• Aucun résultat trouvé

FLT3 (Fms Like Tyrosine kinase receptor 3)

Dans le document en fr (Page 112-136)

Chapitre IV – Les récepteurs tyrosine-kinase de classe III

4. FLT3 (Fms Like Tyrosine kinase receptor 3)

Os resultados foram agrupados em torno de cinco eixos de sentido: tema pouco relevante; caracterização opaca do tema e do contexto sócio-histórico; conceituação imprecisa; retórica de denúncia/ataque em contexto de crise; ausência de crianças suas vozes, de suas individualidades, de suas histórias.

3.2.1 Tema pouco relevante

Analisando esses 16 anos do jornal Folha de S. Paulo on line e adotando as

regras explicitadas, localizamos apenas 343 peças jornalísticas tratando direta ou indiretamente do tema creche, ou seja, 21 peças jornalísticas em média por ano ou uma peça a cada 17 dias. Mas que não se imagine que a cada 17 dias um (a) leitor (a) da Folha de S. Paulo on line teria a sua disposição um texto sobre creche, ou

que tratasse diretamente da instituição creche. Nesse caso, localizamos apenas 163, o que significa uma média de pouco mais de 10 textos por ano, ou um texto a cada 36 dias, portanto, menos de um texto por mês.

Teria sido auspicioso dispormos de caminhos para comparar a importância relativa atribuída ao tema creche a outros temas ou questões. As comparações seriam possíveis se adotássemos estratégias equivalentes de localização das UIs, o que significaria realizar pequenas pesquisas. Realizamos um pequeno experimento aproximativo: para o período coberto por esta dissertação, pesquisamos, um a um, os seguintes descritores, além do “creche” que já havíamos pesquisado (1019 entradas, conforme quadro 7): pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior.

Conforme gráfico transcrito na figura 3, verificamos uma perfeita hierarquia: no período, o número de artigos publicados pela Folha de S. Paulo on line que

contém o descritor “ensino superior” é superior ao localizado para “ensino médio”, que é superior ao localizado para “ensino fundamental”, que é superior ao localizado para “pré-escola”, que é superior ao localizado para “creche”. Para cada texto localizado pelo descritor “creche” no período considerado, são localizados 6,87 textos sobre ensino superior.

Figura 3 - Número de artigos localizados na Folha de S. Paulo on line no período 1994 a 2009,

por descritor selecionado.

Além desse experimento, algumas comparações foram possíveis adotando outros indicadores da importância atribuída pelo jornal a um tema. Por exemplo, sua evolução no tempo, sua permanência na agenda. Assim, focalizando a distribuição de UIs que trataram diretamente do tema por ano, neste período, não notamos uma curva ascendente. 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 creche (1019) pré-escola (4018) ensino fundamental (6213) ensino médio (6860) ensino superior (6896) N ú m e ro d e t ít u lo s lo ca li za d o s Descritores

Figura 4 – Distribuição de frequência de UIs da amostra, por ano.

Analisando-se a figura 4, observa-se que os oito primeiros anos foram responsáveis pela publicação de 62,0% das Uis localizadas. Ou seja, não se nota uma curva ascendente; ao contrário, seu formato é denteado. Conforme informação do capítulo anterior, os anos próximos a 2000 constituem o período no qual a ANDI parece ter se mobilizado mais em torno do tema creche e 2000 foi o ano de realização da pesquisa da ANDI relatada por Vivarta (2003).

Outros indicadores provêm de componentes editoriais como aqueles transcritos no quadro 9.

Quadro 9 - Tendências predominantes do universo, corpus e amostra, por categoria.

