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CHAPITRE 3 - ÉVALUATION DE LA CULTURE MATHÉMATIQUE

2. Les épreuves de culture mathématique

2.1 Format des questions

Vimos que os exemplos de aproximação entre o corpo e as tecnologias no cotidiano são múltiplos e diversos:

 Os movimentos humanos que impulsionam a imaginação e embrenham-se pelo faz-de-conta – como na fotografia da menina e seu teclado.

 Os movimentos humanos que, traduzidos, são expressos em outras linguagens, tornam-se palavras, compõem narrativas; as narrativas que, traduzidas, tornam-se movimento, florescem na imaginação – como ocorre com o menino que escuta as partidas de futebol pelo rádio e com o outro que se torna craque de futebol em seus sonhos.

 As relações entre o controle das imagens das telas digitais e os movimentos humanos – como no caso da criança que se movimenta ao jogar videogame. As representações sociotécnicas do corpo no ciberespaço – como o exemplo do menino que procurava o tio no avatar do skype.

 As percepções de corporificação no ciberespaço na constituição das experiências de estar e ser “aqui” e “lá”e os exercícios de alteridade nos encontros do local com o global – como ocorre com o menino que descobre a magia de poder ser visto no Canadá e entre as crianças brasileiras e italianas que compartilham suas histórias em um projeto escolar.

Ainda que as ações se desenrolem em telas digitais e repercutam em longas distâncias, a aparente invisibilidade do corpo não pode ser tomada como sua supressão ou ausência. Proponho observarmos então as tecnologias digitais com intuito semelhante ao que Merleau-Ponty teve em relação à pintura: “(...) a interrogação da pintura visa a essa gênese secreta e febril das coisas em nosso corpo207”. Minha suposição – questão que construo trazendo para o texto os exemplos sintetizados acima – é que também há nas nossas relações com as tecnologias digitais e as mídias essa gênese oculta que exalta as coisas em nosso corpo.

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Merleau-Ponty fala em transubstanciações: o pintor “pensa com a pintura208” no momento em que a sua visão se torna gesto. Quando a criança, por exemplo, brinca com um jogo eletrônico, o mundo visível da tela e o mundo dos seus projetos motores com o joystick são partes totais do mesmo Ser. Para compreender essas transubstanciações, diz o filósofo francês, “há que reencontrar o corpo operante e atual, aquele que não é um pedaço de espaço, um feixe de funções, mas um entrelaçado de visão e de movimento209”. A visão – assim como os demais sentidos – “parece realizar-se simultaneamente ali, na coisa vista, e aqui, no olho que olha210”. O menino compreende-se como imagem projetada em uma tela de computador no Canadá no momento em que vendo se descobre visto. Desvenda-se como corpo vidente e visível: “o homem é o espelho para o homem211”.

Até aqui, na nossa busca por lugares para o corpo na educação, investigamos a constituição dos letramentos e vimos que a proposta dos multiletramentos evidencia o corpo como um elemento importante à aprendizagem de leituras e escritas. Também refletimos sobre as aproximações entre linguagem, tecnologias e corpo e tentamos compreender as escritas e leituras que envolvem o corpo e por ele são envolvidas. Por fim, buscamos nas crianças exemplos onde o encontro do corpo com as tecnologias digitais pudesse inspirar novas questões aos letramentos e à educação. O corpo assumiu nessa discussão todo o seu potencial expressivo: é convidado e convida a olhar, sentir, falar, se movimentar, aprender, brincar. Mas ainda assim, toda vez desviamos o foco do corpo para voltarmos a atenção para a educação que acontece cotidianamente na maior parte das nossas escolas, percebemos que estamos diante de ausências (o corpo volta a ser objeto) e silêncios (o corpo deixa de ser sensível e expressivo).

Não estaríamos – como nos alerta o filósofo Michel Serres – recortando o corpo que sente e, com isso, fragmentando os modos como compreendemos o mundo e nele nos inserimos? Será que ao conservar

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Ibid. (p. 291). Merleau-Ponty atribui a expressão “o pintor pensa com a pintura” a Cézanne. As experiências artísticas de Cézanne e Van Gogh compõem as reflexões de Merleau-Ponty (1980b) sobre a pintura.

209 Ibid. (p. 278). 210 CHAUÍ (1999, p. 263). 211 MERLEAU-PONTY (1980, p. 283).

“apenas a vista e o ouvido, intuição e entendimento212” e suprimir “o

gosto, o olfato e o tato213”, não estaríamos cerceando importantes sensibilidades que alimentam o brincar da imaginação – elemento tão caro à educação? Quais omissões e proposições acompanham o corpo na educação atual? O corpo é ausente ou é a escola que o silencia? Infelizmente, ao distanciarmos o corpo (sensível e expressivo) dos currículos, corremos o risco de recair no percurso histórico que educa mais para disciplinar, reprimir e silenciar o corpo do que para assumi-lo em seus diálogos com mundo. Sem as mediações da escola, também deixamos aberto e sem empecilhos o caminho para que as grandes corporações, valendo-se de toda a versatilidade das tecnologias digitais, consolidem um papel crucial nos entendimentos que construímos sobre e a partir do corpo: padrões estéticos, práticas corporais, moda, concepções de saúde, gênero e sexualidade, dentre tantos outros.

É hora de indagarmos como e se o corpo se faz presente nas proposições pedagógicas das nossas escolas214. De tentarmos compreender como as transformações tecnológicas vêm modificando o encontro corpo-mundo no cotidiano dos nossos alunos e pensarmos em modos de agir pedagogicamente levando isso em consideração. Como 212 SERRES (2001, p. 20). 213 Ibid. 214

Na palestra intitulada “Ken Robinson says schools kill creativity" (TED Talks, 2006), o educador inglês Ken Robinson expõe que, à medida que as crianças crescem, as educamos cada vez mais da cintura para cima, vamos pendendo o ensino para um dos lados do corpo, até que nos concentramos na cabeça. Não por menos, alerta ele, quase a totalidade dos sistemas educacionais do mundo possui uma estrutura disciplinar hierarquizada que concentra a matemática e as línguas no seu topo, mantém as disciplinas de humanas em um patamar inferior e por último inserem as artes e as linguagens corporais, sempre em busca de legitimidade dentro do ambiente escolar. O TED – Technology, Entertainment, Design – é uma fundação privada sem fins lucrativos norte- americana. Desde 1990, a fundação já organizou mais de 1400 palestras com “ideias que merecem ser disseminadas”. Dentre todas elas, a recordista de acessos na internet, totalizando mais de 20 milhões de visualizações desde 2006, é a apresentação de Ken Robinson sobre criatividade e educação. Apesar de Robinson receber muitas críticas à apresentação por ter identificado um problema óbvio sem, no entanto, apresentar caminhos concretos de superação, considero que a repercussão da sua fala torna-se de grande relevância ao apontar como a Educação e suas necessidades de transformação é um tema que palpita em nossos dias.

vimos até aqui, há muitos encontros possíveis entre o corpo e as tecnologias digitais. Ampliar e qualificar esses encontros no âmbito da educação é uma tarefa cada vez mais premente aos educadores.

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