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FUNCTIONAL DESCRIPTION

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CHAPTER 4 THEORY OF OPERATION

4.1 FUNCTIONAL DESCRIPTION

“Como roteiristas, protagonistas e diretores de nosso filme existencial, a nossa narrativa deve emocionar e ensinar a todos.” (GABRIEL PERISSÉ)

Intrigada por algumas questões que me envolviam sobre o uso das tecnologias na docência no Ensino Médio, comecei a minha pesquisa. A pesquisa aqui apresentada tem o interesse em buscar, no discurso dos educadores, caminhos alternativos para incorporar novas práticas com o uso da tecnologia e, assim, contribuir na educação dos jovens do Ensino Médio. Sabe-se que os objetivos educacionais bem alicerçados são a base para atender às exigências e oportunidades de trabalho, isso impõe um novo perfil ao cidadão.

Para contribuir efetivamente na educação do homem nesse momento histórico, o educador precisa “tornar-se um eterno aprendiz”, buscar novos conhecimentos, incorporar novas práticas, fazer-se educador a cada dia, educando- se continuamente, atualizando-se para a adequada aplicabilidade em sua práxis educativa. O educador não pode ser mero expectador de um mundo que evolui a cada instante.

troca de conhecimentos com docentes de uma escola técnica que já incorporavam em suas práticas pedagógicas o uso da tecnologia.

Antes descreverei sobre o conceito de pesquisa narrativa, na qual busquei a compreensão nos pesquisadores narrativos, Clandinin e Connely (1995) e também outros autores como Brunner e Schulman (2001) e na sequência apresentarei os instrumentos investigativos.

Segundo Brunner (2001) a narrativa é um instrumento que cria um espaço de diálogo intersubjetivo que permite às pessoas a possibilidade de negociação cultural, pois nas narrativas consentimos com certa facilidade versões concorrentes de uma mesma história. O autor considera que a narrativa é a ferramenta mais importante para a construção do significado em nossa cultura.

Schulman (1986) também compartilha da ideia que a narrativa é uma forma de representar o saber, ou seja, um saber específico de um evento, bem documentado e ricamente descrito.

A narrativa surge como uma entidade privilegiada para investigar a prática docente. Connely e Clandinin (1995) consideram que o homem é essencialmente um contador de histórias que extrai sentido do mundo através das histórias que conta. Nas palavras dos autores:

A principal razão para o uso da narrativa na investigação educativa é que os seres humanos são organismos contadores de histórias, organismos que individualmente e socialmente, vivem vidas relatadas. O estudo da narrativa, portanto é o estudo da forma como os seres humanos experimentam o mundo (CONNELY; CLANDININ, 1995).

Connely e Clandinin (1995) associados à teoria da experiência de Dewey, adotam o conjunto de termos: pessoal e social, passado, presente e futuro, articulados pelas histórias contadas dos participantes, lugar que vai definir o espaço para investigação narrativa, auxiliando na compreensão do que o pesquisador deve fazer.

Observou-se nessa linha as quatro dimensões que deve seguir a investigação: introspectiva, extrospectiva , retrospectiva e prospectiva.

Por introspectivo, queremos dizer em direção às condições internas, tais como sentimentos, esperanças, reações, estéticas e disposições morais. Por extrospectivo, referimo-nos ás condições existenciais, isto é, o meio ambiente. Por retrospectivo e prospectivo, referimo-nos temporalidade–passado, presente e futuro. (CLANDININ E CONNELY, 2011, P. 85).

Portanto, essas quatro dimensões se fazem presentes para investigar uma experiência, ou seja, considerar o pessoal e social como espaço de interação; o passado, presente e futuro no que tange a continuidade.

Uma vez que a história é contada no passado, ela dá a possibilidade de ser recontada, dessa forma, não é apenas a história dos participantes que está sendo recontada, mas também a do pesquisador narrativo; e o lugar como a situação em que se encaixam as narrativas, sem perder de vista que ao se adentrar no campo de pesquisa, há vidas em movimento, portanto, as vidas continuam e a história nunca se encerra. (PERICO, 2015, p.76).

Os autores Clandinin e Connely (2011, p.98) destacam que o pesquisador narrativo trabalha no espaço não apenas com as narrativas de seus participantes, mas também com a sua própria narrativa. (PERICO, 2015, p.76). “As histórias que

trazemos como pesquisadores também estão marcadas pelas instituições onde trabalhamos, pelas narrativas construídas no contexto social do qual fazemos parte e pela paisagem na qual vivemos.”

Outro ponto importante a ser destacado é o caráter investigativo da pesquisa, pois cabe ao pesquisador estabelecer relações com seu interlocutor de tal forma que haja concordância com a pesquisa. “A intencionalidade do pesquisador vai além da mera busca de informações; pretende criar uma situação de confiabilidade para que o entrevistado se abra.” (SZYMANSKI, 2011,P.12).

