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I.1. DESIGN INFORMATION OF THE SFR FUEL MANUFACTURING

I.1.2. Preliminary conceptual design of the SFR fuel manufacturing facility

I.1.2.3. Fuel assembly fabrication module

O complexo de castração é peça fundamental para a estruturação do sujeito, remetendo à questão da lei, do limite, do reconhecimento da falta. Neste trabalho de dissertação, nossa questão principal nos obriga a articular três pontos relevantes, interligados à castração. A saber: negação da castração, inveja fálica e complexo de masculinidade.

A negação da castração, revela um sujeito com dificuldades de se relacionar com a falta, com a incompletude, ou seja, com as diferenças.

Segundo a teoria psicanalítica, frente à percepção das diferenças sexuais anatômicas, a criança há que simbolizar a castração materna. A mãe até então considerada fálica, revela-se na realidade castrada, como ela, a criança. Neste ínterim, aparece a inveja fálica, ou seja, a menina deseja um órgão semelhante ao que vira no menino. A diferença apreendida pelo olhar, remete à algo que falta, não uma falta

real, pois, como vimos, no real nada falta. Trata-se de uma falta imaginária, a ser simbolizada. Frente a ela, a menina pode recusar-se a aceitá-la, insistindo em posturas consideradas “masculinas”, ou exercendo as funções culturalmente definidas como “masculinas” pelos discursos sociais, ou seja, a menina mantém a mãe em uma posição fálica, “aquela que tem”, identificando-se a esta mãe poderosa.

No sujeito X, recortam-se algumas falas que remetem, de maneira contundente, ao enunciado acima destacado:

“...A tia me dizia que eu tinha que me comportar como menina, senão ia nascer um pintinho (risos) no meio das pernas, e aí que eu fazia mais ainda (risos) prá ver se nascia né ?...

Percebemos que X presentifíca sua inveja, dirigindo-a explicitamente ao órgão masculino. Entretanto, cabe ressaltar, mais uma vez, que do que se trata, é da tentativa de negar a castração, apontando que a completude viria com a posse do falo imaginário, que no discurso aparece como um “pintinho”. X supõe que o masculino seja o completo, e anseia por este atributo fálico. Frisamos que a questão a ser destacada é a da falta, da incompletude, relacionada à primeira experiência de satisfação.

Outro momento em que a questão da inveja fálica pode ser observada, é quando X se refere ao seu irmão;

“...ah... eu queria, eu gostava de brincar com meu irmão, com os amigos dele, não gostava de brincar com as meninas ... eu gostava de brincar com as coisas dele, eu invejava tudo o que era do meu irmão ”

“...uma vez, eu devia estar com nove, dez anos, o pai trouxe dois brinquedos, um para mim, um pro meu irmão, um postinho com carrinho, com rampa, e trouxe uma boneca prá mim ... meu irmão abriu o pacote, eu fiquei fascinada, e eu não queria abrir o pacote por que já sabia o que era o meu, eu senti que era uma boneca, e eles pediram, 'ah, abre o teu’ e tal. Eu abri e joguei longe ... eu joguei longe a boneca, saí e entrei no meu quarto ... raiva, o que eu senti fo i raiva. ”

Entrevistador: Pelo presente?

“É, e depois, eu fiquei com culpa porque fiz aquilo, porque os magoei, a todos ... Eu gostei do postinho, gostei do posto, não adiantou. Meu irmão não deixava eu brincar com os carrinhos dele, não deixava brincar com as coisas dele. ”

0 posicionamento de X para com o irmão, demonstra o quanto a castração é difícil de ser aceita, simbolizada. Além de invejar o irmão, aquele que supostamente tem o falo, X recusa traços que socialmente remetem à feminilidade. Entre o “postinho” e a boneca”, prefere o postinho, mas se for para aceitar a boneca, seria somente ocupando o lugar masculino, ser o pai na brincadeira, lugar fálico.

eu gostava de brincar de boneca sozinha, não com as meninas, né, e a noite no meu quarto, sozinha, eu podia brincar com as bonecas, eu me lembro, já desde pequena que eu ... quando brincava com as bonecas, eu não era a mãe, eu era o pai (risos), por isso eu não gostava de brincar com as meninas, eu só brincava com as meninas se eu pudesse ser o pai na brincadeira. ”

Em relação ao complexo de masculinidade, X refere-se ao seu enfrentamento com as demandas parentais, que, afinal, não conseguiram subjugá-la;

eu ... eu tinha cabelo comprido, minha mãe sempre me vestiu com vestido, sempre forçando, mas não tinha, não deu jeito, não deu bom resultado, não adiantou ”

eu sempre tive um jeitinho mais ..., (risos), mais masculino, e a tia dizia que eu tinha que me comportar como menina...”

