• Aucun résultat trouvé

Chapitre 1: Les couples mixte, lieu de rencontre de deux cultures

II. Un foyer et une éducation faisant place aux deux cultures

Segundo Arias e Yera (1996), o construtivismo não surgiu como uma teoria pedagógica propriamente dita. Em essência, trata-se de uma concepção filosófico- psicológica sobre o desenvolvimento mental do homem e, em particular, das crianças:

No marco da educação escolar, o construtivismo concebe a

aprendizagem como um processo de construção dos conhecimentos, de sua elaboração pela criança conjuntamente com o adulto (neste caso, com o professor), de diálogo com o outro, mas o epicentro

desse processo é a própria criança. Isso significa que o pólo decisivo da aprendizagem não reside mais na figura do professor, mas esta na criança mesma, e que a pedagogia deve concentrar sua atenção não tanto no processo de ensino, quanto no jeito de como aprendem as crianças, como constróem e reconstróem seus conhecimentos (ARIAS; YERA, 1996, p.11).

O Guia da Boa Escola, da Editora Segmento, traz uma reportagem114 acerca das ideias construtivistas:

“No Brasil, as ideias construtivistas começaram a ser conhecidas e discutidas nos anos 1980, mas só se difundiram realmente quando foram tomadas como referencial teórico para a formulação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e do Referencial

Curricular Nacional para a Educação Infantil, ambos publicados pelo Ministério da Educação (MEC), em meados dos anos 1990”, conta Zélia Cavalcanti, coordenadora de uma pós-graduação na área, em São Paulo (KUZUYABU, 2012).

Na Revista Escola Brasil, em reportagem intitulada Emilia Ferreiro, a

estudiosa que revolucionou a alfabetização do jornalista Márcio Ferrari115 (sem data): “Nenhum nome teve mais influência sobre a educação brasileira nos últimos 30 anos do que o da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro”.

Segundo a reportagem, após a publicação da sua obra “Psicogênese da Língua Escrita”, em meados dos anos 1980, Emilia Ferreiro tornou-se referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, que se trata de um campo de estudo relacionado com os processos de investigação dos processos de aquisição e elaboração do conhecimento pela criança – de que modo ela aprende – do biólogo suíço Jean Piaget (1896 – 1980), com quem Emilia Ferreiro estudou e trabalhou.

Com a adoção da teoria e das práticas relacionadas ao construtivismo por muitas escolas, principalmente da educação infantil e do ensino fundamental, o termo pedagogia construtivista passou a ser conhecido pelo público e utilizado pela mídia, mas, existe resistência com relação a este termo por parte de pedagogos.

Muitas escolas com práticas pedagógicas baseadas nas teorias do construtivismo não se autodeclaram escolas construtivistas ou de pedagogia

114 Disponível em <http://www.guiasdeeducacao.com.br/boaescola/56/interacao-para-fazer-sentido>.

Acesso em 27 jan. 2015.

115 Disponível em <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/estudiosa-

construtivista. Em projeto pedagógico no site116 da Escola da Vila (figura 59,

imagens A e B), encontra-se:

O currículo da Escola da Vila se organiza como uma espiral, em que os conceitos aparecem muitas vezes ao longo dos anos, com grau crescente de complexidade. Privilegiam-se a compreensão e o aprofundamento, e a memorização é vista antes como um instrumento da aprendizagem.

Em outro trecho do seu projeto pedagógico117, prossegue a explicação:

As situações escolares são vivências importantes que trazem muitos conhecimentos além dos disciplinares. Enquanto os alunos

aprendem, por exemplo, a somar, estarão também aprendendo a trabalhar em equipe, a compreender que há muitas formas para se resolver um mesmo problema, que é preciso perseverar e que, sem esforço intelectual, o aprendizado é mecânico e temporário. Isso implica, muitas vezes, uma organização e distribuição dos conteúdos acadêmicos distinta da tradição escolar, em que há uma

sequenciação linear, seguida de insistentes exercícios de memorização.

Figura 60 - (A) Marca gráfica da Escola da Vila, (B) página frontal do site, (C)slogan:

“Pioneira no ensino construtivista”, e (D) marca gráfica do Centro de Formação. História das marcas gráficas ao longo do tempo, (E) na fundação, em 1980, (F) em 1990, (G) na fusão com o Colégio Fernando Pessoa (1996), (H) marca gráfica que vigorou até 2009 e (I) marca gráfica atual. Fontes no rodapé118.

