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também, encontros mensais combinados com toda a equipe de professoras, efetivas e prestadoras de serviço mas, em virtude de algumas demandas, nem sempre tem sido possível realizá-las. Quando acontecem, as reuniões semanais são destinadas a elaboração coletiva de planejamentos das semanas posteriores, os quais seguem o calendário letivo enviado pela Secretaria Municipal de Educação para execução bimestral de projetos, de acordo com os temas sugeridos e demais ações pedagógicas. Na ausência das reuniões, o trabalho de pensar e elaborar o planejamento se cumpre de forma individual, no tempo que cada uma disponibilizar.

Pensando na importância do trabalho colaborativo para a construção de uma prática reflexiva contínua, vejo nas reuniões semanais da instituição pesquisada um espaço favorável para isso, como uma condição para a formação em serviço. No entanto, o fato de nem sempre as reuniões acontecerem e nem todas as professoras estarem presentes na maioria delas, preocupa, pois é necessário que esse processo seja constante e que todos que pensam os contextos de aprendizagem estejam engajados e se sintam implicados de forma a agir colaborativamente para a melhoria dos fazeres no atendimento à criança pequena.

5.1.2. Os sujeitos da pesquisa - as professoras participantes

Participaram da pesquisa cinco professoras, sendo três efetivas e duas prestadoras de serviço com contrato anual pela prefeitura. As professoras participantes foram convidadas a participar da pesquisa com base na quantidade e frequência dos registros imagéticos – fotografias e filmagens - postados nos grupos de aplicativos de mensagens da creche.

No quadro abaixo, busquei traçar o perfil das professoras participantes apresentando informações que considerei relevantes para compreender a prática das professoras, bem como os tipos de registros que costumam realizar.

Quadro 3 - Perfil das professoras participantes

Profa Tempo de atuação na Educação Infantil Tempo de atuação na instituição pesquisada Quantidade de crianças que atende no ano de 2019 e faixa etária Regime de trabalho Jornada de trabalho Formação inicial Formação continuada Tipos de postagens

A primeira abordagem às professoras foi feita com o consentimento da gestora da instituição que se prontificou a colaborar com o que fosse necessário para que a pesquisa acontecesse. Inicialmente, atendendo a um dos aspectos da pesquisa colaborativa, o diálogo face a face (IBIAPINA, 2008) foi agendado um momento com

P1 14 anos 10 anos 48 (20 – manhã e 28 – tarde) – 5 anos Concursada 40 h Pedagogia Psicopedag ogia (Pós- graduação) Cursos e minicursos de formação presenciais e online, leituras, conversas com os colegas. Vídeos das crianças em ação no estilo boomerang; Selfie com as crianças; Fotos as crianças realizando atividades propostas P2 1 ano e 8 meses

1 ano e meio 13 (1 ano e meio) Prestadora de serviço 40 h Superior em Pedagogia Pesquisas em internet e formações continuada s pela prefeitura Fotos individuais dos bebês

P3 20 anos 7 anos 48 (30 -manhã (4/5 anos e 18 – tarde (2/3 anos) Prestadora de serviço 40 h Pedagogia (Superior) Psicopedag ogia e Docência em Educação Infantil (Pós- graduação) Leitura de artigos, livros, participand o de formações Fotos das crianças em vários espaços da instituição; Vídeos das crianças explorando ambientes externos; Fotos dos eventos com toda a comunidade escolar. P4 7 anos 6 anos 28 (3 anos) Concursada 40 h Superior em

Pedagogia e Psicologia Congresso s, formações continuada s e leituras de textos da internet Fotos de atividades em sala de referência, sobretudo quando as crianças estão em roda. P5 20 anos 10 anos 28 (3 anos) Concursada 20 h Superior em

Pedagogia Formação continuada e interagindo com as colegas Fotos das crianças em atividade na sala de aula, geralmente em roda; Fotos de vivências nos ambientes externos.

cada professora, prevendo tempo disponível para cada etapa da pesquisa. O primeiro encontro aconteceu com o objetivo de explicar para as professoras como se daria o processo investigativo e buscar o consentimento delas para as próximas etapas, as quais serão explicadas a seguir.