Observamos quatro características predominantes convergentes: caderno, localização (cidade), autor e origem jornalística. O tema creche foi tratado predominantemente no Caderno Cotidiano e situado em âmbito local, da cidade de São Paulo. O tema não foi tratado, predominantemente, em âmbito nacional e em cadernos/sessões focados na política. Essa característica - a de ser um tema de

0 2 4 6 8 10 12 N ú m er o d e U Is d a am o st ra

Ano de publicação das UIs da amostra

Atributo predominante % Atributo predominante % Atributo predominante %

Ano 2000 12,8 2000 13,5 2000 12,8

Quinta-feira 23,3

Domingo 22,1

Caderno Cotidiano 55,7 Cotidiano 54,6 Cotidiano 56,9

Cidade São Paulo 83,4 São Paulo 74,2 São Paulo 77,9

Autor Não menciona 41,7 Não menciona 47,1 Não menciona 44,2

Origem jornalística Reportagem local 37 Reportagem local 41,7 Reportagem local 43

Categorias

Universo (343) Corpus (163) Amostra (86)

âmbito local – se vê reforçada pelo fato de sua origem jornalística predominante ser a reportagem local. Complementarmente, sua reduzida importância se vê atestada pelo alto índice de ausência de informação sobre sua autoria: quase metade das peças jornalísticas do universo, do corpus e da amostra não informa o (a) autor (a),

em acordo com os dados mencionados por Vivarta (2003) referentes a 2000, para a mídia nacional e referentes à educação infantil, no geral.

Isto significa que o jornal não considerou a creche como uma pauta relevante,

pois, de acordo com o Manual de Redação, são assinadas as peças jornalísticas que

correspondem a um furo jornalístico, que sejam inéditas ou que possuam grande relevância social.

Se o tema creche não teve relevância pela quantidade de peças publicadas, o jornal procurou divulgá-lo em dias da semana em que tem maior circulação: domingo

(26,4% do corpus) e quinta-feira (23,3% da amostra). Conforme Leandro F. Andrade

(2001), esses são dias nobres do jornal, pois as edições ganham maior número de cadernos, número de anunciantes e tiragem maiores. Pode-se supor, sendo necessário aprofundar a análise, que o maior volume do jornal pode acolher maior diversidade de temas, mesmo aqueles menos relevantes.

Cotidiano foi o caderno onde mais foram veiculadas peças jornalísticas sobre

creche (55,7% do universo, 54,6% do corpus e 56,9% da amostra). De acordo com a

Folha (2011), esse caderno é destinado a temas urbanos brasileiros e de interesse

do cidadão. Na tabela, a seguir, incluímos todos os cadernos nos quais localizamos UIs referentes à creche.

Tabela 8 - Distribuição de frequência de UIs do universo, corpus e amostra, por caderno.

A inclusão da tabela extensa, sem agrupamento, se justifica para colocar em destaque este indicador de importância: dos 22 cadernos possíveis, o tema foi

tratado diretamente no corpus e na amostra em apenas 12; além de ter selecionado

o Cotidiano como caderno privilegiado, é notável que o jornal tenha omitido a publicação do tema, de maneira direta, em vários cadernos – Dinheiro, Folha Tudo, Fovest, Ilustrada, Imóveis, Informática, Mercado, Mundo, Opinião, Poder, Saber, Sinapse e Turismo (tabela 8).

Tal ausência, por contraponto, reforça o enfoque local das peças jornalísticas, o que pode ser interpretado, também, como um indicador de sua importância reduzida.

Caderno/Sessão Universo Corpus Amostra

Imóveis 1 0 0 Informática 1 0 0 Sinapse 1 0 0 Turismo 1 0 0 Folha Tudo 2 0 0 Fovest 2 0 0 Ilustrada 2 0 0 Construção 3 3 2 Folha teen 3 0 0 Mais 3 1 1 Esporte 4 2 2 Especial 5 3 2 Dinheiro 6 0 0 Empregos 7 6 2 Mundo 7 0 0 Opinião 13 6 1 Folha Campinas 14 12 5 Equilíbrio 15 5 5 Folha Ribeirão 17 9 3 Brasil 18 6 3 Folha Vale 26 21 11 Cotidiano 192 89 49 Total 343 163 86

Destacamos, ainda, o reduzido número de peças jornalísticas de opinião, apesar de não constituírem caderno específico no jornal. Uma análise minuciosa das 86 UIs que constam da amostra, permitiu observar que nenhuma vez o tema creche ocupou a atenção da página 2 do jornal (editoriais), que apenas uma vez ocupou a página 3 no Caderno Opinião e, também apenas uma vez, a sessão Carta do Leitor. Isto preocupa e sugere a difícil tarefa de alçar a creche à condição de um problema social nacional e de todos (as) brasileiros (as).

