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Une fonction d’essai pour le processus de coalescence 1D

O Município de Torres Vedras está situado na Estremadura, a Norte de Lisboa, tratando-se do Concelho mais setentrional do Distrito de Lisboa. Encontra-se dividido em 13 freguesias (Figura 5) com densidades populacionais muito diferenciadas (rurais, mistas e urbanas), com uma área de 407 km2. Integrado na região Oeste, o concelho confronta a Norte com a Lourinhã, a Nordeste

com o Cadaval, a Este com Alenquer, a Sul com Mafra e Sobral de Monte Agraço e a Oeste com o Oceano Atlântico.

7The Coral Reef Alliance. Coral Reefs & Sustainable Marine Recreation - Protect Your Business By Protecting Your Reefs, Australia (2006).

Segundo o Plano Diretor Municipal, a linha de costa apresenta uma extensão de 19,1 Km, com as três freguesias de litoral no concelho, que são: União de freguesias A-dos-Cunhados e Maceira, Silveira e São Pedro da Cadeira. Em 2011 os dados do Censos indicam que a população residente é de 79465 habitantes. Em relação a acessibilidades, a cidade de Torres Vedras está bem localizada uma vez que é servida pela auto-estrada A8, e respetivas ligações às redes rodoviárias nacional e municipal. A proximidade a Lisboa favorece o desenvolvimento de diversas atividades económicas.

A Orla Costeira, enquanto espaço de interface mar/terra, constitui uma parcela particularmente sensível do território dada a complexidade dos fenómenos fisiográficos, dado o valor dos ecossistemas em presença, bem como das tensões a que está sujeita, tensões essas resultantes quer da própria dinâmica costeira, quer da crescente impermeabilização e artificialização dessa interface. A perda de ecossistemas valiosos, a degradação da qualidade ambiental, a delapidação de recursos, as alterações nos ciclos biológicos, a subida do nível das águas e os impactes resultantes das alterações climáticas, constituem hoje uma preocupação generalizada de inúmeras organizações. Sendo predominantemente dominada por arribas vivas, de altura bastante variável e talhadas em suportes litológicos também muito variáveis de local para local, as litologias expostas nas arribas compreendem arenitos e alternâncias de calcários e margas de idade cretácica, rochas eruptivas básicas, siltitos, margas e arenitos do Jurássico superior e calcários compactos, muito resistentes, do Jurássico inferior.

Quanto à estrutura de povoamento na faixa costeira, corresponde, essencialmente, a um povoamento disperso no qual se interrelacionam pequenos lugares, ligados à estrutura agrária ou a atividades marítimas de subsistência, antigos aglomerados urbanos que se expandiram significativamente nas últimas décadas e um conjunto de áreas turísticas, na sua maioria recentes, ligadas à exploração balnear das praias.

Figura 5. Enquadramento do Concelho de Torres Vedras e respetivas freguesias após a reorganização administrativa de 2013.

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A proximidade e a consequente polarização exercida por Lisboa representa vantagens muito

fortes para a região, quer pela vizinhança em relação ao maior mercado nacional de emprego, produtos e serviços, como também pela proximidade à maior porta de entrada e saída do país, com todas as vantagens potenciais associadas ao nível da afluência de turistas estrangeiros e do acesso aos mercados externos. Contudo, esta proximidade oferece também algumas ameaças, sendo a mais evidente o risco de suburbanização face à AML, mais forte, como foi atrás referido, no sul da região, onde as ameaças ao nível da degradação da paisagem e do meio ambiente, do congestionamento e do desordenamento do território são mais prementes. Daqui decorre que qualquer estratégia para a região deva tomar estas preocupações em linha de conta, evitando erros cometidos no passado, de que são exemplos a desqualificação de algumas áreas periféricas de Lisboa, sob pena de se destruirem alguns dos principais recursos da região e, em última análise, hipotecar a própria estratégia de desenvolvimento regional9.