116 Disponível em < http://www.escoladavila.com.br/projeto-pedagogico/curriculo-e-metodologia/>.

Acesso em 27 jan. 2015.

117Disponível em <www.escoladavila.com.br>. Acesso em 28 jan. 2015

A referência explícita à pedagogia construtivista ou ao construtivismo não é encontrada no texto do seu projeto pedagógico, mas, ao se acessar o site da Escola da Vila, na aba superior de abertura do site, pode-se ler: “Escola da Vila | Pioneira no ensino construtivista”119 (figura 60, imagem C), como também aos termos “prática educacional de orientação construtivista” em seu Centro de Formação (texto abaixo).

A Escola da Vila informa que iniciou seu projeto pedagógico em 1980 com o objetivo de educar crianças de 2 a 6 anos e formar professores através de seu Centro de Formação120 (figura 60, imagem D).

A Escola da Vila reafirma, por meio de seu Centro de Formação, a certeza de que uma educação escolar de qualidade pode ser conquistada sempre que a oferta de processos de formação educacional for permanente e estiver sintonizada com a produção pedagógica nacional e internacional. Nesse sentido, desde 1980, o Centro de Formação da Escola da Vila vem oferecendo grande variedade de ações formativas, que abrange tanto as diversas faces do fazer pedagógico - em sala de aula e no âmbito de coordenação institucional -, como as diferentes contribuições acadêmicas que alimentam a reflexão dos educadores empenhados numa prática educacional de orientação construtivista.

A Escola da Vila tem ciência da importância da sua marca, principalmente da marca gráfica, que divulga em seu site sua história, desde a fundação, em 1980 (figura 60, imagem E), a alteração em 1990, no aniversário de dez anos (imagem F), na fusão com o Colégio Fernando Pessoa - ensino médio - em 1996 (imagem G) – utilizada somente para o ensino médio -, marca gráfica da escola a partir de 1996 até 2009 (imagem H), e a marca gráfica atual para toda a escola - o ensino médio perdeu o nome Fernando Pessoa (imagem I). Seu sistema de identidade visual envolve outros setores da escola como o seu Centro de Formação (imagem D), que, embora se apresente como Escola da Vila, tem suas próprias cores com a

denominação Centro de Formação embaixo.

A marca gráfica da Escola da Vila não separa símbolo do logotipo, que, juntos, formam um único conjunto visual. Chaves (2003) chama essa forma de “logotipo tipográfico iconizado”, em que uma alguma letra do logotipo é substituída por um ícone formalmente compatível com a letra em questão. Neste caso, trata-se da letra “O” da palavra Escola, substituída por um círculo que se repete acima. São

119 Disponível em < http://www.escoladavila.com.br/projeto-pedagogico/curriculo-e-metodologia/>.

Acesso em 27 jan. 2015

três círculos em duas cores, sendo que o círculo do meio se encontra dividido horizontalmente pelas duas cores, que pode ser entendido como os três níveis básicos da escola: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A marca gráfica é composta toda em caixa alta e apresenta um sistema de cores.

As escolas deste grupo despontaram no cenário da educação básica de ensino particular na cidade de São Paulo, principalmente nos últimos 40 anos. São escolas que se contrapõem às pedagogias mais tradicionais como do Colégio Bandeirantes ou do Colégio Visconde de Porto Seguro. Estas escolas não estão associadas aos grandes sistemas de ensino como do Objetivo, Etapa, COC ou o Mackenzie. Também não fazem parte das escolas religiosas que dominaram o cenário do ensino particular básico como o Colégio Santa Cruz, Colégio São Luís, Santo Américo ou Arquidiocesano. Estas escolas são independentes com

pedagogias próprias, em contraposição às pedagogias tradicionais, desenvolvidas em cima das teorias do construtivismo.

A Escola Viva (figura 61, imagem A) começou sua história em 1974, com o Atelier: Arte e Expressão, que se tratava de um espaço para resgatar no aluno o prazer de aprender e conviver, que, em 1978, deu origem à Escola Viva – Educação Infantil (imagem C). Em 1996, deu início à primeira turma de ensino fundamental para, em 2010, iniciar o ensino médio (imagem D). Em seguida, apresenta-se uma parte da sua proposta121:

Nossos educadores oferecem situações que possam ampliar e diversificar as experiências, de forma que o aluno desenvolva habilidades essenciais para a consolidação de sua formação. Nos segmentos de escolarização básica, essas habilidades se organizam em torno de cinco grandes eixos, que indicam a natureza do

conhecimento que o aluno precisa desenvolver: domínio de linguagens, compreensão de fenômenos, resolução de situações- problema, construção da argumentação e elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade.

