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4.2.2 – Investigação – Ação

A atitude reflexiva e as práticas investigadoras dos professores, contornam a ideia de que a investigação está determinada para os académicos (Alarcão, 2000). Tal como sugere Coutinho (2009), a atuação do professor é consumada pela investigação – ação, utilizando um processo cíclico ou em espiral, que alterna entre a ação e reflexão crítica.

Porventura, caracteriza e identifica-se a investigação – ação, como uma metodologia de pesquisa, essencialmente prática e aplicada, que se rege pela necessidade de resolver problemas reais. Com a investigação há uma ação que visa a transformação da realidade e produzir conhecimentos através das transformações resultantes da ação (Hugon & Seibel, 1988 citados por Barbier, 1996). Desperta a consciência crítica dos professores, promovendo uma inclusão efetiva no processo onde estão integrados, estimulando a reflexão, tornando-o tão crítico quanto necessário e tão objetivo quanto lhe é exigido.

Sousa (2005:96), aponta algumas situações em que a investigação – ação se aplica de forma adequada ao mundo da educação, tais como, a descoberta de novos métodos que

possam substituir os tradicionais ou experimentando aproximações integrais de aprendizagem em vez do estilo unilinear de transmissão de conhecimentos.

4.2.3 – Pressupostos do Estudo

Alguns estudos (e.g. Tinning & Fitzclarence, 1997) verificaram que alguns alunos percecionam a EF e o currículo irrelevante e insuficientemente estimulante, considerando as aulas inúteis e pouco agradáveis. Por outro lado, expressam a desvalorização dos benefícios para a saúde e a recusa de uma identidade orientada para um estilo de vida ativo e saudável (Tinning e Fitzclarence, 1997).

Segundo Góis (2000) citado por Teixeira (2005), o caráter específico da EF e a natureza prática das aulas, influenciam positivamente ou negativamente o gosto pela atividade física, pelas relações sociais, cooperação e oposição, pela liberdade e pelo aspeto lúdico.

Relatório Final

Ao estudar o pensamento e a ação do aluno em EF, Góis (2000) concluiu que os alunos centram a sua atenção nas tarefas da aula e são da opinião que a EF é importante e tem como principal objetivo a recreação e o divertimento.

A participação nas aulas, quanto ao entusiasmo e empenho, é influenciada pela interpretação que os alunos fazem das atividades propostas, resultantes da associação destas a objetivos que sejam, por eles, compreendidos e aceites (Coelho, 2005).

Segundo Aranha e Melo (2006), as vivências dos alunos nas aulas de EF revelam diferentes perceções, concordantes com os diferentes perfis de intervenção pedagógica, determinantes para os processos que influenciam a opinião dos alunos.

Assim, uma visão que não é apenas unidirecional, que proporciona uma reciprocidade entre as duas variáveis em causa, as expetativas dos alunos perante a EF e o que a disciplina pode gerar nos alunos. Se as expetativas afetam as aprendizagens e a visão que se tem da EF, o inverso espera-se que também se verifique, ou seja, que se alterem as expectativas que se tem sobre a EF. Se for possível, modificar a abordagem às matérias desenvolvendo aspetos de cariz motivacional, suscita um acréscimo de se querer aprender mais (Pereira, Costa e Diniz, 1998).

Desta forma os jogos, além de possuírem as características próprias do jogo, por norma são intrinsecamente motivadores, despertam a espontaneidade, acarretam satisfação e ainda são proeminentes na catalisação de alterações de atitude (Schwartz, 2002).

Relatório Final

4.3 – Metodologia

Segundo Sanches (2005), na dinâmica cíclica de ação – reflexão, própria da investigação – ação, os resultados são transformados em praxis, originando novos objetos de reflexão que integram, informação recolhida e o sistema apreciativo do professor. É entre ação e reflexão que reside o potencial da investigação – ação, pois o professor regula a sua ação, analisando informação que usa na intervenção pedagógica.

Sendo um estudo sobre a própria prática, situada e singular, não pretendia generalizar resultados. O plano de ação ambicionava a melhoria da prática educativa, com implementação intencional e controlada, de aulas lecionadas sob formas jogadas e lúdicas. Foram observados os efeitos da ação usando o inquérito por questionário.

4.3.1 – Objetivos

a) Conhecer, analisar e refletir sobre as perceções e atitudes relativamente à EF;

b) Conhecer e analisar as expectativas sobre as práticas e as estratégias que são utilizadas nas aulas de EF, promovendo ações de aprendizagem adequadas aos alunos; c) Compreender se as características das atividades desenvolvidas nas aulas modificam as perceções e as atitudes dos alunos perante a disciplina de EF.

Deste objetivo traçaram-se as seguintes questões orientadoras:

- Abordagens potencialmente lúdicas no contexto escolar, geram alteração da perceção dos alunos relativamente à disciplina de EF?

- As perceções de experiências vividas, em atividades lúdicas, em EF, influenciam as atitudes para com a disciplina?

4.3.2 – Participantes

O estudo desenvolveu-se na turma do 11º ano constituída por: 16 alunos, sendo 14 (87, 5%) do sexo feminino e 2 (12,5%) do sexo masculino, com média de idades de 16,81 ± 0,750 sendo que 6 alunos têm 16 anos, 7 com 17 anos e 3 com 18 anos.

4.3.3 – Instrumento de pesquisa

Para avaliar as perceções e atitudes dos alunos foi usado um questionário adaptado de Gonçalves (2008) com 14 questões (anexo 12) cujo preenchimento, não colocou problemas de compreensão.

Relatório Final

O questionário era constituído por duas partes:

Parte 1. Identificação- incluindo com questões que pretendiam caracterizar os alunos no que diz respeito: idade, sexo, prática de atividade física no desporto escolar e fora da escola, notas obtidas na disciplina de EF.

Parte 2. Perceções e atitudes relativamente à EF com questões que pretendiam determinar o gosto pela disciplina, a importância atribuída à EF, a escolha da EF se fosse opcional, a utilidade da EF no geral e do que se aprende nas aulas, como os alunos avaliam as suas capacidades e as intenções de prática quando terminarem o 12º ano.

4.3.4 Procedimentos e fases do estudo

1ª Fase (05/01/2012)

Foi solicitado aos alunos, que respondessem de forma sincera e espontânea, informando que não existiam respostas certas ou erradas, boas ou más e o questionário era anónimo e confidencial. Foi realizado nos dez minutos iniciais da aula de EF.

2ª Fase (09/01/2012)

Ao longo de um período letivo decorreu a fase de intervenção, em que foram desenvolvidas tarefas de cariz lúdico ou jogada, correspondendo às matérias sempre que possível e às necessidades dos alunos, diferenciando o ensino sem perder os objetivos do plano anual. Os alunos foram previamente informados da investigação, tendo conhecimento que estavam perante uma forma diferenciada de abordagem às matérias 3ª Fase (12/04/2012)

Na primeira aula do 3º período de forma a verificar as diferenças nas atitudes e perceções dos alunos realizou-se a 3ª fase com nova aplicação do questionário.

4.3.4 – Análise de dados

Para tratamento dos dados recorreu-se à estatística descritiva (com utilização da média, e desvio-padrão) e à estatística inferencial não paramétrica para se verificar se existiam diferenças nas perceções e atitudes dos alunos entre os dois momentos de recolha de dados. Neste caso, optou-se pelo teste de Wilcoxon utilizando-se o grau de significância de 0.05, valor habitualmente considerado em Ciências Sociais e Humanas. Todo o tratamento foi efetuado através do PASW Statistics 18.

Relatório Final