Apesar de ser produzida principalmente na capital do estado, a Folha de S.

Paulo é um jornal que se propõe a uma distribuição nacional, veiculando notícias

locais e regionais em cadernos especiais. A versão on line engloba os conteúdos

veiculados nas diferentes regiões do país.

O tema creche, na Folha, privilegia situações locais, do estado de São Paulo.

A cidade que ganhou destaque foi São Paulo (83,4% do universo, 74,2% do corpus

e 77,9% da amostra), seguida pelas cidades do interior paulista: Campinas e São José dos Campos. Lembramos, mais uma vez, que esta característica teria sido já apontada na pesquisa da ANDI realizada em 2000 e sobre EI no geral (VIVARTA, 2003).

Campinas e São José dos Campos são duas outras cidades que ganham destaque nas peças jornalísticas da amostra. Assim sendo, percebemos uma forte ênfase na discussão sobre creches no âmbito do estado de São Paulo, das regiões metropolitanas, sugerindo uma subordinação das regiões interioranas do país com pouca visibilidade pública. Aqui ficam algumas questões para interpretação: apenas as regiões urbanas mencionadas do estado de São Paulo teriam interesse no tema? Ou o interesse circunscrito decorreria de maiores recursos da “reportagem local”? Ou de ambos, ou seja, da produção e da recepção do jornal?

A origem jornalística que obteve destaque foi a reportagem local, indicando um vínculo do autor da peça jornalística com o jornal Folha de S. Paulo, o que acentua o privilégio da dimensão local (sobre o local, escreve o local), bem como da reportagem como gênero jornalístico. Porém, este local não é diverso, é concentrado na região Sudeste, no estado e na cidade de São Paulo. Considerando a distribuição nacional do jornal, ficamos a nos perguntar que interesse um (a) leitor (a) do Amazonas teria em uma disputa na cidade de São Paulo entre a associação de creches conveniadas (AMESC) e o prefeito da ocasião, como na UI “Exterminador

do futuro” (23/02/1996), na qual Luiz Antonio Ferretti entra em disputa com a administração Maluf:

O prefeito Maluf e o Secretário da Família e Bem Estar Social fazem afirmações contraditórias e faltam com a verdade no que diz respeito: aos valores per capita das creches, à transferência

das crianças das creches para as escolas municipais de educação infantil (Emeis), e à construção desses equipamentos.

Em consonância com o privilegiamento do local, destacamos uma outra característica a indicar tal predominância: a mirada principalmente do tema é local, pois 62,8% das UIs tratam da creche em âmbito local e apenas 37,2% em âmbito nacional.

Tabela 9 – Distribuição de frequência de UIs da amostra, por tema e tipo de localização.

O enfoque em âmbito local ou em âmbito nacional pouco se associa aos temas privilegiados, com exceção das vagas, questão que ocupa o proscênio da amostra de UIs (tabela 9): 36% das UIs tratam principalmente da questão das vagas (ou do acesso) disponíveis em creche. Vejamos alguns títulos dessas peças jornalísticas: “3500 crianças ficam sem creche” (12/11/1998); “Juiz exige abertura de vaga em creches” (02/09/1999); “Pobres têm menos acesso à creche” (02/07/2000); “Prefeitura tem 60 dias para ofertar vagas” (21/01/2001); “Acesso universal à pré- escola é desafio para o município” (24/01/2004); “Prefeitura anuncia mais creches em CEUs” (14/10/2005); “O que fazer para acabar com o déficit de vagas em

N % N % N %

Vagas, déficits, falta, carência (qualidade do atendimento, funcionários, alimentos, investimento) – com exceção de vagas, Interrupção de funcionamento (greve, férias, fechamento)

31 57,4 11 34,4 42 48,8

Funcionamento interno sem carência (programação, atividades, alimentação), Infra-estrutura (prédio, móveis, brinquedos, etc)

11 20,4 0 0,0 11 12,8

Direito, políticas, legislação (do trabalho, da família, da

criança), financiamento 8 14,8 14 43,8 22 25,6

Violência 2 3,7 0 0,0 2 2,3

Opinião sobre a creche (pais, funcionários e crianças);

nutrição e desnutrição 2 3,7 7 21,9 9 10,5

Total 54 100,0 32 100,0 86 100,0

Temas

Tipo de localização

creches e pré-escolas na zona noroeste?” (20/09/2008); “Justiça obriga a abertura de 619 vagas em creche” (07/03/2009).

