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A precursor to modern GP was the variable-length GA developed by Stephen Smith in his 1980 doctoral dissertation [Smith, 1980], in which each individual in

7.2 THE FUNDAMENTALS OF GENETIC PROGRAMMING

7.2.4 Function Set

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental está relacionada com o bem-estar e com a produtividade da pessoa, como esta consegue lidar com os normais desafios da vida, trabalhando sempre de forma produtiva e não simplesmente a ausência de doença. De acordo com Keys, o bem-estar inclui o bem-estar psicológico, social e emocional, envolvendo pensamentos positivos (como felicidade, satisfação), atitudes positivas face às suas responsabilidades e para com os outros, integrando-se positivamente na sociedade.[27]

Mundialmente, cerca de 50% dos adultos sofre ou já sofreu de doença mental em algum momento da sua vida, sendo que mais de metade dessas pessoas têm sintomas moderados a graves. Apesar da elevada prevalência de doenças mentais, apenas 20% da população, que sofre de problemas mentais, procura ajuda médica.[28]

Por vezes não é possível diferenciar uma doença mental de um comportamento normal. A linha que divide entre ter traços de personalidade e ter um transtorno de personalidade pode ser bastante tênue, assim sendo é melhor considerar a saúde mental e doença mental como se ambas fizessem parte de um espetro contínuo em que a eventual linha divisora dependesse da gravidade e duração dos sintomas e a maneira com que os sintomas afetam o normal funcionamento da vida quotidiana.[28]

1.1 ESTADO DA SAÚDE MENTAL EM PORTUGAL

O número de pessoas com doenças mentais, nos cuidados de saúde, tem vindo a aumentar ao longo dos anos, relativamente às perturbações depressivas, perturbações de ansiedade e às demências. O maior registo de utentes com perturbações de demência e ansiedade está situado nas regiões do Centro e do Alentejo. Este aumento pode significar um acesso mais facilitado aos cuidados de saúde primários ou, por outro lado, podem significar que os profissionais de saúde estão mais sensibilizados para o diagnóstico destas doenças. No entanto, apesar do aumento do número de casos, revelou-se uma ligeira diminuição do número de internamentos.[29]

1.1.1 Consumo de Medicamentos

Em relação ao consumo de medicamentos ligados à área de saúde mental, observou-se um aumento, em termos de Dose Diária Definida (DDD), em todos os grupos farmacológicos entre 2012 e 2016. Contudo, os medicamentos do grupo “Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos” verificou-se uma ligeira redução desde 2014.

Considerando os riscos associados ao consumo de substâncias psicotrópicas, principalmente durante a infância e adolescência, existem limitações quanto ao seu uso, pelo que se deve seguir as recomendações internacionais das quantidades a ingerir diariamente, quer em menores de idade, quer em grávidas ou a amamentar.

24 O Sistema Nervoso Central (SNC) amadurece de forma lenta e complexa até estar totalmente concluído, isto é, até aos 18 anos, por isso mesmo é que se deve evitar a utilização de substâncias psicotrópicas, como o metilfenidato, até então. No entanto, verificou-se que, grande parte do acesso a psicofármacos foi através da prescrição médica, em todos os grupos etários.[29]

1.1.2 Consumo de Substâncias Psicoativas

Substâncias psicoativas são substâncias químicas que atuam sobretudo no SNC, podendo alterar a função cerebral e mudar temporariamente a perceção, humor, consciência e o comportamento. Essas alterações podem ser proporcionadas para fins científicos, isto é, para a compreensão da mente, para fins religiosos e médico-farmacológicos como o uso da medicação.[30]

Estudos revelam que o álcool é a substância psicoativa com uma maior prevalência ao longo da vida, dentro da população portuguesa com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, e a segunda substância psicoativa mais consumida entre os portugueses é o tabaco. Por outro lado, o consumo de medicamentos (sedativos, hipnóticos e/ou tranquilizantes) tem-se verificado uma descida no seu consumo. No caso de substâncias psicoativas ilícitas, a cannabis é a substância com a maior prevalência independentemente do ano considerado, sendo que todas as outras substâncias ilícitas apresentam uma prevalência inferior a 1,5% e verifica-se que a maior parte do consumo destas substâncias ocorre na população jovem adulta, isto é, entre os 15 e os 34 anos.[29] [31]

