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7 - Fonctions d’interception des erreurs- Exemple

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Na literatura são inúmeras as referências a comportamentos dos professores e ao que é ser um “bom profissional docente”, assim como dos possíveis efeitos positivos/benéficos sobre os alunos e sobre o processo de ensino aprendizagem. Curado (2001) apresenta uma síntese acerca do que é ser um “profissional docente” e quais as implicações que esses comportamentos podem ter quando se trabalha numa organização escolar. Na tabela 3 encontramos uma síntese.

Tabela 3. O profissionalismo dos docentes e as suas possíveis implicações numa organização escolar

Ser profissional significa… Trabalhar numa organização escolar significa…

Mobilizar um capital de saberes, saber-fazer e saber ser, que cresce constantemente, acompanhando a prática e a reflexão sobre a prática.

Desenvolver competências de cooperação, trabalho em equipa, trabalho com outros adultos e de gestão de problemas inter-relacionais.

Desenvolver uma prática reflexiva, que envolve a relação dialéctica entre a teoria (conhecimento profissional) e prática.

Considerar a formação como uma componente essencial da gestão dos recursos humanos.

Ter constante necessidade de actualização dos saberes

e competências. Promover modos de formação abertos, participativos, integrados no trabalho e que favoreçam a autonomia activa dos professores.

Cooperar com outros profissionais sempre que é

necessário ou mais eficaz. Colaborar no programa de desenvolvimento da escola. Reconhecer o desenvolvimento profissional como um

processo contínuo, interactivo e que combina uma diversidade de formatos e parceiros de formação.

Desenvolver capacidade de compreensão da inovação e mudança organizacional.

A prática ser acompanhada de autonomia,

responsabilidade e ética. Desenvolver a capacidade de reflexão/avaliação institucional. Colocar em primeiro lugar os destinatários do serviço

prestado. Criar dispositivos e dinâmicas formativas que facilitem a transformação das experiências vividas no quotidiano profissional em aprendizagens significativas.

Construída a partir de Curado (2001). Indubitavelmente a percepção individual acerca deste “bom-docente” é variável e depende, por exemplo, do grau de ensino ao qual lecciona, do tipo de disciplina (teórica, prática), das vivências individuais de cada pessoa, entre outras.

No início da década de noventa, Kutnick e Jules (1993) conduziram uma investigação de teor qualitativo com o fito de saberem qual era a percepção de alunos de diferentes idades acerca do “bom-professor”. Os resultados encontram-se sumariados na tabela 4.

Tabela 4. Concepções dos alunos acerca do “bom-professor”

Idade dos alunos Concepções de “bom-professor”

Menores de 11 anos Relatam os docentes através da sua aparência e comportamento físico. Os professores devem ser inteligentes e bonitos, ensinar o que vem nos livros e castigar fisicamente os alunos que se portam mal.

Entre os 11 e os 13

anos O entendimento do que é um bom professor vê-se alterado. Nestas idades os alunos reparam essencialmente, no controlo da aula e do processo de ensino aprendizagem. O feedback acerca dos trabalhos dos alunos também deve ser constante.

Maiores de 13 anos Não aludem ao aspecto físico, mas consideram que o “bom-professor” é um indivíduo profissional, educado, dedicado e interessado por aquilo que ensina. Sabe ouvir os alunos porque se preocupa com o seu bem-estar. É paciente, dá explicações extra, promove discussões e dá reforços positivos.

Baseada em Kutnick e Jules (1993) Apenas os alunos mais novos atentam ao aspecto físico dos seus professores como relevante para a sua avaliação como “bons-professores”. Estes índices estéticos passam a ser gradualmente substituídos, com a idade, por índices mais directamente relacionados com competências pedagógicas propriamente ditas.

Estudos empíricos demonstram que existe um leque de comportamentos que quando adoptados pelos docentes têm efeitos positivos sobre os estudantes. Os comportamentos mais vezes mencionados na literatura são: feedback da aprendizagem pontual e justo, credibilidade e fiabilidade das avaliações, preparação dos materiais a utilizar na leccionação das aulas, clareza das explicações, pontualidade, entusiasmo e dinamismo, aulas estimulantes e dinamismo, humor na apresentação das matérias, encorajamento da participação, actuação amistosa, fomento de práticas reflexivas partilhadas, promoção da autonomia e da aprendizagem activa, cortesia, entre outros. Na tabela 5 fazemos um pequeno resumo desses comportamentos.

Tabela 5. Comportamentos docentes com potenciais efeitos positivos sobre os estudantes

Comportamentos Exposição/Comentários

Feedback da aprendizagem

pontual e justo As classificações dos testes de avaliação devem ser facultadas aos estudantes com brevidade. Devem também ser justas. Isto implica justiça na nota final, mas também em todo o processo avaliativo (por exemplo as perguntas eram pertinentes? Estavam correctamente formuladas? As matérias constantes no teste haviam sido leccionada?), e no relacionamento professor-aluno (por exemplo o professor é cortês quando um aluno de fraca nota lhe coloca uma questão?).

