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Ao longo de uma atividade de leitura, um sujeito estabelece uma série de

conexões de natureza significativa e as relaciona com informações diversas, como forma de

estabelecer a produção do significado durante a leitura. Algumas das atividades desenvolvidas

pelos leitores são meramente de natureza cognitiva e os sujeitos as utilizam para ativar a

percepção, a assimilação do conhecimento, a construção do significado e a materialização a

aprendizagem.

Algumas atividades cognitivas foram destacadas e relacionadas às estratégias

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apropriam de tais ações durante a atividade de leitura. As ações que serão observadas neste

capítulo estão relacionadas à manutenção da atenção, à ativação do conhecimento prévio e da

memória, à organização e sistematização da informação lida, a o envolvimento reflexivo do

leitor com o texto e à construção e confirmação de hipóteses para a atividade de compreensão

leitora. Cada uma das ações elencadas serão amplamente apresentadas, analisadas e discutidas

a seguir.

a. Manutenção da atenção

O controle da atividade cognitiva de manutenção da atenção recebeu bastante

destaque dos sujeitos. No formulário 2, a atividade metacognitiva relacionada à manutenção

da atenção podia ser identificada nas questões 16 (“eu interrompi a leitura pelo menos uma

vez para pensar sobre o que estava lendo”), enquadrada na variável de avaliação do eixo de controle, e 18 (“eu reli o texto para melhorar meu entendimento”), dentro da variável de estratégia no eixo da consciência.

No teste 1, em que a atividade foi mediada pelo pesquisador através da realização

de uma dinâmica com todos os informantes interagindo entre si, foi possível constatar que

todos os 22 informantes afirmam ter recorrido à variável de estratégia, mas apenas metade do

grupo (11 informantes) reconhece ter se utilizado da variável de avaliação. Este resultado

pode ter sido motivado pela não percepção da avaliação feita, uma vez que todos puderam

negociar o sentido na leitura em conjunto e construir as estratégias coletivamente, sem levar

em conta o uso da avaliação ao longo do processo.

Nos testes seguintes, em que a atividade transcorreu sem uma interação entre os

participantes, foi possível seguir na mesma linha de constatação. A maioria expressiva dos

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da leitura e, à medida que os testes foram sendo desenvolvidos e que a complexidade

informativa se incrementava, os sujeitos passaram a declarar uma maior utilização da variável

de avaliação (12 em T2; 19 em T3; 18 em T4).

Esta mesma tendência de uma expressiva utilização da variável de estratégia para

ativar controlar e manter a atenção também pode ser comprovada com a observação dos três

protocolos verbais documentados. No primeiro deles, 8 ações foram identificadas neste

sentido e, em praticamente todos os casos, o informante relata ter se utilizado da repetição de

um fragmento para manter a atenção ao longo da leitura. Na maioria dos casos identificados, o

sujeito recorre à releitura de um fragmento.

Pv1 12 13 14 21 24 25 26 40 41 46 47 58

pregunta?... Justifica tu respuesta” … Vou ler novamente … “¿Por qué los

puntos de interrogación presente en el segundo tebeo no representan de hecho

una pregunta? … Justifica tu respuesta” ... voltei ao quadrinho e olhei de ... “te importaría no estar tan cerca de mí?” ... então agora vou voltar …

del segundo tebeo por … Odie, ¡quédate lejos de mí!? Justifica tu respuesta.”... Então ... eu vou voltar novamente ... à tirinha ... e vou trocar para ver qual impacto seria ... vou ler mais uma vez a pregunta ... “¿El mensaje transmitido Garfield? ¿qué tipo de conclusión se puede sacar que sirva para explicar la

actitud de Odie?” …vou ler a pergunta mais uma vez … “¿a través de la

actitud de Odie?” ... talvez eu ... eu voltei mais uma vez ao quadrinho e dei mais uma olhada ... eu penso que ... na verdade ... o Odie ... ele:: de certa

continua ali ... então é isso ... então portanto eu voltei mais uma vez ao ... início

