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Formalisation du raisonnement incrémental

sou um negro, orgulhosamente bem-nascido à sombra dos palmares, da grandemocracia racial ocidental tropical. [...] sou mais que um quadro negro

atrás de um giz: um livre livro. e sangue de outras sagas; e brilho de outros breus: quanto mais me matam mais eu sobrevivo. (negro é eito cana no moedor, Sofre e tira mel da própria dor.) [...] sou um negro, rigorosamente um negro, à sombra dos palmares da grandemagogia racial ocidental tropicálice! Salgado Maranhão23

2.1 Metodologia

No processo de aquisição do conhecimento e compreensão da realidade o indivíduo traça objetivos, elege o caminho a ser percorrido, os instrumentos a serem utilizados e dedica-se a cumprir tarefas buscando o sucesso da investigação teórica a fim de garantir o status científico das conclusões.

Analisar as influências da gestão educacional frente ao quadro de exclusão racial envolve uma análise bastante complexa por fazer parte de um processo dinâmico, contínuo e flexível que sofre mudanças e adaptações de acordo com a realidade em que se desenvolve. O racismo compreende um fato social constituído por uma série de

23 MARANHÃO, Salgado. A cor da palavra. Rio de Janeiro: Imago, Fundação Biblioteca Nacional,

fenômenos interligados, dentre os quais elegemos analisar a relação entre gestão e diversidade racial.

A pesquisa foi desenvolvida a partir de procedimentos qualitativos por entendermos que a relação do sujeito com o mundo não pode ser quantificada. Importante frisar que embora a opção esteja constrita ao método qualitativo resultados estatísticos (INEP/IBGE) dos fenômenos investigados foram utilizados sem abandonar a compreensão de que é a pesquisa qualitativa que proporciona analisar e explicar fenômenos sociais que resultam em dados quantitativos. As pesquisas que demonstram os piores índices educacionais entre a população negra, por exemplo, carecem de análises qualitativas que as expliquem.

A pesquisa qualitativa utiliza-se de descrições e interpretações da realidade social de maneira a identificar criticamente estruturas de poder naturalizadas em determinado contexto sócio-histórico, por essa razão, a pesquisa qualitativa possibilita enfatizar ―representações de mundo, relações sociais, identidades, opiniões, atitudes, crenças ligadas a um meio social‖. O princípio epistemológico que direciona toda pesquisa qualitativa é a complexidade de seus objetos o que justifica a não utilização de métodos padronizados e fechados de análise tendo em vista o acesso a dados não verificáveis em métodos quantitativos. (RESENDE, 2009). A pesquisa qualitativa considera o contexto social, histórico e cultural e busca interpretar os processos e representações a partir da diversidade e dinâmica das relações sociais.Segundo Groulx (2008, p.98)

[...] a pesquisa qualitativa introduz um novo sentido dos problemas; ela substitui a pesquisa dos fatores e determinantes pela compreensão dos significados. [...] Atenta às especificidades sócio-culturais das clientelas e dos usuários, a pesquisa qualitativa força a repensar estudos das necessidades não mais segundo indicadores de medida, mas sim, segundo as especificidades socioculturais dos meios de vida.

Com o intuito de compreender significados sem desconsiderar o contexto sociocultural em que eles se constituem, o trabalho de campo que se propôs a identificar as influências da gestão nas relações sócio-raciais a partir da identificação e análise de como pensam e agem os/as gestores/gestoras de 6 Diretorias Regionais de Ensino24 (DREs) e de 11 Instituições de Ensino (IEs). Procuramos trabalhar com duas IEs por DRE com exceção da DRE E onde não foi possível realizar a pesquisa nas escolas.

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A principal fonte de pesquisa refere-se às entrevistas já que direta ou indiretamente os textos discursivos – orais ou escritos – evidenciam as percepções e convicções dos atores envolvidos. As entrevistas foram realizadas a partir de um roteiro com tópicos guia, semi-estruturados (ANEXO 5), previamente elaborado e aplicado a gestores (as)as de Diretorias Regionais de Ensino (DREs) e Instituições de Ensino (IEs) públicas do Distrito Federal. O roteiro não se tornou, durante as conversações, um modelo engessado a ser seguido, mas, um instrumento auxiliar na condução do diálogo que tinha seu início com agradecimentos, comentários introdutórios sobre a pesquisa, pedido para gravar a sessão justificado pela morosidade que tomaria a entrevista em caso de anotações e por fim assegurava a não divulgação dos nomes e escolas.

Os pontos abordados durante as entrevistas envolvem entre outros temas: a formação tanto inicial quanto continuada, GC, atuação do Conselho Escolar, gestão da diversidade com destaque à racial e a implementação da Lei 10.639/03 (art. 26A da LDB).

Cada entrevista durou em média 60 minutos. O primeiro tópico envolveu perguntas acerca da trajetória profissional e experiências específicas em gestão a fim de descontrair o/a entrevistadas. Importante salientar que, em razão da dinamicidade do campo a pesquisa ganhou novos contornos e o referido roteiro sofreu diversas alterações visto que a medida que as entrevistas iam acontecendo alguns pontos se tornaram desinteressantes e/ou inócuos. Importante ressaltar que o roteiro de entrevistas primeiramente composto por perguntas foi alterado para tópicos depois da terceira entrevista haja vista a superação do caráter extremamente formal que tomava o diálogo. A ideia foi transformar ―entrevista‖ em ―bate-papo‖ visando garantir ao máximo a tranquilidade dos entrevistados. Por essa mesma razão foi preciso limitar as informações dadas aos/as colaboradores/as, primeiro porque quando percebiam que a pesquisa envolvia a temática racial os/as entrevistados/as monitoravam muito a fala e depois porque o peso da ―Lei‖ parecia afetar a entrevista.

Partiu-se da premissa de que o mundo social não é um espaço ―natural‖ e harmônico, mas construído envolto em conflitos construídos pelas pessoas no convívio diário. Os dados coletados por meio de uma entrevista qualitativa possibilitam compreensão de aspectos (crenças, atitudes, valores e motivações) presentes nos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos (GASKELL, 2008). A entrevista é um instrumento privilegiado de denúncia de práticas discriminatórias que assolam dentre outros grupos, as minorias étnicas (BOURDIEU, 2003).

O banco de dados foi formado a partir de minuciosa degravação das entrevistas (considerando elementos objetivos e subjetivos nas falas), aplicação de questionário sobre as causas da reprovação (APÊNDICE 6) bem como análise dos PPPs e documentos disponibilizados pelas escolas. Nos PPPs analisamos se há previsão para ações voltadas às relações raciais e como aparecem. Procuramos trabalhar paralelamente com referenciais teóricos associados às constatações provenientes do trabalho de campo.

A definição das escolas a serem pesquisadas não representa uma amostragem, mas uma cuidadosa ―seleção‖. Não nos interessa saber, por exemplo, ―quantos/as gestores/as das IEs do DF implementam a Lei 10.639/03?‖ mas a qualidade dessa implementação em razão da percepção desses atores e especialmente qual o impacto dessa atuação na promoção da igualdade racial e combate ao racismo educacional.

O perfil das DREs eleitas está ligado à distribuição populacional do Distrito Federal.