A Gerontologia tem importância crescente no cenário científico, médico e sociológico, mundial. As estatísticas que apontam o envelhecimento das populações não deixam dúvidas sobre a necessidade de uma abordagem preventiva que promova a manutenção da autonomia das pessoas ao avançar da idade.
Torna-se cada vez menor o número de jovens em proporção ao de idosos. Na prática significa que a toda a sociedade interessa que os indivíduos conservem as suas capacidades.
O grupo escolhido para o estudo é uma fatia pequena, mas representativa de uma sociedade capaz de realizar a si mesma e promover o bem comum. As seis pessoas que participaram desse ensaio espelham a ambição da maioria das pessoas: 1) viver muito; 2) viver bem; 3) compartilhar este bem. A amostra é pequena em número de participantes, mas grande em informações porque foram colhidos muitos aspectos das biografias e das imagens oníricas.
A interpretação dos sonhos como escolha de instrumento proporcionou três aspectos fundamentais e complementares entre si:
1) foi feito um ensaio do uso deste instrumento de interpretação dos sonhos que poderá ser útil em outras populações, com o objetivo de analisar outros aspectos da personalidade;
2) já se sabia, por dados históricos, que as pessoas pesquisadas são coerentes nas suas escolhas e constroem a própria realização. As imagens oníricas apresentadas por eles e a interpretação com base na Metodologia Ontopsicológica permitiu pontuar o estilo de tais escolhas; 3) este ensaio possibilitou focar a vasta teoria que representa a Escola
Ontopsicológica.
Apesar da revisão bibliográfica, não foram usados outros pontos de vista de interpretação onírica porque o interesse da pesquisa foi dar uma leitura daquele que é o critério de natureza e não de convenções. Por isso usamos como bússola as imagens dos sonhos e escolhemos interpretá-los pela Metodologia Ontopsicológica, cujo critério científico é o de natureza. Buscamos individuar a sabedoria por trás deste visível e indiscutível estilo de vida eficiente dos idosos pesquisados.
Pudemos ter a evidência de que mesmo que as situações sejam muito complexas, mesmo que as oportunidades sejam muitas e mesmo que as dificuldades sejam grandes, a inteligência humana é capaz de dar a síntese do contexto para sinalizar a melhor escolha. O sonho é esta síntese. Praticamente uma intuição (Glossário) de alta performance disponível a qualquer um de nós ao final de cada dia. Os jovens idosos desta pesquisa souberam usar os seus.
Assim como estes idosos, também nós queremos contribuir para uma sociedade cujas pessoas sejam capazes de vida longa e feliz.
REFERÊNCIAS
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GLOSSÁRIO
- Autóctise: posição ou constituição de si; processo histórico de escolhas existenciais que fazem a resultante da evolução e da situação pessoal (MENEGHETTI, 2001, p. 19);
- Cérebro viscerotônico: complexo de ações e reações determinadas por sinapses neurônicas alojadas no aparato intestinal (MENEGHETTI, 2001, p. 28);
- Ecceidade: identidade em lugar distinto e específico (MENEGHETTI, 2001, p. 54); - Eidética (“eidos”): é o tipo de realidade a que pertence ou que é, determinada coisa (MORA, 1998: 01);
- Epistêmica: semente, raiz ou o que lhe é próximo, íntimo ao princípio em si, ao princípio que faz ou dá presença ao real ou à evidência deste (MENEGHETTI, 2001, p. 63);
- Evidência: Latim ex vidente. O que resulta da experiência do vidente. Implica uma exata relação de coincidência entre objeto aberto e o íntimo de quem vê (MENEGHETTI, 2001, p. 72);
- Homem: unidade de ação histórico-espiritual construída por um projeto ôntico em acontecimento terrestre, com faculdades inteligentes, racionais, emocionais, biológicas (MENEGHETTI, 2001, p. 80);
- Imagem: é a direção, o modo do quântico de uma energia. Como a forma age em mim ou no outro (MENEGHETTI, 2001, p. 81);
- Inconsciente: é o quântico de vida psíquico e somático que o indivíduo é, mas do qual não é consciente e que age, de qualquer modo, além da lógica da consciência (MENEGHETTI, 2001, p. 84);
- Inteligência: faculdade que conhece e identifica as formas essenciais e causais de qualquer coisa ou evento (MENEGHETTI, 2001, p. 87);
- Intencionalidade: vetor ou direção, ou forma ao interno da ação. Intencionalidade de natureza: o modo no qual se especifica a intencionalidade na existência aqui e agora (MENEGHETTI, 2001, p. 88);
- Intuição: conhecer os modos ou estruturas interiores de um projeto de ação ou evento (MENEGHETTI, 2001, p. 90);
- Natureza: o que é e faz por nascimento de leis universais aplicadas a um contexto preciso (MENEGHETTI, 2001, p. 117);
- Ontológico: critério atinente ao real, ao ser e a qualquer fenômeno seu (MENEGHETTI, 2001, p. 119);
- Organísmico: conjunto de funções materiais e psíquicas para uma unidade de ação (MENEGHETTI, 2001, p. 125);
- Responsabilidade: situação psicológica na qual o sujeito é necessitado a responder ou existencialmente, ou juridicamente, ou moralmente (MENEGHETTI, 2001, p. 149);
- Sonho/ onírico/ oniromancia: “manzia” (em grego antigo) significa aprender, ler, apreender, construir, portanto “ver dentro da intuição”. Na prática, sabendo ler um sonho, se vê a interioridade das causas do real (MENEGHETTI, 1997, p. 22).