Da mesma natureza identificada no protocolo verbal 1, também foi possível

verificar, no Teste 3, documentado no Protocolo Verbal 2, a utilização da estratégia

metacognitiva que envolve a retomada de um ponto da leitura para estabelecer o controle da

atenção. Ao longo da documentação dos procedimentos adotados pelo sujeito em T3, foi

possível identificar 7 ocorrências de ações deliberadas para estabelecer o controle da atenção

97 Pv2 10 18 19 29 30 32 33 40 41 82 83 84

co” … vou reler de novo ese pedacinho…”había un acto oficial en nuestra puse dos dedos en la boca y di dos o tres silbidos con toda mi fuerza” …vou ler de novo…“como yo quería demostrar mi entusiasmo a la manera americana más énfasis… entonces un profesor sonriente … me preguntó” … então vou reler de novo a frase “explicó que en América silbamos para dar a nuestros

¿eso quiere decir que le ha gustado el discurso del rector?” Vou reler a

pregunta “¿eso quiere decir que le ha gustado el discurso del rector?... yo no

y me miraron con simpatía” … então … eu vou reler o texto mais uma vez para

tentar entendê-lo melhor … “ayer me sucedió algo de veras trágico” … então palabras” … vou reler a pregunta de número 2 … “tras la lectura del

fragmento... qué tipo de reacción podría ser provocada en el lector? justifica

con tus propias palabras” … eu não estou entendo .. vou reler mais uma vez ...

Assim como em Pv1 e Pv2, em Pv3 também foi possível identificar as ações

realizadas com o objetivo de recorrer a estratégias que fomentassem a manutenção da atenção.

Em Pv3, o sujeito declara a dificuldade enfrentada com o processo de leitura. Com o fim de se

assegurar que a construção do sentido seguia dentro de uma lógica a qual ele não tinha tanto

controle, ele também se utiliza da variável de estratégia para manter a atenção e, além disso,

faz um maior uso da variável de avaliação, no eixo do controle, para ter certeza de que o

processo estava sendo bem sucedido, sempre questionando as informações e buscando

verificar se elas se encaixavam com as delimitações de sentido impostas pelo texto, como se

pode perceber na passagem destacada abaixo.

Pv3 30 31 77 78 79 80 103

… vou ler novamente para tentar entender qual é a relação que eles fazem entre

... se é a relação que eu estava imaginando entre os bichinhos ... cuando uno

sabes como te vão sair … vou voltar ao texto ... mais uma vez ...dá mais uma olhada ... achei o texto mais difícil pra compreensão ((pausa longa)) ... estou lendo novamente a imagem ... estou lendo as partes que eu acho principais do texto ... al final ( ) para hacernos la vida monstruosamente ... ((pausa longa)) ...

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104 eu vou voltar ao texto para grifar aonde estão estas palavras ... “cuando alguien EM RELAÇÃO À MANUTENÇÃO DA ATENÇÃO

Todos os dados apresentados servem de instrumento para demonstrar que a

manutenção da atenção recebe uma grande importância dos sujeitos durante o processo de

compreensão leitora e que eles recorrem à estratégia de voltar a ler um fragmento do texto

para tentar estabelecer um sentido para a leitura e, também, para avaliar se o sentido atribuído

corresponde ao esperado para aquele fragmento.

b. Ativação do conhecimento prévio

O uso do conhecimento prévio como instrumento facilitador da leitura foi

apontado pela expressiva maioria dos informantes como uma das ações empenhadas no

momento de leitura. Foi possível verificar que apenas uma questão relacionada a este tópico

estava incluída no Formulário 2 (“eu usei meu conhecimento prévio para me ajudar a entender

melhor o que estava lendo”) e que em todos os formulários assinalados pelos informantes, a

expressiva maioria informou ter se apropriado dos conhecimentos anteriores para gerar

informações que facilitassem a compreensão do texto em questão.

Foi observado que o texto que gerou um menor índice de declaração de ativação

do conhecimento prévio foi o que estava inserido no Teste 3, fato este que pode ser explicado

pela natureza do texto proposto.

ENT-T3-3

Houve algumas mudanças pois neste texto não haviam ilustrações ou algo que pudesse ajudar a compreendê-lo.

