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Les Français et les médias

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ANALYSE ET DISCUSSION

3. Les Français et les médias

Pode-se notar, pela leitura das revistas da época, em especial as edições da revista Acrópole, que, desde a década de 1930, outros cômodos da residência passaram a ganhar relevância e receber mais atenção, como é o caso da cozinha e dos banheiros. A gradual mudança desses espaços de serviço deve-se ao crescimento da classe média e à diminuição da presença de empregados, e também porque esses ambientes passam por profundas transformações culturais, pois deveriam harmonizar-se com as premissas da casa moderna, que teria de ser higiênica e asséptica, ou seja, assumindo que “a principal função da casa era ser uma fonte de bem estar físico e de saúde”.18

Figura 14 - Cozinha Planejada. Fonte: Acrópole n° 5 , 1938, p. 10.

Assim, enquanto os ambientes sociais mantinham a decoração e arranjo mais tradicionais, os ambientes de serviço e higiene se “modernizaram” mais rapidamente.

18

Em 1938, já se encontra na Acrópole a propaganda de uma cozinha planejada (fig. 15). O desenho está de acordo com as exigências da cozinha moderna: os armários brancos, de cantos arredondados e aberturas para ventilação, com pés que permitiam a limpeza do chão; a geladeira (uma novidade) também branca, e ainda não elétrica; as paredes revestidas de azulejo; o piso revestido de cerâmica; a luminosidade proporcionada pela janela mais ampla, com um vaso de plantas no peitoril, indicando um local fresco e arejado, onde também há uma cortina e uma persiana; e o relógio na parede, acima da geladeira, que não é muito alta, assim como o outro armário. Esta composição mostra um ambiente limpo, higiênico, arejado, prático, funcional e claro.

Em uma edição da Acrópole n° 3 de 1938, há um artig o publicado por Henrique Mindlin, intitulado “Organização racional da Cozinha”, em que o arquiteto afirma a importância da organização eficiente da cozinha de uma residência:

No projeto geral da casa, o objetivo é de atingir as três condições fundamentais da habitação moderna: - muita luz, muito ar, e circulação fácil, clara, entre as peças cujas funções se relacionem. No da cozinha o fim colimado (sic) é a disposição de todos os aparelhos, armários, etc., de modo a estarem, no momento de sua utilização, no lugar mais cômodo para a pessoa que trabalha.19

No decorrer do texto, Mindlin discorre sobre como deve ser o projeto da cozinha e como os “centros de trabalho”20 devem ser dispostos (fig. 16). Ele afirma que há três centros de trabalho, o de “armazenagem e preparação dos alimentos”, o de “lavagem e limpeza” e o “fogão e o lugar onde são dispostos os pratos a serem servidos”. E, nesta organização dos três centros, ele os subdivide de acordo com as funções de cada um. O primeiro centro se comporia da geladeira, armário-despensa e, sobre o armário, uma “superfície de trabalho para a preparação dos alimentos que

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Mindlin, Henrique. “Organização Racional da Cosinha”. In: Acrópole n° 3 de 1938, pág. 25. 20 Idem, p. 25.

devem ir ao fogão. A pia, portanto, deve estar perto, pois a água é necessária em muitas operações”. Também os utensílios deveriam se encontrar perto para facilitar o serviço. O segundo centro se comporia da pia, um “despejo” e armário para utensílios de limpeza, na parte inferior, que “deve ser localizado em frente à janela e entre os dois outros centros”. O terceiro consiste “no fogão, que deve ter, de um lado, uma superfície complementar para a preparação dos alimentos e, de outro, um lugar onde os pratos a serem servidos possam ser arrumados”. Neste centro, ficariam armazenados os pães, biscoitos, “e se deve encontrar a tábua de cortar pão”.

Figura 15 - Planta racional e vistas da cozinha proposta por Mindlin. Fonte: Acrópole n° 3, 1938, p. 26.