A marca gráfica da Escola Viva apresenta alta singularidade por causa do seu símbolo, que é uma ilustração (desenho de um pássaro). O nome da escola também tem alta singularidade e tem alta compatibilidade semântica entre o nome e o

símbolo. “Viva” que pode ser um adjetivo quando composto com a palavra escola,

que remete ao significado de uma escola viva. O símbolo de um pássaro que remete a voo e liberdade.

Figura 61 - (A) Site da Escola Viva, (B) camiseta, (C) fachada da educação infantil, e (D) fachada do ensino médio. Fontes no rodapé122.

O Colégio Ítaca (figura 62) divulga em seu site123: “A educação que se desenvolve no Ítaca encoraja o aluno a construir o próprio saber, e o estimula a apropriar-se da ferramenta fundamental para essa conquista: a verdadeira dedicação ao estudo, à leitura e à escrita”.

Figura 62 - (A) Painel com marca gráfica do Colégio Ítaca e (B) site do Ítaca. Fontes: <http://itaca.com.br/>. Acesso em 28 jan. 2015

122 Fontes: (A): < http://www.escolaviva.com.br/>; (C e D): <https://www.google.com.br/maps>,

(B): <http://texblun.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2014/12/Camiseta-M-Curta-Inf-F1-e-F2- .jpg>. Acesso em 28 jan. 2015.

A marca gráfica do Colégio Ítaca também é composta por um logotipo

tipográfico iconizado, em que triângulos substituem a letra “A”. A figura 62, imagem A, mostra um painel com a marca gráfica embaixo, em uma composição harmoniosa entre o painel e a marca gráfica – o painel tem as mesmas cores-código da escola. O site (imagem B) traz uma imagem de gregos e o texto “O que é Ítaca?”. A escola tem o nome de uma das numerosas ilhas gregas do mar Jônico, um nome ligado à mitologia grega.

O Colégio Oswald de Andrade foi fundado na metade da década de 1970, com um conceito que, segundo informações de seu site, sempre se caracterizou pela inovação. Com relação à sua proposta124, o colégio divulga que:

(...) o Oswald lança mão de um Projeto Pedagógico que procura transmitir e valorizar o legado técnico, científico e cultural da

humanidade. O resultado desse processo é que o aluno constrói, ao longo do tempo, uma sólida formação intelectual e ética, aliada a uma postura aberta às inovações e ao relacionamento com pessoas, situações, ambientes e mundos diferentes. O aluno do Oswald aprende, dessa forma, a buscar por conta própria soluções para os problemas e desafios que lhe são apresentados.

Figura 63 - Colégio Oswald de Andrade: (A) marca gráfica, (B) fachada da unidade Tipuana, (C) fachada da unidade Girassol, (D) divulgação da Semana Literária, (E) site do colégio e (F) fachada da unidade Cerro Corá. Fontes no rodapé125. :

O sistema de identidade visual do Oswald é integrado, da marca gráfica

(figura 63, imagem A) aos materiais de divulgação (imagem D) e ao site (imagem E).

124 Disponível em <http://www2.colegiooswald.com.br/pt-br/conheca-o-oswald/>. Acesso em 28 jan.

2015.

As fachadas dos prédios das suas três unidades, unidade Tipuana (imagem B), unidade Girassol (imagem C) e a unidade Cerro Corá (imagem F) apresentam as mesmas cores em paleta de cores singulares, que fogem do azul e amarelo,

frequentes nas escolas de ensino básico ou o vermelho. A sua marca gráfica é uma composição clássica entre símbolo e logotipo que podem ser usados

separadamente.

O Gracinha – Escola Nossa Senhora das Graças existe há 70 anos. Apesar da origem religiosa, com a sua aquisição pela Associação Pela Família (ASPF), uma empresa do terceiro setor, sem fins lucrativos, em 1959, a escola tornou-se laica e não traz nenhuma referência de orientação católica. Por outro lado, explica em seu site que a sua proposta combina equilibradamente tradição e vanguarda, e que faz da sua prática pedagógica e educacional, uma experiência inovadora na formação de alunos.

