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A influência da dimensão do campo e número de

jogadores nos aspectos táticos e técnicos em

diferentes formatos de jogos.

Ferreira, E.C; Belozo, F; Grandim, G; Lizana, C.J.R; Machado, J.C;

Misuta, M.S; Brenzikofer, R; Macedo, D.V; Scaglia, A.J

Ferreira, E.C. et al. A influência da dimensão do campo e número de jogadores nos aspectos táticos e técnicos em diferentes formatos de jogos, 2014. J Strength Cond Res, artigo para submissão.

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Título: A influência da dimensão do campo e número de jogadores nos aspectos táticos e técnicos em diferentes formatos de jogos.

Title: The influence of field size and number of players on tactical and technical aspects in game different formats.

Resumo

O treinamento com jogos tem sido implantado no futebol em todas as idades e níveis de jogo. Este método permite treinar os aspectos físicos, técnicos, táticos e emocionais de maneira concomitante. Assim o objetivo do estudo foi investigar a influência da dimensão do campo e número de jogadores nos aspectos táticos e técnicos em diferentes formatos de jogos. Para tanto, quatorze jogadores de futebol pertencente à categoria sub-20 participaram de três formatos de jogos: 3vs3+Gs (27 x 18 m), 6vs6+Gs (52 x 32 m) e 10vs10+Gs (105 x 64 m) em duas condições (Jogo Controle e Jogo de Manutenção). Os jogos foram filmados por até quatro câmeras de vídeos digitais. Posteriormente, as sequências de imagens foram analisadas no software Dvideo que possibilitou obter a posição de todos os jogadores em função do tempo e o registro das ações técnicas ocorridas. Os resultados evidenciaram que os jogos menores proporcionam maior carga técnica e mais situações de superioridade ofensiva. Enquanto que os jogos maiores verificam-se baixa carga técnica e mais situações de superioridade defensiva. Conclui-se com o presente que os diferentes formatos de jogos geram estímulos específicos nos jogadores. Assim, o treinador precisa considerar a dimensão do campo e número de jogadores para construir os jogos de acordo com os objetivos pedagógicos.

Palavras-Chave: futebol, jogos reduzidos, jogos conceituais, ações técnicas e táticas; Abstract

The training games have been deployed in soccer at all ages and levels of play. This method allows to train the physical, technical, tactical and emotional aspects concurrently. Thus the aim of the study was to investigate the influence of field size and number of players on the technical and tactical aspects of games in different formats. For this purpose, fourteen soccer players in category U20 participated in three formats of games: 3vs3 + Gs (27 x 18 m), 6vs6 + Gs (52 x 32 m) and 10vs10 + Gs (105 x 64 m) in two conditions (Control Game and Game Maintenance). The games were filmed by four cameras to digital video. Subsequently, the image sequences were analyzed in Dvideo software that allowed to obtain the position of all the players in function of time and the record of technical actions occurred. The results showed that the smaller games provide greater technical load and more situations of offensive superiority. While the biggest games are verified low technical load situations and more defensive superiority. We conclude with the present that the different game formats generate specific stimuli in the players. Thus, the coach needs to consider the size of field and number of players to build the games according to the pedagogical goals.

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76 6.1 - Introdução

Nos últimos anos, o treinamento com jogos (reduzidos ou formal) tem sido implantado no futebol em todas as idades e níveis de jogo (1). Este método de treinamento, muitas vezes, forma a base da periodização no futebol e permite desenvolver vários aspectos relacionados ao rendimento de maneira concomitante, tais como, físico, técnico e o tático (1-5). Reilly (6) destacou o valor dos exercícios com bola e em pequenos grupos, sugerindo que a preparação para a competição é otimizada quando as demandas técnicas, táticas e físicas são integradas dentro dos ciclos de planejamento. Dessa forma, treinar com jogos se torna uma ferramenta adequada para o ensino e o treinamento no futebol (7).

Originalmente os jogos reduzidos foram usados para o desenvolvimento das habilidades técnicas e táticas (5). Entretanto, estudos recentes têm focado no impacto dos vários tipos de jogos no condicionamento físico (3, 8), respostas fisiológicas como frequência cardíaca (9-11), VO2max (12, 13), lactato sanguíneo (5, 14, 15) e percepção

subjetiva de esforço (3, 5, 14), bem como nas características de movimentação do jogador, como distância total percorrida e velocidade de corrida (2, 3, 15). Portanto, há uma carência de estudos que foquem nos aspectos técnicos e, principalmente, nos comportamentos táticos em jogos reduzidos.

