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4.2 Function-based Indexing
4.2.1 Function materialization
Se quisermos determinar a fun¸c˜ao de Green para o hamiltoniano total, tamb´em conhecida como propagador total em termos de uma s´erie perturbativa, devemos usar a fun¸c˜ao de Green que conhecemos denominada de propagador livre. Utilizando a identidade matricial
ˆ 1 ˆ A + ˆB = ˆ 1 ˆ A + ˆ 1 ˆ A ˆ B1ˆ ˆ A + ˆ 1 ˆ A ˆ Bˆ1 ˆ A ˆ Bˆ1 ˆ A + ... (3.51) ˆ G = ˆ1 E ˆ1 − ˆH0 + ˆ1 E ˆ1 − ˆH0 ˆ V 1ˆ E ˆ1 − ˆH0 + 1ˆ E ˆ1 − ˆH0 ˆ V 1ˆ E − ˆH0 ˆ V 1ˆ E ˆ1 − ˆH0 + ... (3.52) Podemos escrever essa express˜ao em termos de ˆG0
ˆ
G = ˆG0 + ˆG0V ˆˆG0+ ˆG0V ˆˆG0V ˆˆG0+ ... (3.53)
Com essa equa¸c˜ao podemos calcular ˆG sem partir para a defini¸c˜ao diretamente, j´a que em muitos casos n˜ao temos como fazˆe-lo. Uma estrat´egia seria calcular termo a termo o lado direito da equa¸c˜ao e, dependendo do potencial, poder´ıamos prosseguir aumentando a ordem de corre¸c˜ao at´e alcan¸car um crit´erio de convergˆencia. Essa forma de determinar a solu¸c˜ao pode ser interpretada como se inicialmente tiv´essemos uma part´ıcula livre se propagando ponto a ponto e o potencial age como uma esp´ecie de espalhamento que interrompe a trajet´oria da part´ıcula. Entretanto se manipularmos a equa¸c˜ao (3.53) para obter a equa¸c˜ao de Dyson podemos evitar solu¸c˜oes aproximadas:
ˆ G = ˆG0 + ˆG0V ˆˆG0+ ˆG0V ˆˆG0V ˆˆG0+ ... ˆ G = ˆG0(ˆ1 + ˆV ˆG0+ ˆV ˆG0V ˆˆG0+ ...) ˆ G = ˆG0[ˆ1 + ˆV ( ˆG0+ ˆG0V ˆˆG0+ ...)] ˆ G = ˆG0(ˆ1 + ˆV ˆG) ˆ G = ˆG0 + ˆG0V ˆˆG (3.54)
Figura 3.3: Representa¸c˜ao diagram´atica da equa¸c˜ao de Dyson.
A express˜ao final (3.54) ´e conhecida como equa¸c˜ao de Dyson (na sua forma mais co- mum). Note que o propagador total aparece dos dois lados da equa¸c˜ao, o que mostra seu car´ater recursivo. Do ponto de vista matem´atico n˜ao se trata de uma s´erie perturba- tiva porque somamos em todos os termos, no entanto se fizermos uma an´alise num´erica devemos atualizar o valor da fun¸c˜ao de Green at´e que a intera¸c˜ao pare de alterar o resul- tado final. Na ´ultima se¸c˜ao deste cap´ıtulo vamos mostrar como tratar numericamente a equa¸c˜ao de Dyson. Essa ser´a a t´ecnica final que vamos utilizar para determinar as pro- priedades eletrˆonicas dos nanotubos. Para facilitarmos o uso da equa¸c˜ao (3.54) podemos reescrevˆe-la como:
ˆ
G = (ˆ1 − ˆG0V )ˆ −1Gˆ0. (3.55)
Vamos usar essa forma alternativa quando aplicarmos o m´etodo recursivo numericamente.
3.5
O M´etodo Recursivo
O c´alculo da fun¸c˜ao de Green diretamente pode ser dif´ıcil em alguns problemas, es- pecialmente quando escrita na representa¸c˜ao matricial. Em geral quando o n´umero de part´ıculas aumenta, obter uma solu¸c˜ao mesmo que num´erica pode ter um alto custo com- putacional. Nessa se¸c˜ao vamos introduzir um m´etodo que busca contornar essa dificuldade baseado na equa¸c˜ao de Dyson. A ideia ´e que possamos calcular a fun¸c˜ao de Green total de alta dimens˜ao dividindo a solu¸c˜ao em partes, por exemplo no caso de um sistema descrito pelo esquema indicado na Figura 3.4, definimos uma fun¸c˜ao de Green inicial e em seguida propagamos a solu¸c˜ao atualizando o valor de ˆG por meio da equa¸c˜ao de Dyson em uma certa dire¸c˜ao at´e que ˆG pare de mudar. Este resultado seria metade da resposta final, ent˜ao fazemos o mesmo para a outra dire¸c˜ao e no final conectamos as duas solu¸c˜oes.
