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Foire aux questions – réponses (FAQ)

Partie 4. Pour en savoir plus

4.3 Foire aux questions – réponses (FAQ)

Os inquéritos por questionário – como anteriormente referido – foram aplicados aos alunos do 10º ano do ensino regular da ESBN, tendo sido respondido por 70 discentes – que designaremos por sujeitos questionados (SQ) –, alunos presentes na aula, no dia em que passámos o questionário.

Apresentamos os dados, após respetivo tratamento, por meio de quadros e gráficos, correspondentes às questões colocadas no questionário. No que diz respeito às questões abertas, foi realizada uma análise de conteúdo, tendo procurado salientar os aspetos mais relevantes, procedendo, por vezes, à transcrição de algumas respostas.

Assim, e quando inquiridos se gostavam de música (Q1), os SQs eram chamados a responder segundo uma escala de gradação cujas respostas representámos na figura abaixo:

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Figura 7 – Gosto pela música

Constatamos pois que, em conformidade com os resultados evidenciados nos estudos analisados durante a revisão bibliográfica, 98% dos jovens gostam de música (82% dizem gostar muito e 16% bastante). Apenas 1 SQ diz não gostar de música e outro gostar pouco. Recordamos que a música é um recurso muito comum nos jovens adolescentes, não somente nos seus tempos livres, mas ela serve igualmente de “suporte” durante a realização de atividades como o estudo por exemplo; ela está constantemente presente no seu dia-a-dia, desde o acordar ao deitar como já vimos anteriormente.

Quando questionados se a música é indispensável à sua vida (Q2), uma esmagadora maioria (87%) dos jovens concorda que ela é de facto importante, conforme ilustrado pela figura 8.

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Como poderia a música não ser indispensável na vida dos jovens se acabámos de dizer que ela é uma constante no seu quotidiano? Assim, 61 dos SQs consideram que a música é indispensável à sua vida e justificam-no (Q3), conforme podemos comprovar na tabela 5, da seguinte forma:

Tabela 5 – Motivos pelos quais os jovens consideram música importante, por grau crescente de concordância N = 61 Categorias Frequência relativa (%) Níveis de concordância 1 2 3 4 5 NR

Ajuda-me na criação de uma imagem exterior 1,6 8,2 23,0 41,0 23,0 3,3 Satisfaz as minhas necessidades emocionais 0,0 3,3 14,8 21,3 59,0 1,6

Dá-me prazer 0,0 1,6 13,1 32,8 52,5 0,0

Outra: a concentrar nos jogos 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1,6

1 = nada; 2 = pouco; 3 = bastante; 4 = muito; 5 = totalmente; NR = não respondeu

Para 87% dos SQs que responderam afirmativamente, a música ajuda na criação de uma imagem exterior (41% concorda “muito”, 23% “bastante” e 23% “totalmente”). Podemos pois inferir que os jovens consideram que a música ocupa um espaço importante na sua vida porque ela contribui efetivamente para o seu aspeto visual e para a imagem que deixam transparecer. Ao ajudá-los na criação de uma imagem exterior, a música não somente ajuda os jovens na aparência pessoal como os “assinala” enquanto pertencentes a um determinado grupo, facto importante na vida dos jovens pois, como bem referem Sousa & Fonseca, os jovens sentem, não somente “vontade de se diferenciarem mas também de se identificarem”. Assim sendo, “reúnem-se em grupos partilhando os mesmos ideais e gostos. Algumas particularidades comportamentais e estéticas permitem a sua identificação” (2009:209). Hoje em dia, os jovens aderem a determinados elementos estéticos sem no entanto se sentirem “presos” aos mesmos, podem adotar um outro estilo sem qualquer problema, dependendo apenas da sua vontade. De qualquer forma e, como analisado pelas autoras supracitadas, o facto de pertencer a uma determinada tribo pode ter um contributo positivo “na estruturação da identidade pessoal ao reforçar sentimentos de exclusividade, de proteção, de tolerância e de partilha com os pares” (Sousa & Fonseca, 2009:209).

