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CHAPITRE I. TRAVAUX ANTERIEURS

II. 4. 2. 1. Flavonoïdes

A partir das contribuições das províncias e de algumas observações feitas pelo Generalato, a segunda comissão preparatória internacional, reunida em Roma na Primavera de 2000, elaborou uma primeira versão da Declaração Preliminar que foi entregue aos membros do Conselho Geral. Coincidindo com a presença da segunda comissão preparatória em Roma, o tema do XV Capítulo Geral integrou a agenda das reuniões do Conselho Geral entre os dias 4 e 16 de Maio de 2000. Na reunião do dia 4 de Maio, os conselheiros sugeriram algumas modificações quer quanto à estrutura do documento, quer quanto ao conteúdo. O Conselho Geral pediu que a comissão acentuasse mais a abertura da Congregação ao mundo e que se repensasse o compromisso missionário da SVD no mundo de hoje a partir da situação actual da Congregação. Os comentários dos conselheiros parecem alertar contra o excessivo acento no activismo180. O Conselho propunha que se encontrasse uma palavra-chave

179 Cf. Ibid., p. 6.

180 As actas da reunião referem os seguintes comentários: «Most important: we are messengers of hope, not sent to solve all the problems. […] As important as telling confreres ‘what to do’ is ‘how to do it’». A propósito dos vários serviços pastorais e actividades da Congregação, insistem na ideia de que para os realizar é necessário «to renew our being and internal stuctures (formation, international communities,

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que sintetizasse a resposta missionária verbita no mundo contemporâneo. De seguida, o Conselho Geral reenviou o texto para a segunda comissão preparatória de modo a que fossem introduzidas as alterações propostas e feitos alguns ajustamentos redactoriais.

Na reunião do dia 8 de Maio de 2000, o Conselho Geral discutiu a versão semifinal da declaração. Da discussão saíram novas sugestões para serem tidas em conta pela comissão preparatória181. Os conselheiros ainda não ficaram satisfeitos com a estrutura do documento e, por isso, pediam um texto ainda mais curto e com uma linguagem simples. Ao nível de conteúdo, surgem algumas dúvidas relativas ao papel do diálogo na missão para as quais não são dadas respostas182. Todavia, preferem que se substitua o conceito de «fronteira» pelo conceito de «diálogo». Relativamente ao serviço missionário com os pobres, menciona-se que falta referência ao objectivo mais importante: a melhoria das suas condições de vida e a defesa da sua dignidade.

A segunda comissão preparatória introduziu algumas modificações e entregou a versão final da declaração ao Conselho Geral. No dia 16 de Maio, os conselheiros discutiram este texto reformulado e insistiram novamente nalgumas ideias que lhes pareciam ainda pouco desenvolvidas. Por exemplo, pedem que o documento final do Capítulo seja escrito num estilo mais caloroso de modo a reacender o entusiasmo missionário de todos os membros da Congregação. Afirmam, de novo, que o compromisso missionário da SVD não é só com o diálogo, nem este é o único caminho da missão, mas acrescentam que o diálogo está no seu nível mais profundo. Nesta reunião, o Conselho Geral pediu aos padres Antonio Pernia e Carlos Pape que fizessem uma última revisão do texto, incorporando as propostas apresentadas. No dia 20 de Maio de 2000, o Conselho Geral aprovou a versão final da Declaração Preliminar apresentada por Pernia e Pape. Na mesma reunião, os conselheiros decidiram que Leo

spirituality)». «Minutes of the General Council meeting 035 (4th May, 2000)», in AG-SVD, Minutes of the General Council meetings 2000.

181 Cf. «Minutes of the General Council meeting 036 (8th May, 2000)», in AG-SVD, Minutes of the

General Council meetings 2000.

182 Ibid. A questão registada em acta é a seguinte: «Dialogue too narrow a reality for describing our mission? On the other hand, even if we proclaim we have to do in a ‘dialogical’ way».

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Kleden iria fazer a apresentação da declaração no Capítulo Geral, referindo brevemente a sua história e salientando as linhas mais importantes183.