Diante dessa reflexão, adotei como instrumentos investigativos:

 Entrevista semiestruturada, na tentativa de promover relatos narrativos de forma mais livre e espontânea. Embora exista um roteiro de questões, onde os participantes ficaram livres para relatarem suas experiências ligadas a profissão docente.

 Conversas informais com os professores, que trouxeram informações relevantes de suas práticas no cotidiano com o uso da tecnologia em sala de aula.

curso sobre uso de HQs e jornal, oferecida aos professores pelos idealizadores do portal referente às atividades do docentes (portal educacional), que contribuíram para a investigação narrativa da pesquisa consolidada pela intervenção dos participantes junto a seus alunos.

 Reuniões pedagógicas com a coordenadora do portal educacional que aceleraram de modo significativo a formação contínua do docente no que tange ao uso das ferramentas disponibilizadas no portal.

Esses instrumentos auxiliaram na resposta à questão norteadora do objetivo da pesquisa que é conhecer e descrever as experiências de um grupo de professores do Ensino Médio que atuam em escolas públicas da região de São Paulo e utilizam em sua prática pedagógica recursos tecnológicos, e analisam as suas percepções, enquanto docentes.

A seleção das questões foi muito importante para a abordagem dos participantes, os quais foram entrevistados individualmente, em dias e horários diferentes. A coleta de dados transcorreu de maneira tranquila, pois os participantes foram informados de que era apenas um bate-papo e que estavam livres para dizer o que quisessem.

Após reflexão a respeito da pesquisa narrativa foi possível chegar ao método de análise dos dados por meio da entrevista semiestruturada e dos demais instrumentos investigativos. Optei pela Análise do Discurso Textual, que foi condizente com a proposta narrativa da minha pesquisa.

Segundo Brandão (2002), atualmente há diversas correntes teóricas que estudam a língua sob a perspectiva discursiva. A tendência a qual optei foi com a escola da Análise do Discurso - AD que surgiu na década de 1960 e hoje atingiu sua maturidade teórica e metodológica.

Analisar um discurso implica, inicialmente, caracterizá-lo como objeto teórico, ou seja, produzir a partir de práticas sociais de linguagem e manifestar em sua forma material “que é a forma encarnada na história para produzir sentidos.” (ORLANDI, 2005, P.19).

Segundo o autor, nesta perspectiva a linguagem passa a ser concebida como prática social e o participante como “ lugar de significação historicamente constituído”. (ORLANDI, 1996, P.37).

A noção de língua passa a constituir a condição de possibilidade do discurso, pois “sobre a base dessas leis internas que se desenvolvem os processos discursivos.” (PÊCHEUX,1997, P.91).

A língua funciona como pressuposto para a análise da materialidade do discurso e estabelece uma distinção necessária entre ordem e organização. Neste sentido não interessa a organização da língua, mas sim a ordem do discurso.

Orlandi (1996, p.12) ressalta que o discurso é uma das instâncias materiais da relação linguagem/pensamento/mundo, sendo que o “dizer é aberto”. É só por ilusão que se pensa dar a “palavra final”. “O dizer também não tem começo verificável: o sentido está (sempre) em curso.”

Segundo Pêcheux (1997, p.92), língua e discurso mantém uma relação contraditória, pois a língua na AD tem autonomia relativa, já que “todo processo discursivo se inscreve numa relação ideológica de classes”. É nesse sentido que o discurso da AD, aponta para a relação da língua com a história, assim como o sujeito com o sentido.

Assim, na relação entre sujeitos se dão os efeitos dos sentidos, os chamados discursos. Entre o interlocutor e outro existe um espaço discursivo estabelecido entre eles. É nesse espaço que o sentido do texto vai se instalar: no intervalo entre eles. Para Orlandi (2001, p.86) “o texto é um objeto linguístico- histórico” e dessa forma considerei na minha pesquisa a história de vida de cada um de meus participantes como protagonistas de um texto que se faz significativo pela riqueza de efeitos de sentidos que lhe deram concebendo o contexto sócio-histórico- ideológico no espaço discursivo.

Considerando as reflexões realizadas até aqui sob o prisma da pesquisa narrativa Clandinin e Connely, (2011) da entrevista na pesquisa em educação Szymanski (2011) e da análise do discurso Orlandi (2001), abordei alguns movimentos por Moraes e Galiazi (2007)de ciclo de análise:

a) Elaboração de um campus de atração narrativa: estabelecimento de relação entre os textos;

espaço discursivo;

c) Construção de um processo auto-organizativo : análise com fundamento teórico.

Na sequência apresenta-se a análise dos dados na tentativa de estabelecer o significado entre os participantes em diálogo com o referencial teórico que apoia este trabalho.

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