1. INTRODUCTION
1.2 Placenta
1.2.3 Fonctions
1.2.3.3 Fonction endocrine
André Silva começou a sua carreira em 1993, na Bandeirantes, como estagiário, e permaneceu durante um ano e meio na emissora. Em 1996, começou a trabalhar na RBS, pela Rádio CBN, onde atuou até o mês de maio de 1999. Mais tarde, Silva se transferiu para a rádio Pampa, que passou a ter uma programação de futebol. Lá, permaneceu até fevereiro de 2002, quando recebeu um convite para trabalhar na Rádio Guaíba. Atuou na Guaíba até dezembro de 2004 e, em janeiro de 2005, retornou à Rádio Gaúcha, onde está, nos últimos 11 anos.
Foi produtor de jornalismo geral, de jornalismo esportivo, e, paralelamente, participou de alguns programas, fazendo pequenos boletins, até efetivamente, tempo mais tarde, se tornar repórter. Segundo ele, diante de algumas circunstâncias, também narrou futebol, não apenas na Gaúcha, mas nas outras emissoras pelas quais passou. Inicialmente, revela André Silva, a sua meta profissional e pessoal não era narrar futebol.
Em um primeiro momento, digamos assim, nunca foi projeto. Mas, aos poucos, começou a ganhar forma, começou a ganhar ideia, e neste produto todo sempre que chamado, narrei futsal na CBN, vôlei quando tinha, e depois, tanto na Pampa, quanto na Guaíba, quando tinha a necessidade de colocar alguém mais, por ter a facilidade conseguir fazer, eu acabei fazendo. E aqui, quando eu entrei, era a mesma coisa, cobrir quando faltava alguém, algo não
muito específico. Mas, de um tempo para cá, aí não vou dizer que é imposição porque não foi imposto, mas uma conversa com a empresa, enfim, uma espécie de um projeto para trabalhar, num tempo que não está determinado ainda, eu venha me tornar, quem sabe, um dos narradores da rádio, por isso aos poucos eu passei a narrar mais porque está dentro da atividade de um projeto que está feito (SILVA, 2015).
André Silva garante que não se espelha em nenhum narrador. Ele está tentando criar a sua forma própria de fazer futebol. Mas, admite, que sempre admirou, principalmente, Armindo Antônio Ranzolin, “cresci ouvindo Ranzolin, tanto na Rádio Guaíba quanto depois, quando ele entrou na Gaúcha, em 84” (SILVA, 2015). Segundo conta, ouviu também muito a narração de Mário Lima, principalmente na época da Bandeirantes dos anos 1990. Na televisão, André Silva admirava a narração de Luciano do Valle, “sempre fui fã do Luciano do Valle, para mim, não só como narrador, mas como jornalista esportivo, um espelho assim por dar atenção a tudo que é modalidade” (SILVA, 2015).
André Silva também reconhece Pedro Ernesto Denardin, pelo estilo, pelo profissional, e pela condução de jornada, “porque ser narrador não é só narrar a bola rodando, não são só 90 minutos, o cara tem quer ter noção jornalística do que está acontecendo no estádio, no entorno do estádio, até fora dele” (SILVA, 2015).
Acho que isso é importante e acho que nisso o Pedro é insuperável, acho que nisso eu tento buscar nele, sempre converso com ele assim que é possível. Agora, sempre tive exemplos de ouvir muito, acho que alguma coisa eu aprendi ouvindo e tento fazer uma mescla, ver com que que eu vou me transformar (SILVA, 2015).
André Silva considera que a narração de futebol no rádio deve ser “limpa”, pode ter o bordão, ter a brincadeira, mas tudo dentro de um limite e não ultrapassar isso.
Deixa eu citar uma pessoa mais que eu gostava muito quando eu narrava na rádio e na televisão também, seu Milton Jung, tive oportunidade de trabalhar com o Seu Milton na Guaíba, e é um cara que eu sempre admirei também pela postura e como narrador, gostava muito como narrava em TV, nos anos 80. Bom, voltando a isso, você pode brincar, criar bordões, mas ter determinados limites para não ultrapassar, não ficar jocoso demais, e essa questão que eu falei anteriormente do comando de jornada, uma coisa que está acontecendo que é a hora específica de chamar o repórter, de ler o comercial, são coisas que diferenciam e que são coisas importantes, porque o cara que tá pagando, tá pagando e quer ouvir, e não adianta eu atirar o nome dele, ah, o abraço pro fulano de tal, essa é outra coisa, eu não tenho que dar abraço pro amigo na jornada, porque o patrocinador eu tenho que citar, a transmissão de futebol é uma coisa comercial, na TV ninguém vê o cara dar um abraço pro amigo dele, por mais amigo que seja, então é uma coisa que a gente tem que ter também, é ser extremamente jornalista, é uma
questão jornalística, tu tá atrás do futebol, tem o teu público especifico, mas acima de tudo tem que ser jornalisticamente o mais perto de algo que nem fosse esporte. Tu estás transmitindo esporte, tem que ter a emoção do esporte, mas, tu tens que te ater aos fatos que estão acontecendo, para ele não ter exagero que não vai resolver muita coisa (SILVA, 2015).