A Declaração Preliminar, aprovada pelo Conselho Geral, foi entregue a todos os capitulares para reflexão e estudo em ordem à sua discussão na assembleia capitular184. Com este documento entrava-se na terceira fase do processo de preparação do XV Capítulo Geral.

A declaração estava dividida em três partes, tal como acontecera com o Documento de Trabalho. Todavia, foram feitas algumas alterações na disposição do material e introduzidas algumas novidades no seu conteúdo. Assim, todos os assuntos englobados na primeira parte do Documento de Trabalho, «Discernindo a vontade de Deus», foram reduzidos a quatro parágrafos e remetidos para a introdução185. A primeira parte da Declaração Preliminar era completamente nova e tinha como título «O contexto missionário contemporâneo». Na verdade, se esta primeira parte era nova, todavia convém salientar que o Documento de Trabalho já fazia uma referência, ainda que breve, ao contexto social e cultural onde a missão ocorre, nomeadamente quando mencionava a necessidade de uma leitura dos sinais dos tempos186. Contudo, não há dúvida de que o novo texto dava um destaque maior ao contexto da missão, mormente quando descreve o contexto onde os membros da Congregação do Verbo Divino eram chamados a realizar o seu serviço missionário. A segunda comissão preparatória entendeu que era difícil apresentar uma síntese exaustiva do contexto global em que hoje tem lugar a actividade missionária, por isso limitou-se a esboçar um quadro das tendências mais relevantes que se observavam no mundo, na Igreja e na Congregação e que, na sua opinião, influenciavam a resposta missionária187. Estas tendências predominantes foram descritas em três secções188.

183 Cf. «Minutes of the General Council meeting 041 (20th May, 2000)», in AG-SVD, Minutes of the

General Council meetings 2000.

184 A Declaração Preliminar intitula-se «Listening to the Spirit. Our missionary response today», AG- SVD, XV CG, folder V, doc. 182. Usamos a sigla DS do título inglês «Draft Statement».

185 Cf. DS §§4-7. 186

Cf. WP §§21-23. 187 Cf. DS §10. 188 Cf. Ibid., §§11-31.

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Olhando para o mundo contemporâneo, a segunda comissão apontou como tendências predominantes a globalização189, a urbanização, as migrações e as ânsias de libertação190. Por um lado, estas tendências produziam efeitos negativos nos campos social, ecológico, cultural e religioso, por exemplo: aumento da violência, exclusão social, exploração desenfreada do planeta, relativismo cultural, etnocentrismo e fundamentalismo religioso. Por outro lado, também eram enumeradas algumas consequências positivas, como, por exemplo: o incremento da consciência social, gestos de solidariedade, a consciência ecológica, a colaboração e o diálogo inter-religioso191.

No que à situação da Igreja concerne, o texto destacava a sua universalidade e diversidade, a crise existente nas igrejas locais mais antigas, a tensão entre aqueles que queriam mudanças rápidas e os que a pretexto de defender a unidade da Igreja temiam qualquer inovação, a nova compreensão da missão introduzida pelo Vaticano II e a centralidade da missão na vida da Igreja192.

A propósito da Congregação do Verbo Divino, a segunda comissão internacional realçava alguns elementos positivos como a sua composição internacional e intercultural193, a sua vitalidade194 e a introdução do sistema de zonas. Salientava, também, que, apesar de na maioria das situações já se ter abandonado o conceito de

189 O texto não usa a palavra «globalização», mas sim a expressão «aldeia planetária»; contudo, o sentido é aquele. Cf. Ibid., §11.

190 Cf. Ibid., §§11-14. 191

Cf. Ibid., §§15-23. 192 Cf. Ibid., §§24-27.