Se na fala anterior X coloca-se numa posição masculina, em outro momento revela um conflito:

que eu tava confusa, que eu não queria saber nem de homem, nem de mulher, por isso o ... falou que eu ia arrumar um homem, eu não tô louca ainda, (risos) Aí, eu disse que louca eu não estava, eu fiquei muito confusa, e depois disso, a primeira relação sadia que eu estou tendo é com ela (referindo-se à companheira na

A questão que X coloca, é a tentativa de negar a diferença entre a mulher e o homem, quando se mostra assustada, ou sentindo-se agredida frente à castração:

“A tia disse umas coisas super grosseiras, ... ela colocou coisas da anatomia, que anatomicamente o homem está feito para a mulher e a mulher para o homem, ...e u comecei a ficar assustada com tudo que eles estavam dizendo, eles estavam me agredindo com o que estavam falando. ”

O sujeito Y em seu discurso, revela a tentativa constante de eliminar as diferenças. É o que aparece em seu relato quando Y encontra sua ex-companheira, recusando-se a deparar-se com esta, enquanto uma mulher grávida.

“... depois de um ano eu vi ela grávida, ela correu atrás de mim no ponto de ônibus, mas eu não dei bola prá ela, entrei no ônibus e fu i embora, depois

que ela estava grávida e tudo. ”

Y compara-se à companheira. Se por imi lado as diferenças entre homens e mulheres são negadas, entre os semelhantes alguma diferença pode existir,

o que leva Y a manter-se numa posição fáüca.

“De formas também que eu tenho mais cabeça, na verdade eu tenho mais cabeça do que ela. Agora não, mais no começo, não é Z? No começo a Z era um pouco fraca, no começo da nossa convivência. ”

Y revela sua condição de lésbica, apontando que tem como escolha de objeto mulheres, e que embora já tivesse namorado homens, não sentia atração por

eles:

daí eu ia me conhecendo, eu olhava prás mulher, eu achava todas gostosona né, bem gostosona, eu olhava prá homem e não ligava. Mas eu já tive namorado e tudo, eu já era lésbica né, mas eu tive namorado antes de, né, porque eu não tinha me descobrido ainda, não tinha descobrido da minha pessoa, ai eu namorava homem, eu beijava e não gostava, não sentia nada... nada, nada, nada, nem tesão, nada, nada, nada. ”

Se por um lado Y revela sua atração por mulheres, deixa claro que não gosta de homem. Frente a uma figura masculina, revela certa agressividade;

“A í ela disse que tem ciúme do marido. Querida, comigo e com ela, não precisa se preocupar ’, eu disse prá ela, ‘porque homem comigo é no braço ’, eu disse. ‘Não gosto de homem ’, eu disse prá ela, ‘homem comigo é só no braço ’...”

Esta mesma agressividade que Y manifesta em relação aos homens, revela-se quando se coloca no lugar do marido, do papai. Ser o papai é ter, ter poder, mandar:

“Eu brincava com minha irmã de mamãe e papai, eu era o papai, ela era a mamãe, eu brincava com minha irm ã ... Verdade, eu gostava, eu sou papai, eu j á gostava quando eu era pequena. Ela era esposa é eu era marido. ”

a gente sempre brincava de cozinha e eu era o papai. Eu dizia prá ela, ‘eu sou o papai, eu que m ando'... Eu queria ser o papai... ”

“É, o pai manda, quando eu era pequena, a gente não sabe quando é pequena, eu queria mandar, eu sou o papai, eu queria mandar, eu sou papai, eu queria mandar. 'Faz isso, fa z aquilo, fa z aquilo outro, fa z comidinha, varre a c a s a ’ eu dizia que era papai, ‘olha arruma a casa que o papai vai trabalhar, vou chegar, vou querer almoço, quero comida ’. ”

“Hoje? Hoje não, eu vou mais pro fogão (risos de todos). É porque ela não gosta muito de cozinhar, mas quem manda sou eu, quem manda sou eu. (...) Obedece...”

“Continuo sendo o papai, na época, ela era caso da outra, ela era o papai.(..) Quando ela era o caso da outra ela era o paizão na cama. Hoje eu sou o paizão na cama, ela não, é bem mãezona. ”

0 sujeito Z, companheira de Y, também nega as diferenças, mas ao colocar-se no lugar de falo da outra, mostra-se como sem desejo, ser homem ou ser mulher depende de quem a deseja:

“...aí ela disse que ficava comigo se eu virasse mulher, fo i aí que eu virei mulher ... antes eu era bem homenzinho, eu saia assim de calça branca, sapatinho, tinha o cabelo mais curtinho, eu gostava de cortar o cabelo mais curtinho. É, andava igual homem

Ainda em Z, percebe-se que, quando criança, rivalizava-se com seus irmãos homens, invejava os homens que tinha ao seu redor. Por outro lado, temia ser reconhecida como “sapatona” :

“Minha mãe não falava comigo, só falava com os outros filhos dela(...)”.

“Quando era pequena, eu gostava de brincar de bolinha de gude, soltar pipa, jogava futebol com os homens, só tinha homem no meu caminho, só tinha

homem, não gostava de brincar de boneca. ”

“...eu tinha medo que elas podiam dizer alguma coisa pra mim, olha a sapatona jogando futebol, aí, eu ficava envergonhada. ”

Assim, quando Z manifesta algum tipo de desejo, fica aflita com o que o Outro pode manifestar, recolhendo-se e esperando que este Outro lhe diga o que ser e o que fazer.