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Mardi 24 novembre 2020

M. Franck Montaugé. – Nous sommes aussi très favorables à cet amendement

A observação participante refere-se à inserção do pesquisador no cotidiano do grupo pesquisado para que seja possível a vivência e o partilhamento de experiências que tornem compreensíveis as lógicas de significação daquelas pessoas. Desse modo, referimo-nos à inserção em espaços do cotidiano doméstico ou de trabalho para apreender as práticas sociais cotidianas, as relações familiares, os hábitos de consumo de bens materiais e simbólicos. Em um caso específico (Miriam), a observação se deu de forma mais espaçada, entre outubro de 2013 e março de 2014. Nos outros seis casos, deu-se de forma mais intensa, entre janeiro e março de 2014, e encontros mais esporádicos, entre outubro e dezembro de 201461.

Ao todo, foram realizados 88 encontros (uma média de 12,5 para cada informante), sendo a maior parte no ambiente doméstico ou profissional das mulheres estudadas. Nesses encontros, realizaram-se as demais técnicas de coleta previstas: as entrevistas e a assistência compartilhada das campanhas publicitárias. Também houve encontros em outros lugares (cafés, restaurantes e praças), sendo estes casos normalmente a pedido das entrevistadas por conveniência de seu horário de trabalho. Durante as visitas, foi possível vivenciar algumas experiências importantes, como a participação efetiva como ajudante em seus trabalhos ou a partilha de momentos familiares, como refeições e confraternizações.

Para a realização da etnografia, o ambiente doméstico foi considerado como espaço privilegiado para a observação, uma vez que possibilitou a aproximação com as mulheres e a visualização de sua relação com a publicidade em seu cotidiano. Além disso, a esfera doméstica é reconhecida como um recorte do mundo social, sendo, portanto, um “locus para a captação da experiência dos sujeitos com suas trajetórias familiares e individuais que são, concomitantemente, espaciais, temporais (memória), profissionais, educacionais e culturais” (RONSINI, 2003, p. 46).

Na observação, foi possível manter contato com as informantes no espaço doméstico em cinco dos sete casos (Maria; Clara; Lia; Dulce e Carolina). A frequência na casa das mulheres foi muito importante para presenciar seu cotidiano, as relações pessoais e de trabalho, bem como aspectos ligados às práticas sociais que revelavam de forma mais

61O intervalo na observação entre abril e outubro de 2014 deu-se em função da realização do doutorado

sanduíche. O contato, no entanto, manteve-se com todas as entrevistadas nesse período. Como todas elas eram “amigas” em meu perfil na página do Facebook, além de um acompanhamento indireto de suas rotinas (que foi possível através de suas atualizações na rede social), em vários momentos as mulheres me escreviam para perguntar como estava a viagem ou para dizer que sentiam falta das nossas conversas.

evidente seus habitus de classe ou de gênero - como as divisões das tarefas domésticas e a disposição e uso dos objetos. Foi perceptível que, entre as participantes com quem houve o contato em domicílio, a relação tornou-se mais íntima e o grau de confidência da entrevistada foi maior. Além do sentido de aproximação por estar na casa da informante, a convivência com membros da família (filhos, maridos e mães) ajudou a estreitar os laços e a fortalecer a confiança da entrevistada ao falar de situações privadas, por vezes ainda não reveladas a qualquer outra pessoa “de fora” do contexto (como questões de violência doméstica, problemas com alcoolismo ou conflitos familiares mais íntimos).

Para Roberto Cardoso de Oliveira (2000), a entrevista realizada na observação participante deve sempre considerar a diferença de posição existente entre entrevistado e pesquisador. É nesse aspecto que a postura do entrevistador interfere diretamente na relação entre ambos, sendo necessário um “cuidado do ouvir”, que supera a noção de neutralidade ou objetivismo em obter respostas aos questionamentos. Para que haja interação, é preciso que o entrevistador abdique da situação de “poder” na condução da conversa e permita que se construa um diálogo, em que o informante seja transformado em interlocutor e que, com os horizontes semânticos mais próximos, pesquisador e informante sejam ouvidos igualmente.

