• Aucun résultat trouvé

ECOLE NATIONALE

FORMES ET PRINCIPES D’APPROPRIATION

variáveis definidas para o método. ... 264

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apresentação

Na categoria de produtos especializados se encontram os óculos destacados pela função social voltada para as necessidades humanas, principalmente aquelas fundamentais para a vida cotidiana, se considerar os indivíduos que dependem deste produto em sua condição de órtese. Estudar o projeto de armações constitui, no campo do design, não só tarefa de comprometimento investigativo mas também de contribuição desta área de conhecimento para uma categoria de artefato fundamental para a realização de qualquer tarefa diária.

Dentre os usuários de óculos o público infantil demanda estudos e pesquisas especializadas para a formulação de diretrizes de projeto que atendam às prescrições médicas; os aspectos de produção e fabricação, materiais e processos; os requisitos e relações ergonômicas mas que atentem sobretudo para as relações da criança com o uso deste produto.

Na perspectiva em que se considera a armação infantil um produto especializado, observou-se ser imprescindível uma abordagem projetual que compreenda outros conhecimentos e requisitos, que extrapolem os tradicionalmente incluídos nas etapas metodológicas do design de produto, porem fundamentais para enfrentar a complexidade deste projeto captando elementos subjetivos que permeiam o contexto e a interface de uso. Neste trabalho se considera que a atenção aos aspectos perceptivos, subjetivos e emocionais, além daqueles semânticos considerados nas resoluções formais e estéticas adequadas às crianças (advindas dos conhecimentos da ergonomia; antropometria; desempenho e usabilidade), é fundamental para despertar a afeição do público infantil e sobretudo tornar o uso cotidiano da armação prazeroso e atrativo.

Com o intuito de levantar esses aspectos, a pesquisa adotou uma abordagem na qual as questões subjetivas e emocionais dos indivíduos são consideradas nas etapas do processo de design, desta forma, a metodologia adotada investiga e trata da experiência do usuário percorrendo uma abordagem pouco praticada e original no contexto de relações entre as armações e o público infantil, especialmente o usuário de óculos. Tal metodologia ratifica a necessidade de conhecimento e compreensão dos aspectos técnicos e funcionais ao mesmo tempo em que se alinha e defende a

exigência de inclusão daqueles subjetivos que conectam e intermediam produto e usuário, traduzindo-os em diretrizes para o projeto abarcando, assim, a complexidade do fenômeno; além disto, é relevante considerar, para o público infantil, que o uso de óculos pode ser uma experiência desagradável e até traumática. Da prescrição do produto até seu uso e adaptação, há diversos aspectos subjetivos diretamente concernentes ao produto e outros que caracterizam o contexto do uso e da apropriação, colocados pelos vários indivíduos envolvidos nesta questão e que, muitas vezes, não são considerados ou mesmo conhecidos pelos designers. Nesta dissertação são considerados diversos participantes que atuam e estão envolvidos com as armações infantis trazendo dados e informações fundamentais ao designer do produto uma vez que os mesmos podem propiciar uma abordagem melhor na busca do bem-estar e da adaptação do usuário ao produto. A pesquisa também pretendeu identificar e analisar questões de estigma que gerem isolamento social e traumas psíquicos, entre outros problemas relacionados ao uso do produto pelo público alvo contribuindo para uma assimilação positiva maior das armações, por parte das crianças, visando ao aumento da sua autoestima. A inserção de diretrizes de natureza subjetiva nos futuros projetos pretende, assim, contribuir para oferecer armações mais desejadas sem deixar de lado os aspectos das necessidades desse público.

Na bibliografia atual sobre as armações de óculos é observada uma escassez, seja em livros científicos ou técnicos, que priorizem as especificidades do projeto e da produção de óculos-armações infantis. De forma geral, são encontrados temas que abordam os aspectos estéticos e históricos do produto e há pouco enfoque no usuário e nos parâmetros para a metodologia e projeto de produto1.

Quanto às publicações técnicas, é possível encontrar apostilas sobre lentes direcionadas aos laboratórios, ou atinentes aos ajustes e aos materiais para uso dos funcionários das indústrias e de óticas. Além disto existem, atualmente e segundo

      

1

 

Algumas das bibliografias que podem ser encontradas atualmente no setor óptico são: MACHADO,

José Hamilton. Óptica passo a passo: do atendimento ao laboratório.Rio de Janeiro:Senac Rio, 2009. CARNEIRO,Manuel.Óptica Oftálmica em Exercício.Lauro de Freitas:Contemporânea, 2005. VENTURA,Deborah Sollito; JUNIOR,Francisco Ventura. Olhar Atento: Como escolher e usar óculos. São Paulo:Editora Senac São Paulo,2008. Algumas das bibliografias que abordam aspectos estéticos e históricos do produto óculos: HANDLEY, Neil. Cult Eyewear. 1 edição. London: Merrell Publishers Limited, 2011. LIPOW, Moss. Eyewear: A visual history. Editora Taschen, 2011. SCHIFFER, Nancy.

informação da Abióptica, quatro revistas do setor que abordam temas e assuntos variados2; todavia, essas fontes que agregam informações e conhecimentos para o

projeto de óculos, não têm cunho científico nem acadêmico; da mesma forma, as atuais normas técnicas para o produto não contemplam informações sobre o segmento infantil.

Acredita-se, com o desenvolvimento desta pesquisa, centrada nas necessidades de uso das crianças que dependem dos óculos, que os designers possam desenvolver projetos com produtos mais atrativos, os quais proporcionem maior conforto e bem- estar, mais adequados, tanto nos aspectos estéticos quanto nos formais. Espera-se, desta maneira, reforçar a importância do produto na recuperação ou resgate do sentido da visão colaborando para que a criança o aceite e dele se aproprie como objeto cotidiano, uma extensão do seu corpo.

Como público alvo e central desta pesquisa foram definidas as crianças usuárias de óculos, de ambos os gêneros, na faixa etária entre 6 e 11 anos, visando levantar informações para definir diretrizes a serem consideradas no projeto das armações; a partir da perspectiva do Design Centrado no Humano também foram considerados os cuidadores, os médicos e os atendentes de óticas especializadas no público infantil.