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95,1% considera que a música satisfaz as suas necessidades emocionais, sendo que 59% assinalaram concorda “totalmente”; 21,3% e 14,8% escolhem respetivamente concorda “muito” e concorda “bastante”. Relacionamos a forte percentagem de alunos que consideram que a música satisfaz as suas necessidades emocionais com o facto de a música ocupar um espaço único na sua vida, sendo que ela é frequentemente usada para regular as emoções e/ou para afastar o aborrecimento. Assim sendo, a música influencia com toda a certeza o estado de espírito dos jovens, podendo também ter impacto nos seus comportamentos. Recordamos a esse propósito Palheiros & Hargreaves para quem a música tem um papel importante “no desenvolvimento da identidade pessoal e social, na formação das relações interpessoais e na regulação do humor e das emoções” (2002: 49).

Os SQs são quase unânimes ao associar a música ao prazer; para eles, ela é objeto de fruição. 98,4% afirma que a música lhes dá prazer (52,5% dos quais assinalaram concordo “completamente” e 32,8% concordo “muito”).

Esta pergunta possibilitava ainda, além das respostas oferecidas pela investigadora, referir outros motivos. Apenas um SQ assinalou a resposta “outro” com a especificação “ajuda-me a concentrar nos jogos”, no nível “totalmente”.

No que respeita ao tempo que os jovens dedicam à música diariamente (Q4), é possível constatar na figura 9 que, a percentagem mais alta, 36%, dispensa entre 1 a 2 horas do seu tempo à música. Por outro lado ainda, 50% afirmam empregar entre 2 e 6 horas (27% de 2 e 4 horas e 23% 4 a 6 horas), o que, aparentemente, parece considerável. No entanto, percebe-se facilmente o tempo que empregam com a música, ao saber que vários SQs pertencem a bandas ou têm aulas de música; além de que a música é, para os jovens, uma presença constante quando estudam, quando andam na rua ou, de uma forma geral, quando estão a fazer qualquer atividade. Acrescentemos ainda que os meios tecnológicos atuais também facilitam esse contacto com a música. Apenas 3% assinalaram 1 hora ou menos, ou seja, os dois SQs que referiam não gostar “nada” e “pouco” de música.

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Figura 9 – Tempo dedicado diariamente à música

A tabela 6 apresenta os resultados à Q5, que pretendia averiguar quais os meios que os jovens utilizam para aceder à música. Esta pergunta de escolha múltipla permitia que os SQs assinalassem várias respostas pois as opções não eram excludentes entre si. Por outro lado, também dava oportunidade aos SQs de assinalar outros meios não mencionados pela investigadora, pelo que criamos novas categorias não assinaladas a priori, tal como “Telemóvel”, “Ipod, Ipad, Mp3, Mp4”, “Playstation”, “Instrumentos”, “ Dança” e “Nenhum”.

Tabela 6 – Meios utilizados pelos jovens para aceder à música

N = 70

Categorias N Frequência relativa

Internet 67 95,7 CD 30 42,9 Radio 45 64,3 TV 30 42,9 Telemóvel 24 34,9 Ipod, Ipad, Mp3, Mp4 17 24,9 Playstation 2 2,9 Instrumentos 4 6,0 Dança 1 1,4 Nenhum 1 1,4

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Partindo dos resultados representados na referida tabela, é possível constatar que a quase totalidade dos jovens inquiridos, 97%, utiliza a internet para aceder à música. Este facto explica-se pelos avanços tecnológicos que permitem, na atualidade, aceder à internet em qualquer lugar a partir dos telemóveis. De salientar ainda que 64,3% afirmam recorrer à radio para ouvir música e 42,9% declaram utilizar os CDs e a televisão. De referir que o 1,4% que diz não usar qualquer meio para aceder à música é o mesmo SQ que diz não gostar de música.

Através da análise da tabela 7 é possível constatar qual a experiência musical dos jovens inquiridos (Q6). Nenhum dos SQs mencionou a opção “Conservatório” – esta “lacuna” explica-se pelo facto que nenhum deles esteve integrado no “ensino articulado” que permite aos alunos do Ensino Básico frequentar o Curso Básico de Música ou de Canto Gregoriano, sendo que as disciplinas da formação vocacionial são ministradas no conservatório (Portaria n.º 225/2012 de 30 de julho) – , pelo que essa categoria foi retirada da análise. Ao possibiltar várias respostas sem que as mesmas fossem excludentes, esta questão permitiu apontar uma combinação de categorias que foram registadas conforme indicado na tabela.