1.1.3 Mortalidade

A mortalidade relacionada com a saúde mental é baixa, estando relacionada quase exclusivamente com o suicídio. O suicídio, por sua vez, verifica-se em pessoas com doenças mentais graves a muito graves, no entanto, tratáveis como a depressão major e perturbação bipolar, integrando o grupo de mortes evitáveis, desde que o diagnóstico seja realizado a tempo útil e a terapêutica eficaz.[29][32]

Tem-se verificado que, a taxa de mortalidade por suicídio apresenta uma maior incidência numa faixa etária igual ou superior a 65 anos e ocorre sobretudo na região do Alentejo.[29]

1.2 PERTURBAÇÕES DEPRESSIVAS

A depressão é caracterizada pela perda de interesse ou prazer, tristeza, sentimentos de culpa, baixa autoestima, perturbações do apetite e/ou do sono, cansaço físico e baixo nível de concentração. As perturbações depressivas podem ser duradouras ou recorrentes, sendo que ambas prejudicam a capacidade de uma pessoa lidar com a vida diária, com o trabalho ou a escola. A forma mais grave da depressão pode levar à morte por suicídio. [33]

As perturbações depressivas estão divididas em duas subcategorias principais: depressão major

/ episódio depressivo que está relacionado com a presença de sintomas como o humor deprimido,

diminuição da energia, perda de interesse, dependendo da gravidade e do número dos sintomas, um episódio depressivo, pode ser classificado como ligeiro, moderado ou grave e distimia que é a forma

25 crónica ou persistente de uma depressão ligeira, sendo que os seus sintomas são muito semelhantes aos do episódio depressivo mas tendem a durar mais tempo e a serem menos intensos.[33]

Trata-se de um problema de saúde pública clinicamente significativa e crescente. Em 2015, os transtornos depressivos foram estimados como a terceira principal causa de incapacidade em todo o mundo. A fisiopatologia da depressão continua a ser incompletamente compreendida, no entanto, a diminuição do funcionamento de neurotransmissores (serotonina, dopamina, noradrenalina, etc.) no cérebro pode ser umas das causas da doença, sendo que os antidepressivos atuam corrigindo esses défices funcionais.[34]

O início do transtorno depressivo major é bimodal, isto é, a maioria dos doentes apresentam-se na faixa etária dos 20 anos e um segundo pico ocorre na faixa etária dos 50 anos. As mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ter depressão relativamente aos homens. Outros fatores de risco, que contribuem para o desenvolvimento de depressão major, incluem ser separado ou divorciado, episódios anteriores de depressão, níveis elevados de stress, traumas e história de transtorno de depressão em parentes de 1º grau.[34][35]

Os profissionais de saúde são extremamente importantes para reconhecer, controlar e tratar a depressão. Estima-se que 60% da prestação de cuidados de saúde mental decorre em ambiente de cuidados primários e 79% das prescrições de antidepressivos são prescritos por profissionais de saúde, mas não psiquiatras. Apesar dos esforços para educar pacientes e a comunidade, a depressão continua a ser um estigma formando uma barreira primária para reconhecer e fornecer o tratamento adequado a estas doenças mentais.[35]

Em ambiente hospitalar, até um terço dos pacientes com depressão major têm outras condições médicas subjacentes nomeadamente, demência, delírios, perda de interações sociais, disfunção cognitiva, estados de humor negativos que podem ser semelhantes e muitas vezes confundido com transtorno depressivo. Outras condições médicas foram associadas aos sintomas depressivos, essas condições incluem anemia, convulsões, hipotiroidismo, doença de Parkinson, apneia do sono, deficiência em vitaminas como B12 e folato, doenças infeciosas como a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), sífilis e doença de Lyme. Em alguns casos, os tratamentos dessas condições subjacentes podem diminuir ou resolver os sintomas depressivos.[34][35]

Estudos indicam que grande parte das pessoas com transtornos depressivos não recebem tratamento de acordo com os seus sintomas. Entre 2001 e 2003 metade dos doentes com depressão nunca receberam tratamento, no entanto, nos últimos anos, houve um aumento substancial nas prescrições de antidepressivos, o que torna uma das classes de medicamentos mais prescritos.[36]

