Annexe 12 : Etude RERO
A. Forces et faiblesses de l’intégration des collections
Estimulante 265 96,7% Não estimulante 9 3,3% Confusa 15 10,1% Não confusa 133 89,9% Desnecessária 22 15,1% Não desnecessária 124 84,9%
Útil para perceber melhor o concerto 218 92,4% Não útil para perceber o concerto 18 7,6%
Útil para recordar o concerto 160 89,4%
Não útil para recordar o concerto 19 10,6% Útil para aumentar o prazer no concerto 180 91,4% Não útil para aumentar o prazer no concerto 17 8,6%
Ajuda a concentrar-se 163 74,4%
Não ajuda a concentrar-se 56 25,6%
Dispersa a sua atenção da música 78 45,3% Não dispersa a sua atenção da música 94 54,7%
A última pergunta era de resposta aberta, para cada um dos inquiridos poder acres- centar algum comentário de índole mais pessoal e que clarificasse a opinião recolhida sobre o concerto. À instrução 8, “diga numa frase o que recorda melhor do concerto que acabou de ver e ouvir”, e apesar de não ser de resposta imediata (sim ou não), obtivemos 173 respostas (55,1%), das quais destacámos: as diversas referências à obra principal apresen- tada no concerto desse dia, Babar, o pequeno elefante, justificada talvez pela forte compo- nente visual e narrativa associadas à história; o envolvimento e a boa interação com o público; elogios que se referem a cada um dos intervenientes no concerto (orquestra, nar- rador, luzes, experiência audiovisual); o gosto pela música e a importância de despertar o interesse pela mesma; a boa coordenação entre a música e a imagem; as características emocionais que o concerto propiciou, como prazer, descontração, alegria, bem estar, emo- ção e diversão; a utilidade da coordenação e interação e da imagem, e inúmeros incentivos para os concertos terem continuidade.
5.2.2.2.DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DO INQUÉRITO AO PÚBLICO
Conforme podemos verificar através dos resultados do inquérito, é notória a avaliação positiva que o público fez do concerto. Tal verifica-se tanto entre aqueles para quem assistir aos CP foi uma prática continuada, como para quem apenas esteve presente no último concerto.
Leva-nos, pois, a concluir que foi possível, durante quase 10 anos contínuos, promover a música de forma apreciada e com entusiasmo, provocando uma motivação crescente no público e a vontade de regressar no concerto seguinte. Aliás, foi uma prática continuada disponibilizar passes anuais para cada uma das temporadas de concertos, com bastante adesão por parte do público.
Esta constatação influenciou, a nosso ver, positivamente toda a equipa que idealizava os concertos. Numa primeira fase, ambicionávamos alcançar esse patamar, para, na fase seguinte, nos preocuparmos em manter o nível de qualidade da experiência em cada concerto.
Se a experiência foi considerada, maioritariamente, como agradável, inovadora e inte-
ressante, é porque certamente conseguimos ir acumulando um conjunto de contributos
válidos a estes concertos, para que viessem a ser uma oferta que se pretendia de qualidade, e única na cidade. Esta prática deixou de ser exclusiva dos CP, uma vez que o serviço educativo da Casa da Música passou a ter concertos comentados (também ao domingo de manhã), embora sem a componente visual presente nos CP.
A presença de imagens durante a execução das obras musicais foi reconhecida pelo pú- blico, de modo geral, como um estímulo durante o concerto, e não como fator que provo- casse confusão, de tal forma que a grande maioria assumiu não prescindir do seu contributo.
A partir desta secção do inquérito, encontramos respostas que revelam o reconheci- mento da utilidade da imagem para o espetáculo, no sentido de favorecer uma melhor compreensão do concerto, bem como a sua posterior recordação. Um outro aspeto subli- nhado pelo público envolve o aumento da capacidade de concentração durante o concerto.
169 O aumento da concentração não se traduz, contudo, num melhor direcionamento da
atenção e a última questão do inquérito comprova as nossas inquietações iniciais acerca das consequências de anexar imagem à música. De facto, a audição das obras não se pro- cessa do mesmo modo quando dispersamos a nossa atenção por outras solicitações aos nossos sentidos, apesar de esta prática ter revelado, como temos vindo a sustentar, muitos benefícios para a receção da música e como experiência pessoal.
