II. L ES FORGES D ’ HABITATS GROUPÉS
II.3. La forge du relais routier d’Ambrussum durant le Haut-Empire (zone 9, Villetelle, 34)
A Internet teve origem nos Estados Unidos da América do Norte, na década de 1960, para fins eminentemente militares. A partir de 1969 começou a ser utilizada pelas universidades americanas como rede de comunicação, transferência de ficheiros de informação e colaboração entre cientistas e académicos, estendendo-se, progressivamente, a outras instituições científicas e universitárias em todo o mundo (Castells, 2004).
As capacidades desta rede para fins pedagógicos, como fonte de informação e como suporte para a comunicação, cedo atraíram as atenções de pedagogos, professores e investigadores em educação, sendo vista como uma ferramenta que não só auxilia mas que também expande e incrementa as actividades escolares; são exemplos disso, projectos realizados em Portugal no início da década de 1990 (Freitas, 1994; Machado, 1991).
A Internet tornou-se acessível ao público em geral com a criação da World Wide Web (WWW, web), em 1990 por um programador inglês, Tim Berners- Lee, na época a trabalhar no centro de investigação de Física com sede em Genebra (Castells, 2004). Desde a sua criação que a WWW tem experimentado um progresso extraordinário, constituindo-se como uma fonte de informação extremamente potente e como suporte a uma diversidade crescente de actividades tanto de lazer, como económicas, políticas, científicas e educacionais, entre outras. Devido à WWW e à própria evolução tecnológica da rede (banda larga) a Internet, actualmente, abre-se, também, como fonte de Recursos Educativos
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Digitais de interesse para professores, alunos e encarregados de educação. Se em 1998, segundo Lajus e Magnier, as principais aplicações da Internet para a educação eram o correio electrónico (e-mail), os fóruns e a World Wide Web, hoje em dia a própria WWW oferece uma multiplicidade de aplicações com interesse pedagógico, dos quais chats, blogues, wikis e podcasts são alguns exemplos.
A literatura da especialidade tem vindo a descrever as possibilidades e limitações da Internet em contexto educativo, decorrentes de investigações e de projectos de aplicação e disseminação realizados em escolas. Num relatório publicado em 2000 nos Estados Unidos da América do Norte (The Web-Based Education Commission, 2000), são apresentadas algumas das possibilidades da Internet na educação com base em projectos realizados nesse país:
- dá acesso a simulações, modelos, e ferramentas de visualização, permitindo ao aluno aprofundar a sua compreensão acerca de conteúdos menos evidentes e desafiadores;
- abre as portas da sala de aula a acontecimentos e problemas autênticos que podem ser a base para pesquisas guiadas e reflexivas, exequíveis através de trabalho de projecto;
- a natureza pública da WWW faz com que os alunos possam partilhar o que aprenderam com outras pessoas. Clareza e rigor adquirem novo significado quando os alunos partilham os seus produtos com pessoas fora da sala de aula. Ensinar aos outros é o modo mais poderoso de aprender;
- os recursos na web permitem o acesso dos alunos a mais informações das que são geralmente conseguidas através da pesquisa em livros de texto. Fontes primárias de materiais históricos, textos, artefactos e obras de arte, correspondentes aos recursos utilizados pelos verdadeiros historiadores, académicos e cientistas são actualmente acessíveis;
- a web possibilita aos alunos trabalhar com recursos e ferramentas que, de uma maneira geral, não estão disponíveis nas suas escolas;
- a realização de projectos com base na web tende a encorajar os alunos à construção colaborativa de significados através da discussão e confronto de
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diferentes perspectivas.
Chagas (2001), argumenta que a Internet é um recurso que, de um modo geral, é valorizado tanto por alunos como por professores. A autora acrescenta que a sua utilização implica mudança na prática lectiva convencional, conduzindo a novas situações, muitas delas impulsionadas pelos próprios alunos. Estas mudanças são confirmadas por Saúde (2002) ao relatar que a integração da Internet na sala de aula parece implicar novos papéis por parte dos professores, podendo levar a mudança de um ambiente centrado no professor para um ambiente onde grupos de alunos assumem a responsabilidade na construção do conhecimento.