ANEXO A - Biografia resumida do fundador da Ontopsicologia - Antonio Meneghetti1
Autor de mais de quarenta obras traduzidas para o inglês, francês, alemão, português, russo, espanhol, chinês.
O seu pensamento e, sobretudo as suas descobertas, que consentem uma racionalidade integral à psicologia elementar, é oficializado no momento na Cátedra de Ontopsicologia da Faculdade de Psicologia na Universidade Estatal de São Petersburgo.
Entre os diversos títulos obtidos possui doutorado clássico em Teologia segundo os critérios canônicos das Universidades Romanas, como a Lateranense; doutorado em Filosofia e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Internacional São Tomás de Aquino em Roma; láurea em Filosofia com endereço psicológico junto à Universidade Católica Sacro Cuore de Milão; láurea honoris causa em Física pela descoberta do Campo Semântico; título de Grand Doctor Nauk em Ciência Psicológicas concedido pela Suprema Corte de Avaliação Interministerial da Federação Russa; título de Grand Doctor of Philosophy e Doctor philosophy of medical da Academia Internacional de Informatização.
Presidente da Associação Internacional de Ontopsicologia (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas). Acadêmico e Vice-presidente da Academia Internacional de Informatização (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas).
Antonio Meneghetti nasceu em 09/03/1936 em Avezzano (L’Aquila- Itália). De família paupérrima, é o primogênito de nove filhos de Pietro Meneghetti e Anna Castellani. Até os treze anos vive a experiência da rua, igreja, escola e trabalho. Em Vêneto e Abruzzo conheceu os aspectos sócio-econômicos da guerra entre fascistas e guerrilheiros, alemães e americanos. Para ele a guerra era uma bestialidade e nunca concebeu os americanos como libertadores.
Aos quatorze anos entra na formação monástica dos Fradi Minori Conventuali em Assis, Gúbio, Espoleto e Roma. Aos vinte e cinco anos é ordenado sacerdote, prossegue os estudos nas diversas universidades romanas, freqüenta cursos especiais em Friburgo (Jung), em Londres (psicanálise freudiana e o Tavistiock de Laing), em Paris (Lacan), em Viena (V. Frankl).
Contemporaneamente prossegue sua formação artesã e artística em diversos campos, particularmente em Veneza, Florença e Roma. Nesse período ensinava diversas matérias nas cidades de Gúbio, Espoleto e Terni.
Torna-se páraco secular e permanece durante seis anos nas cidadezinhas de Monterealese aquilano.
1 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ONTOPSICOLOGIA. Antonio Meneghetti. Disponível em:
<http://www.ontopsicologia.org.br/AntonioMeneghetti/AntonioMeneghetti/tabid/365/Default.aspx>. Acesso em: 27 set. 2007.
De 1970 a 1974 ensina Psicologia, Psicoterapia e Ontopsicologia na Universidade São Tomás de Aquino – Roma.
Seu máximo interesse sempre foi o homem e a filosofia. Sobretudo o problema crítico do conhecimento. E. Husserl influencia a sua crise intelectual.
“Por que o homem não conhece a verdade? A verdade existe porque eu existo. Se não sei é porque estou doente”. “O erro não depende da natureza. Depende de um momento histórico. Qual?”
Aos trinta e seis anos Antonio Meneghetti sai formalmente, com respeito e gratidão, da Igreja Católica e abre seu primeiro escritório de psicoterapia e cursos de formação em Roma. Durante dez anos, até 1981 descobre todas as complexidades da psique e formula a existência e o comportamento do Em si ôntico, do campo semântico e do monitor de deflexão. É-lhe claro finalmente aquele erro que não consente a evidência do verdadeiro na diagnose filosófica.
Do sucesso pessoal formula diversas aplicações científicas, associacionistas, artísticas, empresariais, publicações e congressos.
