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FLUSH WORK QUEUE (Ox49)

Dans le document Jaguar High-perform.ance (Page 98-104)

De um modo geral a Athena, o João e a Valdesca acham que o Candomblé aceita bem as Pessoas Trans nos Terreiros, ou seja é uma forma de combater o preconceito e a discriminação. Já a Sílvia, reconhece as dificuldades que existem ainda no Candomblé em torno do reconhecimento de algumas Pessoas Trans. Por isso mesmo, tem uma posição combativa e ela mostra isso através das posições que tem tomado na sociedade brasileira da atualidade.

Para Athena o Candomblé não pede para as pessoas mudarem, independentemente de serem transsexuais, gays ou outra coisa qualquer, pois o que interessa é o comportamento dos indivíduos. Refere que

pela forma como o Candomblé acata os transexuais já é uma forma de combater o preconceito, Os Pais e Mães de Santo acabam por ter apego por nós e tratam-nos como se fossem Pai e Mãe mesmo. Nos Candomblés a maioria aceita as transexuais. Quem não aceita são as outras religiões

Relativamente ao João, este revela uma grande proximidade com o Candomblé, encontrando aqui uma proteção que às vezes pode ser difícil de encontrar nas famílias de sangue. Este participante mostrou-se muito agradecido às pessoas (Família de Santo), que o ajudaram a superar muitos

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momentos maus por que já passou. Para ele é uma religião que não faz distinção entre as pessoas, protegendo as minorias, ou seja,

é uma família que você sabe que pode contar, automaticamente quando você faz Santo adquire irmãos, Pai Pequeno, Mãe Pequena, Ogã, Equede, primos, sobrinhos, então é uma segunda família na sua vida, uma família espiritual que também você pode contar.

No que concerne à análise efetuada ao discurso da Valdesca, conclui-se que o Candomblé é uma religião inclusiva, apesar de alguma discordância nalguns casos concretos. Em traços gerais, contribui decisivamente na luta contra a discriminação, das Pessoas Trans porque encontra sempre uma razão para acolher, confortar e integrar, como diz, os Pais e Mães de Santo acabam por ter apego por nós e tratam-nos como se fossem Pai e Mãe mesmo.

No discurso da Valdesca, percebe-se nitidamente a filosofia do Candomblé em relação a esta matéria,

só de aceitarem todas as pessoas no Terreiro sejam, homem, mulher, trans, gay, hermafrodita, lésbica, sei lá, já é uma maneira de lutarem contra a discriminação. Todos somos Seres Humanos, nascemos por algum motivo, então todos/das devíamos ter os mesmos direitos!

Mas, isso parece não acontecer sempre nas outras religiões. Contrariamente, o Candomblé tem ajudado as pessoas de uma forma global, com vista a uma melhor integração, combatendo a discriminação das Pessoas Trans e outras que aportem nos seus terreiros. Contudo, e apesar de uma parte dos/das respondentes defender esta posição, Athena e Sílvia consideram existir problemas de discriminação nalguns terreiros como elas mostraram pela sua experiencia e como observa, Santos

ainda assim, é possível constatar grande presença de gays e lésbicas nos terreiros de candomblé, sendo alguns deles Pais e Mãe de Santo, cargo mais alto na hierarquia desta religião. Todavia, registros sobre a presença e forma de interação de Pessoas Trans, neste contexto ainda são muito tímidos ou mesmo inexistentes.

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A este propósito Sílvia não partilha das mesmas ideias dos/as outros/as entrevistados/as, referindo que

se a pessoa for homossexual mas não trans sim, mas se a pessoa for homossexual mas trans, não, ou seja, no caso das Pessoas Trans o Candomblé não tem feito muito em prol deste grupo e como refere, o preconceito vem mais do homossexual do que do heterossexual.

Enquanto isto, a trans tem por instinto defender o homossexual, por achar que eles são mais frágeis do que elas. Sílvia identificando as dificuldades patenteadas no Candomblé em torno do reconhecimento de algumas Pessoas Trans, tem uma posição combativa e isso mostra-o através das posições que tem tomado na sociedade brasileira da atualidade.

Com dor reconhece que nem o Candomblé, nem as outras religiões, nem a sociedade de uma forma geral, estão preparados para receber uma transsexual.

A propósito da temática exposta, Oliveira Santos (2009), recorre a Halberstam, (1998) e Plummer (2005), para justificar que

a teoria queer desafia os binarismos heterossexual/homossexual e sexo/género, recusando a ideia de identidades fixas, por um lado, e estratégias de normalização, por outro. Abandona o paradigma do desvio, interessando-se pela análise das lógicas de poder, de submissão e transgressão, recusando os métodos de investigação mais ortodoxos.

(Halberstam, 1998 e Plummer 2005,apud Oliveira Santos, 2009:123)

Nesse sentido, Sílvia participou III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, onde foi a primeira Delegada da Diversidade Transsexual de Matriz Africana a ir para Brasília, defender os direitos das Pessoas Trans. Ali mesmo, refere ter sido vítima de preconceito,

assim que cheguei estava o nome Sílvio em todos os computadores mas devia estar o meu nome social Sílvia como foi indicado por mim e se a lei me assiste, a lei me ampara, quando fui para o hotel foi a mesma coisa eu dei o nome Sílvia e voltaram a colocar Sílvio e me colocaram num quarto com um homem. Este depoimento evidência claramente que a sociedade em geral (e até o Candomblé) ainda não esta preparada para lidar com as Pessoas Trans.

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Em traços gerais, entende-se da leitura do discurso efetuado que ainda é preciso percorrer um largo caminho para um reconhecimento efetivo das Pessoas Trans, sobretudo na sociedade em geral, porque se as sociedades evoluem terão que saber encontrar formas de integrar os seus cidadãos que são diferentes. Sílvia tem voz no Terreiro e na sociedade por isso está a lutar pelo reconhecimento e tratamento de igual para com as Pessoas Trans. Participou na III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília como Delegada da Diversidade Transsexual de Matriz Africana em defesa das Pessoas Trans.

Ficamos a saber que o Candomblé tem lutado contra a discriminação sexual das Pessoas Trans e isto revela-se no acolhimento que faz a estas pessoas, ao ponto da Athena, do João e da Valdesca referirem as Mães e Pais de Santo como uma família não só espiritual mas também de facto. Neste sentido, também Sílvia alinha na mesma referência, no caso da integração. Quanto à discriminação ela evidencia de uma forma veementemente exaltada e descontente que tem que ser percorrido um longo caminho dentro das instituições na sociedade em geral, incluindo todas as religiões. Pois, mesmo dentro do Candomblé existe discriminação interna ao nível dos vários grupos que compõem as Casas de Candomblé, sobretudo no que diz respeito ao desagrado que alguns homossexuais ainda manifestam face às Pessoas Trans.

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