Kalinke (2003) aponta os seguintes aspectos positivos do uso da Internet como ferramenta educacional:
- permite a interacção entre os alunos, do aluno com o professor ou do aluno com a máquina, defendendo que a interacção torna o processo educacional mais dinâmico, por exemplo em actividades que permitem a manipulação de objectos, simulando situações e verificando resultados;
- permite a valorização do trabalho dos alunos através da publicação de materiais a uma vasta audiência;
- permite o acesso à informação para pesquisa individual ou em grupo.
Como aspectos negativos Kalinke (2003) realça:
- a elevada quantidade de informação disponível que pode facilmente levar o aluno à dispersão do assunto principal durante a pesquisa;
- a falta de fidedignidade de muitas informações;
- a possibilidade de acesso a sítios não aconselhéveis e não seguros (pornografias, drogas, etc.);
- a lentidão decorrente do estado da própria tecnologia, como por exemplo, a lentidão no acesso aos sites;
- o aumento da possibilidade de plágio ou venda de trabalhos prontos aos alunos.
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Saúde (2002) refere ainda o predomínio de sites em língua inglesa. Estas situações podem ser minimizadas através da intervenção adequada do professor, orientando e direccionando os trabalhos de pesquisa de seus alunos. Kalinke (2003) sugere aos professores que indiquem previamente aos alunos, os sites e links específicos de modo a organizar, direccionar e qualificar os trabalhos e actividades dos alunos, minimizando se não resolvendo totalmente esses problemas.
A questão da netsegurança é premente nos dias de hoje e tem dado origem a diferentes iniciativas no sentido de preparar os alunos para uma utilização da web adequada às necessidades pessoais de aprendizagem e correcta sob um ponto de vista ético scocial. Ramos (2007), propõe que se oriente os alunos a aprender na Internet de forma segura com vista a desenvolver competências de pesquisa, de tratamento da informação e de comunicação.
Para uma utilização eficaz dos ambientes baseados na Internet para fins educativos, Sousa (2005), sintetizando a literatura sobre este assunto, defende que o professor tem de ser capaz de combinar uma abordagem construtivista com o uso das tecnologias de modo a gerar ambientes promotores de aprendizagem significativa e colaborativa, contextualizando actividades que promovam o desenvolvimento de competências e habilidades específicas previamente seleccionadas. A concepção construtivista, segundo este autor, é a que tem gerado mais benefícios e a que melhor contextualiza e tira proveito as potencialidades dos recursos tecnológicos nos processos de ensino e de aprendizagem. O mesmo autor acrescenta que o enfoque construtivista enfatiza a construção do novo conhecimento e formas de pensar mediante a exploração e manipulação activa de objectos e ideias tanto abstractas como concretas. É necessário que os professores compreendam as implicações do construtivismo para uma utilização das TIC frutuosa e enriquecedora do ponto de vista pedagógico.
Num recente relatório sobre Ciber-aprendizagem (cyberlearning), em que esta é definida como sendo a aprendizagem mediada por tecnologias de redes e
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de comunicações (Borgman, 2008, p.10), assume-se que as novas funcionalidades da chamada web 2.0 deram origem a uma nova cultura em que o cidadão participa através destes novos meios (participatory media culture) e que tem efeitos na sua vida pessoal e profissional. Em menos de três anos o YouTube tornou-se o terceiro site mais traficado no mundo com 2,9 mil milhões de videos visualizados em Fevereiro de 2008. Tais capacidades estão a ser exploradas pela educação tanto formal como informal. Centenas de milhões de pessoas, de todas as idades, desde alunos do ensino básico a adultos, publicam blogs, fotografias, vídeos, revisões de livros, perfis sociais, listas de bookmarks úteis e outros conteúdos on-line para os outros usarem e aprenderem através deles. A contínua disponibilização de versões beta permite que sejam constantemente melhoradas através do feedback dos utilizadores que passam, assim, a assumir um papel activo na gestão e controlo da informação na web.