Para Bourdieu, as narrativas autobiográficas presentes nas entrevistas de campo, muitas vezes, assemelham-se a um “modelo oficial da apresentação de si”, em que o entrevistado se torna um “ideólogo da própria vida”, buscando coerência e relações causais entre os acontecimentos narrados – além, claro, de selecionar (mesmo que de forma inconsciente) os fatos descritos conforme pareça mais conveniente ou confortável expor. Segundo o autor, essa situação é fruto da familiarização dos investigadores “com questionários das pesquisas oficiais - cujo limite é o interrogatório policial ou judiciário” (BOURDIEU, 2005, p. 80). O pesquisador, nesse caso, afasta-se da “lógica da confidência”, presente nos espaços em que o sujeito se sente entre pares. Assim, Bourdieu avalia que a narrativa de vida observada vai variar em forma e conteúdo conforme se construa a situação da pesquisa, ou seja, conforme se alcance a situação de confidência (ibidem).

Durante a pesquisa, a situação de diálogo descrita por Cardoso de Oliveira foi alcançada, mas com todas as mulheres foi necessário tempo para que essa aproximação ocorresse, e esse tempo variou em cada caso. Algumas participantes, especialmente as que eu já conhecia (Lia e Maria), falaram de questões de sua intimidade no primeiro encontro. As demais, de acordo com sua personalidade mais espontânea (Dulce, Carolina e Débora) ou mais reservada (Débora e Miriam) demandaram mais ou menos tempo para que a abertura necessária fosse alcançada. Superar as barreiras que marcavam a diferença entre mim e as

entrevistadas não era apenas uma questão de vontade, era preciso que se estabelecesse confiança.

Nesse sentido, um cuidado que tive desde o princípio foi de reservar os temas mais delicados, como questões familiares ou diferenças de classe, para o momento da observação em que a situação de confidência, como diz Bourdieu, tivesse sido alcançada. Em vários momentos a aproximação dos horizontes semânticos, a situação em que ambas eram ouvidas igualmente, fez-se a partir do meu depoimento, ou de exemplos meus atribuídos a terceiros que eu introduzia em nossa conversa. Falar de casos reais da vida de outras mulheres ou de mim mesma abriu portas para que elas, sentindo-se iguais, pudessem falar abertamente de suas próprias vidas.

Conforme o tempo de observação transcorria e a relação permitia, fui tratada, muitas vezes, como alguém da casa, sem que houvesse maiores constrangimentos em situações desconfortáveis como algum desentendimento com os filhos ou reclamações sobre o marido ou outros familiares. Em duas ocasiões (Lia e Maria), fui convidada para “chás de casa nova”, celebrações íntimas que contavam no máximo com 10 mulheres presentes. Em algumas situações, as informantes declaravam que deixavam o tempo reservado para estar comigo, pois as nossas conversas faziam bem, “ajudavam a pensar sobre a vida” (palavras da Débora).

Com todas as sete informantes foi possível frequentar o seu ambiente de trabalho, uma vivência bem interessante tendo em vista a relevância que o tema tem na pesquisa. Apenas no caso de Miriam, que tem duas profissões (agente penitenciária e depiladora), a frequência deu-se apenas no salão de beleza, não sendo possível conhecer seu trabalho no presídio. A presença no local de trabalho, embora muito relevante para a observação, por vezes, provocou alguns constrangimentos por parte das entrevistadas – como a interrupção pela chegada de algum colega (Lia e Miriam) ou dos patrões (Maria e Dulce). Entre as entrevistadas autônomas, cujo ambiente de trabalho se incorpora ao doméstico (Clara, Débora e Carolina), além de não haver constrangimentos no que diz respeito a agentes externos (colegas ou patrões), foi mais fácil perceber as tensões pela divisão do tempo entre trabalho doméstico e trabalho produtivo/remunerado.

