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les fondations monastiques 1) Abriter sa fortune

Dans le document AGRÉGATION EXTERNE D'HISTOIRE (Page 35-38)

Éléments de corrigé

B) les fondations monastiques 1) Abriter sa fortune

Ao final dos cálculos do “preço da geopolítica”, determinados por aqueles interesses e objetivos inseridos na Grande Estratégia. Israel e Coreia do Sul foram inseridos nas zonas de penetração e defesa, enquanto o Iraque, o Irã, a Síria e a Líbia (além das clássicas, Cuba e Coreia do Norte) foram definidos como ameaças. Mais conhecidos como os rogue-states, foram circunscritos na “zona contestada de penetração”. Isto implicou a observar que a construção dessas ameaças estaria mais associada às necessidades e interesses domésticos - o de dar continuidade à proteção militar na Europa, assim como, o de intervir militarmente nas áreas contestadas – mais do que pela presença de ameaças geopolíticas reais.

Eland (1999) descartou a hipótese de que os rogue-states foram, de fato, ameaças externas ou ameaças geopolíticas reais, ao levar em consideração que são países economicamente fracos e militarmente incapazes de lutar em um conflito assimétrico com os Estados Unidos. Em um breve comparativo, Eland (1999) levantou que nos anos 1990, a média do produto interno bruto (PIB) americano foi de aproximadamente US$7 trilhões ao ano. A média dos gastos militares totais do Departamento de Defesa chegou a atingir US$ 270 bilhões, anualmente. O equivalente a soma dos 10 países subsequentes no ranking dos gastos em defesa. Conforme a Imagem 2, apresentanda a seguir, no início dos anos 2000, essa tendência se manteve. Ela mostra que os gastos americanos em 2001 equivaleram a soma dos gastos dos 20 países que mais têm gastos militares no mundo. Sendo

268 POSEN, 2003. 269 ART, 1991.

US$ 40 bilhões em desenvolvimento de tecnologias militares e US$ 50 bilhões em aquisição de material, correspondendo a quase 64% dos gastos mundiais. Os rogue- states, somados, representaram apenas 2% da economia e 5% dos gastos militares.270

Imagem 2: Comparativo de gastos militares em 2001

Fonte: Melman, 2008, p. 26. Reprodução.

O discurso dos anos 1980 de que os Estados Unidos protegeriam o Oriente Médio das ameaças da União Soviética não se sustentou no pós-Guerra Fria. A dor de cabeça americana começou a partir das relações estreitas de Saddam Hussein com a União Soviética e da pretensão iraquiana de anexação dos poços petrolíferos. Para Paul Atwood (2010), essa pretensão significou muito para a região e para os interesses americanos. A expectativa preponderante do ocidente foi a de que ao tentar anexar o Kwait, Hussein “desafiaria a Arábia Saudita e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), alteraria o sistema de preços

internacionais, teria a capacidade de vender fora do cartel da OPEP e fecharia acordos com os rivais dos americanos, como a China, ou até mesmo a Alemanha e o Japão.”271

No caso da Arábia Saudita272, o país não só era um dos maiores produtores de petróleo do mundo, responsável por quase 25% nos anos 1990, como também, tinha uma parceria comercial histórica com os Estados Unidos no setor energético. Portanto, o desejo de monopolizar, controlar o fluxo dos preços, e orientar a dinâmica do comércio global justificara parcialmente a forma como as intervenções militares americanas foram se desdobrando no Oriente Médio.273 Na Guerra do Golfo274, por exemplo, a atuação dos Estados Unidos resultaram em destruição dos sistemas elétricos, água, esgoto, agricultura, hospitais, pandemia de doenças e terrorismo de Estado.275

No caso do Irã, no imediato pós-Guerra Fria, o tamanho da sua população era três vezes superior à população do Iraque. Seus poderes militar e econômico estavam circunscritos às instabilidades domésticas, com gastos militares de aproximadamente US$ 4,7 bilhões. Embora sofrendo embargos internacionais, armamento era fornecido pela França, China, Rússia e pelos próprios Estados Unidos. Além disso, as economias do Conselho do Golfo superavam, em média, três

271 ATWOOD, 2010, p.218. Tradução nossa.

272 Ainda em relação à Arábia Saudita, o país é um grande destino para as exportações americanas.

Na Guerra do Golfo, a atuação foi da coalizão liderada peloas Estados Unidos.