Existem vários cenários e vários níveis de gravidade da depressão pelo que é necessário combinar os pacientes com tratamentos adequados e ajustados a cada problema. Várias intervenções podem ser realizadas para melhorar a saúde mental do paciente, tais como: psicoterapia, aconselhamento, exercício físico, ioga, meditação e por fim o tratamento farmacológico. Vários estudos realizados indicam que a toma de antidepressivos não são eficazes para o tratamento da

26 depressão leve ou menos grave, mas eficaz para o tratamento da depressão grave, sendo este tratamento sempre combinado com psicoterapia.[35][36]

Para a depressão moderada a grave, as classes de medicamentos de primeira linha geralmente incluem: Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) nomeadamente Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, Citalopram e Escitalopram, Inibidores da Recaptação de Serotonina e

Noradrenalina (IRSNs) nomeadamente Venlafaxina, Desvenlafaxina e Duloxetina. Mais

recentemente foram aprovadas pela FDA mais três fármacos utilizados para o tratamento da depressão - vilazodona, vortioxetina e levomilnaciprano. As classes de antidepressivos mais antigas como os Antidepressivos Tricíclicos e os Inibidores da Monoamina Oxidase têm um perfil de risco maior do que as classes anteriormente mencionadas, portanto, são normalmente usados apenas se os outros agentes forem ineficazes.[35]

A seleção do tratamento deve ser feita de forma personalizada a cada paciente, tendo em conta o seu histórico profissional e familiar, resposta à medicação, efeitos adversos e a sua preferência de medicamento quanto ao custo e acessibilidade. Embora o tratamento da depressão se tenha expandido nos últimos anos, ainda existem lacunas especialmente para minorias raciais e/ou étnicas, pessoas que vivem de rendimentos mínimos e pessoas menos instruídas. [36] Por isso, é necessário assegurar um acesso equitativo e de qualidade a todas os pacientes com problemas de saúde mental.

1.3 DEMÊNCIA

Demência é um termo utilizado para caracterizar um conjunto de doenças das quais existe uma redução progressiva no funcionamento mental do indivíduo. É um termo genérico que descreve a perda da capacidade intelectual, da memória, competências sociais, raciocínio e alteração das emoções normais. [37]

Apesar de grande parte das pessoas com demência ser idosa, esta não faz parte do normal processo de envelhecimento, pelo que pode surgir em qualquer idade. Existem casos em que surge entre os 40-60 anos, no entanto, é mais comum a partir dos 65 anos.[37]

Segundo a OMS, existem cerca de 47,5 milhões de pessoas com demência, este número pode chegar aos 75,6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 atingindo os 135,5 milhões. Por sua vez, a doença de Alzheimer representa cerca de 60 a 70% de todos os casos existentes de Demência.[38]

As formas mais comuns da Demência são:

- Doença de Alzheimer: é a forma mais frequente de Demência, inclui uma alteração neurológica,

degenerativa, progressiva, lenta e irreversível, definida por um défice de funções intelectuais e de memória. As células cerebrais vão diminuindo em número e em tamanho, por sua vez formam-se tranças neurofibrilares no interior e no exterior formam-se placas senis. A presença desses corpos vai impossibilitar a comunicação cerebral, danificando as conexões entre as células cerebrais e estas acabam por morrer.[39]

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- Demência Vascular: segundo tipo de demência mais comum, está relacionada com problemas de

circulação do sangue para o cérebro. Existem muitos tipos de Demência Vascular, no entanto a Demência por multienfartes e a Doença de Binswanger (ou Demência Vascular Subcortical) são as mais comuns. A primeira é caracterizada por pequenos enfartes cerebrais e a segunda está associada a enfartes causados por hipertensão arterial.[40]

- Demência de Corpos de Lewy: os corpos de Lewy são estruturas esféricas anormais, que se

desenvolvem no interior das células cerebrais e são responsáveis pela degeneração e morte das células cerebrais. As pessoas com este tipo de demência tendem a ter alucinações, tremores e rigidez.[37]

- Demência frontotemporal: é um grupo de Demências em que ocorre a degeneração de um ou

ambos os lobos cerebrais temporais ou frontal.[37]