Nesse sentido, as pesquisas que investigam os comportamentos táticos no futebol tem se preocupado em verificar a associação desta variável com os elementos contextuais do jogo formal (16, 17), tais como, localização de jogo, qualidade da oposição, resultado momentâneo do jogo, substituições ou características psicológicas (motivação) (18-22). Nesses estudos, os pesquisadores verificaram que os elementos contextuais do jogo formal podem influenciar no comportamento tático dos jogadores.

Outros autores abordaram o tema sob a perspectiva dos jogos reduzidos (17, 23, 24). Dessa forma, a sua utilização dos jogos reduzidos em unidades de treino poderá decorrer a partir da manipulação das variáveis de constrangimentos, tais como número de jogadores, tamanho e a forma do campo, a duração dos períodos de exercício e descanso, disponibilidade de bolas, ausência ou presença do goleiro, maneira de marcar pontos ou os tipos de regras presentes no jogo (5, 25-31). Costa et. al.(23)verificaram que o aumento ou diminuição do tamanho de campo pode modificar os padrões de comportamento tático.

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Corroborando com tal constatação, Almeida et. al. (24) demonstraram que o formato de jogo claramente afeta a quantidade e a qualidade das ações realizadas e, consequentemente, as características das sequências ofensivas. E finalmente, Silva et. al. (17) observaram que os jogadores se comportaram de forma mais agressiva no 3vs3 e mais segurança no 6vs6. Embora esses estudos se preocupam em investigar os comportamentos táticos, parece haver uma falta de mais pesquisas, neste tema, em ambiente de treino.

Para uma intervenção pedagógica adequada em treinamento baseado em jogos é necessário compreender as manifestações técnicas e táticas geradas com a manipulação das variáveis de constrangimentos, especialmente os fatores relacionados com a dimensão do campo e número de jogadores (32). Dessa forma, o objetivo do presente estudo é verificar a influência da dimensão do campo e número de jogadores nos indicadores táticos de participação no centro de jogo (PCJ), densidade ofensiva [Igualdade Numérica (IN), Superioridade Defensiva (SD) e Superioridade Ofensiva (SO)] e nas ações técnicas nos formatos 3vs3+Gs, 6vs6+Gs e 10vs10+Gs em duas condições de jogos (controle e manutenção). Os resultados deste estudo contribuirão para que os treinadores possam melhor modular as sessões de treino de acordo com os objetivos técnicos e táticos.

6.2 - Métodos

6.2.1 - Abordagem experimental para o problema

Os jogadores foram submetidos a seis jogos conceituais em diferentes dimensões de campo e número de jogadores (Tabela 1). Os jogos, nos formatos 3vs3+Gs, 6vs6+Gs e 10vs10+Gs, foram realizados em duas condições, sendo que a primeira apresentava somente as regras oficiais do jogo de futebol (Condição 1: jogo controle - JCon) e na segunda foram adicionadas regras para enfatizar o principio tático operacional de manutenção da posse de bola (Condição 2: jogo de manutenção - JMan).

As regras adicionais foram: 1) cinco passes seguidos no campo ofensivo (um ponto); 2) transitar a bola de um corredor lateral ao outro (um ponto); 3) a equipe que fizesse o gol após cinco passes no campo ofensivo marcava oito pontos; 4) apenas dois toques na bola; 5) quando o jogador que descumprisse a regra número quatro, a sua equipe

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perdia um ponto. Todos os jogos tiveram a mesma duração de 30 minutos. Neste estudo não foram analisadas as ações dos goleiros. Os jogos foram precedidos por quinze minutos de aquecimento padronizado, sendo realizados no período da tarde sempre no mesmo horário.

Tabela 6.1. Características dos três formatos de jogos que foram utilizados no estudo com as respectivas dimensões de campo, área total, área por jogador e tempo de jogo.

Formatos

3vs3+Gs 6vs6+Gs 10vs10+Gs

Dimensão 27 x 18 m 52 x 32 m 105 x 64 m

Baliza Oficial Oficial Oficial

Área total 486 m2 1.664 m2 6.720 m2

Área por jogador 60,75 m2 118,8 m2 305 m2

Tempo de jogo 30 min. 30 min. 30 min.