273 ATWOOD, 2010.

274 Ver cobertura da Guerra do Golfo feita pelo Jornal Nacional da Rede Globo de TV, disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=Yb3-c3kQgLg

275 Ivan Eland (1999) levantou uma linha fortemente mais crítica, ao escrever que este tipo de atuação

esteve mascarado pela política, da qual, na verdade, foi para além do interesse de proteger a Arábia Saudita e de garantir o fluxo de petróleo mais barato para o Ocidente. Destarte, argumentou que, economicamente, não foi lucrativo conseguir um barateamento estimado em, aproximadamente, US$10 bilhões nos preços da energia saudita, ao investir, aproximadamente, US$ 50 bilhões em despesas militares com a região, anualmente. Questionou: “por que os Estados Unidos gastaram US$ 50 bilhões por ano para salvaguardar o acesso a US$ 10 bilhões por ano no valor do petróleo oriundos do Golfo?” Economistas fizeram análises e consideraram que a valorização dos preços motivados por uma invasão no Kwait, por exemplo, aumentaria apenas 0,5% do PIB americano. Nas suas conclusões, “tais pequenos efeitos econômicos não justificam uma guerra.” (ELAND, 1999, p. 10). Ademais, em relação ao discurso de que os gastos militares do conflito foram para impedir uma improvável ameaça ao suprimento do petróleo, não se fundamentou pelo fato de que o próprio Conselho de Cooperação do Golfo (Gulf Cooperation Concil, composto por Oman, Qatar, Bahrain, Kwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes) tinha um suprimento de petróleo e uma economia de quase quinze vezes superior ao do Iraque. Além disso, em relação à justificativa ao emprego das forças militares e ao pesado poder de fogo, apenas a Arábia Saudita poderia combater, pesadamente, as forças iraquianas. Apesar de alguns rogues-states, como o Iraque, Irã e Coréia do Norte terem a posse de armas NBQs, ainda não foram encontrados mísseis balísticos de longo alcance na região. (ELAND, 1999).

vezes o tamanho da economia iraniana. A justificativa preponderante foi a de que o país detinha míssil balístico e programas de armas biológica e química.276

No caso da Síria e da Líbia, apesar de ser consideradas ameaças a Israel e ao norte da África, sofriam com os enfraquecimentos militares e econômicos, provocados pela desintegração soviética. Em relação a Cuba, não havia uma motivação para iniciar uma corrida armamentista. Referente à China, a expansão militar ainda era de baixa prioridade, de gastos comparáveis aos das potências médias, como Japão, Alemanha, França e Reino Unido. E no caso russo, a redução do pessoal das Forças Armadas era constante e as tecnologias militares já estariam se tornando obsoletas.277

Não obstante, outras visões sobre a construção das ameaças nas estratégias nacionais de segurança também foram verificadas. No primeiro caso, a manipulação e a construção das ameaças estariam diretamente ligadas ao balanço histórico americano de guerras. Os Estados Unidos nunca bombardearam um país que possivelmente haveria um bombardeamento recíproco, ou que poderiam vencer, como foi o caso de: Iraque, Afeganistão, Sérvia, Panamá, Nicarágua, Vietnã, Camboja, Laos, República Dominacana, Coreia, Espanha, Filipinas e México.

Nesse sentido, Gray (2007) questionou se esses países teriam como contra-atacar os Estados Unidos e respondeu negativamente, pois as escolhas americanas não são definidas, historicamente, pelas reais ameaças ou pelas necessidades, mas por determinados interesses. Para Atwood (2010), são interesses repletos de hipocrisia, como é o caso da demagogia americana ao condenar a proliferação de armas nucleares por determinados países, ao mesmo tempo em que são complacentes com os programas de Israel.

Dolman (2004) acredita que as ameaças americanas são construídas com o propósito de distrair a opinião pública dos problemas domésticos: “quando a ausência de coesão política interna não ameaça o desempenho do país nas suas relações internacionais, seu eleitorado tem o ‘luxo’ de debater acaloradamente e contestar os assuntos que são triviais.”278 Além disso, nos Estados Unidos, as ameaças reais são detectadas, primeiramente, pelos militares, responsáveis por moldar ou determinar a forma e a estrutura do governo. No entanto, “o propósito do

276 ELAND, 1999. 277 ELAND, 1999.

serviço nacional não foi o de fortalecer militarmente o Estado, mas fortalecê-lo politicamente.”279

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