Por outro lado, temas gerais que poderiam ser de interesse nacional – direitos, legislação, políticas, financiamento – aparecem mais frequentemente em UIs que tratam do tema em âmbito nacional.

Sugerimos uma “desvalorização cruzada”, parodiando a expressão de Thompson (2009) de valorização cruzada entre produtores e formas simbólicas midiáticas: o pequeno interesse do jornal (e da sociedade, no geral) pela criança pequena, pelo bebê e pela creche não atrairia os principais jornalistas do jornal, tampouco “estrelas” do mundo social nacional; este pequeno interesse acarretaria um privilégio das equipes locais de reportagem as quais, entre outros aspectos, conforme interpretação de Nazareth (2011), não exigem “pagamentos” (monetários ou de negociações) que produzem matérias sobre o local em formato reportagem. Atravessar esta muralha “do local” é missão complexa para jornalistas e outros (as) ativistas envolvidos com o tema.

Assinalamos, ainda, outro indicador referente à reduzida importância que o tema creche angariou nas UIs que compõem a amostra: o termo aparece em apenas uma das peças jornalísticas e em menos de 10% dos títulos (tabela 10).

Tabela 10 - Distribuição de frequência das UIs da amostra, por presença do termo creche na abertura e no título da peça jornalística.

Exemplos: “310 crianças passam o dia sob ponto crítico” (04/05/2003); “Tranquilidade vale mais do que dinheiro” (11/07/2004); “Lula assina MP que regulamenta FUNDEB” (29/12/2006).

Por fim, apontamos que, diferentemente de outras pesquisas do NEGRI sobre temas relacionados à “infância desvalida” – prostituição, gravidez, situação de rua, trabalho – , a creche não foi objeto de campanha jornalística, tampouco de artigos “em série”, isto é, publicados durante dias seguidos, conforme observaram Leandro F. Andrade (2001), Marcelo Andrade (2005) entre outros (as).

N % N %

Sim 1 1,2 41 47,7

Não 85 98,8 45 52,3

Total 86 100 86 100

Em suma, o jornal não parece dedicar atenção particular à creche. Um (a) leitor (a) adulto (a) que queira se informar sobre este direito da criança pela Folha de S.

Paulo on line teria poucas possibilidades pela reduzida importância e pela

opacidade da caracterização.

3.2.2 Uma caracterização opaca da creche

Trata-se de um aspecto proeminente das 86 peças jornalísticas analisadas, a nosso ver, este que denominamos de “opacidade de caracterização do tema” pela análise da distribuição de frequência de 26 categorias que comportavam a subcategoria “não explicitado”, ou seja, casos em que a informação buscada estava ausente ou não foi encontrada. Pois bem, observamos que a subcategoria “não explicitado” (ou equivalente) foi predominante na quase totalidade dos casos: em 23 das 26 categorias25 (tabela 11).

Tabela 11 - Distribuição de frequência dos percentuais observados na subcategoria não se aplica na amostra de UIs.

Fonte: conjunto de tabelas do apêndice F.

Não só a quase totalidade das categorias ostentam como subcategoria mais frequente “não explicitado/não menciona”, como o percentual obtido é bastante alto (quadro 10).

25 As exceções foram: situação administrativa da (s) creche (s) e presença de criança (s).

Frequência da subcategoria não se aplica N

41 a 50% 2 Até 40% 3 61 a 70% 4 71 a 80% 4 51 a 60% 6 mais de 80% 7 Total 26

Quadro 10 - Percentuais observados na subcategoria não se aplica, por categoria de análise da amostra.

As UIs da amostra primaram pela ausência de informações quando tratavam da creche, seja sobre a própria instituição, sobre a legislação que a ampara, sobre as crianças que a frequentam, sobre os familiares, sobre outros atores sociais (instituições, políticos, especialistas, professores, entre outros) que possam estar envolvidos com a instituição. Também, nota-se a ausência da autoria das peças jornalísticas.