Figura 3.4: Esquema do m´etodo recursivo, ˆSR e ˆSL representam as fun¸c˜oes de Green propagadas para a direita e esquerda respectivamente, nesse modelo cada camada possui uma fun¸c˜ao de Green ˆgii e um hamiltoniano ˆHii associado.
Fonte: Retirado da referˆencia [18].
Suponha um sistema como o representado na Figura 3.4 onde conhecemos a fun¸c˜ao de Green ˆgii e o hamiltoniano ˆHii de cada camada separadamente. Vamos assumir que a
matriz de hopping entre camadas vizinhas ´e ˆΓi,i+1 com o adjunto ˆΓ †
i,i+1. Como desejamos
que ˆHii seja hermitiano temos a condi¸c˜ao:
ˆ
Γi,i+1 = ˆΓ † i,i+1.
Utilizando a equa¸c˜ao (3.9) podemos definir que a fun¸c˜ao de Green para cada camada ´e dada por:
ˆ
gii= (E ˆ1 − ˆHii)−1.
O valor inicial para os propagadores entre camadas vizinhas deve ser nulo de forma que temos:
ˆ
gi,i+1 = ˆgi+1,i = 0, (3.56)
aplicando a equa¸c˜ao de Dyson (3.54) para conectar as camada na posi¸c˜ao i com a camada na posi¸c˜ao i + 1 obtemos:
ˆ
Gi+1,i+1= ˆgi+1,i+1+ ˆgi+1,i+1Γˆi+1,iGˆi,i+1, (3.57)
ainda podemos obter a seguinte rela¸c˜ao com aux´ılio da equa¸c˜ao de Dyson:3 ˆ
Gi,i+1 = ˆgi,i+1+ ˆgi,iΓˆi,i+1Gˆi+1,i+1,
3Essas equa¸c˜oes foram deduzidas em Lewenkopf, C.H., Mucciolo, E.R. J Comput Electron (2013) 12: 203. [16]. Uma abordagem semelhante tamb´em ´e feita em M.S. Ferreira, G.E.W. Bauer, e C.P.A. Wapenaar. Recursive Green functions technique applied to the propagation of elastic waves in layered media. Ultrasonics, 40(1-8):355–9, May 2002. [8].
da rela¸c˜ao (3.56) ainda podemos simplicar na forma: ˆ
Gi,i+1 = ˆgi,iΓˆi,i+1Gˆi+1,i+1 (3.58)
substituindo esse resultado na equa¸c˜ao (3.55) encontramos: ˆ
Gi+1,i+1= [ˆ1 − ˆgi+1,i+1Γˆi+1,iˆgi,iΓˆi,i+1]−1ˆgi+1,i+1. (3.59)
Vale a pena ressaltar que deduzimos express˜oes considerando apenas intera¸c˜oes da direita para esquerda, o mesmo c´alculo pode ser feito para o contr´ario e fornece:
ˆ
Gi−1,i−1= [ˆ1 − ˆgi−1,i−1Γˆi−1,iˆgi,iΓˆi,i−1]−1ˆgi−1,i−1. (3.60)
As equa¸c˜oes (3.59) e (3.60) se referem `as fun¸c˜oes de Green da ´ultima camada adicio- nada partindo da direita para a esquerda e da esquerda para a direita respectivamente. Na literatura ´e comum utilizar-se o termo fun¸c˜ao de Green de superf´ıcie com os ´ındices inferiores indicando a dire¸c˜ao de propaga¸c˜ao. Com isso podemos reescrever essas equa¸c˜oes ap´os acrescentar n camadas na seguinte forma:
ˆ
SRn+1= [ˆ1 − ˆg0ΓˆLRSˆRnΓˆRL]−1gˆ0, (3.61)
ˆ
SLn+1= [ˆ1 − ˆg0ΓˆRLSˆRnΓˆLR]−1gˆ0, (3.62)
onde ˆg0 representa a fun¸c˜ao de Green de uma camada isolada, e ˆΓLR ΓˆRL representam o
hopping adicionado pela direita e pela esquerda respectivamente. Essencialmente o que se calcula com o m´etodo recursivo vale para sistemas semi infinitos, buscamos no final do processo uma convergˆencia que se traduz em ˆSR(L)n+1 = ˆSn
R(L). Como desejamos obter o
resultado para um sistema infinito devemos utilizar a equa¸c˜ao de Dyson novamente para conectar as duas solu¸c˜oes, de forma simplificada podemos assumir que a fun¸c˜ao de Green total ser´a dada pela soma da fun¸c˜ao de Green associada a camada posicionada na origem mais as fun¸c˜oes de Green de superf´ıcie ˆSR e ˆSL. Dessa forma a fun¸c˜ao de Green para o
