Initialisation de l’apprentissage organisationnel
Stade 2 du développement du produit
4.2. Application du modèle à un cas produit (Connecteur Syléa)
4.2.2. Formalisation et modélisation du problème
Introdução:
Não há muita informação a respeito da vida de Diodoro além do que está escrito em sua própria obra, um trabalho maciço chamado Biblioteca Histórica, escrito em 40 livros. Apenas São Jerônimo (347-420 d.C.), autor da Vulgata, faz menção a Diodoro em sua obra denominada Crônica (380 d.C.). Aparentemente, o intento de Diodoro era listar todos os eventos históricos em ordem cronológica até a época da qual era contemporâneo, contudo, sua obra trata mais do mundo grego e de sua terra natal, a Sicília. Ainda assim, sua obra é o tratado historiográfico de autoria grega mais importante da Antiguidade, pois é o mais bem preservado. Dos 40 livros que compunham a Biblioteca Histórica, os livros 1 a 5 e 11 a 20 chegaram inteiros aos nossos dias, mas os que compõem o entremeio da obra, 6 a 19, nos foram legados apenas em fragmentos na obra de Fócio e nos excertos de Constantino VII Porfirogênito. Os livros 1 a 6 continham a geografia, a etnografia, a mitologia e a paradoxografia do mundo conhecido, a οἰκουµένη, tendo sido organizado de modo que os livros 1 a 3 tratavam do leste e os livros 4 a 6, do oeste. Os livros preservados cobrem um período que vai do ano 480 ao ano 302 a.C., e são organizados de modo a oferecerem datas de Olimpíadas, arcontados e consulados romanos em sincronia, que se prova errada, muitas vezes.114
O texto grego foi retirado do programa Diogenes, de FISHER, K. T.; VOGEL, F. (eds. post I. BEKKER & L. DINDORF) Diodori bibliotheca historica. Leipzig: Teubner, 1964. ΒΙΒΛΙΟΘΗΚΗ ΙΣΤΟΠΙΚΗ, 20.41.3-5 Ὁ δ' οὖν Ὀφέλλας, ἐπειδὴ πάντ' αὐτῷ πρὸς τὴν στρατείαν κατεσκεύαστο λαµπρῶς, ἐξώρµησε µετὰ τῆς δυνάµεως, ἔχων πεζοὺς µὲν πλείους τῶν µυρίων, ἱππεῖς δὲ ἑξακοσίους, ἅρµατα δὲ ἑκατόν, ἡνιόχους δὲ καὶ παραβάτας πλείους τῶν τριακοσίων. ἠκολούθουν δὲ καὶ τῶν ἔξω τάξεως λεγοµένων οὐκ ἐλάττους µυρίων· πολλοὶ δὲ τούτων τέκνα καὶ γυναῖκας καὶ τὴν ἄλλην παρασκευὴν ἦγον, ὥστε ἐµφερῆ τὴν στρατιὰν ὑπάρχειν ἀποικίᾳ. ὀκτωκαίδεκα µὲν οὖν ἡµέρας ὁδοιπορήσαντες καὶ διελθόντες σταδίους τρισχιλίους κατεσκήωνσαν περὶ Αὐτόµαλα˙ ἐντεῦθεν δὲ πορευοµένοις ὑπῆρχεν ὄρος ἐξ ἀµφοτέρων τῶν µερῶν ἀπόκρηµνον, ἐν µέσῳ δ᾽ἔχον φάραγγα βαθεῖαν, ἐξ ἡς ἀνέτεινε λισσὴ πέτρα πρὸς ὀρθὸν ἀνατείνουσα σκόπελον˙