Tabela 7 - Experiência dos jovens com a música

N = 70 Categorias N Frequência relativa Escola 34 48,57 Aulas particulares 4 5,71

Escola privada de música 1 1,43

Grupo musical 1 1,43

Apenas trauteando 10 14,29

Escola, aulas particulares, escola de música e grupo musical 3 4,29

Escola privada e grupo musical 2 2,86

Aulas particulares e escola privada 1 1,43

Aulas particulares, escola privada e grupo musical 2 2,86

Escola e aulas particulares 2 2,86

NR 10 14,29

NR = Não Responde

Tendo em consideração a faixa etária e o momento em que o estudo se realizou, podemos garantir que todos os SQs tiveram oportunidade de frequentar as aulas de Educação Musical no seu percurso académico. No entanto, curiosamente, apenas 52,72% referem ter

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alguma experiência com a música na escola. Podemos questionarmo-nos sobre os motivos que terão levados os outros SQs a não assinalar essa opção.

Ao observarmos de perto os SQs que mencionam “grupo musical” (8 no total de 70), em combinação ou não com outras opções, esse acontecimento remete-nos para a importância que a música tem efetivamente na vida dos jovens de Leça da Palmeira. A nossa longa permanência nesta escola tem-nos permitido ter conhecimento da realidade deste estabelecimento: muitos dos nossos alunos fazem parte de grupos musicais, alguns dos quais têm tido reconhecimento a nível nacional como os ”Expensive Soul”, “Mundo Secreto” ou ainda os “Souls of Fire”.

De realçar também o número de SQs, 14,29% que optaram não responder à pergunta.

A Q7 pretendia identificar os géneros musicais preferidos dos SQs e que registámos na tabela 8. Esta questão era de escolha múltipla, não sendo as opções excludentes entre si, os SQs podiam assinalar várias respostas. Era ainda possível, uma vez que a listagem dos géneros musicais é extensa e que optámos por não os enunciar todos, escolher a opção “outros”, especificando o género. Assim, mais uma vez, criaram-se outras categorias não identificadas a priori.

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Tabela 8 – Géneros musicais preferidos

Categorias N Frequência relativa Clássica 11 15,71 Hip-Hop 35 50,00 House 25 35,71 Pop 40 57,14 Rock 36 51,43 Metálica 17 24,29 Regatton 10 14,29 Reggae 11 15,71 Trance 1 1,43 Funk 2 2,86 R&B 6 8,57 Gospel 1 1,43 Blues 3 4,29 Power Metal 1 1,43 Dubstep 3 4,29 Jazz 4 5,71 Soul 2 2,86 Techno 1 1,43 Afro House 1 1,43 Drum n´bass 1 1,43 Country 1 1,43 Trash Metal 1 1,43 Heavy Metal 1 1,43 Celta 1 1,43 Fado 1 1,43 Folk 2 2,86 Indie 2 2,86 Bossa Nova 1 1,43 Alternativa 1 1,43 Sertanejo 1 1,43 Pagode 1 1,43 Nenhum 1 1,43

Através da análise da referida tabela, facilmente constatamos que os géneros musicais preferidos dos SQs são, por ordem de frequência, “Pop” com 57,14%, “Rock” com 51,43% e “Hip-Hop” com 50%. Estes resultados eram os expectados, pois vão de encontro ao que era referido nos estudos analisados durante a fase exploratória.

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Constatamos ainda que os gostos encontram-se muito divididos, havendo muitos SQs a assinalar géneros bastante especificos e que não reúnem muitos fãs, como é o caso do “Pagode”, “Sertanejo”, “Alternativa”, “Bossa Nova”, “Fado” entre outros.

A figura 10 apresenta os resultados obtidos a partir da Q8 que visava saber se os SQs têm ou não un cantor/ músico preferido.