sistema infinito ´e dada pela equa¸c˜ao: ˆ
G = [ˆ1 − ˆSRΓˆRLSˆLΓˆLR]−1SˆR. (3.63)
Com isso terminamos de apresentar a metodologia utilizada nesse trabalho. No pr´oximo cap´ıtulo vamos calcular numericamente a DOS da cadeia linear usando o m´etodo recursivo e depois comparar com o resultado anal´ıtico obtido na se¸c˜ao 2.3. Em seguida, faremos o c´alculo da DOS para as duas geometrias de nanotubos e comparar com os resultados apresentados em [20] e [18].
Cap´ıtulo 4
Resultados Num´ericos
Vamos solucionar os problemas a partir de agora numericamente. Nesse cap´ıtulo va- mos aplicar o m´etodo recursivo para calcular a fun¸c˜ao de Green que est´a diretamente relacionada com a DOS do sistema. Primeiramente vamos reencontrar o resultado para a cadeia linear onde com certa facilidade determinamos a fun¸c˜ao de Green exatamente, e em seguida vamos realizar o mesmo processo para as duas geometrias de nanotubos que estamos interessados: armchair e a zigzag. O c´alculo exato para a fun¸c˜ao de Green dos nanotubos pode ser visto em [15].
4.1
Cadeia Linear
Para a cadeia linear, nosso algoritmo apresentado no Apˆendice C ´e relativamente sim- ples. A raz˜ao para isso ´e que nesse caso a fun¸c˜ao de Green ´e um escalar pois temos apenas um ´atomo na base. Nessa se¸c˜ao vamos apresentar tamb´em uma cadeia dupla, basicamente juntamos uma cadeia a outra idˆentica. Dessa forma, temos dois ´atomos na base, o que torna a fun¸c˜ao de Green uma matriz 2 × 2. Na Figura 4.1 temos o gr´afico da parte imagin´aria e da parte real da fun¸c˜ao de Green da cadeia linear simples calculada pelo m´etodo recursivo. Usamos um parˆametro de hopping γ = 1.0, e para as energias de s´ıtio usamos 0 = 0.
Figura 4.1: Esquema da cadeia linear.
a
· · · ·
Figura 4.2: Parte real e parte imagin´aria da fun¸c˜ao de Green da cadeia linear. Note que fora do intervalo de energia que encontramos no espectro a parte imagin´aria da fun¸c˜ao de Green se anula.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Como podemos observar, a parte imagin´aria tem uma concavidade invertida em rela¸c˜ao ao gr´afico da solu¸c˜ao exata (Figura 3.2), isso ´e coerente com a equa¸c˜ao (3.24). Dessa forma podemos construir o gr´afico da DOS em fun¸c˜ao da energia. Basta dividirmos o valor da fun¸c˜ao de Green por um fator negativo de π.
Figura 4.3: Densidade de estados da cadeia linear via m´etodo recursivo da fun¸c˜ao de Green.
Fonte: Elaborado pelo autor.
A DOS da cadeia linear est´a representada na Figura 4.3. Como podemos observar, a cadeia linear apresenta um comportamento met´alico pois em torno do n´ıvel de Fermi (E = 0) a DOS ´e diferente de zero. Note que o resultado que obtivemos a partir do m´etodo recursivo concorda com o c´alculo exato feito no cap´ıtulo 3.
Figura 4.4: Esquema da cadeia dupla.
γ
a
Fonte: Elaborada pelo autor.