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B. Les aspects Qualité en PV

VII. Focus sur l’Audit (20)

O Brasil possui duas regiões que produzem cana-de-açúcar em calendários distintos. No caso da região Nordeste, nos principais Estados produtores (Alagoas e Pernambuco) a colheita ocorre entre agosto e abril. Enquanto que na região Centro-Sul do Brasil, nos principais Estados produtores (São Paulo, Minas Gerais e Paraná) a colheita ocorre entre abril e dezembro.

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A cana-de-açúcar apresenta boa produtividade quando seu cultivo é realizado em duas estações distintas, ou seja, a estação quente e úmida é propícia para a germinação e a formação dos brotos; a estação fria e seca promove a maturação e o acumulo da sacarose nos colmos. No Brasil, o ciclo completo das práticas agrícolas da cana-de-açúcar é de, geralmente, seis anos, dentro do qual ocorrem cinco cortes, sendo quatro de soqueiras e um de reforma. Inicia-se um novo plantio e ciclo produtivo quando a produção anterior apresentou redução na produtividade (NOGUEIRA et al., 2008).

A cana pode ser colhida tanto de modo manual quanto mecanizado. No sistema tradicional, realiza-se a queima prévia do canavial com o intuito de facilitar a operação, evitar problemas com animais peçonhentos e aumentar o rendimento do corte. Tal procedimento vem sendo substituído pela colheita mecanizada em virtude das restrições ambientais às práticas da queima (NOGUEIRA et al., 2008). A colheita da cana crua propicia o aumento da cobertura vegetal do solo, diminuindo a erosão e aumentando a infiltração de água. Entretanto, só pode ser realizada em terrenos que apresentem a declividade inferior a 12% (FURLANI NETO et al., 1997).

De acordo com Ometto (2000), o cultivo da cana-de-açúcar apresenta alguns impactos ambientais, como: suspensão de material particulado (poeira) no local de operação dos maquinários; compactação do solo devido o uso de máquinas agrícolas pesadas e o sulcamento do solo para receber mudas de cana-de-açúcar; alterações nas características físico-químicas e biológica do solo com o cultivo da cana-de-açúcar; erosão devido à desagregação do solo com o sulcamento; diminuição da fauna devido à extensas áreas com o monocultivo da cana-de-açúcar; além disso, a monocultura propicia aumento

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de pragas e doenças, maior quantidade de ervas invasoras e diminuição da disponibilidade de nutrientes e; contaminação dos corpos d’água por pesticidas.

No Brasil, o transporte da cana-de-açúcar até a usina é predominantemente do tipo rodoviário, com o emprego de caminhões que carregam cana inteira (colheita manual) ou picada em toletes de 20 cm a 25 cm (colheita mecânica). A capacidade de carga dos caminhões (simples, duplo, treminhão e rodotrem) pode variar de 15 a 60 toneladas. Ao chegar à usina, os caminhões são pesados em uma balança que precisará a quantidade de cana- de-açúcar carregada. Após a pesagem, retira-se uma amostra do carregamento para determinar, em laboratório, do teor de sacarose na matéria- prima (COPERSUCAR, 2008).

Após essa etapa, a cana-de-açúcar colhida manualmente pode ser encaminhada à mesa alimentadora, onde será lavada para remover as impurezas, ou poderá ser estocada por um curto período a fim de evitar a redução de perdas de açúcar por decomposição bacteriológica. A cana-de- açúcar crua colhida mecanicamente não deve ser estocada nem lavada (COPERSUCAR, 2008).

Os passos seguintes consistem em preparar a cana-de-açúcar para a extração do caldo. O objetivo dessa etapa é aumentar a densidade e, conseqüentemente, a capacidade de moagem, bem como realizar o máximo rompimento das células para liberação do caldo nelas contido, obtendo-se, portanto, uma maior extração. Assim, a cana-de-açúcar é submetida a uma série de facas e desfibradores para aumentar a eficiência de extração do caldo nas moendas, que são movidas, principalmente, por turbinas a vapor

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proveniente da queima do bagaço nas caldeiras (OMETTO, 2000).

Basicamente, o que interessa para a cadeia produtiva da cana é o açúcar contido na matéria-prima, que se encontra dissolvido no caldo. Portanto, o objetivo principal é extrair o máximo de caldo da cana-de-açúcar. A extração do caldo pode ser feita por duas diferentes técnicas: o uso de moendas ou de difusor de cana-de-açúcar.

Após o tratamento com o objetivo de retirar impurezas, o caldo pode ser encaminhado para a fabricação de etanol. Segundo Pereira (2008), os produtos desta etapa são: o caldo misto, o bagaço utilizado na geração de vapor e de energia elétrica, água suja, argila e resíduos que retornam ao campo para a fertilização.

Ometto (2000) diferencia os dois tipos de destilarias de etanol:

a) destilarias anexas: tem a capacidade de produzir etanol a partir do produto da fermentação do melaço, subproduto da produção de açúcar – o chamado mosto de melaço;

b) destilarias autônomas: tem a capacidade de produzir etanol obtido a partir da fermentação direta do caldo de cana.

Em um tratamento mais completo, o caldo é submetido à calagem, aquecimento e decantação. Após o tratamento, o caldo é misturado ao melaço, originando o mosto. O mosto seguirá para a fermentação juntamente com leveduras (fungos unicelulares da espécie Saccharomyces cerevisae) por um período de 8 a 10 horas, dando origem ao vinho. O processo de fermentação

mais usado no Brasil é o Melle-Boinot, cuja característica principal é a recuperação das leveduras de vinho mediante sua centrifugação (NOGUEIRA

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No processo de destilação, o etanol é recuperado em forma hidratada, com aproximadamente 96º GL (porcentagem em volume) correspondentes a cerca de 6% de água em peso. Nessa etapa do processo é possível retirar de 10 a 13 litros de vinhaça para cada litro de etanol produzido. Finalmente, o etanol hidratado pode ser estocado e, a posteriori, comercializado ou passar por um processo de desidratação para se obter o etanol anidro (COPERSUCAR, 2008). Conforme Pereira (2008), os produtos desta etapa são: torta de filtro e vinhaça que podem ser usadas para a fertilização das lavouras de cana-de-açúcar; etanol hidratado ou etanol anidro.

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