Estuda até falar corretamente latim, grego antigo e aramaico.
Cultíssimo em bibliofilia. Curioso sobre paralelismos jurídicos: direito romano, direito econômico, códigos italianos. Estuda profundamente os paralelismos históricos da Europa, China, Índia, Islã. Estudou as hagiografias dos grandes, em particular dos místicos.
De 1981 a 1986 interessa-se em verificar o método Ontopsicológico em sujeitos e pacientes de diversas etnias e culturas. Ingleses, espanhóis, brasileiros, mauritanos, iranianos, indianos, russos, finlandeses, hebreus, árabes, chineses, mongóis, uzbeques, congoleses bantus, siberianos, pobres, nobres, realizados, bem- sucedidos, mestres do espírito, políticos, empresários, médicos, sacerdotes, músicos, burocratas, barões, revolucionários, etc.
O método é experimentado e demonstra-se preciso. O objeto específico é individuar e ativar o nexo ontológico, seja no singular, seja no social, seja na ciência.
De 1986 a 1996 ativa-se a fazer contactos e protocolos de colaboração com países do Leste europeu e América do Sul e a cada dois anos organiza congressos internacionais de Ontopsicologia sobre diversas temáticas do momento.
Tendo confirmação da resposta completa por parte das leis da natureza (desaparecimento do sintoma em toda a casuística da psicoterapia clínica: das neoplasias às várias psicossomáticas, das neuroses às distonias anti-sociais), após ter isolado os comunicados elementares do Em si ôntico (o critério ôntico e formal do homem) sobre a base naturística existencial (com paralelo biológico), Antonio Meneghetti retoma o encontro com a filosofia crítica e pode estabelecer o princípio que cada conhecimento é verdadeiro se é capaz de reversibilidade no interior do real da vida. Partindo da teoria ou da imagem (logos), ou partindo da coisa, o um repete ou dá o outro.
Daqui compreende que a Ontopsicologia é epistêmica (Glossário) geral a qualquer proceder científico ou intelectivo. O nexo ontológico (Glossário) garante a causalidade recíproca. “Qualquer teoria é verdadeira se possui aquele nexo ontológico que produz a evidência da causalidade para aquele objeto”.
Em seguida retorna ao narcisismo artístico e às aplicações sócio-econômicas em diversas direções.
Atualmente agrada-lhe a economia e a sociologia. Para a primeira, individuou o critério subjetivo do empresário que assinala o resultado certo da racionalidade econômica. Para a segunda, diz ser necessário re-fundar a pesquisa não sobre o homem primitivo, não sobre o comportamento estatístico ou operacional, mas sobre a intencionalidade de natureza do homem e o contraste histórico do ambiente.
“Uma sociedade é boa quando promove o reencontro do nexo ontológico”.
Para a Pedagogia, como se expressou sobretudo na ONU (Nova Iorque) e na UNESCO (Paris) insiste que é necessário passar do assistencialismo à responsabilidade social.
ANEXO B - As três descobertas da Ontopsicologia
O critério convencional é aquele que se usa em todas as ciências ditas exatas (estatística, física, matemática, medicina, química, etc.). Os cientistas estabelecem um critério e, uma vez definido, procede-se ao longo de toda a demonstração através da aplicação do próprio critério.
Critério de natureza é uma medida que procede por evidência, responde a uma intenção de natureza.
Evidência significa: a verdade daquele fato nasce de mim que vejo, ou seja, nasce do mesmo princípio através do qual se existe.
Natureza: é tudo que nasce da ação da vida. Do latim “quod oritur ex nato”. Como o nato, o fato, escorre de per si.
A natureza já tem na sua base uma lei fundamental à qual o homem (Glossário) não pode subtrair-se, porque existe: na medida em que existe é previsto pela própria natureza. Este critério da natureza é o que é definido como Em Si ôntico, pela Ontopsicologia. Esta é a principal descoberta da Ontopsicologia, que são em numero de três
1) Em Si ôntico: Princípio formal inteligente que faz autóctise histórica. - princípio: eu sou (existe, é um formalizado que também formaliza); - formal: sou de um certo modo;
- inteligente: estou em condições de evidenciar o íntimo que é;
- que faz autóctise histórica: é a passagem ao fenômeno, o Em si ôntico faz autoposição (MENEGHETTI, 2004a, p. 152-160).
2) Campo semântico: é a comunicação base que a vida usa ao interno das próprias individuações. É a informação base que acontece antes de todos os sentidos, antes de todas as emoções, antes de toda consciência, em antecipação a qualquer símbolo.
- campo: é um contexto hipotético, definido por espaço, tempo e individuação;
- semântico: signo da ação naquele lugar. A energia move-se segundo uma direção exata (MENEGHETTI, 2004a, p. 171-173).