Perante a intensa oferta de recursos e aplicativos que a web actualmente oferece considerámos pertinente, no âmbito da presente investigação, pesquisar e seleccionar um conjunto deles que possam servir de base a um curso ou oficina de iniciação à utilização educativa das TIC. Optámos pelos seguintes: e-mail, chat, webquest e blogue, devido à sua fácil utilização (acessíveis e grátis) relativamente às outras possibilidades, além de proporcionarem ambientes de aprendizagem rica e significativa.
O e-mail, correio electrónico, ou ainda e-mail permite compor, enviar e receber mensagens através de sistemas electrónicos de comunicação. Sendo um dos serviços há mais tempo disponíveis em redes de computadores, o e-mail tornou-se indispensável nas organizações por estar adaptado ao ambiente de grupos de trabalho, difundindo, trocando e partilhando informações.
Este serviço é um dos mais utilizados nas comunicações através do computador em diferentes áreas de trabalho. No seu inquérito por questionário aos professores, Paiva (2003) verificou que 65% dos professores inquiridos afirmaram utilizar a Internet e 40% usavam o e-mail.
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O recurso ao e-mail no contexto educativo amplia as possibilidades de interacção entre os alunos, entre o professor e o(s) aluno(s) bem como entre os próprios professores. Através do e-mail, os alunos têm a possibilidade de colocar dúvidas sobre a matéria permitindo, assim, que o professor faça um melhor acompanhamento do desenvolvimento do estudo dos alunos. O professor também pode utilizar o e-mail para esclarecer as suas possíveis dúvidas acerca da planificação das aulas, recorrendo a especialistas em determinada temática ou aos seus colegas.
Os alunos, em diferentes localizações, mais ou menos distantes, podem partilhar ideias. Torna-se possível “falar” uns com os outros em qualquer altura e responder em diferido quando quiserem, ficando os registos dessas trocas. Pode- se integrar o e-mail nas actividades lectivas, sendo utilizados pelos alunos para armazenar informação, colocar questões a pessoas para além da sala de aula (alunos em outras escolas, em outras localidades e especialistas nos tópicos em estudo) (Smaldino, Lowther e Russell, 2008) e participar em trabalho colaborativo on-line.
Chat
A designação deste ambiente de conversação on-line deriva do verbo inglês to chat, que significa conversar de forma informal ou familiar. Pode considerar-se como um fórum em tempo real onde duas ou mais pessoas podem estabelecer diálogo pela Internet. Para conversar com pessoas num Chat, todos os interlocutores precisam de estar, ao mesmo tempo, conectados à Internet.
“Trata-se de uma tecnologia que possui características de utilização muito simples e que desperta nos jovens grande curiosidade e satisfação relativamente à sua utilização regular em ambientes de carácter lúdico.” (Horta, 2002, p. 18). Em contexto escolar, Sousa (2005) refere que, muitas vezes, o encontro de alunos separados fisicamente e que planeiam estabelecer trabalhos em conjunto num ambiente de chat público é favorável para estabelecer as bases de cooperação. O trabalho de grupo é possível pois múltiplos utilizadores podem comunicar simultaneamente e o professor ou um aluno pode moderar a sessão.
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O serviço mais comum de acesso ao chat tem sido o Messenger. Este tipo de serviços incorpora vários recursos e funcionalidades, como o envio de figuras ou imagens animadas, conversação em áudio utilizando as caixas de som e microfone do sistema, além de vídeo-conferência através de uma webcam. Assim, torna-se possível que os alunos, em pequenos grupos realizem trabalhos recomendados pelo professor. Este também pode utilizar o Messenger para comunicar com os seus colegas e com professores de outras instituições de ensino, trocando experiências e material. Prado (2005) comenta que o uso de ferramentas de comunicação baseadas na Internet como chat, fóruns e e-mail, têm sido bastante explorados no processo educativo, favorecendo a troca de ideias e experiências que podem ampliar a visão do aluno no sentido de lhes fornecer novas referências para a sua reflexão.
Webquest
Embora os alunos possam ter acesso a uma fonte muito rica de informação como a web, as suas pesquisas são muitas vezes feitas ao acaso com recurso a capacidades de baixa exigência cognitiva. Para ultrapassar isto os professores podem utilizar um tipo de actividades – as webquests – como estratégia para ajudar os alunos a explorar a web efectivamente, na pesquisa e processamento de informação (Dodge, 1999).
