoiam os dados estatísticos remetentes à evolução de número das empresas do cluster da RDD.

De acordo com os dados de INE (Anexo VI.III) em relação ao total número de empresas vemos uma certa estagnação no período de 2004 até 2012, com ligeiro aumento

de 17621 até 19716 em 2008, diminuição até 18747 em 2010, aumento para 19124 em 2011 e diminuição para 18336 em 2012. Contudo, foi notável o aumento desde 2010 o número das empresas na viticultura desde 760 até 1517 em 2012.

A taxa de natalidade das empresas revela diminuição de 12,36% em 2008 até 10,38% em 2010, aumento em 2011 - 14,43% e diminuição em 2012 - 12,02%, atingindo pico em 2013 - 44,38% e diminuição até 10,94 em 2015. Entretanto, em relação aos anos 2010 - 2016 os dados de IVDP (Anexo VI.III) em relação de número de operadores no Vinho do Porto e DOC Douro demonstram um significativo aumento em ambos setores. Aumento de 154 até 207 para o Porto, cerca de 30%. E de 548 até 966 para o Douro, cerca de 70%. Segundo a Inhan et al. (2013, p.260) a “entrada de uma nova geração de jovens enólogos e empresários capazes de criarem uma verdadeira simbiose entre viticultura, tecnologia, produção de vinho e marketing” foi crucial para as “elevadas pontuações, expressas nos rankings, alcançadas em concursos e revistas internacionais da especialidade traduzem o reconhecimento público da elevada qualidade dos vinhos DO Douro”.

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