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LA FUITE VERS L'OUEST

Dans le document On capitule à l'aube, Jean EVRARD (Page 82-92)

Na segunda-feira, disse a Nina que não tinha levado um notebook para a observação e que faria as minhas anotações de campo em meu caderno de notas. Perguntei para a ativista se havia algum problema quanto a isso. Nina respondeu que não, contanto que ela e os demais ativistas pudessem ler as anotações, em tom de brincadeira. Isso foi antes dela pedir que eu enviasse o artigo sobre o perfil da Mídia Ninja no Instagram (Figura 25).

Interpretei essa fala como um tipo de “filtro” do que registraria. Algo que incidisse na maneira como coletaria os dados periféricos, aqueles relacionados ao estilo de vida dos ativistas, nem tanto ao uso do smartphone. Entre o artigo e o caderno de notas, mostrei apenas

112 Também chamado de derivagem, a palavra é usada para designar aquilo que foi derivado de algo já desenvolvido anteriormente. Na indústria do entretenimento, encontramos alguns exemplos dessa estratégia, como as séries CSI: Miami e CSI: NY, que são derivações da série CSI: Crime Scene Investigation. Disponível em: <https://www.significados.com.br/spin-off/>. Acesso em: 29 mar. 2018.

113 BORGES, Helena. Conheça Pablo Capilé, o líder por trás da Mídia Ninja. VEJA. 2013. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/brasil/conheca-pablo-capile-o-lider-por-tras-da-midia-ninja/>. Acesso em: 29 mar. 2018.

115 o primeiro, pois se tratava de um trabalho finalizado, e não em construção como a Dissertação de Mestrado.

Figura 25: Filtragem do caderno de notas?

Fonte: Elaborado pelo autor.

Na quarta-feira (21), depois do almoço, no FRONT, relatei para Nina a minha experiência na cobertura da Reforma da Previdência e disse que gostaria de acompanhar alguma transmissão ao vivo. Nina disse que era possível ter transmissões ao vivo em Belo Horizonte, onde a Rede tem uma casa coletiva.

Ela me passou o contato da coordenadora de “Redes Sociais e Coberturas” na capital mineira, Thainá, para sondar se haveria alguma transmissão naquela semana. Caso houvesse, partiria para Belo Horizonte nesse mesmo dia. Infelizmente, não seria naquela semana que eu observaria uma transmissão. A próxima aconteceria apenas no dia 8 de março, quando haveria uma manifestação pelo Dia Internacional da Mulher.

À tarde, Bruna, a gestora da frente de Cultura Digital da Rede, me chamou para apresentar projetos futuros do FdE e para conversarmos sobre a minha pesquisa. Falei sobre o percurso que trilhei até a observação, os marcos teóricos da pesquisa, os ninjas entrevistados e lhe fiz algumas perguntas. A principal foi: “Qual a diferença entre a Mídia Fora do Eixo e a Mídia Ninja?” A explicação de que ambas as iniciativas são autônomas entre si não me convenceu. Bruna afirmou que, atualmente, a Mídia Fora do Eixo é responsável pela

comunicação institucional da Rede e que a Mídia Ninja está espelhada na Mídia Fora do Eixo – uma “tecnologia do comum”.

Já era noite quando Bruna e Nina me chamaram para acompanhar a gravação de um vídeo com a câmera do smartphone de Bruna. O vídeo seria um teaser para receber novos viventes latinos para a vivência do projeto Cultura de Red, citado anteriormente. Não só

116 acompanhei, como gravei a primeira chamada, que precisou ser refeita, pois elas não tinham

um roteiro pronto – tudo foi feito à base do improviso. O vídeo saiu na segunda tentativa e

quem gravou foi a própria Bruna. Esse foi o único momento em que uma presenciei uma atividade que mobilizou as affordances comunicativas do smartphone, em especial, a portabilidade e multimidialidade, nas dependências do FRONT.

Deixamos o FRONT às 20h. Fomos para a Casa Coletiva de Uber – dividimo-nos em

dois grupos. Nina e dois viventes latinos foram no carro da frente; eu, Bruna e outra vivente latina fomos em um segundo carro. Quando chegamos à Casa Coletiva, havia mais pessoas do que quando saímos. Começaram a chegar os outros viventes latino-americanos e membros do

Fora do Eixo – conhecia alguns da época em que fazia parte da Rede. Haveria uma reunião só

deles na sala principal da casa.

Desci para meu quarto para fazer anotações e arrumar a mala para a viagem de volta para Viçosa, na tarde do dia seguinte. Em uma Casa Fora do Eixo, você deve sempre manter

suas coisas por perto, com o risco de elas vivarem objetos coletivos – isto é, de uso dos

moradores da casa. Os próprios moradores avisam os “estrangeiros” que é possível que isso aconteça. Não é uma apropriação voluntária, pois, na vida coletiva, tudo é de todos. A minha mala de viagem foi parar na lavanderia da casa, apenas porque Mayara, da Xepa, ou Luciano, da Residência Cultural, acharam que fosse um item da casa.

A casa foi reconfigurada para receber os novos viventes. O quarto onde dormi as duas primeiras noites seria ocupado por dois viventes que chegaram nesse dia. Dormi a última noite no estúdio da casa, que também é uma biblioteca, com várias estantes de livros. Acordei com Luciano me chamando para tomar o café da manhã, às 8h30. Em seguida, Vanessa levou eu, Bruna e mais dois viventes latinos, que estavam comigo desde o primeiro dia da observação, para o FRONT. Na noite anterior, disse à Bruna que viajaria para Viçosa no ônibus das 12h. Portanto, não fiquei para o almoço. Despedi-me de Bruna e dos viventes latinos e, às 11h, peguei um Uber para a Rodoviária Novo Rio. Próximo parada: Belo Horizonte.

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