1.4 PERTURBAÇÕES DE ANSIEDADE

A Ansiedade é definida por um sentimento de preocupação, medo e de tensão. É importante realçar que a Ansiedade é um estado mental normal e útil à pessoa. No entanto, quando esta é sentida sem razão evidente, ou de forma exagerada e continuada, torna-se num problema de saúde mental.[41] Existem vários tipos de Transtornos de Ansiedade, os mais prevalentes e que geralmente estão associados a uma elevada carga de doença são: Transtornos de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade Social e Transtorno de Pânico/ Agorafobia. As perturbações de Ansiedade, geralmente, são pouco reconhecidas e maltratadas no atendimento primário. O tratamento é indicado quando o doente mostra muito sofrimento ou sofre complicações recorrentes do distúrbio.[42]

Os distúrbios de Ansiedade devem ser tratados com terapia farmacológica, psicóloga ou a combinação de ambas. Os medicamentos de primeira linha são os Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina e os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina. No entanto, existem outras opções de tratamento que incluem a Pregabalina, Antidepressivos Tricíclicos, Buspirona e outros. Contudo, a toma de benzodiazepinas não são recomendadas para uso rotineiro. Após o início do tratamento, os medicamentos devem ser continuados por 6 a 12 meses.[41]

1.5 INTERVENÇÃO NA FARMÁCIA ALBARELOS

1.5.1 Enquadramento/Descrição

Ao longo do meu período de estágio na FA, apercebi-me que um elevado número de pacientes recorria à farmácia para adquirir psicofármacos. Comecei a aperceber-me durante a fase inicial do estágio, na receção e armazenamento de encomendas, visto que chegavam diariamente inúmeros fármacos com ação antidepressiva e ação ansiolítica/hipnótica. Mais tarde, já no atendimento pude realmente confirmar a elevada prevalência de receitas com psicofármacos. No decorrer do estágio, quando já estava mais confortável nos atendimentos comecei a conversar com os utentes e a tentar perceber qual ou quais os problemas para estarem a tomar determinada medicação. A maioria dos

28 utentes queixavam-se de depressão, ansiedade generalizada e permanente, insónias e outras tinham excesso de stress por motivos de trabalho ou outros.

Para além disso, vivemos em época de pandemia, onde tudo é incerto, o país vive momentos difíceis, perda de emprego, aumento da pobreza, níveis de ansiedade elevados e é sobretudo agora em que é necessário manter a saúde mental normal.

Posto isto, achei pertinente dar uma formação aos colaboradores da FA (Anexo V) de forma a relembrar a importância da saúde mental, relembrar alguns conhecimentos previamente adquiridos sobre saúde mental, mais concretamente sobre a Depressão, não só para melhorar a compreensão de certas prescrições, mas também para podermos prestar um serviço farmacêutico de qualidade e mais completo, alertando, caso existam, interações medicamentosas, efeitos adversos e mencionar determinadas medidas não farmacológicas que também são muito importantes para manter uma boa saúde mental.

1.5.2 Conclusão

A profissão farmacêutica, ao longo dos anos, tem passado por várias modificações de forma a responder às novas exigências sociais. Antigamente, o papel do farmacêutico baseava-se apenas em armazenar, registar e dispensar medicamentos, desvalorizando a dimensão e a abrangência da assistência farmacêutica.

Atualmente, e segundo a OMS, cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de algum problema de saúde mental. Posto isto, o uso de medicamentos antidepressivos, ansiolíticos e psicotrópicos têm aumentando consideravelmente. Estes medicamentos atuam, sobretudo, no SNC. Apesar de serem medicamentos seguros, podem causar dependência psíquica e/ou física, causar interações medicamentosas, reações adversas, entre outras. Assim sendo, o papel do farmacêutico é essencial, pois, este apresenta os conhecimentos científicos específicos para orientar o utente da forma mais correta.

Neste seguimento, o farmacêutico pode contribuir muito para manter a qualidade de vida dos utentes com transtornos mentais, quer seja para esclarecer dúvidas, para salientar a importância do uso racional da medicação, não permitindo que o utente pratique a automedicação e assegurando sempre a toma correta da medicação. Assim sendo, acho que a formação que dei aos colaboradores da FA foi gratificante, pois é sempre bom relembrar conceitos e relembrar a importância do farmacêutico em todas as patologias inclusive nas doenças mentais.

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