A vivência como repórter, segundo André Silva, o auxilia na narração de futebol no rádio. Silva cita Pedro Ernesto como exemplo, de quando foi repórter de campo. Afirma que só o repórter sabe da dificuldade que se tem para conseguir uma entrevista na hora, no campo. Vale muito para o narrador ter a noção de comandar a hora que vai chamar o repórter, “porque daqui a pouco, não é o momento correto porque o repórter acaba se estendendo um pouquinho mais, e isso é normal” (SILVA, 2015).
É importante, destaca André Silva, o narrador ter a visão de quem está “lá embaixo”, de saber mais ou menos o que está acontecendo, até porque lá de cima, da cabine, onde a visão é privilegiada, “tu sentes isso, observando lá de cima, ah, ali naquele lugar faz tal coisa, ou eu fiz tal coisa, então tu sabes se aquele é um momento ou não de estar acionando o próprio repórter” (SILVA, 2015).
Figura 30 – André Silva (2013)
Fonte: Coletiva.net
Conforme André Silva, a função do narrador de futebol, pelo menos na RBS, está mudando. Na verdade, como verificado anteriormente, antigos narradores como
Pedro Carneiro Pereira e Mendes Ribeiro tinham outras funções. No passar do tempo, ambos se tornaram coordenadores de equipes, apresentadores, sem contar, as outras profissões que exerciam fora do jornalismo. Mas, no caso da segunda década do século XXI, o profissional da reportagem estaria sendo preparado, tanto para a função de setorista, por exemplo, quanto para a necessidade de narrar uma partida de futebol, o chamado narrador-repórter.
Que que era o narrador do rádio com raras exceções? Era o cara que narrava o futebol, ia para casa e não fazia mais nada. E até pela questão da modernidade e as coisas que acontecem, já não é mais assim ou ao menos tende a não ser mais assim, então acho que ainda não é uma categoria mas vai se transformar, acho que isso vai acabar sendo uma tendência do cara ter mais de uma atividade, está o produtor que as vezes faz a reportagem, claro que nem todo repórter vai narrar e nem todo narrador vai fazer reportagem, mas aos poucos isso vai se transformar, o cara que tiver habilidade para fazer as duas coisas vai ter, não sei se vantagem, mas vai acabar tendo mais oportunidades de se colocar (SILVA, 2015).
Apesar da experiência que teve como narrador em outras oportunidades, somente, neste momento, que André Silva está recebendo sequência para obtenção de ritmo. Há o ritmo de condução de partida, que se relaciona à forma, ao estilo e às técnicas. O ritmo de sequência é o costume de lidar com situações absolutamente presentes em uma narração, como o improviso, por exemplo, que o narrador vai conseguindo melhorar com o passar do tempo e com a experiência. Por esse motivo, André Silva ressalta que ainda não houve “caminhada” suficiente para criar algo diferente, ou tempo de surgir algum tipo de bordão. Como visto, anteriormente, boa parte dos bordões dos narradores, como citou o próprio Pedro Ernesto, e até Mário Lima, que tem, por natureza, uma narração mais voltada ao “show”, surgiram espontaneamente. André Silva, até pela trajetória de narração, entende que ainda não alcançou esse nível. Mesmo assim, ele ainda é cauteloso e prefere seguir um estilo de narração mais descritivo, “confortável”, por enquanto.
Gosto, acho legal, mas, é aquilo que eu falei antes. Não dá para ter exagero. Acho que tu podes ter no grito de gol, acho que tu podes ter em algum outro movimento do lance, tipo o “que beleza”, do Milton Leite, por exemplo. Agora, não dá para ser qualquer momento do jogo, e também acho que não pode, o que eu me prendo muito é não ter exageros, por que hoje tu tens imagem, então eu não posso brigar lá com a imagem, daquilo que o cara está vendo no “sofazinho” confortável, me ouvindo, então eu tenho que descrever, mais ou menos, o que ele está vendo. Claro que prender a atenção dele, porque o rádio é diferente, é dinâmico e tudo mais, e tem as outras coisas que colaboram paralelas, como a informação de um plantão esportivo, não é a bolinha que pinta e que o cara fica na expectativa, ou outro jogo paralelo, que
são coisas que só o rádio pode oferecer. Mas dá para ter alguns bordões. Não muitos, mas dá para ter (SILVA, 2015).