Como a atividade sugeria a leitura de um fragmento de uma obra literária, as

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prévios do leitor demandavam saberes de natureza cultural e acadêmica e, em favor da idade

média dos sujeitos, muitos dos informantes não dispunham de informações sólidas que

pudessem contribuir efetivamente com o estabelecimento do sentido naquele contexto.

Mesmo assim, ainda que com as limitações culturais e de conhecimento de mundo

existentes, o pesquisado que documentou os caminhos percorridos através do protocolo verbal

buscou identificar elementos que pudessem lhe ajudar a estabelecer o sentido ao longo da

leitura sugerida. O informante procurou pistas que lhe orientassem em relação às hipóteses

estabelecidas e sua possível confirmação, lançando mão dos recursos disponíveis para

estabelecer um sentido para o fragmento lido.

Pv2

04 05 06 07

preguntas que siguen” ... então:: eu ... pelo que o título do livro vai tratar de algumas teses de nanci ... se teses for no sentido que eu to entendendo argumen::tos alguma coisa ... vamos ver ... talvez não seja ... vamos ver ... vou ler então ... ayer me sucedió algo de veras trágico … ayer

EM RELAÇÃO À ATIVAÇÃO DO CONHECIMENTO PRÉVIO

Fica evidente que a utilização do conhecimento prévio e da memória é

reconhecida pelos informantes como um elemento facilitador e necessário no processo de

compreensão leitora. Os sujeitos também declaram que quando as informações podem ser

ativadas através de elementos não verbais, tais como ilustrações e figuras, existe uma maior

probabilidade de facilidade de ativação de tais informações do que quando elas podem ser

ativadas apenas por elementos verbais. Independente dos caminhos percorridos e dos recursos

disponíveis, com a pesquisa realizada, foi possível verificar que os leitores assumem um

comprometimento com a atribuição de sentido, e buscam na ativação da memória e do

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c. Organização da informação

Ao desenvolver uma atividade de leitura, uma das ações que pode ser realizada

pelos leitores é a sistematização da informação para facilitar o processo de atribuição de

sentido às mensagens. Com o fim de identificar a realização dessas ações pelos sujeitos desta

pesquisa, 5 questões foram incluídas no Formulário 2 para tentar mensurar a utilização desse

recurso. Deste quantitativo, 4 estavam no eixo de consciência (3 delas se referiam à variável

de tarefa e 1 a de estratégia) e 1 no eixo de controle (na variável de planejamento).

Dentro da variável de tarefa, a primeira questão era a de número 4 (“ao começar a leitura, eu selecionei o que deveria ser lido mais atentamente e o que não necessitava tanta

atenção”). Ficou constatado que, na grande maioria dos casos, os sujeitos não demonstraram grandes preocupações em estabelecer critérios para a leitura e selecionar informações que

iriam ajudá-los no processo de construção de sentido. Para o Teste 1, apenas 8, dos 22

informantes, assinalaram ter destacado as informações importantes. Os números dos sujeitos

que declararam ter ativado esta atividade metacogntiva aumentaram um pouco no Teste 2 (11-

11), e voltaram a decrescer no Teste 3 (6 declaram tê-lo feito contra 16 que não o fizeram) e

no Teste 4 (7 a 15).

A segunda questão referente à variável de tarefa era a de número 7 (“eu fiquei

atento a figuras e imagens presentes no texto para melhorar meu entendimento”). Nesta, o

quadro apresentado foi completamente distinto da situação descrita na questão 4. Em todos os

formulários referentes aos Testes 1, 2 e 4, os informantes, em sua integralidade, atestaram

conferir especial atenção às figuras como forma de agregar informações para a construção de

sentido nos textos. Como o Teste 3 se constituía de um fragmento de uma obra literária, sem a

presença de uma figura, os sujeitos assinalaram a opção negativa para esta questão em favor a

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Foi possível perceber também que aqueles que concentraram suas atenções nas

imagens e figuras presentes nos textos, não dedicaram a mesma preocupação aos recursos

tipográficos disponíveis. Na questão 9 (“eu identifiquei os recursos tipográficos tais como negrito e itálico para identificar as informações principais”), o resultado encontrado nos quatro testes foi exatamente o mesmo. Apenas 2 informantes afirmaram observar as marcas

tipográficas, tais como negrito e itálico, contra 20, em todos os testes, que declararam não se

preocupar com estas informações.