Credibilidade e fiabilidade nas

avaliações É fulcral que os alunos compreendam que as classificações reflectem os conhecimentos, competência, esforço e dedicação. Para tal, é necessário que as questões sejam pertinentes, correctamente formuladas, detentoras de um grau de dificuldade suficiente que permita distinguir entre os estudantes mais e menos competentes, etc.

Preparação dos materiais a

leccionar O professor deve preparar as aulas, para que estas sejam leccionadas de modo organizado, ordenado e compreensível. Regra geral, os estudantes compreendem se o professor prepara ou não as aulas. E, se percepcionam que a preparação ocorreu, reagem mais positivamente.

Clareza nas explicações O professor deve recorrer a linguagem clara e simples. O seu objectivo deve ser o de se fazer compreender. Ou seja: mais do que “ensinar”, o objectivo do professor deve o de que… os alunos aprendam.

Pontualidade A pontualidade revela brio profissional e respeito pelos estudantes. Não se “pode” requerer pontualidade aos estudantes… se o próprio docente não a cumpre. Os comportamentos dos docentes representam um exemplo (pela positiva e pela negativa) para os estudantes. A inconsistência (entre o que é requerido aos estudantes e o que é feito) pode ter efeitos perniciosos sobre a imagem que os alunos projectam.

Entusiasmo e dinamismo O entusiasmo e dinamismo dos docentes tende a contagiar os estudantes. O docente entusiasta pode instilar gosto pela aprendizagem das matérias. Com entusiasmo e dinamismo, o professor empenha-se mais na sua própria aprendizagem, nas aulas e na preparação das mesmas.

Aulas estimulantes e desafiantes AS aulas estimulantes e desafiantes fomentam nos estudantes a mentalidade da descoberta, incitam-nos a questionar as verdades instaladas e o status quo, impelem-nos para uma busca de novos conhecimentos. Com estímulo e desafio (do qual o docente participa e cujo “jogo” participa, em todos os riscos daí advenientes), a assiduidade dos estudantes também pode ser fomentada. Humor na apresentação das

matérias O humor pode constituir um factor estímulo, fomentar um ambiente mais receptivo à discussão partilhada, enfatizar determinados tópicos da matéria leccionada. (Uma nota de precaução: o humor não deve ser forçado; quem não o sabe fazer… não deve fazê-lo!).

Encorajamento da participação O encorajamento da participação dos estudantes pode estimular-lhes a aprendizagem, promover o desenvolvimento das suas capacidades e competências, incutir-lhes o espírito crítico, ajudá-los a consolidar conhecimentos, prepara-los para a participação activa noutros domínios vindouros da sua actividade profissional. A participação pode, também, suscitar maior satisfação entre os estudantes, promover o seu empenho, incrementar a sua auto-estima e auto-eficácia.

pelos estudantes e

disponibilidade para os atender estima dos estudantes, a sua auto-confiança e satisfação, a confiança que depositam no professor, o estabelecimento de uma relação de respeito mútuo. Uma tal postura docente pode contribuir para que o professor aumente o seu poder referente (de amizade e respeito) sobre os estudantes, o seu carisma, e a sua capacidade de influência.

Espírito de diálogo e práticas

reflexivas partilhadas Este diálogo e partilha podem aproximar as expectativas dos alunos e professor, e/ou fomentar o aproveitamento das vantagens inerentes às diferenças de pontos de vista. Podem ajudar o professor a compreender as áreas que deve melhorar, e os alunos a sentirem-se parte integrante e respeitada do processo. Podem, ainda, fomentar a criatividade e o espírito crítico de descoberta.

Promoção da autonomia e da

aprendizagem activa É fundamental que o professor instile nos estudantes hábitos de trabalho e atitudes de autonomia e aprendizagem activa, lhes incuta o gosto pelo saber e pela descoberta contínua. O papel do docente é ensinar os estudantes a “voarem” pelos próprios meios.

Cortesia e conscienciosidade no

exercício do papel docente O professor cortês não atribui a responsabilidade pelos insucessos completamente aos estudantes, não marginaliza aqueles que não gosta, não discrimina, não faz troça de erros cometidos, respeita as diferenças e as idiossincrasias de cada estudante. O professor consciencioso prepara as aulas, é metódico e organizado na exposição das matérias, é assíduo.

Construída a partir de Ellington e Ross (1994); Helms e Key (1994); Horsburg (1999); Marsh et al. (1998); Rego (2000, 2001); Rego e Sousa (1999, 2000); Roeley (1996); Stringer e Irving (1998) citados por Rego (2003b, pp. 33-34)

Estes estudos abrem portas aos mais variados procedimentos organizacionais, como por exemplo a avaliação das instituições de ensino e da qualidade docente, fundamentadas em parâmetros definidos e em planos de acção desenhados.

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