Mais adiante, o autor afirma que é preciso um estudo das capacidades necessárias para o dimensionamento da cozinha e dos centros de trabalho. Isto poderia ser feito de acordo com o número de utensílios e seria importante não pelo número de pessoas as quais se destina a casa, mas “ao número máximo de leitos admissível, de acordo com a planta”, ou seja, a dimensão deveria prever uma “folga de grande importância, que não só atende à possibilidade de crescimento da família, como também à eventualidade de venda da propriedade a uma família mais numerosa”.21

Mindlin continua seu artigo descrevendo como deveria ser a planta ideal para a cozinha, em L ou em U, sendo a última preferível, “pois é a que proporciona um arranjo mais compacto das várias partes, reduzindo as distâncias ao mínimo possível”.22 A primeira disposição, em L, seria somente para cozinhas muito pequenas. Ele coloca um esquema da planta ideal como exemplo, ilustrando como a circulação seria racionalizada e prática se estivesse de acordo com o desenho (fig. 15).

Este texto tem importância fundamental para a formação do pensamento moderno sobre uma cozinha. São diretrizes, como as propostas por Mindlin, que irão consolidar o modelo de cozinha moderna nas residências, perdurando por muitas décadas depois.

Em uma edição da Acrópole n°11 de 1939, foi publica da uma reportagem de uma residência de autoria do arquiteto Eduardo Knesse de Mello, que mostra mais imagens dos banheiros e da cozinha funcionais do que de outros cômodos da residência. A ambientação interna da casa é moderna, como podemos ver pela

21

Idem, p. 25.

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ambientação da sala de estar (fig. 16), que não possui ornamentos exagerados, bem como poucos móveis, de desenho quadrado, e os tapetes de cores claras. Mas a cozinha é um exemplo de modernidade e funcionalidade (figs.17 e 18), pois é espaçosa, repleta de armários planejados embutidos, com espaços planejados para a geladeira, o fogão e as bancadas de trabalho, com alturas e proporções ideais. Um projeto racionalizado, como Mindlin havia propagado anteriormente.

Figura 16 - Residência projetada por Eduardo Knesse de Mello – Sala de Estar. Fonte: Acrópole n°11, 1939, p. 15.

Figuras 17 e 18 - Imagens da cozinha da residência. Fonte: Acrópole, n°11, 1939, p. 15.

A partir de 1944, podemos notar como a cozinha e o banheiro foram ganhando mais importância nas publicações, devido ao número de propagandas encontradas em cada edição. Inúmeros equipamentos para a cozinha e para os banheiros foram sendo lançados: os chamados “gabinetes de aço”, fabricados em série, além de serem econômicos, simbolizavam a eficiência na limpeza doméstica. Se a cozinha já vinha sofrendo significativas mudanças desde a década de 1930, a partir dos anos de 1950 as ofertas de diferentes materiais, como azulejos, pias de inox, equipamentos elétricos de cozinha e tipos de armários aumentaram significativamente.

A partir da década de 1950, nota-se nas publicações que os equipamentos para os banheiros, na revista Acrópole, agora também têm o intuído de “sofisticar” esse ambiente, e o mesmo acontecia com a cozinha. Começaram a ser produzidos equipamentos coloridos, como pias, vasos sanitários e banheiras, marcando a década de 50 como a dos banheiros de diversas cores. Havia também várias opções de azulejos decorados surgindo no mercado, e os banheiros que antes eram somente brancos foram ganhando outros tons. A referência de eficiência a partir dessa época não era mais apenas a utilização de peças e revestimentos brancos, mas as superfícies fáceis de limpar. A cor começava a ser associada à moda, acompanhando e harmonizando-se com aquelas utilizadas nas paredes da residência, nos estofados e nos tecidos que compunham as ambientações.

É possível ser vista a configuração proposta, na próxima imagem (fig. 19), através de uma propaganda da “Celite”, marca que fabrica louças sanitárias para banheiros até os dias de hoje. As cores disponíveis eram: “azul-hortênsia, marfim, azul-pastel, verde-jade, amarelo-canario e verde-esmeralda”. Estas cores, em tons pastéis, características da década de 1950, aparecem formando o conjunto do ambiente, pois não só as louças são coloridas como também os azulejos e objetos. A primeira propaganda declara:

Também em outras lindas e modernas tonalidades. Fabricados com primorosa perfeição técnica, em linhas modernas e nas cores mais encantadoras, os conjuntos sanitários CELITE definem tendências e são indispensáveis nos ambientes de requintado bom gosto.23

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Figura 19 - Anúncio de Conjuntos Sanitários Coloridos da Celite. Fonte: Acrópole n° 205, 1955, p. 12.

