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La formation en traduction

1.4 Le profil professionnel du traducteur

1.4.2 La formation en traduction

Segundo Limbrick (1991), o conceito do termo palavrão resiste a definições concretas, pois são os códigos sociais que geralmente determinam o que se constitui um palavrão ou não. Fägersten (2012), por sua vez, explica que essa

31 Os números apresentados na configuração (x/y) deste trabalho, correspondem ao número de ocorrências registradas ou o número dos informantes que responderam (nesse caso x = 3), do total geral dos entrevistados (nesse caso y = 9).

dificuldade em definir um conceito aumenta devido à subjetividade inerente ao tópico em questão. Essas ideias são confirmadas ao analisarmos as respostas dadas pelos participantes relativas a tarefa 3 na seção 1 do questionário.

Foi perguntado aos informantes, se eles consideravam todas as palavras da lista fornecida pelo pesquisador palavrões.32 Através dos dados coletados (ver gráfico 1), podemos perceber que os informantes não chegaram a um consenso.

Gráfico 1: Resultados da tarefa 3 sobre as palavras da lista serem palavrões ou não

Dos vinte informantes, 35% (7/20) deles responderam SIM, 25% (5/20) NÃO, enquanto 40% (8/20) marcaram DEPENDE. Aos indivíduos que responderam NÃO ou DEPENDE (65%; 13/20) foi solicitado que justificassem suas respostas.

A seguir, vemos trechos das respostas dos informantes que responderam NÃO à pergunta em questão.

De acordo com o informante Q-INF/03, algumas palavras da lista (ex. porra e

caralho) não constituem palavrões quando usadas entre amigos:

Q-INF/03 – (RESPOSTA: NÃO) “Algumas são de uso comum entre rodas de amigos como: ‘porra’, ‘caralho’, etc..”

A partir dessa visão, podemos inferir que uma palavra deixa de ser considerada um palavrão quando o seu uso se torna comum entre os membros de uma comunidade, nesse caso, entre um grupo de amigos. Segundo Fägersten

32

(2012) e Allan & Burridge (2006), o uso frequente de palavrões pode diminuir a sua capacidade de chocar, especialmente nas interações entre amigos.

Para os informantes Q-INF/09 e Q-INF/18, palavras como: quenga, corno,

cacete e porra, não constituem palavrões devido à grande variedade de usos não

ofensivos existentes. Essa variedade, de acordo com o informante Q-INF/09, faz com que essas palavras não estejam no mesmo “grau de palavrões”. Já as palavras com significados mais restritos, como rapariga e macaco, podem ser consideradas

palavrões:

 Q-INF/09 – (RESPOSTA: NÃO) “Acredito que o uso de algumas expressões como ‘quenga’ e ‘corno’, por exemplo, tem maior uso diferenciado de sentido do que ‘rapariga’ e ‘macaco’. Isso pode variar, mas necessariamente não estão no mesmo grau de palavrões.”

 Q-INF/18 – (RESPOSTA: NÃO) “Pois, ‘cacete’ no Sul do país tem sentido de ‘pão’, e ‘porra’ em alguns lugares tem o sentido de vírgula.”

Os informantes Q-INF/11 e Q_INF/13, por sua vez, não consideram as palavras que denotam “excrementos fisiológicos” e/ou que se referem a “coisas ou situações” palavrões. De acordo com a opinião do informante Q-INF/11, isso ocorre, pois, essas palavras não possuem caráter discriminatório:

 Q-INF/11 – (RESPOSTA: NÃO) “Pois esses que são excrementos fisiológicos não tem poder agressivo ou ofensivo ou até discriminatório quanto os que denominam uma pessoa.”

 Q-INF/13 – (RESPOSTA: NÃO) “Não, pois algumas palavras se referem a coisas ou situações e não podem ser necessariamente associadas a palavrões.”

A seguir, vemos trechos da fala de alguns informantes que responderam DEPENDE à pergunta em questão.