Figura 64 - (A) Site do Gracinha, (B) marca gráfica, (C) bloco vertical – ampliação da escola, (D) vista do bloco vertical, e (E) fachada de outra entrada - conserva as características originais. Fontes no rodapé126.

Pela explicação a seguir com relação à sua proposta pedagógica127 para o ensino fundamental, pode-se situá-la no grupo de escolas construtivistas:

126 Fontes: (A e B) <http://www.gracinha.g12.br/>;

(C e D) <http://arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/blochso-arquitetura-escola-sao-28-06-2005>; (E) <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/c2503200901.jpg>. Acesso em 28 jan.2015.

Para a Escola Nossa Senhora das Graças, o aluno deve tornar-se sujeito de sua aprendizagem e o professor deixar de ser apenas um transmissor de saberes e assumir-se como um mediador na

construção do conhecimento.

A identidade visual do Gracinha é sistematizado, com marca gráfica (figura 64, imagem B), alfabeto institucional – utilizado inclusive no site -, e as cores-código. A área ampliada – bloco vertical - se destaca no conjunto com as cores da escola, azul e amarelo (imagens C e D). A escola tem duas frentes, a frente antiga fica para o outro lado do quarteirão e preserva suas características originais que lhe confere também identidade visual (imagem E).

A Escola Lourenço Castanho foi criada em 1964 com o nome de Escola Maternal Pequeno Príncipe. Em 1969, mudou de nome para Lourenço Castanho e foi incorporando todas as séries da educação básica, da educação infantil ao ensino médio. A escola que fica no bairro do Itaim Bibi divulga em seu site128 que:

O projeto pedagógico da Escola Lourenço Castanho é pautado na concepção do estudante em sua integralidade, imerso em um tempo e espaço específicos. É essencial, portanto, considerar o momento histórico no qual o estudante está inserido, entendendo que sua participação ativa está aliada à construção de um significado pessoal para os conhecimentos culturalmente organizados.

A nova identidade visual da Escola Lourenço Castanho foi criada em 2013, pelo designer Gilmar Nashiro, da nk2 design+branding. Nashiro explicou que a finalidade do manual de identidade visual mudou depois do advento do computador e, mais ainda, com a era da internet (informação pessoal)129. Segundo ele, muitos designers nem produzem mais o manual de identidade visual, mas ele acha

necessário porque se trata do patrimônio da empresa, hoje, um ativo fixo. Também não se faz mais as malhas de construção de base para as marcas gráficas, mas que ele também acha necessário, não para reprodução, porque não existe mais

reprodução manual, mas para análise das proporcionalidades das marcas gráficas. A marca gráfica do Lourenço apresenta a composição com símbolo e

logotipo, cujos elementos podem ser usados juntos ou separados. O símbolo da escola faz referência ao ovo, cujo significado é de vida e fertilidade. Apresenta-se a seguir um resumo do seu manual de identidade visual (figuras 65 e 66).

128Disponível em <http://www.lourencocastanho.com.br/conheca.php?id_con=1400&esc=2>. Acesso

em 28 jan. 2015

Figura 65 - Manual de identidade visual do Lourenço. Fonte: cedido pelo criador, Gilmar Nashiro (jan. 2105).

Figura 66 - Manual de identidade visual do Lourenço. Fonte: cedido pelo criador, Gilmar Nashiro (jan. 2105).

As escolas construtivistas apresentam exuberância em suas identidades visuais, sintonizadas com práticas atuais do mercado porque contratam profissionais da área para o seu desenvolvimento.

Nota-se que estas escolas, assim como as empresas de outras áreas do mercado, trabalham, primeiramente, seus signos verbais para que se tornem facilmente identificáveis (figura 67). Cite-se o exemplo do Colégio Oswald de Andrade que utiliza o nome Oswald, da Escola Lourenço Castanho, Lourenço, e o caso mais extremo, da Escola Nossa Senhora das Graças, que utiliza Gracinha.

Figura 67 - Painel com marcas de escolas construtivistas abordadas. Fonte: pesquisador.

Estas escolas sistematizam as suas identidades visuais, incluindo a definição de alfabetos institucionais, de cores-código e outras manifestações visuais que otimizam a sua comunicação, principalmente, visual.