6.2.2 - Sujeitos

Participaram do presente estudo quatorze jogadores de futebol pertencentes à categoria sub-20 (altura: 174.04 ± 6.93 cm, massa corporal: 66.58 ± 7.75 kg, percentual de gordura: 10.90 ± 2.90% e VO2max: 49.73 ± 5.03 ml.kg-1.min-1) de um clube filiado na

Federação Paulista de Futebol (membro da Confederação Brasileira de Futebol - CBF). Todos os jogadores têm histórico de ao menos quatro anos de prática na modalidade e experiência na metodologia de ensino pautada no jogo. Os participantes somente foram confirmados ao estudo após manifestação por escrito do termo de consentimento livre e esclarecido aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (CAAE: 10855912.0.0000.5404 e parecer nº 208.290).

6.2.3 - Procedimentos

Os jogos foram filmados por até quatro câmeras de vídeo digitais (JVC-Everio GZ- HM690 Full HD) nas configurações: resolução de 1080x1920, padrão NTSC, 30 Hz de frequência de aquisição e no formato de arquivo AVCHD (Advanced Video Codec High Definition). As câmeras foram posicionadas no ponto mais alto da arquibancada, em posição fixa, de forma a enquadrar todo o campo de jogo. Após a filmagem, a sequência de

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imagens de cada câmera foi transferida para disco rígido do computador (computador Intel ® Core ™ i7-2600k, 3.40GHz, memória RAM, 16 GB, placa de vídeo NVIDIA GeForce 9500 GT) e convertidos para o formato AVI (Audio Video Interleaved) com resolução de 480x640.

Foi criado um sistema de referências associado ao plano do campo no qual a linha lateral está associada ao eixo X e a linha de fundo ao eixo Y. As coordenadas reais do sistema de referência foram registradas através de uma trena laser Leica Disto™ D5 (precisão de 0,001 m) e um nivelador laser Bosch GPL 5C Professional. O DLT (Direct Linear Transformation) foi utilizado para a calibração e reconstrução bidimensional (33).

O Sistema Dvideo foi utilizado para obter a posição de todos os jogadores em função do tempo e o registro das ações técnicas ocorridas (34).

6.2.4 - Análise tática

O centro de jogo (CJ) compreende um círculo imaginário que foi medido a partir da posição da bola (Figura 6.1A). Sendo assim, respeitando o coeficiente de racionalização de densidade dos jogadores proposto por Costa (35), os valores utilizados para o CJ neste estudo foram de 5 metros para a situação de 3vs3+Gs, 7 metros para a situação de 6vs6+Gs e 9,15 metros para a situação de 10vs10+Gs (35, 36). Dessa forma foi possível quantificar a participação no CJ (PCJ) para cada jogador.

A cada situação ofensiva foi calculado quantos jogadores, companheiros e adversários, estavam à frente da linha da bola. Para isto, a partir da posição da bola foi traçado uma linha vertical paralela ao eixo y (Figura 6.1A). Sendo assim, a densidade ofensiva foi definida em três situações: 1) Igualdade Numérica (IN), isto é, quando a quantidade de jogadores da equipe em fase ofensiva era igual à da equipe em fase defensiva (Figura 6.1B); 2) Superioridade Defensiva (SD), isto é, quando a equipe em fase ofensiva estava em desvantagem numérica em comparação a equipe em fase defensiva (Figura 6.1C); e 3) Superioridade Ofensiva (SO), ou seja, quando a equipe em fase ofensiva estava em vantagem numérica em relação à equipe em fase defensiva (Figura 6.1D).

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Figura 6.1. Exemplo da medição dos indicadores táticos: Participação no CJ (A), Igualdade Numérica (B), Superioridade Defensiva (C) e Superioridade Ofensiva (D).

6.2.5 - Análise técnica

Para cada ação técnica foi registrado: i) qual ação foi realizada; ii) o jogador que a realizou; iii) e o resultado da ação (certo ou errado).As ações técnicas dos jogos registrados foram: passe, domínio, condução, finalização, desarme, interceptação. (Tabela 6.2). Após o armazenamento das informações dos jogos foi criado um algoritmo em ambiente Matlab® para identificar, organizar e quantificar as ações técnicas realizadas por cada jogador.

A carga técnica (CT) foi calculada através da soma de todas as ações técnicas realizadas pelo jogador (N) e multiplicado pelo tempo total de jogo (T) [CT = NxT].

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Tabela 6.2. Definições das ações técnicas utilizadas neste estudo.

Ações Definição

Ações Ofensivas

Passe

Jogador de posse da bola transfere a mesma para um companheiro de equipe. A ação foi considerada correta se a bola chegasse ao domínio do companheiro de equipe.

Domínio

Foi considerado domínio, a recepção da bola (com diferentes partes do corpo), no primeiro contato, a fim de amortecer e conservá-la próxima de si para manter a posse. A ação foi considerada correta quando o jogador conseguiu o controle da bola.

