Como percebemos com o referido anteriormente, para que se verifiquem melhorias na saúde e o crescimento e desenvolvimento das crianças e dos jovens progrida harmoniosamente, é importante que todos estes indivíduos possuam índices mínimos e adequados de actividade física e ApF (Fitnessgram, 2000). Conforme refere Shephard (1995) a ApF influencia muitos aspectos da saúde das pessoas. Será então que a ApF, tem alguma relação com a hipertensão, trazendo-lhe algum tipo de benefícios? É tentando responder a esta pergunta que foi realizada uma pesquisa sobre esta temática com base em vários autores.
Em 1990, Rowland corrobora com a ideia de que a ApF assim como a actividade física contribuem para a melhoria da saúde das crianças e acrescenta mesmo que indivíduos hipertensos podem beneficiar de uma melhor ApF, pois esta promove uma diminuição dos impulsos simpáticos.
São poucos os estudos que se remetem à problemática da ApF relacionada com a hipertensão, sendo que a grande maioria reporta-se principalmente aos factores de risco das doenças cardiovasculares, onde se insere a hipertensão. Thomas et al. (2003) refere mesmo que um dos grandes factores de risco das doenças cardiovasculares é a hipertensão. Esta é muitas vezes mencionada, mas a maior parte dos estudos apresenta na sua discussão apenas os factores de risco das doenças cardiovasculares em geral. Além do mais, uma complicação na análise da associação entre a ApF e a TA está ligada ao facto de que a ApF diminui e a TA aumenta com a idade (Andersen e Haraldsdóttir, 1995).
É dentro deste campo que Dwyer e Gibbons (1994) encontraram uma clara associação entre aptidão física e índice de massa corporal e entre a aptidão física e a TAS na maioria das idades e em ambos sexos, indicando assim que a ApF parece revelar-se como um forte predictor da TAS. Estes autores que estudaram a relação entre a ApF e TA, verificaram também a ApF e as pregas de adiposidade estão relacionadas entre si, embora ambas de forma independente possuem um efeito na TAS. No entanto, contrariamente ao
que se passa com a TAS, a ApF não se apresenta como um predictor significativo da TAD.
Al-Hazzaa et al. (1994) defendem também que a actividade física e a aptidão cardiorespiratória, estão significativamente associadas com uma mais baixa TA.
Os benefícios da TA numa população jovem são ainda incertos, e isto pode ser apenas avaliado através dos efeitos nos factores de risco das doenças cardiovasculares, serão então necessários estudos longitudinais para demonstrarem a relação entre a mortalidade e a TA e a aptidão física (Andersen e Haraldsdóttir, 1995). Para estes autores a inactividade física, ou o efeito desta na ApF, pode ser considerado um factor de risco independente das doenças cardiovasculares, como a hipertensão (Sopko, 1992).
Para Pollock et al. (1995), um programa de ApF que inclui resistência aeróbia, força muscular e resistência, e exercícios de flexibilidade tem-se mostrado ser importante para o desenvolvimento tanto da saúde como da ApF.
No mesmo ano, Hagberg (1995) refere que o exercício físico, realizado a uma intensidade baixa a moderada conduz a benefícios nos indivíduos hipertensos. Um aumento da ApF e do nível de actividade física reverte num mais baixo índice de mortalidade, mesmo nos indivíduos que continuam hipertensos. Este autor refere ainda que a actividade física e ApF apontam também para uma diminuição da possibilidade de vir a desenvolver hipertensão. É neste sentido, que uma melhoria da ApF deveria ter uma maior ênfase na prevenção primária da hipertensão e do tratamento de uma larga maioria de hipertensos.
Esta importância de um melhoramento da ApF e da actividade física como uma estratégia preventiva das doenças cardiovasculares, tem também vindo a ser apontada por Twisk et al. (2000).
Deste estudo resultaram importantes conclusões. Primeiro que tudo, é assumido que o melhoramento da aptidão física desde tenra idade pode ter a sua influência na ApF mais tarde na vida, e nesta linha de pensamento estes mesmos autores, ao citarem Blair (1995) e Burstein e Samaille (1960)
como prevenção contra as doenças cardiovasculares e a mortalidade. Depois verificaram também que a ApF pode ter uma influência positiva na saúde cardiovascular nas pessoas mais jovens, reduzindo como por exemplo a TA.
