Tal como já foi referido, com o intuito de identificar os internamentos evitáveis em Portugal
Continental, com base nestes dados foi desenvolvido um algoritmo para proceder ao cálculo
automático de todos os PQI, individuais e compostos, seguindo estritamente todas as
especificações da AHRQ, para cada um dos sistemas de codificação em estudo.
De um modo inicial, após conhecer bem o processo de cálculo de cada PQI, e tendo em conta as
análises que foram propostas no Capítulo 3, foi delineada uma estrutura final para os resultados
do cálculo automático. Nesse sentido ficou definido, obter uma tabela final das taxas dos PQI
quer os individuais quer os compostos por ano, mês, sexo, grupo etário, segmentação
geográfica, região geográfica, tipo de codificação, hospital e grupo hospitalar.
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Nomes das variáveis usados no código do algoritmo
Posto isto, tendo em conta que, exceto o PQI02 todos os outros são calculados com base em
dados geográficos atualizados, de modo a identificar a região geográfica correspondente a cada
episódio foi necessário recorrer à Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP) disponível pela
Direção Geral do Território (DGT)[48].
Para tal, foi criada a variável DICO, tal como mostra a Figura 3, definida por ser o código
identificador do concelho, através da concatenação dos códigos disponíveis nas variáveis
Distrito e Concelho. Esta nova variável, irá permitir a junção da informação da CAOP à BD dos
internamentos, através da função “left_join” disponibilizada no software R. Esta função, pega
em todos os dados da primeira BD e procura os dados correspondentes na segunda BD. Caso
seja encontrada uma correspondência, os dados da segunda BD são adicionados à primeira [49].
De modo a facilitar as análises posteriores, foi também criada uma nova variável de nome,
MonthYearSaida (Figura 4).
Seguidamente, passamos então ao ponto crucial, ao cálculo de todos os PQI. De um modo geral,
à exceção do PQI02 que se calcula a partir de uma razão do número de internamentos entre
duas condições, o cálculo todos os PQI consiste numa razão entre o número de internamentos
de uma condição ou conjuntos de condições específicas e o número total da população com
idade >= 18 anos de uma determinada região , exceto no PQI05, PQI09 e PQI15, onde as idades
definidas são >= 40, 0, >= 18 e <= 39 anos respetivamente. Também calculamos os
internamentos por ACSC de episódios correspondentes a indivíduos >= 18 anos, para as quatro
medidas dos PQI compostos. O PQI 90, representa a medida de qualidade numa perspectiva
geral, e consiste na soma dos numeradores de todos os indicadores individuais (excluindo o PQI
02 e o PQI 09). O PQI 91, PQI 92 e PQI93 são a soma das taxas de internamentos para condições
agudas, crónicas e de diabetes, respectivamente.
Figura 3 - Código da criação da variável DICO.
De um modo global cada indicador de qualidade da AHRQ envolve uma porção ou uma
contagem, que usa de modo lógico os conjuntos de códigos de diagnósticos e procedimentos
para caracterizar numeradores, denominadores e exclusões. Os conjuntos de códigos servem
como aproximações dos conceitos clínicos inerentes a cada indicador [46].
Para a determinação do numerador , tendo em conta o manual de definições da AHRQ para cada
um dos sistemas de codificação em estudo [31, 32], foi criada uma pequena BD com todos os
códigos estabelecidos para cada PQI para os dois sistemas de codificação, de modo a facilitar o
processamento dos dados. Uma vez que os vários conjuntos de códigos se caracterizam por uma
abreviatura, decidiu-se incluir essa abreviatura como uma variável desta BD de modo a facilitar
a procura dos conjuntos de códigos durante o cálculo de cada PQI (ver anexos V e VI). Dado que
essa BD foi criada com recurso à ferramenta do Office, Excel, a mesma foi importada a partir
uma função que consta no software R, “excel_sheets”, como mostra a figura seguinte (Figura 5).
Inerentemente a esta definição, a determinação do numerador implica determinados critérios
de inclusão e exclusão. Sendo que os internamentos não devem ser incluídos, caso os
internamentos se tratem de condições obstétricas, o paciente tenha sido transferido de outro
hospital, ou que no caso de apresentarem falta de dados em variáveis referentes ao sexo, à
idade, ao ano, ao Diagnóstico Principal e a Região geográfica. Em alguns PQI, juntamente a estes
critérios, são excluídos internamentos com determinadas condições ou procedimentos
associados. Os numeradores foram todos calculados de igual forma por Distrito, NUTSI, NUTSII
e NUTSIII. A figura seguinte (Figura 6) expressa um o exemplo de determinação dos
numeradores do PQI 01 por Distrito.
Figura 5 - Código de importação dos códigos de diagnósticos e procedimentos definidos pela AHRQ para
cada PQI tendo em conta o tipo de codificação.
Passando agora ao denominador, tal como já foi referido o mesmo é determinado pelo valor da
população da região em causa para o grupo etário específico de cada PQI. Assim sendo, de forma
a obter os dados demográficos necessários, foi essencial recorrer às estimativas da população
portuguesa [50, 51], presentes na BD do Instituto Nacional de Estatística (INE), nas quais
constam dados sobre a média populacional por sexo, grupo etário e segmentação geográfica
(Distritos e NUTS) (Figura 7).
Contudo, PQI específicos como o PQI05, o PQI09 e o PQI15 necessitam de dados da população
de grupos etários específicos que não são disponibilizados pelo INE. Assim sendo, e supondo
que os dados do INE se regem por uma distribuição normal, através de uma divisão equitativa
determinamos a média da população desses grupos etários específicos, e criamos uma pequena
BD com essa informação, disponível nos Anexos I, II, III e IV, com base na BD do INE. Tendo
então reunida toda a informação demográfica necessária, usou-se a função “rbind”
disponibilizada pelo software R, de modo a acrescentar estes dados aos anteriores. O processo
explicado neste parágrafo pode ser observado na Figura 8.
Figura 6 - Código de determinação do numerador do PQI01 para a segmentação geográfica Distrito.
Posteriormente, foram alterados os valores do variável sexo de modo a ficarem em
concordância com os dados do INE, tal como podemos observar na Figura 9.
Figura 9 - Código da modificação dos valores do variável sexo.
Figura 8 - Código da divisão equitativa dos grupos etários.
Por fim, o processo resumiu-se apenas à divisão de uns valores pelos outros, numerador e
denominador respetivamente. De realçar que todos os PQI foram calculados separadamente,
sendo que no final, pelo uso da função “rbind” já mencionada, juntaram-se as tabelas de dados
resultantes do todos os cálculos numa tabela final denominada por PQI. Ainda assim, e com a
finalidade de cumprir o nosso objetivo final de efetuar uma análise por grupo hospitalar, com
base no benchmarking dos hospitais disponibilizado pela ACSS [52], criou-se uma BD com todos
os hospitais disponíveis na nossa BD dos internamentos e adicionamos uma variável
denominada por “Hospital_Group”, para que nela pudesse ser associada a letra do grupo
correspondente a cada hospital. Nesta etapa, em casos onde os hospitais não foram incluídos
em nenhum grupo, os mesmos foram agrupados em um novo grupo, denominado "Outros".
Finalmente, mais uma vez repetiu-se o método já utilizado noutras fases deste algoritmo pela
função “left_join”, e adicionou-se essa informação do grupo hospitalar referente a cada hospital
à tabela PQIs.
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3. Proof of Theorem 1
(Page 21-30)