É interessante notar também que muitas das respostas apresentadas pelos informantes que responderam DEPENDE são parecidas com as respostas daqueles que responderam NÃO. Por exemplo, as explicações dos informantes Q-INF/01 e Q- INF/20 são bem semelhantes à do Q-INF/03 quando este afirmou que a frequência do uso de certas palavras pode enfraquecer o status delas como palavrões devido à uma perda do seu sentido conotativo, bem como denotativo:

 Q-INF/01 – (RESPOSTA: DEPENDE) “Algumas [das palavras] são expressões do dia-a-dia.”

 Q-INF/20 – (RESPOSTA: DEPENDE) “Em boa parte das vezes, algumas destas palavras são ditas com tanta frequência que perdem sentido.”

A opinião do informante Q-INF/04 tem muito em comum com a resposta do informante Q-INF/11. Por exemplo, ele acredita que as palavras que são direcionadas a pessoas (ex. puta e viado), são “exemplos concretos de palavrões” devido ao seu uso “direcionado a pessoas”. Podemos inferir então que para alguns indivíduos a função pragmática principal de um palavrão seria o de agredir a outrem:

 Q-INF/04 – (RESPOSTA: DEPENDE) “Todas as palavras da lista representam algum tipo de ofensa. Mas nem todas têm o mesmo grau de agressividade. Palavras direcionadas a pessoas (‘puta’, ‘viado’) para mim, são exemplos concretos de palavrões. Outras (‘merda’) denotam uma expressão de desapontamento e não são direcionadas a alguém.”

Podemos observar essa mesma linha de pensamento na fala de outro informante, a entrevistada número quatro (E-INF/04) ao afirmar que, ao usar o termo

merda para demonstrar sua indignação, não o considerava ‘ofensivo’, e por esse motivo, não o considerava um palavrão:

 E-INF/04 – (Trecho da fala)

PESQ: Ok. Ah... em sua opinião, você acabou de falar um palavrão ou não? INF: Não.

PESQ: Não? Você poderia explicar o porquê?

INF: Porque eu acho que.... Não tem uma.... Não acho que seja ofensivo dizer “merda”. Não acredito que seja ofensivo. Não no contexto que eu tava usando.

O informante Q-INF/06, por sua vez, levou em questão a subjetividade da noção do significado de palavrão. Para ele, essa noção se baseia na ideia de que “certas palavras não devem ser nomeadas”; uma questão de censura sociocultural (PINKER, 2007; ALLAN & BURRIDGE, 2006). Portanto, se uma palavra puder ser falada “tranquilamente”, então ela não deveria ser considerada um palavrão:

 Q-INF/06 – (RESPOSTA: DEPENDE) “O significado de ‘palavrão’ é subjetivo, pois vem da noção de que certas palavras não devem ser nomeadas. Se para uma pessoa todas as palavras da lista puderem ser tranquilamente ditas, não há sentida em denomina-las de ‘palavrão’.”

Observamos pontos de convergência entre as respostas dos informantes Q-INF/08 e Q-INF/10 e as respostas dos informantes Q-INF/03, Q- INF/04 (já citados nessa seção):

 Q-INF/08 – (RESPOSTA: DEPENDE) “Depende da intenção de quem fala e pra quem fala. De entre amigos digo ‘Vai a merda, Fulano’ no meio de um momento de descontração, eu não falaria em tom ofensivo e outro também não entenderia como tal. Se eu vejo um negro e chamo de ‘macaco’, isso é ofensivo e é racismo, preconceito. Mas se eu digo que uma pessoa exibida está com a macaca, isso não é.”

 Q-INF/10 – (RESPOSTA: DEPENDE) “A situação e o contexto definem se é ou não um palavrão.”

Percebemos nessas respostas a relevância dos seguintes fatores na construção de um palavrão, são eles: a identidade dos interlocutores, a intenção do locutor (“se eu vejo um negro e chamo de ‘macaco’”), a intimidade entre os interlocutores (“entre amigos”), a questão da formalidade do momento (“no meio de um momento de descontração”), bem como características paralinguísticas (“em tom [in]ofensivo”).