No campo da variável de estratégia, a maioria expressiva dos informantes atestou

não ter dedicado qualquer preocupação à realização de marcas processuais para facilitar a

leitura dos textos. Na questão 22 (“sublinhei ou circulei informações no texto para me ajudar

a lembrar algumas partes”), o resultado obtido demonstra que os sujeitos não realizaram

qualquer atividade neste sentido.

No eixo de controle, na variável de planejamento, na questão 25 (“escrevi algumas partes com minhas próprias palavras para me ajudar a entender o que lia”), do Teste 1, apenas 2 informantes declaram ter recorrido a este procedimento, enquanto 20 disseram não

tê-lo feito. Nos Testes 2 e 3, os números foram muito similares (2-20 e 3-19,

respectivamente). No Teste 4, ainda que a grande maioria tenha declarado também não tê-lo

realizado, o número de informantes que declararam ter se preocupado com esta estratégia

metacognitiva foi um pouco maior (7 a realizaram, contra 15 que não a fizeram). Este

incremento pode ter sido resultado da maior complexidade do texto presente no Teste 4, fato

este que pode ter imposto aos sujeitos que recorressem a um maior número de estratégias para

dar conta da interpretação sugerida.

Considerando todas as informações coletadas, é possível constatar que os sujeitos,

ao longo desta pesquisa, não demonstraram se preocupar com a organização e sistematização

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ser lido com mais atenção, não realizaram anotações processuais como elemento facilitador, e

não escreveram comentários com suas próprias palavras para facilitar a compreensão leitora.

Uma vez mais, o elemento ressaltado pelos informantes foi a presença de uma imagem

vinculada aos textos.

Um informante relata na entrevista, a qual está incluída no final do formulário 2

que acompanhou a realização de T4, a preocupação em estabelecer um sentido para a imagem

presente no texto e sua ação deliberada de atribuir um sentido para a imagem como forma de

organizar a informação e gerar uma interpretação mais abrangente para o texto lido. Com isso,

ele reconhece o vínculo semântico entre os elementos constituintes do texto.

ENT-T4-21

Este texto foi um pouco mais complexo, além de conter imagens, que certamente devem ser levadas em conta, fazendo com que se procure a conexão do texto com a imagem.

Assim, é possível constatar que os sujeitos não dedicam tanta atenção à

sistematização da informação lida, ao trabalho de pré-leitura e à tomada de consciência sobre

a leitura, reforçando a ideia de que eles reconhecem a presença de figuras e imagens como

instrumento facilitador de atribuição de sentido para o texto. Estes dados também apresentam

pistas preliminares sobre a forma como estes leitores se envolvem com a atividade de

compreensão leitora, dando indicações de que eles iniciam a atividade de leitura sem

estabelecer hipóteses iniciais para a proposta, que não selecionam as informações que possam

lhes ajudar a antecipar os problemas e que se preocupam com a resolução das situações

conflitantes apenas quando elas ocorrem, buscando meio de minimizá-las e saná-las.

EM RELAÇÃO À ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Os sujeitos não atentam à sistematização da informação lida, nem ao trabalho de

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com a atividade de compreensão leitora. Isto proporciona indicações de que eles iniciam a

atividade de leitura sem estabelecer hipóteses iniciais para a proposta, não selecionam as

informações que possam auxiliar a antecipar os problemas e dedicam esforços na resolução

das situações conflitantes apenas quando elas ocorrem, buscando meio de minimizá-las.

d. Envolvimento reflexivo do leitor

O envolvimento com os textos e o desenvolvimento da reflexividade a partir da

relação estabelecida entre leitor e texto foi um dos pontos mais destacados pelos sujeitos ao

longo das atividades de construção de sentidos na leitura. Com os dados levantados, foi

possível destacar que os informantes estabeleceram vínculos com os textos tanto para lhes

proporcionar mais instrumentos no momento de atribuição de sentido à mensagem, quanto

para gerar conhecimento a partir das reflexões desenvolvidas.