Este primeiro contato foi fundamental para que pudesse explicar todos os procedimentos da pesquisa. Através da apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCL, as professoras participantes tiveram acesso ao objetivo geral da pesquisa, bem como as informações sobre como se daria a coleta de dados. Todos os procedimentos foram explicados através de uma conversa, onde foi informado às professoras que elas ficariam à vontade para participar ou não como colaboradoras, inclusive, essa orientação foi válida do início ao fim da pesquisa.

A partir das assinaturas das professoras participantes assumindo o compromisso em participar da pesquisa, agendei, com cada uma, a data e o horário que lhes fossem mais convenientes para os próximos dois encontros. Os encontros tiveram a duração de, no máximo, 1 hora e 30 minutos e aconteceram individualmente, entre os horários das 11h às 13h, período em que as crianças estavam dormindo e as professoras se sentiam mais tranquilas para conversar, já que quatro delas passam o dia na instituição e uma delas preferiu o horário de término do seu turno de trabalho.

A construção de dados foi realizada a partir de entrevistas que, segundo Amado (2018, p. 207) “[...] é um dos mais poderosos meios para se chegar ao entendimento dos seres humanos e para a obtenção de informações nos mais diversos campos”. Assim, fiz a escolha pela entrevista semiestruturada, a qual foi organizada em blocos dentro de um Guião de Entrevista (AMADO, 2018). De acordo com o Amado (2018) na entrevista semiestruturada ou semidiretiva as questões derivam de um plano prévio, um guião onde se define e registra, numa ordem lógica para o entrevistador, o essencial do que se pretende obter, embora, na interação se venha a dar uma grande liberdade de resposta ao entrevistado.

Conforme a bibliografia consultada (GILLHAM, 2000; KVALE, 1996; BOGDAN e BIKLEN, 1994) a entrevista semiestruturada (ou semidiretiva) é apontada como um dos principais instrumentos da pesquisa de natureza qualitativa, sobretudo pelo fato de não haver uma imposição rígida de questões, o que permite ao entrevistado discorrer sobre o tema proposto “[...] respeitando os seus quadros de referência, salientando o que para ele for mais relevante, com as palavras e a ordem que mais

lhe convier, e possibilitando a captação imediata e corrente das informações desejadas” (AMADO, 2018, p. 209).

Dessa forma, conforme as orientações, elaborei o Guião das Entrevistas, o qual foi dividido em blocos com objetivos, questões orientadoras e perguntas de discurso e aferição. Foram elaborados quatro blocos que ficaram distribuídos da seguinte maneira:

Quadro 4 - Blocos para as entrevistas semiestruturadas com as professoras participantes

BLOCOS TEMÁTICAS INFORMAÇÕES E PERGUNTAS DE DISCURSO E AFERIÇÃO

BLOCO 1 Legitimação da entrevista

Mostrar a importância da colaboração da professora para o estudo; Dizer que todas as informações serão confidenciais e que

as formas de escrever sobre os relatos preservarão a sua identidade; Explicar como será cada etapa da entrevista, incluindo o tempo de entrevista para cada bloco, a parte da gravação em áudio e a análise dos registros e informando que a professora não sofrerá nenhuma perturbação ao longo do estudo;

Mostrar o termo de consentimento e convidar oficialmente a professora a participar da pesquisa através da assinatura do

documento.

BLOCO 2

Reflexões sobre os registros pedagógicos

1. Você fotografa e filma sua prática? Por que? 2. O que você faz com esses registros? 3. Como você decide/escolhe o que vai registrar?

4. Quais momentos você prefere registrar? 5. Aonde costuma publicar? (Se tratar de publicação)

BLOCO 3

Reflexões sobre a prática reflexiva

1. Para você, qual a importância de refletir sobre a prática pedagógica?

2. De que forma você costuma refletir sobre a sua prática pedagógica?

3. Você costuma apreciar os registros de fotos e de vídeos que faz da sua prática? O que você pensa ao observá-los?

4. O que te chama mais atenção nas imagens? Você acha que os registros de fotos e vídeos podem te ajudar a

refletir sobre a sua prática pedagógica? Como?