Figura 10 – Gosto por um determinado cantor / músico

Se considerarmos que na Q1, 98% dos SQs afirmavam gostar de música, podemos estranhar [ou não] que apenas 53% afirmem ter um cantor/músico preferido. No entanto, esse facto explica-se facilmente ao fazer a análise dos motivos apresentados pelos SQs. Para análise desses motivos, recorremos a uma análise de conteúdo por se tratar de uma pergunta aberta. Definimos as seguintes categorias depois de analisadas as respostas: “Gosta de muitos artistas e/ou vários géneros”, “Não gosta de música” e “Não respondeu”, para as quais apresentamos de seguida as frequências através da tabela 9.

Tabela 9 – Motivos pelos quais jovens não têm cantor/músico preferido

Categorias N Frequência

Relativa (%)

Gosta de muitos artistas e/ou vários géneros 26 70,27

Não gosta de música 1 2,70

Não responde 10 27,03

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Ao analisar os resultados obtidos na tabela 9, constatamos que o motivo pelo qual os SQs referem não ter um cantor/músico preferido deve-se, antes do mais, ao facto de não poderem escolher entre um ou outro uma vez que gostam de vários cantores/músicos que se dividem por vários géneros musicais.

Relativamente aos SQs que referiram ter um cantor/músico preferido, os gostos variam muito conforme se pode comprovar pela figura 11. Apenas Rihanna reúne 4 registos, Eminem e Hugh Laurie 2 registos cada; todos os outros têm apenas 1 registo cada. Podemos concluir, a partir destes resultados e cruzando-os com as respostas à Q7 e ao facto dos SQs responderem pela negativa na Q8, que não somente os gostos dos jovens são diversos como não podem nomear tal ou tal cantor/músico como seu preferido perante o largo leque de cantores/músicos que ouvem.

N = 37

Figura 11 – Cantores / músicos preferidos pelos jovens

Da mesma forma que procedemos a uma análise de conteúdo para tratar os motivos pelos quais os alunos não têm um cantor/ músico preferido, iremos agora também analisar os motivos apresentados para justificar a afirmativa. Para tal, definimos as categorias abaixo apresentadas na tabela 10 com as respetivas frequências.

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Tabela 10 – Motivos pelos quais os jovens têm um cantor/ músico preferido

Categorias N Frequência

Relativa

Gosto pela música/letra 4 10,81

Gosto pelo estilo musical 6 16,22

Qualidade das mensagens 1 2,70

Qualidade das músicas 11 29,73

Identificação 3 8,11

Bem-estar 4 10,81

Qualidade do intérprete 8 21,62

TOTAL 37 100

Depreendemos assim da análise da tabela acima, que o que leva os SQs a determinar que um cantor/ músico é o seu preferido, prende-se antes de mais com a qualidade das músicas (29,73%) e com a qualidade do intérprete (21,62%).

De seguida, apresentamos na figura 12, os resultados referentes à Q9, para os SQs que declararam ter um cantor/ músico preferido relativamente ao grau em que o mesmo influencia o seu modo de vida.

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Constatamos que, apesar de 53,7% dos SQs afirmarem que têm um cantor/músico preferido, 58% consideram que os mesmos, pouco ou nada, influenciam o seu modo de vida.

Procurámos por conseguinte clarificar de que forma o cantor/músico preferido influenciava o modo de vida dos SQ. Para o efeito, procedemos de novo a uma análise de conteúdo: partindo das respostas fornecidas, procedemos à categorização das mesmas, reagrupando- as pelas semelhanças temáticas (Tabela 11).

Tabela 11 – Influência dos cantores/músicos preferidos na vida dos jovens

Categorias N Frequência

relativa (%)

Não muda nada 9 28,13

Não responde 10 31,25

Influencia forma de vestir e objetivos de vida 2 6,25

Influencia maneira de agir/pensar 2 6,25

Melhora disposição 3 9,38

Promove a agressividade 1 3,13

Motiva 1 3,13

Melhora relacionamento social 3 9,38

Promove identificação 1 3,13

TOTAL 32 100

Conforme podemos comprovar pela tabela anterior, 28,13% dos jovens considera que o facto de ter um cantor/músico preferido não altera em nada a sua vida, pois os mesmos não têm influência sobre eles. Por outro lado, 31,25% optou por não responder, pois corresponde quase aos mesmos SQs (7) que assinalaram que o seu cantor/músico preferido não o influencia “nada” e à quase totalidade (8 SQs) dos que assinalaram “pouco”. Estranhamente um SQ assinalou que o seu cantor/músico preferido o influencia “bastante” e outro SQ “completamente” mas, depois, não indicaram de que forma o fazem.