A atividade turística é um potencial que apresenta muito boas condições de desenvolvimento no concelho de Torres Vedras, estando reunido um conjunto significativo de potencialidades:

 Valor paisagístico, com praias de qualidade e bastante premiadas;  Património histórico-cultural diversificado;

 Etnografia e Gastronomia ricas;

 Envolvente com valor natural e paisagístico;

 Localização central e próxima de inúmeros locais de referência a nível nacional. 3.1.1. Caraterização da Zona Costeira e Marinha de Torres Vedras

A zona costeria e marinha em análise é definida por leis e decretos publicados pelo Governo nas últimas décadas, alguns decorrentes de acordos Europeus. A área da Zona Económica Exclusiva (ZEE), do Concelho de Torres Vedras, é cerca de 20 vezes a superfície terrestre do concelho. Representa um grande recurso ainda relativamente pouco conhecido e muito pouco explorado. O litoral do Concelho de Torres Vedras, com cerca de 19 km de extensão, é particularmente rico em caraterísticas geo-ecológicas, apresentando um interessante perfil costeiro, de praias rochosas e arenosas, arribas e dois importantes sistemas dunares. A zona de costa que integra este município desenvolve-se desde Porto Novo à Assenta e possui caraterísticas diversificadas abrangendo arribas vigorosas interrompidas por duas zonas de foz de razoável expressão no quadro regional correspondendo aos rios Sizandro e Alcabrichel e por uma zona urbana de dimensão considerável: Santa Cruz.

O litoral é uma zona de fronteira entre os domínios terrestre e aquático, caraterizado por uma área sob forte influência das marés, onde se encontra um vasto mundo composto por seres particulares, adaptados às constantes alterações, por vezes extremas, do meio físico que os rodeia.

Torres Vedras é um concelho de vocação agrícola, por excelência. A importância deste setor faz- se sentir mais na área sul do concelho mas também nas freguesias do litoral. A vinha ocupa grandes parcelas agrícolas, trata-se de uma das culturas de eleição a nível concelhio.

Quanto à caraterização biofísica do município, em termos de clima, Torres Vedras possui um clima marcadamente atlântico, que se traduz habitualmente em Verões frescos e Invernos amenos. A temperatura média anual do concelho é de 15ºC e os valores de precipitação oscilam entre os 600 e os 1000mm10.

Podem ser destacadas como principais pressões antropogénicas na zona costeira e marinha:  Destruição de habitats

 Poluição

 Espécies invasoras  Construção no litoral

9Programa Territorial de Desenvolvimento do Oeste 2012.

 Desportos motorizados

Com base no Plano Diretor Municipal (2006), foram identificados os seguintes (Tabela 1.) ecossistemas do Concelho de Torres Vedras:

Tabela 1. Ecossistemas do Concelho de Torres Vedras identificados no PDM

Ecossistemas

Zona costeira

a) Praias;

b) Dunas litorais, primárias e secundárias;

c) Arribas e falésias, incluindo faixas de proteção medidas a partir do rebordo superior e da base com largura determinada em função da altura do desnível, da geodinâmica e do interesse cénico e geodésico do local; d) Estuários dos Rios Alcabrichel e Sizandro e Ribeira do Sorraia;

e) Faixa ao longo de toda a Costa Marítima cuja largura é limitada pela linha de máxima preia-mar de águas vivas equinociais e a batimétrica dos 30 m;

f) Rochedos emersos do mar. Zonas Ribeirinhas, águas interiores e áreas de infiltração máxima ou de apanhamento

a) Leitos dos cursos de água e respetivas faixas de proteção;

b) Cabeceiras das linhas de água cuja dimensão e situação em relação à Bacia Hidrográfica tem repercussões sensíveis no regime do curso de água e na erosão das cabeceiras ou das áreas situadas a jusante;

c) Áreas de máxima infiltração, delimitadas de acordo com a carta Geológica de Portugal, constituídas pelas áreas de aluvião, areias superficiais e depósitos de terraços fluviais;

d) Zonas ameaçadas pelas cheias. Zonas

Declivosas

a) Áreas com riscos de erosão, constituídas pelas encostas de declive superior a 30%;

b) Escarpas constituídas pelas vertentes de natureza rochosa com declive superior a 45%.