Categorias N %

Não menciona a autoria 38 44,2

Não menciona sugestão sobre melhoria da qualidade 77 89,5

Não menciona idade da criança atendida em creche 49 57,5

Não conceitua creche 83 96,5

Não menciona legislação 68 79,1

Não menciona tipo de acesso à creche 76 88,4

Não menciona situação administrativa da creche 10 11,6

Não menciona localização da creche 45 52,3

Não menciona contexto socioeconômico da creche 58 67,4

Não hierarquiza formas de cuidado e educação 73 84,9

Não menciona tratamento negativo 71 82,6

Não apresenta pontos positivos e negativos 33 38,4

Não menciona tratamento positivo 44 51,2

Não menciona funções para a creche 63 73,3

Não menciona criança 5 5,8

Menciona apenas criança genérica 68 79,1

Não explicita idade da criança 50 58,1

Não explicita cor/raça da criança 78 90,7

Não explicita sexo da criança 67 77,9

Não menciona família 36 41,9

Não menciona empregadas domésticas 81 94,2

Não menciona profissionais da creche 55 64

Não menciona outros profissionais 60 69,8

Não menciona políticos 44 51,2

Não menciona instituições 50 58,1

Não utiliza estatísticas 55 64

Característica de produção

Creche

Criança

Além de termos encontrado um número, a nosso ver, alto de peças tratando principalmente de temas locais, como vimos no tópico anterior, as peças jornalísticas primam pela opacidade na caracterização da creche e do seu entorno. Duas grandes exceções: a creche está associada a crianças (se bem que tratadas, em sua maioria como crianças genéricas, como veremos) e elas são, na grande maioria, creches públicas.

Isto será tratado em tópico adiante, quando será discutida a conceituação de creche apreendida nas peças jornalísticas. Antes, porém, daremos continuidade a este tópico aprofundando a descrição sobre o subtema legislação, instância da vida social que legitima e institucionaliza o direito e conceitua a instituição.

3.2.3 Omissão de referências à legislação

Nossa busca relacionada ao tratamento dado à legislação nas peças jornalísticas aqui analisadas adotou dois procedimentos complementares: a legislação foi focalizada na categoria “3.2.3.5 legislação” (apêndice A) e na busca intencional complementar à amostra quando associamos ao descritor creche os marcos legais nacionais que regem a instituição.

Podemos observar, via outros procedimentos, a reduzida atenção dada ao tema: do conjunto de 86 UIs da amostra, apenas 18 (20,9%, tabela 12) pelo menos mencionaram a legislação; na busca intencional localizamos mais nove peças jornalísticas que tratam do tema legislação.

Tabela 12 – Distribuição de frequência das UIs da amostra, por menção à legislação relacionada à EI.

Legislação N %

Constituição Federal de 1988 1 1,2

Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil 1 1,2

ECA 2 2,3

LDBEN 3 3,5

FUNDEF/FUNDEB 3 3,5

Plano Nacional da Educação 3 3,5

Misto 5 5,8

Não menciona 68 79,1

Pela tabela 12, observa-se que a LDBEN, o FUNDEF/FUNDEB e o Plano Nacional de Educação foram os marcos legais nacionais mais frequentemente mencionados, porém em reduzido número de UIs. Causa estranheza a reduzida menção ao FUNDEB, que suscitou, em 2005, importante mobilização dos movimentos sociais e que incluiu estratégias inéditas, que poderiam aguçar o interesse público por seu ineditismo: o Movimento das Fraldas Pintadas e a Carreata de Carrinhos de Bebê em Brasília, diante do Congresso Nacional.

Ao todo localizamos apenas três UIs que trataram ou mencionaram o FUNDEB: a UI70 – “Creche é necessidade básica, dizem as crianças” – que faz apenas uma menção indireta sobre a participação da ONG Save the Children subsidiando os debates sobre o FUNDEB; a UI 9 (14/07/2008) da busca intencional, de autoria de Antônio Gois, autor com maior presença no conjunto de UIs aqui analisadas. Essa peça jornalística teve por foco principal a insuficiência de vagas: “Falta de creche pública em 25% das cidades brasileiras”. Vejamos como o jornalista menciona o FUNDEB.