Os valores obtidos em resposta à questão do inquérito correspondente a esta temática não revelam uma tendência clara, não existindo a discrepância verificada em todas as outras perguntas: 45,3% dos inquiridos afirmam que a música dispersa a sua atenção da música, enquanto 54,7% acham que a sua utilização não faz com que disperse a sua atenção. Con- tudo, é importante sublinhar que a dispersão que possa ocorrer num concerto, por via da presença de imagem ou por qualquer outro motivo, não tem que ser necessariamente enten- dida como algo negativo, ou pelo menos exclusivamente como uma perda.
Em todos os concertos, existe sempre a música, mas também a liberdade de cada um poder inventar e imaginar o seu próprio cenário, a sua própria história que mentalmente todos somos capazes de elaborar, independentemente de termos, ou não, imagens que acompanhem a música. Quanto menor for o conhecimento musical do ouvinte, mais abs- trata lhe parece a música, e essa abstração que a caracteriza é facilitadora para o pensa- mento de cada indivíduo se evadir de determinado espaço e tempo. Distrair-se com as possibilidades é ter a possibilidade de escolher, de sentir que tem a liberdade suficiente para o fazer e de se concentrar na sua escolha.
Os concertos terão conduzido o público a aprender muito sobre música e instrumen- tos, sem, no entanto, assumirem um formato assente em situações de ensino formal ou incompatível com a dimensão lúdica que um concerto em família também proporciona.
Estes concertos ao lado da música puderam contar com conteúdos visuais, com músi- cos, com maestro, com convidados, com luzes, e outras manifestações que puderam funci- onar como distrações e dividir a atenção. Paradoxalmente, durante os concertos, essas partes, ainda que ponderadas separadamente, contribuíram para o sentido desse todo de que foi feito cada espetáculo.
5.3. PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS UTILIZADOS NA SEGUNDA FASE
Como referimos anteriormente, os instrumentos que construímos no nosso estudo surgem da necessidade de ponderarmos sobre a prática continuada de utilização de imagens du- rante as temporadas dos CP, de refletirmos sobre se os conteúdos visuais utilizados foram ou não eficazes para as estratégias e objetivos que pretendíamos, e porque pensámos con- ceber, a partir daí, material para um concerto específico que, desenhado à semelhança de todos os anteriores, teria uma grande diferença: a proposta visual é intencionalmente ela- borada, desde o início, com um propósito investigativo muito definido, ao contrário doque sucedera com os CP. Tal finalidade condicionou a seleção prévia de conteúdos da obra musical, coerentes com o nível de ensino (o 5º ano de escolaridade) e que, depois de apre- sentados e discutidos com a professora desses alunos, foram prioritariamente considerados nas opções visuais apresentadas durante a execução dessas obras. Preparámos o inquérito, que passámos após os concertos, em função dos conteúdos musicais sobre os quais iria incidir a nossa proposta visual, de modo a facilitar a nossa leitura sobre as consequências práticas do suporte visual que disponibilizaríamos para a audição. Assim, contemplaria, por um lado, aspetos resultantes da análise anteriormente elaborada das temporadas dos
CP e, por outro, a ponderação prévia de objetivos educativos muito específicos que pudés- semos apurar/comprovar através de um inquérito pós-concerto.
Assim, nesta segunda fase, organizámos uma proposta visual para um concerto que teve lugar no CMP e no qual pusemos em prática algumas das estratégias anteriormente apresentadas e que resultam da reflexão desenvolvida ao longo das nove temporadas de
CP. Seguidamente, construímos um inquérito destinado a avaliar as representações do pú- blico face a eventuais repercussões da imagem no processamento dos conteúdos musicais.
Gostaríamos que a realização desta experiência tivesse ocorrido num outro contexto que não o do CMP. Entendemos que pelo facto de se tratar de um ambiente em que todos
os alunos têm formação musical de qualidade poderia adulterar de alguma forma a obten- ção de resultados significativos, mas, apesar disso, considerámos importante a oportuni- dade de avançarmos com a experiência, ainda que num ambiente muito condicionado, de modo a pormos em prática um conjunto de estratégias.