As webquests constituem um modelo simultaneamente simples e rico para dimensionar usos educacionais da Web, com fundamento na aprendizagem cooperativa e em processos investigativos (inquiry) na construção do saber (Sousa, 2005). Estas actividades promovem, nos alunos, o trabalho autónomo e colaborativo, estando presentes neste processo a procura, a partilha, a investigação e a negociação (Cruz, 2006). As webquests têm-se revelado como uma estratégia eficaz para motivar alunos e professores no uso da Internet direccionado para o processo educacional, estimulando a pesquisa, o pensamento crítico, o desenvolvimento de professores e a produção de materiais (Sousa, 2005). Nos sites indicados na tabela 4 estão disponíveis webquests dirigidos a diferentes áreas curriculares de ciências:
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Tabela 4
Exemplos de sites para diferentes áreas currículares
Área curricular Título Disponível em: Biologia A Célula www.iep.uminho.pt/aac/hsi/a2005/Celula/
Biologia O meio ambiente www.anossaescola.com/CR/webquest_id.asp?questID=1824 Biologia
Crescer com a natureza - o
mundo animal www.anossaescola.com/CR/webquest_id.asp?questID=1825 Química Moléculas e átomos www.iep.uminho.pt/aac/lic/te/ate05/MoleculasAtomos/ Física Diferentes áreas Energia www.colegioalianca.com.br/Adm/Imagens/q_300507095624.ppt www.anossaescola.com/CR/webquest.asp
A webquest apresenta uma estrutura comum que está bem descrita no site do seu criador – Bernie Dodge - www.webquest.org. Outros sites dao orientações para a produção deste tipo de actividades5 o que de certa forma é revelador da sua popularidade.
O professor pode produzir as suas próprias webquests adequadas aos seus alunos e às temáticas em estudo, não se limitando às que estão disponíveis na Internet. Abar e Barbosa (2008) aconselham ao professor que pretenda usar a Internet e os recursos multimédia na sala de aula, a iniciar-se com tarefas mais simples, que exigem menos tempo de preparação, menor habilidade técnica e que sejam de curta duração. Numa segunda fase, quando o professor estiver mais familiarizado com a tecnologia e com a natureza deste tipo de actividades, pode proceder então à sua produção.
Blogue
O termo blogue vem do inglês blog que é uma abreviação de weblog, ou seja, diário na web, registo electrónico. Como funcionalidade apresenta um carácter dinâmico e interactivo, devido à facilidade de acesso e de actualização,
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permitindo a partilha de ideias. O que distingue um blogue de um site convencional é a facilidade com que é actualizado ao fazer-se registos periódicos que podem ser comentados pelos utilizadores da web, o que o torna particularmente dinâmico pois sua manutenção é relativamente simples, apoiada pelo sistema que gere a organização automática das mensagens, ou posts. Este sistema permite que novos posts (textos, imagens, vídeos, sons) sejam inseridos regularmente e sem dificuldade. A utilização de blogues no processo de ensino- aprendizagem amplia as possibilidades de interacção entre professores e alunos e com o exterior. Para tal, o professor tem de enquadrar o uso desta ferramenta nos objectivos curriculares e estruturar as actividades em que esta é utilizada, orientando o aluno num processo de aprendizagem significativa.
No seu estudo Barbosa e Serrano (2005) evidenciam as seguintes potencialidades educativas do blogue:
- facilita a participação activa do aluno, proporcionando as interacções necessárias para que construam os seus conhecimentos;
- viabiliza ao professor, juntamente com os seus alunos, desenvolver uma estrutura que estimula a curiosidade, levando os alunos à realização de várias operações cognitivas;
- permite que o aluno analise o que está publicado e sintetise comentários adequados, confrontando directamente as questões, estimulando a relação de causa e efeito;
- funciona como um veículo de informação e para informação, isto é, além das instruções contidas para execução das actividades, a possibilidade da inserção de links direcciona o aluno para a pesquisa de maneira ordenada, o que reduz a ocorrência de desvios na navegação on-line.6