BLOCO 4 Análises dos registros imagéticos - fotografias e filmagens - escolhidos pelas professoras participantes

1. Por que você selecionou estes registros?

Obs.: As demais perguntas foram pensadas a partir da análise da pesquisadora juntamente com as professoras sobre as imagens.

No primeiro encontro, foi realizado o Bloco 1 com o objetivo de explicar os objetivos da investigação e como a entrevista aconteceria. Neste primeiro encontro, agradeci a disponibilidade das professoras e explicitei o problema, o objetivo geral e

os benefícios da pesquisa. Mostrei a importância das professoras em situação de colaboradoras e garanti a confidencialidade dos dados coletados. Inicialmente, neste primeiro contato, embora me conhecessem, senti as professoras um pouco apreensivas para participar da pesquisa. Algumas delas chegaram a expressar que estavam um pouco nervosas pelo que iria ser perguntado. Ao perceber tal apreensão, busquei tranquilizá-las, dando mais detalhes sobre os assuntos que seriam abordados, mostrando que o mais importante era que elas ficassem muito à vontade para falar o que acontecia em suas práticas cotidianas.

No segundo encontro foram realizados os Blocos 2 e 3. Estes blocos aconteceram através do diálogo face a face foram dedicados às reflexões sobre a importância dos registros imagéticos e da prática reflexiva. Nesta perspectiva, Ibiapina (2008) diz que “[...] a entrevista apresenta diferentes condições que favorecem a produção do discurso e o dialogismo, possibilitando análises mais profundas e substanciais do objeto em estudo”. Nestes blocos, busquei entender os motivos pelos quais as professoras participantes registram suas práticas com fotografias e filmagens, o uso que elas fazem dessas imagens e, sobre como refletem sobre sua própria prática, verificando se os registros ajudam na reflexão e de que forma eles colaboram. Para este bloco, algumas questões orientadoras foram pensadas previamente para nortear a conversa, conforme o quadro 4.

Ao iniciar o bloco 2, percebi que as professoras apresentavam um certo receio em se expressar, em ficar à vontade para falar. Mas, no decorrer da entrevista, onde elas puderam perceber que a conversa era em torno da realidade, do que elas faziam em seu dia a dia, foram ficando mais tranquilas e motivadas a falar. No terceiro bloco, o qual tratou da prática reflexiva, vi que se sentiram surpresas pela oportunidade de poder falar apenas sobre as suas práticas.

O bloco 4 foi o último dos encontros e teve como objetivo analisar junto com as professoras participantes alguns dos registros imagéticos - fotografias e filmagens - de suas práticas, selecionados por elas, através de sessões reflexivas (IBIAPINA, 2008). As sessões reflexivas são consideradas pelos estudiosos da pesquisa colaborativa como dispositivo que auxilia os professores a analisar a relação entre seus objetivos (de curto e longo prazo) e suas práticas. Para Ibiapina (2008, p. 97), “[...] as sessões são como espaço colaborativo que motiva a reflexão intencional [...] essa reflexão promove a reelaboração de conceitos e práticas pedagógicas e a avaliação das possibilidades de mudança da atividade docente”.

Neste último encontro já percebi as professoras participantes mais tranquilas e felizes com o momento. Demonstraram satisfação em poder expressar o que pensam e o que sentem acerca do seu fazer diário, refletindo sobre as problemáticas e possíveis soluções de maneira colaborativa com a pesquisadora.

Para o Bloco 4 foi solicitado que cada professora, escolhesse dentre os seus registros fílmicos e fotográficos, cinco deles, aqueles que, por algum motivo lhes fossem mais significativos e me enviassem. Alguns dos registros, os que, em minha análise prévia apresentaram mais dados para possíveis análises foram utilizados nas reflexões junto às professoras. Vejamos os registros trazidos pelas professoras no quadro abaixo:

Quadro 5 – Registros imagéticos – fotografias e filmagens - escolhidos pelas professoras participantes referentes a atividades desenvolvidas no ano de 2019.