A imersão no cotidiano dessas mulheres possibilitou acompanhar sua relação intensa com o trabalho e a consequente falta de tempo. Com exceção das que exercem atividades domésticas remuneradas (Maria e Débora), todas as outras trabalham nos fins de semana e em jornadas que chegam a 12 horas por dia. Quando consideradas as horas dedicadas ao trabalho reprodutivo, os momentos de descanso eram raros. O acompanhamento de suas rotinas, portanto, tinha que considerar esse contexto. Desse modo, nos dois casos (Dulce e Miriam)

em que as entrevistadas tinham menos tempo disponível (restava-lhes como folga uma tarde por semana), tornei-me cliente de seus serviços. Marcávamos em horários mais próximos ao fim do expediente ou do intervalo de almoço para que fosse possível estender nosso encontro. Em outros três casos, mesmo visitando seus ambientes de trabalhado, a observação de suas atuações profissionais na prática era parcial: Clara e Carolina paravam de trabalhar para me receber (apenas atendiam ao telefone de clientes quando necessário) e Lia não estava em sala de aula durante nossas entrevistas. Assim, solicitei participar de suas atividades profissionais como ajudante durante um dia. Fui professora auxiliar de Lia em uma turma com crianças entre 4 e 5 anos; trabalhei como auxiliar de cozinha de Carolina numa encomenda de 800 salgados e 500 doces e ajudei como atendente no bar de Clara em diversas funções: servindo a bebida no balcão, recebendo os pedidos no caixa, lavando louça, entregando galetos e fazendo salada de maionese. Embora a participação ativa não fosse uma exigência metodológica nem cumprisse parte de algum objetivo da pesquisa, experimentar a atividade profissional de algumas delas foi uma vivência muito significativa para a pesquisa. Sentir o ritmo, o cansaço e as exigências das suas atividades me ajudou a compreender o que falavam sobre o trabalho: suas reclamações, as dificuldades, os planos e as recompensas.

No que diz respeito diretamente à recepção e consumo da publicidade, a observação participante tinha que considerar as especificidades da relação das mulheres com esse discurso no cotidiano, como a interrupção da audiência, a assistência não concentrada ou não intencional. Em função disso, o olhar voltado também para as práticas de consumo se fez essencial, para que se pudesse compreender a significação atribuída pelas mulheres a bens materiais e simbólicos através de representações que são construídas ou reforçadas pela publicidade. Nesse sentido, estar no ambiente doméstico facilitou a observação, através da preferência por determinadas marcas, a frequência e o modo de organização das compras, os critérios de escolha dos bens e as estratégias de economia doméstica que puderam ser presenciadas durante a etnografia.

Quanto aos usos e apropriações das representações presentes nos comerciais e campanhas publicitárias, em princípio, a observação não foi planejada para se concentrar na recepção de um meio ou de campanhas/anúncios específicos. Consideramos prudente, primeiramente, mapear a relação entre as mulheres e a comunicação publicitária através das entrevistas e de acordo com as suas práticas cotidianas para, posteriormente, focar a observação entre os comercias e os respectivos formatos que tivessem maior representatividade para o grupo estudado.

Assim, considerando as diferentes particularidades do discurso publicitário e sua respectiva recepção, a questão sobre como analisar a relação das mulheres sujeitos com os anúncios persistiu como uma reflexão metodológica a ser ponderada durante toda a pesquisa. Para tanto, partimos do princípio de que não seria possível recortar as campanhas que seriam observadas (nem no que diz respeito à linha de produtos ou aos meios em que circulava), pois isso induziria a assistência e afastar-se-ia da situação cotidiana da recepção.