Dados do IBGE demonstram que crianças de até três anos de idade são as mais negligenciadas no que se refere ao acesso à escola Em 1.356 municípios brasileiros (24% do total), não há registro, no censo do MEC de 2007, de nem sequer uma matrícula em creches públicas. São cidades em que os pais, especialmente os de menor renda, não têm a opção de matricular os filhos num estabelecimento público. Sobram apenas, quando há, vagas na rede privada ou em estabelecimentos filantrópicos. Diferentemente de outros níveis de ensino, não se espera que, nessa faixa, 100% das crianças sejam atendidas, já que, em muitos casos, não matricular os filhos é uma opção dos pais, especialmente no caso de crianças muito pequenas. Ela lembra que muitas prefeituras dependem de verba federal e elogia a iniciativa do MEC de construir mais creches e pré-escolas. Ela reclama, porém, que o valor repassado por aluno no Fundeb (Fundo de Financiamento da Educação Básica) para creches é menor do que em outros níveis de ensino (UI9,14/07/2008).

Localizamos uma peça jornalística na qual o FUNDEB e a creche são tratados

com destaque: UI 71 (01/01/2007) de autoria de Sandra Faria26, então vinculada à

26 Sandra Faria, graduada e pós-graduada em Administração Pública, era superintendente da Fundação ABRINQ na época em que publicou o texto.

Fundação ABRINQ pelos Direitos da Criança, publicada na seção Tendências/Debates: “FUNDEB, o debate começa agora”. Lembramos, inicialmente, que essa peça jornalística foi a única, da amostra, que mereceu ocupar espaço nessa seção de grande prestígio no jornal.

A peça jornalística constitui um exemplo do que gostaríamos que fosse tratado

na mídia em geral, e na Folha de S. Paulo on line em particular. Comemorando a

aprovação do FUNDEB, situando sua aprovação no contexto da mobilização social e focalizando a creche, o artigo vai adiante e aponta aspectos a serem considerados em sua implementação. A seguir, alguns excertos do texto de Sandra Faria.

(...) constitui uma conquista especialmente importante para os que defendem a educação infantil, já que a inclusão das creches no novo sistema de financiamento da educação básica é fruto legítimo da pressão exercida pelos movimentos sobre os parlamentares. (...).

Dois aspectos são essenciais para que a educação infantil, sobretudo as creches, seja efetiva e corretamente incluída no novo sistema. Primeiro, é preciso que a definição do valor aluno/ano por etapa e modalidade da educação básica seja feita levando em consideração a estimativa do custo real da respectiva etapa e modalidade.

Em segundo lugar, é fundamental criar um mecanismo gradual de absorção dos atendimentos realizados por creches comunitárias conveniadas com as prefeituras, considerando a necessidade de financiar esses estabelecimentos por um tempo determinado, permitindo – aí, então – a construção de políticas de transferências de matrículas para creches públicas. Segundo dados do IBGE, dos 13 milhões de crianças de zero a três anos, apenas 11% são atendidos em creches (UI 71, 01/01/2007).

O artigo prossegue informando sobre procedimentos adotados para o cálculo dos recursos, menciona o Custo Aluno Qualidade (CAQ) e termina alertando:

O tamanho do desafio não pode ser desculpa. Estimativas feitas pelo INEP apontam que, em 2003, o Brasil gastou apenas cerca de 0,07% do PIB nas creches públicas. Com um incremento de 0,8% do PIB de recursos públicos para esse segmento até 2011, seria possível atender esse padrão de CAQ e oferecer uma educação de qualidade para os brasileiros de 0 a 3 anos (UI 71, 01/01/2007)

As referências ao ECA, além de raras, pouco adentram a legislação, que pode ser apenas mencionada, como nos exemplos.

A cidade de Guatapará, emancipada de Ribeirão Preto há oito anos e com uma população de cerca de 20 mil habitantes, não possui creche municipal. (...).De acordo com o conselheiro

Dans le document en fr (Page 112-136)