Profa. Participante Registro imagético 1 Registro imagético 2 Registro imagético 3 Registro imagético 4 Registro imagético 5 P1 Filmagem referente à modelagem das crianças sobre o sistema digestivo. P2 Filmagem referente à exploração da luva sensorial por um bebê.

P3

P4

P5

Procurei deixá-las muito à vontade para fazer a escolha dos cinco registros imagéticos de suas práticas. Mas, ao observar os registros, vi que uns apresentavam mais aspectos relacionados às concepções de criança e Educação Infantil do que outros e que mereciam maior reflexão. Ao perceber tais aspectos fiz mais uma escolha, a de aprofundar as análises apenas sobre os registros imagéticos que nos revelavam, em um primeiro olhar, mais elementos. Sendo assim, esclareço que nem todos os registros trazidos pelas professoras participantes foram refletidos criticamente no momento do terceiro encontro das entrevistas. No próximo capítulo desta dissertação, na seção das análises dos dados e resultados, será possível conferir quais registros imagéticos foram analisados de forma mais específica.

No momento da análise dos registros, busquei ouvi-las sobre o que tinham a falar em relação a motivação de terem feito os registros e o que as fez escolhê-los para a sessão reflexiva. Desta forma, busquei considerar a - escuta ativa - como cita Amado (2018, p.2016) recorrendo a Bourdieu (1993, p. 906)

[...] ela associa a disponibilidade total em relação à pessoa entrevistada, a submissão à singularidade da sua história particular, que pode conduzir, por uma espécie de mimetismo mais ou menos dominado, a adotar a sua linguagem e a entrar nos seus modos de ver, nos seus sentimentos, nos seus pensamentos, com a construção metódica, indispensável do conhecimento das condições objetivas, comuns a todas as categorias.

Deste modo, os momentos de conversa foram realizados partindo das questões elaboradas no Guião de Entrevista, de forma que as trocas entre pesquisadora e professoras participantes acontecessem espontaneamente, seguindo a natureza do diálogo construído. As entrevistas foram audiogravadas e transcritas na íntegra e, depois analisadas por completo, o que, segundo Queiroz (1991 apud AMADO, 2018, p.220) “[...] é uma nova experiência da pesquisa, um novo passo em que todo o processamento dela é retomado, com seus envolvimentos e emoções”. Após a finalização de cada encontro, arquivei todas as audiogravações e registros imagéticos utilizados para o momento de análise dos dados.

Cada encontro aconteceu em um dos espaços considerados mais tranquilos para as professoras, a biblioteca da instituição. Percebi que o espaço utilizado para as entrevistas e o horário escolhido, entre 11h e 13h, contribuíram para que as professoras se sentissem à vontade para vivenciar um momento só delas. Por um instante, as professoras puderam parar em meio a rotina de trabalho para pensar junto com um mediador, no caso, a pesquisadora, sobre os aspectos relacionados à sua prática pedagógica, algo tão essencial em nossa profissão.

5.1.3. Sobre refletir com as professoras participantes

Para apresentar os resultados da pesquisa, gostaria de ressaltar a importância deste momento para o estudo. Revisitar os dados foi uma oportunidade de me encontrar com todo o processo, de relembrar as primeiras motivações para construir este estudo e de entrelaçar os conhecimentos teóricos com a realidade encontrada. Analisar os dados não é tarefa fácil, afinal, para a minha surpresa, muitos foram os achados da pesquisa, a partir da participação colaborativa das professoras. No entanto, escolhas são sempre necessárias de se fazer para que boas discussões possam ser realizadas e divulgadas.

Considerando a extensão das entrevistas semiestruturadas realizadas com as professoras participantes, ao passar pelo processo de transcrição, fui reconhecendo os aspectos mais relevantes para o alcance do objetivo deste estudo que se traduz

em evidenciar a potencialidade dos registros imagéticos - fotografias e filmagens - como documentos inspiradores da prática reflexiva na Educação Infantil.

No final dos encontros, percebi que consegui construir algum vínculo com as professoras participantes. As professoras chegaram a agradecer pela oportunidade que tiveram de, junto comigo, pensar a própria prática. No próximo capítulo apresentarei os resultados encontrados a partir das análises dos dados produzidos ao longo dos encontros com as professoras.

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