Por outro lado, dada a situação da recepção fragmentada e involuntária (as mulheres têm acesso à publicidade várias vezes por dia sem que se programem ou mesmo desejem o contato com este discurso), consideramos que não seria possível repetir o método da assistência compartilhada tal como ocorre com as pesquisas que analisam a recepção de conteúdos televisivos predeterminados a partir de uma preferência e em um horário programado, como é o caso da telenovela ou telejornal. O que tínhamos como certo era que não seria possível “abrir mão da captura in loco da experiência, pois ela define o objeto e o método de pesquisa da recepção” (RONSINI, 2010, p. 5). Seria preciso, então, adaptar o método à realidade exigida pelo contexto da recepção publicitária.

Tendo em vista a impossibilidade de estar presente de forma constante junto às informantes para observar os diferentes momentos de contato com o conteúdo publicitário, decidiu-se, em princípio, utilizar o recurso da fotografia no trabalho de campo. A proposta consistia em incluir as participantes de forma ativa na pesquisa e solicitar que registrassem as mensagens que identificassem como publicidade voltada para o público feminino (desde os formatos tradicionais até estratégias de publicização), sem maiores direcionamentos.

Apesar de ter a concordância de todas as participantes, o método, na prática, não teve o efeito esperado. Num primeiro momento, a barreira tornou-se visível, porque havia uma dissonância entre o momento em que a informante via a publicidade e a possibilidade de seu registro: o sinal abriu antes que se fotografasse o outdoor ou o comercial na TV acabou antes que se alcançasse a máquina. Além disso, havia uma sensação de frustração por parte de algumas mulheres quando se esqueciam de fazer o registro, como se não tivessem “cumprido a tarefa de casa” (palavras de Clara). Como já tínhamos em mente que a recepção publicitária exigia cautela no que diz respeito à sua observação e análise, consideramos importante que a estruturação do método estivesse aberta às intercorrências do campo, sendo possível adaptá-lo e reestruturá-lo sempre que necessário.

Assim, adaptamos a proposta e solicitamos às entrevistadas que fizessem registros de forma livre de cinco anúncios voltados para o público feminino que chamassem sua atenção no cotidiano (anotando onde viram, o produto/marca e uma breve descrição). De posse das

informações, buscamos capturar o material citado para um posterior encontro de assistência conjunta com a respectiva informante que os tinha selecionado. Desse modo, além dos anúncios citados durante as entrevistas ou espontaneamente nos encontros, formamos um conjunto de 35 comerciais selecionados pelas próprias mulheres, que foram analisados de forma sistemática a partir de um instrumento específico.

Desse modo, em encontro posterior aos registros feitos pelas informantes, aplicamos um roteiro de questões62 para identificar os seguintes aspectos: suas percepções sobre as representações da mulher nos anúncios em comparação com uma autorrepresentação, a percepção de rastros que refletiam o trabalho feminino, o entendimento que elas tinham sobre o público projetado para aquela comunicação e, por fim, a relação que elas observavam entre o anúncio/o produto anunciado e suas práticas de consumo.

Uma parte significativa do tempo da observação foi dedicada à realização das entrevistas em profundidade, tidas como uma “técnica qualitativa que explora um assunto a partir da busca de informações, percepções e experiências de informantes para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada” (DUARTE J., 2011, p. 62). Nesse sentido, as entrevistas desta pesquisa foram elaboradas a partir dos objetivos e dos eixos de construção e análise do objeto de estudo, sendo fundamentais para se obter o acesso ao “ponto de vista nativo”, ou o modo de construção das significações das mulheres observadas sobre o tema.

Para tanto, foram elaborados 11 roteiros semiestruturados63 que totalizam 331 perguntas a serem aplicadas a cada uma das entrevistadas. Os instrumentos foram sistematizados conforme a temática ou o objetivo proposto. Apesar de haver um roteiro, seu formato semiestruturado permitiu a inclusão de outras questões que possibilitassem aprofundar algum aspecto elucidado pela entrevistada durante a conversa, conforme a situação sugeria. Na perspectiva da socialidade, para poder traçar um perfil da participante e compreender as conexões existentes entre sua posição social, sua história de vida, suas experiências cotidianas e os modos de apropriação do conteúdo publicitário, foram elaborados os roteiros intitulados “perfil” e “entrevista aberta”. Nesses instrumentos, procuraram-se abordar aspectos mais subjetivos, como a construção de uma autodescrição, a exposição de sonhos e desejos, além de retrospectiva de histórias, organização de rotinas e vivência de conflitos no ambiente familiar, escolar e de trabalho.