Condução

O jogador de posse da bola realiza três toques consecutivos com o objetivo de progredir ao campo adversário ou manter a posse da bola.

Finalização

O jogador de posse realiza o remate à baliza com o objetivo de marcar o gol. A ação foi considerada correta quando a bola atingisse a baliza sendo ou não defendida pelo goleiro.

Ações defensivas

Desarme

O desarme foi considerado o ato de “roubar” a bola do adversário, quando este tiver a sua posse. A ação foi considerada correta quando a posse da bola permanecesse com o jogador que realizou o desarme.

Interceptação

Ação em que o jogador em fase defensiva intercepta a trajetória da bola com objetivo de recuperar a posse da mesma para sua equipe. A ação foi considerada correta caso a posse da bola permanecesse com a própria equipe.

6.2.6 - Análise Estatística

A normalidade dos dados foi verificada com o teste Shapiro-Wilks. A comparação entre os jogos, da mesma condição, foi realizada com o teste de ANOVA para medidas repetidas. O post hoc de Bonferroni foi utilizado sempre que necessário para comparar os pares de jogos. Em todos os casos o nível de significância foi pré-fixado para P<0,05.

A qualidade dos dados foi confirmada através do teste de fiabilidade (correlação intra-observador). Sendo assim, o mesmo observador analisou um jogo por duas oportunidades, num intervalo de 15 dias. Os valores de coeficiente variaram entre 0.95 (desarme) e 0.99 (passe, condução e domínio).

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82 6.3 - Resultados

Nos indicadores táticos, foi possível identificar diferenças significativas entre os formatos de jogos controle em relação à PCJ (F= 174.1, p<0,01), IN (F= 427.7, p<0,01), SO(F= 70.5, p<0,01) e SD (F= 16.2, p<0,01). Nos jogos de manutenção foram verificadas diferenças significativas em relação à PCJ (F= 98.2, p<0,01), IN (F= 180.5, p<0,01), SO (F= 117.3, p<0,01) e SD (F= 37.2, p<0,01). Na figura 6.2 são apresentados os resultados do post hoc dos indicadores táticos.

Figura 6.2. Média e desvio padrão dos indicadores táticos: Participação no CJ (PCJ), Igualdade Numérica (IN), Superioridade Defensiva (SD) e Superioridade Ofensiva (SO) nos formatos 3vs3+Gs (486 m2), 6vs6+Gs (1.664 m2) e 10vs10+Gs (6.720 m2) em jogos controle (A) e manutenção(B).

Significa diferenças entre os formatos de jogos: 3vs3+Gs*, 6vs6+Gs# e 10vs10+Gs$; p<0,05.

Nas ações técnicas, foi possível verificar diferenças significativas entre os formatos de jogos controle em relação às ações de passe (F= 7.7, p<0,01), domínio (F= 30.6, p<0,01), condução (F= 27.6, p<0,01), finalização (F= 75.1, p<0,01), desarme (F= 9.8, p<0,01), interceptação (F= 12.4, p<0,01) e carga técnica (F= 66.3, p<0,01). Nos jogos de manutenção foram verificadas diferenças significativas em relação às ações de passe (F= 69.6, p<0,01), domínio (F= 48.0, p<0,01), desarme (F= 4.9, p<0,01), interceptação (F= 40.5, p<0,01) e carga técnica (F= 90.7, p<0,01). Não foram encontradas diferenças significativas entre os jogos de manutenção em relação às ações de condução e finalização. Os resultados do post hoc da CT e o desempenho técnico entre os formatos de jogos são indicados, respectivamente, na Figura 6.3 e Tabela 6.3.

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Figura 6.3. Média e desvio padrão da carga técnica nos formatos 3vs3+Gs (486 m2), 6vs6+Gs (1.664 m2) e 10vs10+Gs (6.720 m2) em jogos controle e manutenção.

Significa diferenças entre os formatos de jogos: 3vs3+Gs*, 6vs6+Gs# e 10vs10+Gs$; p<0,05.

Tabela 6.3. Média e desvio padrão das ações técnicas nos formatos 3vs3+Gs, 6vs6+Gs e 10vs10+Gs em jogos controle e manutenção.