90 περὶ δὲ τὴν ῥίζαν αὐτῆς ἄντρον ἦν εὐµέγεθες, κιττῷ καὶ σµίλακι συνηρεφές, ἐν ᾧ µυθεύουσι γεγονέναι βασιλίσσαν Λάµιαν τῷ κάλλει διαφέρουσαν˙ διὰ δὲ τὴν τῆς ψυχῆς ἀγριότητα διατετυπῶσθαί φασι τὴν ὄψιν αὐτῆς τὸν µετὰ ταῦτα χρόνον θηριώδη. τῶν γὰρ γινοµένων αὐτῇ παίδων ἁπάντων τελευτώντων βαρυθυµοῦσαν ἐπὶ τῷ πάθει καὶ φθονοῦσαν ταῖς τῶν ἄλλων γυναικῶν εὐτεκνίαις κελεύειν ἐκ τῶν ἀγκαλῶν ἐξαρπάζεσται τὰ βρέφη καὶ παραχρῆµα ἀποκτέννειν. διὸ καὶ καθ᾽ ἡµᾶς µέχρι τοῦ νῦν βίου παρὰ τοῖς νηπίοις διαµένειν τὴν περὶ τῆς γυναικὸς ταύτης φήµην καὶ φοβερωτάτην αὐτοῖς εἶναι τὴν ταύτης προσηγορίαν. ὅτε δὲ µεθύσκοιτο, τὴν ἄδειαν διδόναι πᾶσιν ἃ βούλοιντο ποιεῖν ἀπαρατηρήτως. µὴ πολυπραγµονούσης οὖν αὐτῆς κατ᾽ ἐκεῖνον τὸν χρόνον τὰ γινόµενα ‹τοὺς› κατὰ τὴν χώραν ὑπολαµβάνειν µὴ βλέπειν αὐτήν˙ καὶ διὰ τοῦτ᾽ ἐµυθολόγησάν τινες ὡς εἰς ἄρσιχον ἐµβάλοι τοὺς ὀφθαλµούς, τὴν ἐν οἴνῳ συντελουµένην ὀλιγωρίαν εἰς τὸ προειρηµένον µέτρον µεταφέροντες, ὡς τούτου παρῃρηµένου τὴν ὅρασιν. ὅτι δὲ κατὰ τὴν Λιβύην γέγονεν αὕτη καὶ τὸν Εὐριπίδην δείξαι τις ἂν µαρτυποῦντα˙ «τίς τοὔνοµα τὸ ἐπονείδιστον βροτοῖς οὐκ οἶδε Λαµίας τῆς Λιβυστικῆς γένος;» Tradução: Biblioteca Histórica, 20.41.3-5
E então Ofella, depois que tudo estava brilhantemente preparado para ele para sua campanha, iniciou a marcha junto com sua força de guerra, tendo mais de dez mil soldados na infantaria, seiscentos cavaleiros, cem carros de guerra, e mais de trezentos cocheiros e escudeiros. E seguindo-os, os chamados "fora das fileiras", não inferiores a mil. Muitos destes traziam filhos, mulheres e provisões, de modo que a campanha parecia ser uma colônia. Após caminharem por dezoito dias percorrendo três mil estádios, montaram acampamento nos arredores de Autômala. Atravessando dali, há uma montanha escarpada de ambos os lados que tem uma fenda profunda no meio, para fora da qual se projeta uma pedra lisa que se estende para cima num promontório. Em torno da raiz dela havia uma caverna enorme, coberta com hera e briônias, na qual contam ter nascido a soberana Lâmia, ímpar por sua beleza.
Porque tinha sido concebida ferocíssima de alma dizem que, depois de certo tempo, seu aspecto se bestializou, por causa do fim das crianças nascidas dela; com o coração pesado pelo que sofreu e com inveja das outras mulheres com suas boas crias, ordenou aos soldados raptar e matar imediatamente todos os
recém-nascidos. E por isso entre nós até hoje e pela vida afora dos meninos, permanece a fama acerca desta mulher e entre eles ela é a mais temida de ser invocada. Também, quando embriagada, concedia imunidade a todos para que fizessem o que quisessem sem serem notados. Então, por ela não ter curiosidade pelo acontecido naquele tempo, os da terra suspeitavam que ela não enxergava. Também por isso alguns contavam como numa cesta ela atirava os olhos, metaforizando a completa negligência para com a medida prescrita para o vinho, como se isso removesse a visão. Alguém também pode citar Eurípides como testemunha de que ela tinha nascido na Líbia, pois ele diz:
"Quem entre os vivos o vergonhoso nome de Lâmia da raça Líbia não conhece?"