Também na perspectiva da socialidade, para melhor cruzar os eixos de análise com a recepção e consumo da publicidade que representa o trabalho feminino, elaboraram-se quatro

62 Roteiro para a assistência compartilhada está disponível no Apêndice da tese. 63Os roteiros das entrevistas em profundidade estão disponíveis no Apêndice da tese.

instrumentos que abordam especificamente as vivências e percepções das entrevistadas sobre os temas transversais: “espaço doméstico”, “beleza/estética”, “formação escolar” e “uso do tempo livre”. Nestes, além de questionar o modo como as mulheres lidam com estas atribuições e valores, procurou-se associá-los à perspectiva de gênero e à noção de classe, de modo a buscar compreender o quanto as mulheres entendem, por exemplo, de que maneira o espaço doméstico e a beleza são preocupações femininas e de que modo a posição social altera esta relação. Os quatro instrumentos procuram também levantar as campanhas publicitárias e marcas mais lembradas pelas mulheres em situações que remetam a estes subtemas, bem como questionam a opinião das informantes sobre o modo como as mulheres são representadas nestas campanhas.

Para compreender as dimensões presentes na mediação da ritualidade, o que corresponde a perceber a inter-relação do consumo cultural, consumo midiático, consumo de bens materiais e simbólicos com os usos e competências de leitura da publicidade, foram elaborados os instrumentos intitulados “consumo” e “consumo cultural e midiático”64. Nestes,

procurou-se dimensionar os tipos de exposição e as preferências de consumo cultural e midiático das entrevistadas, suas práticas de consumo e predileções por produtos e marcas, além de questionar sua relação e a percepção que têm da publicidade na sua rotina.

Por fim, tendo em vista a necessária interlocução entre os dados empíricos e os eixos teóricos que norteiam o problema de pesquisa, percebeu-se a necessidade de elaborar três instrumentos que se detivessem especificamente às questões de gênero, classe e trabalho. Nestas entrevistas sobre gênero, parte-se das experiências e das reflexões das informantes para observar conceitos como maternidade, feminilidade, família e a relação com homens.

No que diz respeito à classe, procurou-se observar a percepção das mulheres sobre gosto, estilo de vida, ascensão social, desigualdade, meritocracia e relações entre pessoas de condições socioeconômicas distintas. Já no instrumento relativo ao trabalho, procurou-se apreender as perspectivas das entrevistadas sobre o lugar do trabalho em suas vidas, os vínculos estabelecidos no ambiente de trabalho, as expectativas de ascensão profissional, os atributos necessários para a colocação no mercado, bem como as diferenças de gênero no que diz respeito às competências profissionais e à invisibilidade do trabalho doméstico.

Os dados coletados na etapa das entrevistas em profundidade foram primordiais para a construção do objeto de estudo desta pesquisa. A partir das entrevistas foi possível ter acesso

64 Tendo em vista a possibilidade de testar e adaptar métodos empregados em pesquisas já aplicadas, este

à experiência de vida das informantes segundo seus próprios termos, que, por sua vez, permitem “o acesso a urdidura de significações que circulam na cotidianidade” produzidas na recepção (VILELA, 2006, p. 47). No total, foram realizados 88 encontros para realizar as entrevistas com as sete mulheres. As gravações totalizaram 106 horas, que resultaram em 1038 páginas de transcrição. Embora tenha sido um trabalho longo e exaustivo, o resultado, no que diz respeito à aproximação com as entrevistadas e a densidade dos dados obtidos, foi compensador.