O setor caíçadista é bastante suscetível às mudanças que ocorrem na economia brasileira, como o quadro recessivo atual, o que justifica, em parte, as dificuldades enfrentadas na manutenção do mercado interno. A retração no mercado interno compromete os esforços acumulados, porque para sobreviver, a pequena empresa necessita reduzir despesas (com reflexo maior no corte de empregados) e custos (enxugamento do mix de produtos, fabricando produtos de maior demanda e/ou mais baratos) e adiar investimentos programados, dentre outros fatores.
O quadro apresentado acima, entretanto, não exime a indústria caíçadista de buscar saídas e alternativas criativas e eficazes para superar as dificuldades enfrentadas, tanto no ambiente interno como no externo. A julgar pela pesquisa feita, em relação ao ambiente interno organizacional, as dificuldades tornam-se mais evidentes, se levarmos em conta que a maioria das indústrias ainda adotam conceitos, métodos e procedimentos ultrapassados ou inadequados (vide análise da pesquisa) para enfrentar a realidade de um mercado altamente competitivo.
Como a pesquisa visa contribuir para que as pequenas indústrias do caíçadista sigam um modelo m ínim o para competir no mundo globalizado, sob o foco da gestão da informação como suporte às demais áreas, e daí, partir decididamente para a conquista e consolidação do mercado externo, a começar pelo MERCOSUL, apresentamos as estratégias que julgamos adequadas para que os objetivos sejam plenamente alcançados.
1. TKCNQLOGIA DA INFORMAÇÃO
• Interligar os microcomputadores em rede: reduz os gastos, economiza tempo e agiliza os procedimentos;
• Fazer atualizações (up-grade) dos microcomputadores, acrescentando os recursos multimídia para possibilitar acesso à Internet;
• Fazer uso intensivo da Internet (e usufruir dos serviços oferecidos), visando monitorar o mercado e as novidades;
• Lançar (fazer) site da empresa na Internet, de forma interativa e com boa apresentação gráfica;
• T o rn a r prática corrente o uso do correio eletrônico (e-mail), que deve
estar identificado na página inicial do site: reduz fluxo de papéis, gera ganho de tempo, dá respostas imediatas e elimina despesas com impressos e correios.
• Implantar sistemas de informações, (especialmente o SIG) adequado as suas necessidades, com acesso restrito ou não, para monitorar a performance empresarial;
• Implantar serviço telefônico tipo 0800 (ligação gratuita) para atendimento de sugestões e reclamações do consumidor.
2. CONQUISTA DO MERCADO EXTERNO
• F o rm ar parcerias entre empresas para formar redes e consórcios,
escolhendo um dos modelos expostos neste estudo, para uma ação coordenada visando atuar tanto no mercado interno como no externo e, que se constituem numa importante alternativa;
• Fazer parceria através de associação ou acordo de cooperação, diretamente com empresas do mercado externo visado, para a pesquisa, produção ou comercialização de seus produtos;
• Participação intensiva em feiras ou exposições do segmento;
• Aproximar-se de entidades de apoio como o SEBRAE, FAMPESC, BRDE, dentre outros, para as ações conjuntas ou isoladas, voltadas a busca de informações, participação em missões e seminários, apoio financeiro e técnico, convênios de cooperação e novas oportunidades de negócios;
• Escolha de representantes externos, segundo a experiência, conhecimento do mercado e idoneidade pessoal;
• Fazer road-show, que é a mostra individual do potencial da empresa, de forma institucional e mercadológica, nos mercados visados;
• Adequar seus produtos ao padrão MERCOSUL, no que concerne as embalagens: que devem conter código de barras e o uso dos idiomas espanhol e português.
3. COMPETITIVIDADE EMPRESARIAL
• Buscar a parceria local para constituir uma cooperativa central, visando a aquisição de insumos em grandes volumes para baratear custos e a contratação de profissionais ligados à capacitação de recursos humanos; • Investir na inovação tecnológica, tanto em equipamentos como no
produto ou serviço final;
• Divulgar intensivamente o site na Internet e o e-mail, inclusive, como canais de fechamento de negócios (orientação a representantes e demais clientes e fornecedores);
e Implantar programas de Qualidade Total. É condição essencial para o recebimento do certificado da série ISO 9000 e, assim, viabilizar as exportações;
• Implantar o planejamento estratégico da empresa
• Usar intensivamente instrumentos de marketing para a venda de produtos e serviços;
• Realizar pesquisas periódicas de mercado para saber tendências do mercado ou outras necessidades;
• Implantar programas contínuos de treinamento, na própria empresa, dos empregados de várias áreas;
• Desenvolver ações para suporte à visão de competitividade sistêmica, através do engajamento em programas de fomento governamentais ou privados, implantados por órgãos como o Banco do Brasil, BNDES, BRDE ou SEBRAE, voltados para viabilizar o crescimento sustentado da pequena empresa.
7 - C O N C L U SÃ O FINAL
A luta da pequena empresa num mercado altamente competitivo é árdua, pois há muitos desafios. Dentro e fora dela. Dentro, os recursos são fatores determinantes e delimitadores de sua capacidade. Fora dela, as leis do mercado são severas e está em jogo a sua própria sobrevivência. Mas, a grande virtude e diferença que uma pequena
empresa pode explorar é a agilidade e a criatividade.
A agilidade, na forma de poder ser flexível ao ponto de responder mais rapidamente às necessidades e mudanças do mercado, pois tem estrutura menor e mais enxuta. Já o uso da criatividade é a saída encontrada para compensar suas próprias limitações. Desenvolver criatividade é criar idéias, estabelecer mecanismos e criar oportunidades para a conquista e crescimento do mercado. Produtos e serviços com qualidade são normas estabelecidas. Agora, associados com criatividade, estabelecem uma diferença altamente positiva. A alavancagem para o crescimento de uma pequena empresa também se dá na exploração de produtos únicos ou diferenciados, ou seja, explorando nichos de mercado. Mercado ou produtos que as médias e grandes empresas menosprezam, podem se constituir num importante caminho e significar um crescimento sustentado para a pequena empresa.
A pequena empresa deve ter sensibilidade para entender a dinâmica do mercado em que atua visando adaptações, correções ou mudanças que se requeiram ao longo do tempo, tratando-se de se encaixar, em tempos de globalização, na arte de seduzir e encantar o cliente. Mais do que nunca, a pequena empresa precisa ter crenças, atitudes, valores e expectativas compartilhadas, independentemente do tipo de atividade.
Para que todos os propósitos sejam concretizados, é importante que a pequena empresa tenha a informação sob seu estrito controle, pois é ela é a base do conhecimento do mercado em que atua (oferta, demanda, concorrência, clientes, fornecedores, etc). A
contribuição deste estudo, portanto, está nos modelos propostos e na pesquisa realizada, com o intuito de disponibilizar às pequenas empresas armas eficazes para competirem no mundo globalizado, e que tem como foco o importante papel da gestão (tecnologia) da informação como viabilizadora e dinamizadora desse processo.