A Zona costeira do município de Torres Vedras é dotada de infraestruturas capazes de responder a grande parte das necessidades dos munícipes, isto pela distinção por parte de várias entidades, como a Quercus, a Associação Bandeira Azul da Europa e o Quality Coast, que premeiam territórios litorais, e não só, pela elevada qualidade apresentada. O concelho possui três freguesias de litoral, que são:

 São Pedro da Cadeira  Silveira

 A-dos-Cunhados e Maceira

Nestas três freguesias existem diversas praias, umas mais selvagens e outras mais urbanas, no geral existem 12 praias vigiadas durante a época balnear. As várias distinções e a sua manutenção são uma forte aposta por parte do município, nas praias do Concelho existe o seguinte reconhecimento: 9 praias com Bandeira Azul, 11 Praias de Qualidade de Ouro, 6 Praia Acessível e toda a costa com o prémio Gold Award Quality Coast.

3.1.2. Ecologia da Zona Costeira e Marinha de Torres Vedras

As zonas costeiras são os locais mais acessíveis do ambiente marinho, oferecendo inúmeras oportunidades para a descoberta de uma grande variedade de espécies. A fronteira entre o mar e a terra, o litoral, constitui um local dinâmico uma vez que se encontra sujeito à interação de vários fatores. Embora esta zona ocupe uma pequena área quando comparada com a imensidão dos oceanos, a vida e as interações existentes são bastante complexas. A zona intertidal (entre- marés) situa-se entre o nível mais alto da preia-mar e o nível mais baixo da baixa-mar, apresentando condições ambientais variáveis devido a emersões e imersões alternadas como resultado do ciclo das marés.

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A existência de marés provoca uma zonação das praias, isto é, a disposição dos organismos em

zonas sensivelmente paralelas ao nível do mar e a alturas determinadas, formando o que se chama de estratos. Cada zona possui um conjunto de organismos específicos, com adaptações especiais às condições ecológicas dessa zona, nomeadamente o batimento das ondas, os períodos de dissecação e exposição solar na maré baixa, bem como as diferenças de temperatura.

Outra particularidade desta zona litoral é a formação de poças de água entre as rochas – poças de maré - devido à forte erosão por ação das ondas e as diferenças geológicas. Nestes micro- habitats, encontra-se uma fauna e flora bastante caraterística e diversa, adaptada a uma ampla variedade de fatores ambientais.

A distribuição dos seres vivos na zona intertidal varia consoante a sua capacidade de resistirem a estas condicionantes e, podendo ser avaliada a longo prazo, constituindo um importante referencial da variação das condições ambientais global.

No que diz respeito à geologia, as formações geológicas predominantes no concelho de Torres Vedras são fundamentalmente de origem sedimentar, destacando-se as áreas de grés localizadas na envolvente da Serra do Socorro e na área a norte da cidade. Estas formações geológicas dizem respeito a áreas de bacias sedimentares meso-cenozóicas, relativas ao Jurássico e Cretácico.

As manchas de aluviões, do Quaternário, são de elevada importância, estas que estão associadas aos vales das linhas de água. Junto da faixa litoral, encontram-se vestígios de depósitos de antigas praias e terraços do Quaternário, bem como areias de duna.

No concelho existe uma grande heterogeneidade de solos, desde solos pesados argilosos de cor vermelha, solos esqueléticos pouco profundos, solos aluvionares e solos arenosos, razão que se prende com a diversidade das formações geológicas. No que concerne ao litoral, o concelho de Torres Vedras, encontra-se numa estrutura do tipo de depressão designada por “Bacia Lusitânica”, cuja formação ocorreu durante a formação do Oceano Atlântico, há cerca de 250 milhões de anos11.

Ao longo dos períodos geológicos a “Bacia Lusitânica” foi sendo preenchida por materiais sedimentares, predominantemente rochas carbonatadas (calcários e margas) e detríticas (exemplo das areias, grés, argilas e conglomerados – caso do Penedo do Guincho). A diversidade dos materiais ilustra os diferentes ambientes sedimentares provocados pelos movimentos de avanço e recuo do nível do mar. As rochas da costa, incluindo os promontórios rochosos, formaram-se durante a Era Meso-Cenozóica (com início há 270 milhões de anos) e foram cobertas por sedimentos da Era Quaternária ou Moderna (com início há 1,75 milhões de anos e estendendo-se até ao presente)12.

O litoral torriense apresenta também plataformas fossilíferas que constituem um interessante património paleontológico do Jurássico (199 milhões de anos). A abundância de fósseis ilustra a grandeza dos ecossistemas costeiros existentes ao longo da história do litoral torriense.