3) Monitor de Deflexão: é um programa acumulado ao interno das células cerebrais que age com interferência especular, antecipando e defletindo a percepção egoceptiva sobre a base de uma imagem dominante impressa durante o momento da aprendizagem da vida: a infância. Sucessivamente, o monitor renova continuamente estas imagens, por meio dos sonhos, dos estereótipos, das instituições, da cultura selecionada. O primeiro efeito do Monitor de deflexão é a subtração da consciência do Em si, pelo qual o homem devém inconsciente a si mesmo (MENEGHETTI, 2001, p. 100).
ANEXO C - Em Si Ôntico: as quinze características
EM SI ÔNTICO: AS QUINZE CARACTERÍSTICAS (MENEGHETTI, 2004, p. 161-
163)
As características que o Em si ôntico apresenta em um sujeito, que tornam possível a sua identificação, são quinze:
1) Inseico: é uno, indivisível e sempre idêntico, como quer que se adapte ou opere. Usa sempre o critério de si mesmo, não sai jamais de si; é sempre “intus” ao próprio uno. Não contradiz a forma elementar que o especifica e distingue.
2) Holístico-dinâmico: age todo em conjunto com expansão centrípeta e sem partes. Cada vez que se especifica em uma parte, interage e resulta total. Por ser completo, é expansivo: as suas propagações intensificam-se em um núcleo. Mais ação, mais história e mais ser.
3) Utilitarismo funcional: o seu critério é a evolução da própria identidade. O Em si ôntico não quer o que é do outro, quer aquilo que é seu. Aquilo que o identifica.
4) Virtual: um projeto que tem a capacidade formal, caso se atue. Virtualidade: é a capacidade de uma forma de psicossomatizar-se em muitos modos sem variar a identidade da forma essencial. Cada escolha condiciona a próxima. 5) Econômico-hierárquico: entre as diversas posições exercita uma escolha em
direção ao otimal do momento. Economia é a regra de máxima eficiência de um contexto.
6) Vencedor: não impacta um novo real se já não lhe é próprio. Nas suas escolhas o Em Si ôntico confirma sempre a si mesmo: amplia a sua existência como Eu naquele objeto onde ele já é.
7) Alegre: age por exercício de inteligência. Move-se por uma novidade agradável de erotismo e contemplação.
8) Criativo: cumprida uma gestalt é motivado a uma sucessiva superior à precedente. É um projeto aberto no fazer a si mesmo.
9) Espiritual ou transcendente: evade das categorias de espaço e tempo, portanto efetua e fenomeniza múltiplos eventos, sem ser qualquer um deles. 10) Agente no interior de um universo semântico: é co-partícipe da ordem da natureza cósmica. Qualquer célula do meu organísmico (Glossário) está em iso com o holístico-dinâmico do meu orgânico, e eu, homem, estou no iso de toda a vida.
11) Mediânico entre ser e a existência histórica: é o cordão umbelical entre o indivíduo e o contexto.
12) Histórico: estrutura psicossomaticamente a própria virtualidade no devir existencial. Revela a capacidade de instrumentalizar as categorias de tempo e espaço, portanto, todos os aspectos químico-físicos da energia.
13) Estético: a técnica específica de cada ação sua é para o prazer e a perfeição. As suas partes correlacionam-se para revelar uma proporção funcional e metafísica. O Em Si ôntico tem intrínseco o artista.
14) Volitivo-intencional: a sua unidade de ação é tensão à própria realização histórica.
15) Santo: o ser individuado tem a tensão intrínseca a fazer-se coincidente com a perfeição do projeto, ou projetante, por isso é volição de identidade ao mais ser. É sempre com e em direção ao Ser.
ANEXO D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Por meio deste termo, eu..., concordo em participar como voluntário(a) da pesquisa intitulada: “Sonhos dos Idosos: um ensaio de interpretação pela Metodologia Ontopsicológica”.
Estou ciente de que participarei fornecendo informações da minha biografia e narrarei sonhos recentes e/ou antigos.
É de meu conhecimento que os protocolos de estudo subsidiarão a Dissertação de Mestrado de Marisa do Carmo Bontorin, discente do Mestrado de Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, e que poderão ser divulgados nos meios científicos, preservando minha identidade e submetidos às normas do sigilo profissional.
Estou ciente de que não corro riscos em relação à minha saúde ao participar desta pesquisa, e que posso, a qualquer momento, cancelar meu consentimento, sem qualquer prejuízo à minha participação.
Estou ciente de que, a qualquer momento, posso perguntar sobre qualquer assunto relativo a esta pesquisa e que terei sempre solucionadas as minhas dúvidas.