Dentro da categoria de “desenvolvimento da reflexividade e envolvimento com o

texto”, 6 questões estavam inseridas no Formulário 2, sendo que quatro delas no eixo de

consciência - na variável de estratégia - e outras duas no eixo do controle, sendo 1 referente à

variável de supervisão e outra a de avaliação.

No eixo de consciência, a primeira delas era a questão 8 (“eu me ative a pistas

contextuais para me ajudar a entender o que estava lendo”). Os informantes atestaram, quase

que majoritariamente, que estas informações contextuais foram relevantes ao longo da leitura

e que eles a utilizaram como recurso para auxiliar na constituição de um sentido para aquela

mensagem. No Teste 1, 19 afirmaram tê-la usado, contra 3 que não reconhecem o seu uso. O

mesmo número (19-3) foi o apresentado em T2. Em T3 e T4, todos os 22 informantes

104

A segunda questão referente à variável de estratégia era a de número 11 (“eu

tentei adivinhar o que o conteúdo dizia enquanto eu lia”). Nela, também a expressiva maioria

dos sujeitos declara ter recorrido a esta estratégia durante a leitura. Em todos os casos, o

número de sujeitos que declaram o uso deste recurso foi maior que os que disseram que não o

fizeram. No Teste 1, 18 reconhecem tê-la usado enquanto 4 não. No Teste 2 o número foi 19

contra 3. No teste 3 foram 12 contra 10. No teste 4, 16 contra 6.

O desenvolvimento de estratégias de aproximação do leitor com o texto

proporcionou um vínculo entre leitor e texto que gerou benefícios para o processo de

compreensão leitora, resultando em uma maior autonomia do sujeito. No fragmento abaixo,

extraído da entrevista referente ao Teste 3, o informante 1 afirma se beneficiar da observação

do contexto para atribuir sentido à algumas passagens, se sentindo mais independente em

relação à leitura pelo vínculo estabelecido.

ENT-T3-1

Nas duas atividades das semanas anteriores não foi necessário o uso de um dicionário. Nesta atividade, por ser um texto um pouco mais longo e com algumas palavras um pouco mais difíceis, foi necessário um dicionário e em algumas partes tentei dar um significado a palavra de acordo com o contexto.

Também foi possível notar, através da análise dos protocolos verbais, que uma das

ações empenhadas, a qual se relaciona com o envolvimento do leitor com o texto a fim de

minimizar as dificuldades enfrentadas, foi a realização da inferência. Através deste

procedimento, os sujeitos empenharam ações, de forma consciente, com o fim de suprir as

carências informativas necessárias para a construção de sentido no texto.

Foi possível identificar inferências de diversas naturezas. Uma delas, destacada no

fragmento abaixo de Pv1, entre as linhas 30 e 32, é a de natureza léxica. O informante

conseguiu suprir uma falta de conhecimento do idioma a partir da reflexão da informação

105 Pv1

30 31 32

mais impacto ... né? .. talvez ele se afastaria com maior precisão ... e Odie parece ser o nome do cachorro ... correto e tebeo parece ser cada quadrinho ... então isso não vou olhar ao dicionário porque é algo que já sei ... então ... eu

A relação de envolvimento do leitor com o texto permitiu que o sujeito tirasse

algumas conclusões preliminares as quais lhe ajudaria nos processos inferenciais, ou em uma

inferência de segunda ordem. No fragmento abaixo (linhas 60 e 61 de Pv2), o informante

reconhece que a partir dos conflitos culturais envolvendo a protagonista da história, a

personagem provavelmente estaria fora do seu país, de sua cidade natal ou de seu ambiente de

conforto.

Pv2

60 61

…página 40 .. então uma história que se passa fora da América com certeza …

parece ser em Madrid .. não sei .. talvez o texto foi lançado lá também … talvez

Também foi possível identificar outro tipo de inferência envolvendo questões

discursivo-gramaticais, em que o sujeito buscou, baseado em seu repertório de conhecimentos

estruturais em língua materna, instrumentos para reconhecer a natureza formal das relações

gramaticais entre os elementos, como forma de construir sentido agregado aos elementos

integrantes daquela mensagem. No fragmento a seguir, o pesquisado identifica a natureza da

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