André Silva não se recorda de um momento inesquecível que tenha o marcado como narrador de futebol no rádio. Obviamente, se deve pelo pouco tempo de experiência, que, por consequência, ainda não lhe trouxe experimentações de episódios decisivos, por exemplo, como uma narração de final de Copa do Mundo. Mas há um fato, não necessariamente ligado ao futebol, mas que foi através de uma narração, que marcou na sua trajetória.
Assim, mais forte de puxar assim, e aí, até entra a questão de que tu podes torcer, foi na Olimpíada de Londres, no jogo que o Brasil ganhou da Rússia, no vôlei feminino, 3 a 2, a Rússia teve como fechar em 5 ou 6 oportunidades, naquele jogo sim. Digamos assim que, começou em um ritmo, subiu um pouquinho. Depois o Brasil começou a ir mal, ficou num ritmo normal a transmissão, mas, com o tamanho do jogo, e o tamanho da emoção que o jogo estava transmitindo, ali sim, as coisas correram muito em paralelo, quase em um limite, de que era a narração de um jogo e a torcida pela Seleção Brasileira, e aquela coisa assim do “vamo que vamo mesmo”. Já não era muito a descrição do jogo. Era uma coisa muito mais quase que entrando na quadra junto e torcendo para que o resultado fosse, e até acabou sendo de vitória do Brasil (SILVA, 2015)
Além de Armindo Antônio Ranzolin, Milton Jung e Pedro Ernesto, o narrador Pedro Carneiro Pereira, segundo Silva, pode ser considerado um dos grandes nomes da narração de futebol no rádio de Porto Alegre. E a história de Pereira, por si só, já remete a isso, segundo entende.
Um que eu gostaria muito de ter ouvido é o Pedro Carneiro Pereira. Eu conheço a história dele. Li o livro sobre a vida dele, e tudo mais. Ouvi alguma coisa de arquivo, mas não adianta. Eu ouvi o gol, mas não ouvi o jogo. Mas dizem, e pelo que eu ouvi, era fenômeno. Não tem por que não acreditar, até porque tive o privilégio de trabalhar com muitas pessoas que com ele trabalharam. Todas que eu citei aqui trabalharam com ele, então, imagino que tenha sido, realmente, algo sensacional e que, aliás, quero continuar crendo que foi. Então, gostaria de ter ouvido, porque, de repente, podia até ter aproveitado alguma coisa. Hoje, para mim, o Pedro está na frente de todos, acho que é um cara que narra muito, e não só na questão de narrar. Entra nos outros aspectos do comunicador também. Acho que nisso aí ele está na frente (SILVA, 2015).
Este estudo avalia dois jogos da trajetória recente de André Silva como narrador da Rádio Gaúcha. Primeiramente, um confronte entre Ituano e Internacional, pela Copa do Brasil, em 2015. Comando de jornada, estilo, e técnicas, também são estudados a partir do jogo Cruzeiro e Grêmio, também de 2015. André Silva é repórter de “criação”, mas, pela capacidade que a RBS entende e apoio de Pedro Ernesto
Denardin, há um projeto para que Silva se torne um profissional que tenha as ferramentas que o habilitem tanto para cobrir um evento de forma jornalística, quanto transmitir com emoção durante uma partida de futebol ou outra modalidade. Exemplo recente do projeto que está em andamento, foi durante a abertura da Eliminatória para a Copa da Rússia de 2018. Para o jogo entre Brasil e Venezuela, que aconteceu no Estádio Castelão, no dia 13 de outubro de 2015, Silva atuou como repórter. De Fortaleza, capital do Ceará, Silva “desceu” direto para Belo Horizonte, onde, no dia seguinte, narrou a derrota do Internacional para o Atlético Mineiro, por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro.
A situação que envolve o projeto de André Silva, na Rádio Gaúcha, por enquanto, não é uma exigência de mercado definida, mas uma tendência explorada pela RBS. Isso porque ainda existem os narradores de origem, como o último personagem deste trabalho, Angelo Afonso, que, por suas características, se assemelha muito com os narradores de gerações passadas, apesar da juventude. E é essa história que fecha o capítulo Os Narradores Contemporâneos.