Comentário:
Diodoro Sículo pertence a uma época em que fazer interpretação de mitos era uma prática comum, séculos I-II d.C., na busca de se estabelecer uma explicação "racional" para eles (cf. Stern, 2003, p. 53). O trecho selecionado, em que ele faz uma digressão no texto para mencionar a história de Lâmia, a rainha da Líbia que enlouqueceu de dor por ter perdido todos os filhos, é uma clara tentativa de racionalização do mito. Este é um dos métodos de interpretação dos mitos que a Antiguidade desenvolveu, segundo Jacob Stern, que apresenta, em um artigo sobre a obra de Heráclito Paradoxógrafo, os quatro métodos utilizados pelos antigos para desempenhar tal tarefa: a já mencionada racionalização, o evemerismo (um subtipo de racionalização, que associa as figuras dos deuses a reis e rainhas), a alegoria e a etimologia (cf. Stern, 2003, p. 54). Ainda segundo Stern, a racionalização de um mito parte do princípio de que o mito é "um erro da história", uma interpretação equivocada de um fato que acaba gerando uma invencionice que vai sendo repetida de geração em geração e acaba por virar lenda (Stern, 2003, p. 55). Assim sendo, o papel do intérprete racionalista é descobrir o fato histórico que está nas entrelinhas do mito. Isso é exatamente o que tenta fazer Diodoro no trecho em análise: procura elaborar explicações racionais que enquadrem o mito da Lâmia líbia em um contexto "histórico real". Esse é um texto triplamente especial: primeiramente, ele evidencia uma das estratégias mais comuns de crítica mítica da Antiguidade; depois, fornece detalhes preciosos a respeito do mito da Lâmia líbia, como o fragmento de Eurípides, do qual é a única fonte antiga; e por último, nele Diodoro cita o que é dito da lâmia
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por outros autores, que infelizmente não nomeia, mas que podem ser identificados, dentro do possível, dentre os que foram citados neste trabalho. Contudo, acima de todas as qualidades que esse trecho da obra de Diodoro demonstra ter, está o fato de que o autor se mostra preocupado em explicar um mito infantil que não nos é muito conhecido, nem nos chegou inteiro. De modo que essa constatação talvez possa servir de base para que se suponha que tal mito tivesse uma abrangência muito maior na Antiguidade do que a que se pode intuir através da compilação dos registros supérstites.
τῶν γινοµένων αὐτῇ παίδων ἁπάντων τελευτώντων - um detalhe que chama a
atenção nessa versão de Diodoro é que ele não diz como a rainha líbia Lâmia perdeu seus filhos, só se diz que todos eles tiveram um fim, e que ela se bestializou e passou a perseguir as crianças de outras mães por causa dessa dor. De modo que aqui não há nem a presença da ciumenta Hera que persegue e mata os filhos de Lâmia, nem a presença de Zeus, o suposto pai dos filhos dela. Nessa versão do mito, o pai dos filhos da rainha nem é mencionado.
πολυπραγµονούσης - substantivo abstrato derivado do verbo πολυπραγµονέω (LSJ,
1996, p. 1442; verbo πράσσω, Chantraine, 1968, pp. 934-935) que aqui foi traduzido como "curiosidade" pois não se evidencia o sentido negativo da palavra, e sim a vontade de saber de ter conhecimento (no caso, fatos que ocorrem no próprio reino para poder administrá-lo bem). Para uma análise do sentido negativo da palavra, veja a discussão a seu respeito em Plutarco, (infra pp. 114-115).
τίς τοὔνοµα τὸ ἐπονείδιστον βροτοῖς / οὐκ οἶδε Λαµίας τῆς Λιβυστικῆς γένος; -
verso de Eurípides de seu drama satírico perdido que talvez se chamasse Lâmia. Diodoro é a única fonte antiga deste fragmento (a discussão a respeito desse fragmento específico pode ser consultada na parte sobre Eurípides,supra pp. 52-56).