A tabela 12 tem por objetivo identificar os motivos que levam os SQs a gostar de um determinado género musical (Q10). Para recolher os dados, propusemos aos SQs uma pergunta com gradação, permitindo aos jovens expressar-se relativamente ao nível de

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concordância (desde “nada” a “completamente”) com as opções enunciadas. Permitiu-se ainda aos SQs propor outras categorias através da opção “outra”, especificando de seguida.

Tabela 12 – Motivos para gostar/ouvir determinado género musical

N = 70

Categorias Frequência relativa (%)

Níveis de concordância

1 2 3 4 5 NR

Condiz com o estado de espírito 3,00 3,00 14,90 35,80 41,80 1,50

Identifico-me com o estilo 1,50 0,00 20,90 32,80 43,30 1,50

É a música que o meu grupo de amigos ouve 11,90 29,90 34,30 17,90 4,50 1,50

1 = nada; 2 = pouco; 3 = bastante; 4 = muito; 5 = completamente; NR = não respondeu

Se por um lado os cantores/ músicos pouco ou nada influencia os jovens, existe, no entanto, uma forte ligação com o género musical que os jovens ouvem. Senão vejamos: relativamente à categoria “condiz com o meu estado de espírito”, 95,5% responderam afirmativamente, sendo que 41,8% assinalou “completamente” e 35,8% “muito”. Este facto vem, mais uma vez, de encontro ao que se esperava, ou seja, os jovens ouvem determinados géneros de música em função do estado emocional do momento.

Na categoria “identifico-me com o estilo”, também 97% escolheram opções afirmativas (43,3% optaram por “completamente”, 32,8% por “muito” e 20,9% por “bastante”). Neste caso também as respostas vão ao encontro do espectável.

No entanto, no que diz respeito à categoria “é a música que o meu grupo de amigos ouve”, as respostas encontram-se muito mais divididas, sendo que a frequência mais alta se situa no “bastante” com 34,3%. Podemos inferir que as amizades não dependem do tipo de música que se ouve, as afinidades entre jovens vão para além da música.

Na opção “outros” motivos para gostar ou ouvir determinado género musical, um SQ identificou a “dança” de uma forma geral, outro SQ referiu a “dança Hip-Hop” em particular, outro SQ ainda argumentou “porque se trata de uma música profunda” e por fim um outro SQ disse que “desde muito cedo fui incentivado a ouvir música”. Nenhum destes SQs assinalou o nível de concordância.

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Inquirimos de seguida sobre as outras relações que os jovens mantêm com a música (Q11), e passamos a mostrar os resultados na tabela 13.

Tabela 13 – Outras relações que os jovens mantêm com a música Categorias Frequência relativa (%) Níveis de concordância 1 2 3 4 5 NR Tocar 40,30 19,40 6,00 7,50 14,90 11,90 Cantar 13,40 19,40 11,90 28,40 20,90 5,80 Dançar 31,30 7,50 19,40 23,90 11,90 6,00 Criar 46,30 20,90 6,00 7,50 6,00 13,40

1 = nunca; 2 = às vezes; 3 = algumas vezes; 4= muitas vezes; 5 = sempre; NR = não respondeu

Desta forma, constatamos que 40,3% responde “nunca” tocar e 14,9% afirma tocar “sempre”. Ao cruzar esta informação com a obtida nas respostas às Q4, Q5 e Q6, podemos depreender que, os que afirmam tocar “sempre”, são os mesmos SQs que tocam em grupos musicais, têm aulas particulares ou dizem aceder à música através de instrumentos.

58,3% afirma cantar (28,4% “muitas vezes” e 20,9% “sempre”). Consideramos que, muito provavelmente, a maioria dos SQs assinalaram estas respostas porque acompanham a letra das canções que ouvem ou têm por hábito cantarolar, não porque cantem em algum grupo ou a solo.

Curiosamente, numa época em que os jovens saem muito à noite e regressam de madrugada a casa, 31,3% diz não dançar “nunca”. Os restantes dividem-se por “algumas vezes” (19,4%), “muitas vezes” (23,9%) e “sempre” (11,9%), dependendo certamente da frequência com que vão à discoteca.