Em suma, os terrenos quaternários, formados nomeadamente por calhaus rolados, cascalho, areias de praia, dunas, e aluviões constituem uma faixa representativa do território, encaixada, no sentido Poente-Nascente, a norte por terrenos cretácicos e a sul por formações do período jurássico.

Em termos de geomorfologia, o território concelhio apresenta uma superfície terrestre com uma altimetria que varia entre os 0 m do nível do mar e os 395 m, na Serra do Socorro. Na orla costeira predominam as arribas, existindo praias desde a margem Sul do rio Sizandro até ao Norte do concelho. A hidrografia em Torres Vedras não dispõe de cursos de água de primeira grandeza. As linhas de água mais importantes são o rio Sizandro, o rio Alcabrichel e a Ribeira do Sorraia, às quais estão associadas as respetivas bacias hidrográficas. São cursos de água com sentido

11Plano Municipal de Recursos Naturais do Concelho de Torres Vedras 12http://praiadesantacruz.com, consultado em Abril de 2014.

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de escoamento Este-Oeste. Os rios referidos nascem fora do concelho, enquanto que a Ribeira

do Sorraia nasce e desagua em território concelhio13.

Os Recursos Hídricos são fundamentais em áreas e atividades tão diversas como a agricultura, a pecuária, a piscicultura, a produção de energia elétrica, o recreio e o turismo, para além do consumo público e domésticos, ou seja, de uma forma direta ou indireta, a água está presente em todas as atividades do dia-a-dia.

A água é um recurso natural de grande valor económico, ambiental e social, fundamental à subsistência e bem-estar da população e dos ecossistemas. Os Recursos Hídricos são um elemento essencial a qualquer forma de vida e um fator de produção insubstituível em númerosas atividades e merece especial preocupação, quer em termos de manutenção da sua qualidade quer em termos da sua disponibilidades.

Do ponto de vista da flora e vegetação, o território de Torres Vedras apresenta zonas típicas com grande utilização e ocupação agrícola e florestal. Grande parte do seu território é agrícola, sendo a parte florestada principalmente de eucalipto e pinheiro. Nestas zonas florestadas, principalmente em regime de monocultura o domínio é do eucaliptal, ainda que no território foram “ensaiadas” outras culturas, algumas de folhosas que não o eucalipto.

Do ponto de vista dos solos estes apresentam cariz ácido a norte e mais básico a sul do território, caraterísticas estas que foram condicionando a própria agricultura destes territórios.

A vegetação de caráter marcadamente mediterrânico é dominada, principalmente, pelo carvalho- cerquinho, sobreiro e, em alguns casos, a azinheira no interior e a sabina-da-praia nas dunas fixas.

As arribas litorais, de litologia variável (calcários, margas, arenitos), submetidas a ventos marítimos com salsugem são colonizadas por comunidades perenes, de fraco grau de cobertura, constituídas por pequenos geófitos, caméfitos14 e hemicriptófitos rupícolas, entre os quais se

conta um elevado número de microendemismos de distribuição restrita dos géneros Limonium e Armeria.

Do ponto de vista biogeográfico o território interior de Torres Vedras enquadra-se no Superdistrito Estremenho, e o litoral no Superdistrito Costeiro Português (Costa et al. 1998). O território de Torres Vedras é dominado pelas formações sedimentares, aluviões (holocénicos), arenitos, conglomerados e diversos calcários. A zona mais costeira é mais baixa deste território tem um relevo ondulado de pequenas colinas, e onde desde longa data o Homem se instalou. O Asplenium ruta-muraria, Biarum arundanum, Cleonia lusitanica, Micromeria juliana, Narcissus calcicola, Quercus rotundifolia e Scabiosa turonlensis são espécies que ocorrem nes Superdistrito e ajudam à sua caraterização (Costa et al., 1998).

O Superdistrito Costeiro Português, por sua vez é um território litoral de areias e arribas calcárias, que se estende desde a Ria de Aveiro até ao Cabo da Roca, e onde todo o litoral de Torres Vedras se enquadra, este que é essencialmente termomediterrânico. Este território litoral serviu as vias migratórias litorais atlântica (descendente) e mediterrênica (ascendente), encontrando- se nele a transição.

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