O mesmo acontecia com as cozinhas, como podemos ver na figura n° 20, propaganda da “Fiel-Copa”, marca que estava disponibilizando gabinetes de cozinha em aço, modulares, nas cores: branco, “creme”, “verde mar” e “azul marinho”, que declara:

Concentra as tarefas da Dona de Casa numa pequena área, poupando energias e acelerando o trabalho. Mais bela, higiênica e durável. Permite maior aproveitamento da cozinha.24

Figura 20 - Propaganda de uma fabricante de gabinetes para cozinha. Acrópole n° 205, 1955, p. 23.

Anos mais tarde, a Celite (fig. 21) também começava a produzir pias para cozinhas, feitas de porcelana “cozidas a mais de 1.000 graus”. A importância de instalar essas pias se dava porque, segundo a propaganda, “não riscam, resistem ao atrito e à água fervendo e são imunes aos ácidos. Fabricados em 4 tamanhos, em todas as cores CELITE”25. A mistura de diferentes cores na cozinha proposta para esta propaganda é característica da época, começo dos anos 1960.

Figura 21 - Anúncio de pias para cozinha da Celite. Fonte: Acrópole n°263, 1960, p. 17.

Podemos notar diante de todas essas imagens como os banheiros e as cozinhas tem sua modernização aceita de forma mais rápida do que as propostas de modernização de outros cômodos da residência. Enquanto os objetos de decoração, móveis e equipamentos para a casa vão se modernizando gradativamente, já desde a década de 1930, e com muito mais força a partir dos anos 1950, as cozinhas e os banheiros tomam a dianteira do moderno e, partir da década de 1950, já eram tão bem aceitas que as indústrias começam a introduzir variações de cores e diferentes acabamentos e texturas.

Após 1950, a casa moderna e os hábitos modernos tornam-se gradativamente o “padrão”, com a busca incessante pela estética higiênica, manifestada por meio dos equipamentos, cores, revestimentos e utensílios, e ainda os espaços integrados, mais arejados e amplos, sem muitos móveis e sem ornamentos, conformando a racionalização da ambientação interna proposta.

Fatores que se consolidaram e passaram a fazer parte da vida cotidiana das pessoas.

Segundo Capítulo: Casas Paulistas Modernas

Este capítulo irá apresentar as análises de obras de dois arquitetos contemporâneos a Artigas: Gregory Warchavchik, escolhido por sua idéia precursora de projeto da Casa Modernista da Rua Itápolis em 1930, na qual ele apresenta os interiores arquitetônicos de forma inédita para a época, unindo arquitetura e arte, ao promover a exposição que marcaria o começo da divulgação da casa e as ambientações modernas; e Lina Bo Bardi, arquiteta que escreveu significativos textos sobre a obra de Artigas, além de ter trabalhado em conjunto com o arquiteto na fabricação de alguns móveis desenhados por ele e pelo estúdio Arte Palma, e escolhida também por sua Casa de Vidro, uma das mais significativas obras que exemplificam a arquitetura da década de 50, com seus interiores repletos de misturas de elementos, texturas e móveis de variados estilos.

Por fim, abordará o programa das Case Study Houses, divulgado pela revista Arts e Architecture, que modificou o panorama da arquitetura moderna americana no pós Segunda Guerra, a partir de 1945, modificando também os paradigmas do morar moderno e servindo de exemplo para arquitetos de vários países, inclusive aqui no Brasil. Suas publicações de interiores arquitetônicos, além de servirem de modelo de ambientação moderna, sugeriram certo comportamento das pessoas.

2.1 Gregory Warchavchik e a inauguração da casa modernista em São Paulo.

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