193 No ano 2000, a Congregação do Verbo Divino estava a celebrar os 125 anos da sua fundação. Nesse ano, a SVD contava com 5961 membros, originários de 62 países. Nessa data, os verbitas do continente asiático já somavam 2862, contra 2065 da Europa. No topo dos países de origem, situavam-se a Indonésia (1392), a Índia (697), a Alemanha (627), a Polónia (600) e as Filipinas (532). Cf. Catalogus 2000. Roma, Curia Generalizia SVD, 2000, pp. 487-491. Todavia, em 2010, os números já eram os seguintes: Total: 6105; dos quais 3498 eram naturais da zona ASPAC e 1609 da zona Europa. Por países: Indonésia: 1526; Índia: 891; Polónia: 554; Filipinas: 539; Alemanha: 416. Cf. Catalogus 2010, pp. 467-470. No Catalogus do ano 2000, a Ásia e a Oceânia estavam separadas. A partir de 2003, as estatísticas aprecem por zonas. Contudo, os números da Oceânia pouco alteram os resultados. Assim, se às estatísticas do ano 2000 somarmos os 45 verbitas naturais da Oceânia, o total da ASPAC seria 2907. Se, pelo contrário, às estatísticas de 2010 retirássemos da zona ASPAC os 62 membros da SVD naturais da Oceânia [Austrália, Fiji, Nova Zelândia, Papuásia Nova Guiné, Tonga e Vanuatu], a Ásia continuaria a ser o continente com mais verbitas, ou seja, 3436.

194 Contrariamente a outras Congregações missionárias, a SVD tem vindo a crescer em número de membros, apesar do acentuado decréscimo de vocações na Europa e na América do Norte. O aumento deve-se, sobretudo, às vocações originárias da Ásia. No ano em que se realizou o XV Capítulo Geral, a SVD contava com 5961 membros. Em 1980 eram 5296. Cf. Catalogus 2000, pp. 491-492.

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missão puramente geográfico, ainda havia dificuldade em identificar as novas situações missionárias e comprometer-se com elas195.

A segunda parte do Declaração Preliminar, que no Documento de Trabalho se intitulava «a nossa visão missionária», passou a chamar-se «a nossa vocação missionária», ainda que o respectivo conteúdo mantivesse as suas linhas fundamentais. Ganhou, porém, uma nova estrutura interna que permitiu uma organização mais sistemática e uma maior clareza na apresentação do material. As seis secções da segunda parte do Documento de Trabalho foram reduzidas a três no novo texto. No começo desta parte, no parágrafo 32, ficou exarada a convicção fundamental da missão verbita, ou seja, a missão entendida em primeiro lugar como obra de Deus e a vocação missionária como um chamamento a participar nessa missão de Deus. Estava claro na mente dos membros da segunda comissão que a Igreja e a Congregação do Verbo Divino estavam chamadas a participar na missão de Deus, por isso, o material foi organizado em três secções, que versam sobre a missio Dei, a participação da Igreja na missão de Deus, e a participação da SVD na mesma missão.

A primeira secção desta segunda parte da Declaração Preliminar apresentava a missio Dei a partir da criação e do desígnio de Deus que quer que toda a humanidade participe da Sua vida divina. Este projecto de Deus alcançou a plenitude em Jesus Cristo, o Filho predilecto do Pai. Jesus, cheio do Espírito Santo, proclamou a Boa Nova do Reino de Deus e desafiou o povo a aceitá-la. Rejeitado, foi condenado à morte. Mas, ao terceiro dia, Deus ressuscitou-o como primícias da nova criação196.

Por sua vez, a Igreja foi chamada desde o início a participar na missão de Deus. A segunda secção da supradita declaração começava por evocar o mandato missionário de Jesus aos seus discípulos, convidando-os a dar testemunho do Reino de Deus presente na Sua pessoa. Desde o começo, a Igreja tem sido missionária por natureza levando, através da Palavra e dos Sacramentos, da oração e do serviço da caridade, a Boa Nova a todos os recantos da terra. A Igreja está, nesta missão, ao serviço do Reino

195 Cf. DS §§28-31. 196 Cf. Ibid., §§33-38.

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de Deus, alegrando-se porque «a acção salvífica de Deus esteve e continua a estar presente na história, nas culturas e religiões de todos os povos»197.

A terceira secção, intitulada «A SVD chamada a participar na missão de Deus», era a mais desenvolvida, recolhendo e organizando o material já presente no Documento de Trabalho. O texto reconhecia que os verbitas não eram os únicos chamados a ser missionários, pois todos os membros da Igreja participam desta vocação comum. Todavia, há diversas maneiras através das quais a Igreja vive o seu mandato missionário. É por isso que, inspirados pelo Espírito, os membros da SVD procuravam discernir qual seria o seu contributo específico. Os parágrafos seguintes – explicavam os autores do rascunho –, assinalavam as marcas distintivas da vocação dos missionários do Verbo Divino no mundo de hoje centrando a atenção em três elementos fundamentais: o testemunho do Reino de Deus, o compromisso com as quatro formas de diálogo e as dimensões características do carisma verbita198.

