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VIII. Evaluation des coûts

3. Frais de prestataires

Pode falar com ele, viu? É tranquilo – anuncia Ingrid, ao apresentar Gisele

ao entrevistador.

Gisele tem quarenta anos é moradora da ocupação 29 de março há três. Em suas palavras, o que a trouxe para a ocupação foi o desemprego. Natural da Bahia, veio para Curitiba justamente para procurar trabalho. Morava de aluguel até que foi demitida por justa causa da empresa em que atuava. Sem renda, foi residir junto à companheira, que já habitava no local.

O que me trouxe pra ocupação foi o desemprego. Fui mandada embora por justa causa, fiquei sem nada. Como eu conhecia uma moça que já morava aqui há quase três anos, e que é minha companheira hoje, então vim morar aqui com ela.

Confessa que, à primeira vista, se assustou com o que viu. Era diferente de suas experiências habitacionais anteriores, nunca havia habitado uma favela, como define. Não havia arruamento bem definido, nem espaço entre as casas,

e tinha medo de ser roubada pelas pessoas que ali viviam – uma associação

entre pobreza e criminalidade. Dificuldades, que, segundo ela, foram superadas ao perceber a relação de união que se estabelecia na vizinhança.

Tipo assim, favela. É diferente. Assim que eu cheguei aqui me assustei como era o estilo. Mas com o passar do tempo vi que não tinha o que temer. Tinha união, independente do que fosse.

Após esse momento inicial de estranhamento, Gisele relata que a vida no local passou a ser tranquila, que nunca teve incômodo. Novamente destaca a união entre moradores como motivo pelo qual nunca teve problemas em residir ali. Um protege o outro, nunca teve roubo aqui, relata.

Também considera o acesso ao centro fácil, diz que sempre fazia o trajeto de ônibus para trabalhar. Perguntada sobre eventuais problemas ou dificuldades, chega a dizer que não acha nada de negativo.

Ia sempre (para o centro) pra trabalhar. É fácil, tem ônibus tanto na Estrada Velha do Barigüi, o ponto final, quanto o Corbélia ali em frente ao CRAS. É bem fácil o acesso sim.

Contudo, no decorrer da entrevista, Gisele queixa-se de vários fatores referentes ao local das ocupações: a falta de asfalto e o barro que se acumula, a indefinição das ruas e calçadas para pedestres, a proximidade com o lixão que atrai urubus para a região, a falta de esgoto que provoca mau cheiro.

Um fato importante a ser destacado é que a casa em que moravam foi destruída pelo incêndio que devastou o local em dezembro de 2018. Elas continuam residindo na região, mas agora de forma provisória, junto de amigos, enquanto não conseguem levantar recursos para reconstruírem sua casa. Gisele conta, orgulhosa, como investiram na melhoria da casa, demonstrando seu lamento pela destruição.

Era só uma casinha, então construímos uma casa maior, mais confortável, e hoje só sobrou as cinzas. Era a pior casa da rua, depois virou a melhor casa da rua. E agora está aí só o terreno.

Gastamos 17 mil (reais) em três anos de investimento na estrutura. Madeira é muito cara. Fiquei só com as notas fiscais.

Questionada quanto a sua concepção do que seria um bom lugar para se morar, Gisele aponta para o respeito e conhecimento entre os moradores (conhecerem-se uns aos outros). Respeito ao próximo é a coisa mais importante, declara. Também preza pelo conforto e segurança para a família. Não gosta da ideia de morar em apartamentos, e indica a importância das calçadas para circulação de pedestres:

Eu gosto de casa. Na minha terra eu fui nascida e criada sempre com casas. Rua calçada, passeio pra pedestre aqui não existe. Eu tive muita dificuldade pra acostumar com isso. Não só a 29 de março, mas o bairro Corbélia também, e Curitiba toda. Se vem um carro a gente se espreme.

Por sua experiência recente com o incêndio, também menciona a importância do espaço entre as casas. Se tivesse espaço pros bombeiros

passarem, não teria queimado minha casa, e não teria queimado tanta casa,

reflete.

Indagada sobre eventual intenção de habitar região mais central da cidade, Gisele reconhece que gostaria, acha que seria mais interessante do que viver em área de ocupação e que todas as pessoas que ali residem compartilhariam desse desejo. Não propriamente de morar no centro de Curitiba – que considera um grande caos pela grande concentração (e circulação) de pessoas, automóveis e poluição, mas em bairro mais central, mais urbanizado. Contudo, se resigna por não ter condições financeiras. Segundo ela, mesmo declarando gostar de residir na 29 de março, ninguém mora numa ocupação por opção, mas por falta de alternativas.

Acho que não só eu como todos, né? Acho que todos que estamos aqui não estamos por optar, mas por não termos condições financeiras.

Sendo assim, Gisele tem esperança que a infraestrutura no local melhore em seu processo de reconstrução. Espera que passe a contar com esgoto e que as ruas sejam mais espaçosas, melhor definidas.

Graças a Deus eu não tenho do que me queixar como era, e espero que volte a ser. E até melhor, porque agora tem ruas. Espaço ainda infelizmente é pouco, mas vai ser diferente pelo fato de ter rua, uma rua principal como essa.

A última pergunta versou sobre sua compreensão quanto às desigualdades nos acessos à cidade e à habitação. Sintética na resposta, sem conceder maiores desdobramentos, Gisele se dividiu entre dois fatores: a

situação financeira e o comodismo.

Talvez a situação financeira e outros talvez por comodismo. Uns têm como construir e outros não têm. Hoje eu não tenho condições de comprar um tijolo. Tudo que eu tinha foi investido na casa que se foi. Só ficou de pé o banheiro e as colunas, infelizmente. Estou desempregada, por isso que não tenho como construir.

Em relação à condição financeira, refere-se ao fato de algumas pessoas

terem condições de construir e outras não. Logo se remete a suas próprias

circunstâncias: sem emprego, sem dinheiro para reconstruir e sentindo profundamente pelas perdas. Já o conformismo diz respeito às pessoas que não têm ambições de melhorar sua condição habitacional, ampliar ou reformar suas casas.

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