No que respeita à categoria criar, uma grande parte, 46,3%, assinala que “nunca” cria ou opta por não responder à questão (13,4%).

A Q12 pretendia averiguar se os jovens consideram que a música contribui para o seu desenvolvimento. Tratava-se de uma pergunta dicotómica, apenas com duas respostas possíveis, sim ou não. Passamos de seguida a apresentar os resultados na figura 13.

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Figura 13 – Perceção do contributo da música no desenvolvimento dos jovens

Apenas 1 SQ não respondeu à pergunta pois trata-se do mesmo jovem que diz não gostar de música. 89% dos jovens consideram que a música contribui para o seu desenvolvimento e justificam-no (Q13) conforme podemos comprovar na tabela 14 segundo as categorias enunciadas pela investigadora. Para recolher esses dados, propusemos aos SQs uma pergunta com gradação, permitindo aos jovens expressar-se relativamente ao nível de concordância com as opções enunciadas. Permitiu-se ainda aos SQs propor outras categorias através da opção “outra”, especificando de seguida, no entanto nenhum dos SQs fez essa opção.

Tabela 14 – Motivos pelos quais a música contribui para o desenvolvimento dos jovens

N = 62 Categorias Frequência relativa (%) Níveis de concordância 1 2 3 4 5 NR Facilita autoconhecimento 0,00 6,45 38,71 38,71 17,74 0,00

Favorece a relação com o outro 4,84 14,52 35,48 33,87 11,29 0,00 Ajuda no controlo das emoções 4,84 6,45 24,19 37,10 32,26 0,00

Potencia capacidades 0,00 4,84 35,48 27,42 19,35 0,00

Favorece a participação 1,61 16,13 29,03 29,03 9,68 1,61

Ajuda a integrar 0,00 4,84 24,19 27,42 29,03 1,61

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Através dos resultados representados na tabela anterior, é possível comprovar que em todas as categorias enunciadas pela investigadora, a grande maioria dos SQs escolheu os níveis de concordância afirmativos.

Assim, conforme se pode constatar através da leitura da tabela 14, todos os SQs consideram que, de alguma forma, desde “pouco” a “completamente”, a música contribui para um melhor conhecimento de si. 95,16% dos SQs responderam afirmativamente à categoria “facilita o autoconhecimento” (38,71% considera “bastante”, 38,71% “muito” e 17,74% “completamente”). Conforme vimos na fundamentação, a adolescência é uma fase em que um dos maiores desafios que se põe aos jovens é a descoberta de si e dos outros “enquanto procura descobrir o seu papel e o seu lugar na sociedade” (Rodrigues et al, 2010: 100), pelo que podemos inferir que os jovens consideram que a música os ajuda nessa descoberta.

Relativamente à categoria “favorece a relação com o outro”, 35,48% escolheu o nível “bastante”, 33,87% assinalaram “muito” e 11,29% “completamente”, ou seja um total de 80,64%. A música, na opinião dos jovens, permite aproximá-los uns dos outros através das escolhas musicais que fazem; os concertos, as noites na discoteca etc. servem para ajudar no seu relacionamento com o Outro. Este facto vem confirmar a posição dos autores Palheiros & Hargreaves (2002), segundo quem a música tem um papel fundamental nas relações interpessoais.

Na categoria “ajuda no controle das emoções”, 93,55% dos SQs distribui-se com maior incidência no “muito”, com 37,10% e 32,26% “completamente”; os restantes 24,19% optaram por considerar que a música os ajuda “bastante”. Se acordarmos que a música que os jovens ouvem é muitas vezes escolhida em função do seu estado de espírito, podemos concluir que a mesma também influencia o seu estado emocional. É sabido que determinadas músicas ajudam a relaxar e a acalmar enquanto outras podem estimular mas, nem sempre pela positiva. De facto, um SQ declarou na Q9, ao responder à forma como o seu cantor/músico preferido influencia o seu modo de vida, que o mesmo “promove a agressividade”.

Quanto à categoria “potencia capacidades”, conforme podemos observar na tabela, os SQs

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