O testemunho verbita do Reino de Deus caracterizar-se-ia pela universalidade e abertura à diversidade para «testemunhar o amor de Deus precisamente nas situações onde o seu abraço universal não é reconhecido e onde a sua abertura à rica diversidade dos povos não é tida em conta»199. Este testemunho não era um apelo ao «mero activismo»; pelo contrário, começava com a experiência do Reino de Deus na vida individual e comunitária sendo sustentado «graças ao seguimento do Senhor pelos caminhos dos conselhos evangélicos»200.

O compromisso missionário verbita era classificado como um diálogo de comunhão e libertação. Falava-se agora de um «quádruplo diálogo», em vez das quatro «fronteiras missionárias». Este diálogo deveria ser concretizado: 1) com pessoas alheias a qualquer comunidade de fé e com pessoas que buscam a fé201; 2) com pessoas de outras tradições religiosas e ideologias seculares202; 3) com gente de outras culturas203;

197 Ibid., §42. 198 Cf. Ibid., §44. 199 Ibid., §45. 200 Ibid., §48. 201 Cf. Ibid., §§52-55. 202 Cf. Ibid., §§56-59. 203 Cf. Ibid., §§60-63.

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4) com os pobres e marginalizados204. Nestas quatro situações, o documento fornecia pistas para levar à prática este compromisso missionário de diálogo. Também eram assinaladas algumas tarefas que a Congregação do Verbo Divino poderia assumir nas Igrejas locais, quer por si própria, quer em conjunto com elas, e formulavam-se alguns desafios de conversão mais profunda que o diálogo exigia para que pudesse fazer parte da vida pessoal e comunitária do missionário verbita.

A terceira componente peculiar do serviço missionário verbita era designada por «dimensões características»205. Esta terminologia vinha substituir a expressão «dimensões essenciais», em voga nos textos anteriores. Com a expressão «dimensões características» designavam-se os elementos da vida e serviço missionário da Congregação que eram como que traços da família verbita. Ao longo dos últimos anos, em diferentes momentos, esses traços essenciais foram sendo apelidados de «prioridades», «áreas» e «dimensões essenciais». Na Declaração Preliminar ficaram reduzidos a quatro: a pastoral bíblica, a animação missionária, o apostolado JPIC e a comunicação social.

A terceira parte do Declaração Preliminar também mudou de nome. Em vez do título «o nosso compromisso missionário», atribuído pela primeira comissão, agora a segunda comissão achou por bem intitulá-la «a nossa agenda missionária para os próximos seis anos». De facto, esta parte apresentava recomendações concretas para que, no futuro imediato, a SVD pudesse: 1) responder aos novos desafios, como sejam a globalização, a urbanização, as migrações, a busca de libertação e o impacto que tudo isto tem na consciência e na vida das pessoas206; 2) reforçar os compromissos actuais, tais como o serviço paroquial e a colaboração com o laicado207; e 3) renovar os recursos internos, nomeadamente investindo na formação dos membros da Congregação, acentuando o papel da espiritualidade, renovar a vida comunitária, estimular a herança

204 Cf. Ibid., §§64-67. 205 Cf. Ibid., §§68-74. 206 Cf. Ibid., §§76-82. 207 Cf. Ibid., §§83-92.

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histórica no campo da investigação missiológica e caminhar para o auto-financiamento e a solidariedade na gestão dos bens materiais208.

Deste modo, ao elaborar a Declaração Preliminar, a segunda comissão preparatória internacional procurou integrar as contribuições das províncias, dar resposta às preocupações do Generalato e colocar em cima da mesa as linhas mestras que, na sua opinião, deveriam ocupar a reflexão dos delegados e o debate na assembleia capitular.

5. Algumas observações sobre o processo de preparação do XV Capítulo

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