Jogos Controle Jogos de Manutenção

3vs3+Gs 6vs6+Gs 10vs10+Gs 3vs3+Gs 6vs6+Gs 10vs10+Gs

Passe 29,7±7,0c 24,7±6,6 18,7±7,4a 69,8±8,7e,f 48,0±9,8d,f 28,9±5,2d,e

Domínio 36,4±6,6b,c 22,8±6,2a,c 15,1±6,7a,b 48,0±8,1e,f 29,4±8,9d,f 18,3±4,6d,e

Condução 20,5±6,6b,c 11,9±4,2a,c 7,8±4,1a,b 0,2±0,4 0,0±0,0 0,0±0,0

Finalização 14,9±3,9b,c 4,1±2,0a,c 0,2±0,4a,b 0,71±0,8 0,6±0,7 0,0±0,0

Desarme 5,0±2,7c 3,4±1,8 1,7±1,7a 3,3±1,7f 2,5±1,9 1,3±1,2d

Interceptação 6,5±3,3b,c 3,8±2,6a 2,5±1,7a 12,5±3,8e,f 6,9±2,8d,f 3,5±2,3d,e

Significa diferenças em relação aos jogos controle: 3vs3+Gsa, 6vs6+Gsb e 10vs10+Gsc; p<0,05. Significa diferenças em relação aos jogos de manutenção: 3vs3+Gs d, 6vs6+Gse e 10vs10+Gsf; p<0,05.

6.4 - Discussão

O objetivo do presente estudo foi verificar a influência da dimensão do campo e número de jogadores nos indicadores táticos e nas ações técnicas em duas condições de jogos (controle e manutenção). Através do presente estudo foi possível verificar que os

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indicadores táticos e a carga técnica apresentaram diferenças significativas entre os formatos de jogos da mesma condição.

Nas duas condições de jogos, os resultados mostram que quanto maior a dimensão do campo e número de jogadores menor é a PCJ. Sendo assim, pode-se inferir que nos formatos menores, o jogo fica mais concentrado fazendo com que os jogadores participam mais ativamente dentro CJ, consequentemente, o portador da bola sofre uma pressão maior e constante. Contrariamente, os formatos com configurações maiores, a pressão no CJ é exercida em regiões especificas do campo de jogo. O CJ é a principal referência espacial para se cumprir os princípios táticos fundamentais do jogo de futebol, os jogadores posicionados dentro, próximo ou longe podem contribuir tanto ofensivamente quanto defensivamente para o desempenho tático da equipe. Costa et al. (37) relatam dez princípios táticos fundamentais do jogo de futebol, sendo cinco ofensivos (penetração, cobertura ofensiva, espaço, mobilidade e unidade ofensiva) e cinco defensivos (contenção, cobertura defensiva, equilíbrio, concentração e unidade defensiva). No entanto, apenas cinco princípios estão diretamente relacionados com o posicionamento dentro ou próximo ao CJ são eles: penetração, cobertura ofensiva, contenção, cobertura defensiva e equilíbrio. Silva et. al (17) compararam o comportamento tático em jogos nos formatos 3vs3 e 6vs6, e verificaram que nos jogos de 3vs3 os jogadores desempenharam mais ações táticas em comparação aos jogos 6vs6. Nos jogos 3vs3, ocorreram mais ações táticas de penetração, mobilidade em profundidade, contenção e unidade defensiva. Enquanto que nos jogos 6vs6, observaram mais ações de unidade ofensiva, cobertura defensiva e equilíbrio. Esses resultados em conjunto com os observados no presente estudo, sugerem que, em função dos objetivos táticos, o treinador deve considerar a dimensão do campo e o número de jogadores no momento de planejar os treinamentos com jogos.

Observa-se que nos jogos controle quando se aumenta dimensão do campo e o número de jogadores ocorre um decréscimo significativo nas situações de IN. No entanto, nos jogos de manutenção nota-se um aumento, não significativo, no 6vs6+Gs em comparação ao 3vs3+Gs. Este aumento pode estar relacionado com a inclusão das regras nos jogos de manutenção que induz mais situações de equilíbrio numérico. Pode-se considerar as situações de IN como o limiar entre a superioridade ofensiva e defensiva. A

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equipe em fase ofensiva que explora bem as situações de IN pode evoluir, rapidamente, para SO e desequilibrar momentaneamente a organização defensiva adversária. Contrariamente a equipe em fase defensiva pode evoluir para uma situação de superioridade numérica e oferecer mais segurança ao sistema defensivo. Dessa forma, os resultados do presente estudo mostram que nos jogos 3vs3+Gs (manutenção e controle) as situações de igualdade numérica evoluem mais para situações de SO, enquanto que no 6vs6+Gs e 10vs10+Gs para situações de SD.

Nas duas condições de jogos (manutenção e controle) o aumento na dimensão do

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