Fitnessgram (2000), citando Blair et al. (1989) e Blair et al. (1992), referem mesmo que vários estudos apontam para que a ApF em níveis aceitáveis estão associados a um menor risco de hipertensão arterial, doenças coronárias, obesidade, diabetes, algumas formas de cancro e outros problemas de saúde em adultos.
Numa pesquisa similar Twisk et al. (2000), que tinham como objectivo a realização de um estudo longitudinal acerca da relação entre a actividade física, a ApF e os factores de risco das doenças cardiovasculares, onde estavam incluídas a TA e gordura corporal, com adolescentes dos seus 13 até aos 21 anos de idade. Chegaram à conclusão que apesar de não se saber claramente as razões, pelas quais a ApF está positivamente relacionada com a TA, a verdade é que a relação entre a actividade física, a ApF, as lipoproteínas e TA é altamente influenciada pela gordura corporal.
Num estudo realizado por Portela (2000), em que era sua pretensão a verificação de uma possível relação entre os valores da aptidão cardiorespiratória e os valores da tensão arterial em crianças do sexo masculino dos 8 aos 9 anos de idade, concluiu que os indivíduos com maior peso evidenciam maior TA e que existe uma correlação negativa entre a aptidão e a TA, verificou uma relação, neste caso forte e inversa.
Ao tentar identificar a influência da actividade física e da ApF nos factores de risco das doenças cardiovasculares, Thomas et al. (2003) conclui a existência de uma relação inversa entre a ApF e estes factores em adultos, sendo que um aumento dos níveis de ApF parece trazer efeitos benéficos nos factores de risco das doenças cardiovasculares.
Mais recentemente, num estudo realizado com crianças dinamarquesas, com idades compreendidas entre os 6 os 7 anos, que pretendia verificar a ApF como predictora dos factores de risco das doenças cardiovasculares, aponta para a existência de uma associação entre ApF e os factores de risco das doenças cardiovasculares, onde se inserem a hipertensão Eiberg et al. (2005).
Relativamente às crianças, também a ApF poderá ser um factor importante. Dwyer e Gibbons (1994) indicam no seu estudo que um aumento da ApF das crianças do 25º percentil para o 75º, poderá resultar numa descida de 1,4 mmHg na TAS.
As razões pelas quais a ApF e a TA se encontram positivamente associadas, não são ainda muito claras (Twisk et al., 2000). Contudo, estes mesmos autores apresentam possíveis causas da relação entre a actividade física, a ApF e os factores de risco das doenças cardiovasculares, dizendo que estes são altamente influenciados pela gordura corporal. Neste estudo, é assumido que a gordura corporal é um mediador na relação entre a actividade física e ApF por um lado, e os factores de risco das doenças cardiovasculares por outro lado. É também possível que a actividade física é um mediador na relação entre a ApF, a gordura corporal e os factores de risco das doenças cardiovasculares.
No entanto, resultados contrários foram encontrados por Man et al. em 1989. No seu estudo, a principal conclusão a que chegaram foi que a TAS e a ApF em crianças, com 8 a10 anos de idade, não se encontram relacionados, e que a queda na TA não está relacionada com a diminuição da pulsação cardíaca. Se por um lado a TAD das raparigas, parece estar inversamente relacionada com a ApF, tal não acontece com a TAS. Em geral, estes autores aconselham cautela na associação entre a TA e a ApF, pois tanto a uma como a outra em crianças são altamente influenciadas pelo crescimento.
Conclusões similares obtiveram Boreham et al. (2001), quando realizaram um estudo que pretendia examinar a relação entre os factores de risco das doenças cardiovasculares e a gordura corporal e a ApF em adolescentes com 12 e 15 anos de idade, e estabelecer a relativa independência e força da associação de maneira a que possam ser formuladas estratégias preventivas para as doenças cardiovasculares para este grupo etário. Ficou claro neste estudo que, primeiro, relações entre gordura e factores de risco das doenças cardiovasculares são invariavelmente mais fortes do que entre a ApF e os mesmos factores de risco. Parece então que a relação entre a
corporal, sendo esta relação mais fortes para os homens do que para as mulheres, e mais fortes para os jovens do que os adolescentes mais velhos.
Em conclusão, os resultados do presente estudo confirmam as anteriores citações em que a ApF não surge relacionada com a diminuição dos factores de risco das doenças cardiovasculares, ao contrário do que se passa gordura corporal. Para estes autores, numa fase inicial a prevenção das doenças cardiovasculares durante a infância deverá portanto concentrar com preventivo ou reverso ganho de peso desfeito.